Sonhando (e voando) acordados

Cem crianças carentes de escolas de Planaltina (DF) e Cabeceira Grande (MG) passam momentos inesquecíveis no Aeroporto Internacional de Brasília e num A-320. Nenhum deles havia entrado antes num avião; foram instantes de alegria e emoção

Freddy Charlson

“Atenção, passageiros mirins da Escola Classe ETA 44 e da Escola Professora Hozana, por favor, preparem-se. O embarque de vocês vai começar agora!”

15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - ANDANDO NO TERMINAL

O aviso informal – bem mais informal do que o habitual – feito ao microfone por um funcionário da TAM causou um abalo de 3.0 na Escala Richter (aquela que mede a intensidade dos terremotos) no saguão do Aeroporto Internacional Juscelino Kubistchek. Gritos, risadas, pulos de alegria, socos jogados no ar, uma festa. A festa, ali, em frente ao Portão 19, contagiou passageiros que estavam em outros portões. De perto ou de longe, eles se espantavam e riam com toda aquela euforia.

15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - COM CART+âO DE EMBARQUE

Não era à toa. Os 80 alunos do ensino infantil à quinta série da Escola Classe ETA 44, localizada em Planaltina, viviam um sonho. O mesmo ocorria com os 18 estudantes da quarta série do Colégio Professora Hozana, em Cabeceira Grande (MG), município a 120 quilômetros da capital do país. Para muitos, era a primeira vez que viam aviões tão de pertinho. Para quase todos, era a primeira vez que visitavam o aeroporto que recebe 400 aviões e 50 mil pessoas a cada dia. Para todos, seria a primeira vez que entrariam num avião, de verdade. No caso, um A-320, da TAM, com capacidade para 174 pessoas. Sim, aqueles meninos realizaram sonhos em série…

15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - NA ESTEIRA 15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - ENTRANDO NO PORT+âO 15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - CARROS DE BOMBEIRO

E tudo começou com uma conversa entre a Inframérica, administradora do terminal de Brasília, e a diretora da escola planaltinense, a simpática Denise Valadares de Carvalho. A concessionária queria dar uma alegria aos estudantes e bombar o Dia das Crianças. A diretoria queria dar um upgrade no projeto Meios de Transporte, que desenvolve na escola. Conversa daqui, conversa de lá, busca de parceiros ali, produção acolá. E, pronto! O projeto Passeio no Aeroporto saiu do papel e ganhou asas no aeroporto brasiliense.

Voo em solo
Asas mesmo. Os meninos praticamente voavam pelo terminal na tarde dessa quarta-feira (14/10). Chegaram em quatro ônibus escolares, ganharam camisetas, receberam uma espécie de “cartão de embarque”, passaram pelo raio-x, esperaram a chamada no Portão 19, pegaram um ônibus do aeroporto e, tchan, tchan, tchan, tchan!, entraram no avião da TAM. Ali, nove funcionários – dois pilotos e sete comissários – da empresa, baseados em Brasília, fizeram serviço de voluntariado para mostrar um pouco de sua rotina aos pequenos.

15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - NO P+üTIO

Entre demonstrações do uso correto do cinto de segurança e da poltrona e das luzes, os comissários, além de servirem água e refrigerante, divertiram as crianças. Por “divertir”, entenda-se, brincar, fazer piadas e até dançar, como fez Douglas Lupo, chamado de “Comissário Louco”. Com uma máscara de oxigênio no rosto, ele atravessou o corredor do avião repetidas vezes, dançando “Macarena”. A criançada sorriu até. E só lamentou que a comissária Myrelle Furlan não tenha feito o mesmo, apesar dos repetidos pedidos delas e da tripulação.

“Está tudo tão legal aqui. Estou adorando o passeio, afinal é a primeira vez que eu entro em um avião”, contava a animada Júlia Santos de Sá, 11 anos, aluna da ETA 44 e moradora do Núcleo Rural Sarandi, na região de Planaltina. Júlia sentou numa poltrona na parte de trás do avião, a 30B, e, de lá, observava a tudo, bastante interessada. “Quero ser médica ou veterinária. Adoro cuidar das pessoas e dos animais. E preciso trabalhar para viajar muito”, disse. “Viajar de quê, Júlia?”, perguntou a reportagem do Blog Check In. “De avião, claro. Sonho em conhecer a Europa”, confessou, entre um e outro gole de refrigerante, a filha da babá Alenuzia, e de um funcionário da Embrapa, seu Ronaldo. Boa menina.

Também bom menino, mais um milhão de vezes mais agitado que Júlia, era o pequeno Moisés Pereira Dantas, 7 anos. Ele pulava de cadeira em cadeira, fazia perguntas, pedia refrigerante… “Tô gostando, adorei entrar no avião, tomei refrigerante, li as revistas e achei tudo legal, isso aqui é muito grande”, disparava, a torto e a direito. Também morador do Núcleo Rural Sarandi, o aluno de primeiro ano aproveitou para dizer que quer viajar para Goiânia. “Fazer o quê lá, menino”, perguntou a reportagem do Blog. “Visitar meu amigo que mudou para lá, o Vladimir”, explicou o aluno da paciente professora Ana Lúcia. Uma graça, o Moisés.

Salvando vidas

E, assim, se passou a tarde. Os estudantes saíram do avião e conheceram a Seção de Combate a Incêndio, conversaram com os bombeiros de aeródromo, assistiram uma palestra sobre o trabalho deles e sobre a preservação do lixo, conheceram os equipamentos dos 64 bombeiros que atuam no Aeroporto Internacional Juscelino Kubistchek, viram os cinco carros disponíveis no Terminal, se empolgaram com as aves de rapina, gaviões e falcão, que protegem o ar e a terra em torno das duas pistas do terminal e terminaram o dia com um delicioso lanche oferecido por uma rede de fast food que tem loja no aeroporto.

15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - AVES DE RAPINA 15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - BOMBEIROS DE AER+ôDROMO

O lanche – acompanhado de uma sacola com brinquedo, gibi, lápis de cor e folhas para colorir – foi, digamos, a cereja do bolo de uma tarde tão especial. Ao final da aventura, os pequenos estudantes estavam realizados, ainda eufóricos em realizar o sonho de se tornarem passageiros por um dia em um dos maiores aeroportos do país. Muitas, ali, naquelas idas e vindas – até o passeio na esteira foi digno de festa – tiveram, despertada a paixão pela aviação.

Paixão, aliás, que já faz parte do dia a dia de Raniel Humberto Rocha Coelho, 10 anos. Aluno da Escola Professora Hozana, em Cabeceira Grande (MG), ele sonha, um dia, em pilotar um avião. Quer voar alto, conhecer outras cidades que não a sua, que tem meros sete mil habitantes, e viajar muito. “Desde criança eu gosto de avião e até já voei num, mas como passageiro”, brincou o menino. É que o pai, conta, trabalha numa fazenda chamada Santa Matilde, no município.

E, certa feita, Raniel voou num “pulverizador”. “Pul… o quê”, pergunta a reportagem. “Pulverizador”, fala rápido, com o característico sotaque de qualquer mineirinho. “Um avião que voa baixo e joga água, sementes e veneno no solo”, explica. “E esse menino, Raniel, teve medo?”, questiona, novamente, o repórter. “Medo, não. Mas senti um friozinho na barriga, não vou negar, né?”.

Friozinho na barriga, tipo o que ocorreu no passeio, quando Raniel entrou no A-320 da TAM, avião bem maior e bem mais moderno que o pulverizador que voa baixo e que joga água, sementes e veneno nos solos das Gerais. Ali, com cara de bobo e de espanto, Raniel não deu um pio. Olhava para todos os lados. Conferiu janela, teto e corredor, prestou atenção nas orientações dos comissários e, bem, impossível saber o que ele estava sentindo ou pensando naquele momento. Impossível.

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Olha o “passarão”!

Aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, realiza o 1º Spotter Day, evento que reuniu 65 fotógrafos amantes da aviação para… clicar aviões; ponto reservado para as fotografias ficou a 300 metros da pista

O clique de Gabriel Mello, no 1º Spotter Day do Aeroporto JK, em Brasília (DF).

O clique de Gabriel Mello, no 1º Spotter Day do Aeroporto JK, em Brasília (DF).

Um, dois, três e … De repente, centenas de cliques tomaram conta, no Aeroporto de Brasília, do Spotting Point, um ponto reservado a pessoas que gostam de fotografar aviões. Ali, num sábado de sol (saudades, Mamonas Assassinas!), 65 fotógrafos e entusiastas se reuniram para registrar imagens de pousos e decolagens de aeronaves, durante o 1º Spotter Day da capital brasileira.

E foi um sucesso, afinal mais de 300 pessoas se candidataram a passar horas clicando as máquinas mais pesadas do que o ar, num hobby que, cada vez mais, vem ganhando adeptos e se tornando uma atividade comum em aeroportos de todo o mundo.

No Brasil, a brincadeira séria de fotografar diferentes modelos de aviões também vem fazendo sucesso. Prova disso é que spotters de São Paulo, Minas Gerais e Amapá (além do Distrito Federal, claro) participaram do 1º Spotter Day do Aeroporto JK. O evento teve apoio da Air France, Azul Linhas Aéreas, Grupo IMC e Canon, aquela gigante japonesa que desenvolve equipamentos fotográficos. Inclusive, no evento havia um instrutor de fotografia e equipamentos de ponta da marca.

Tendência

A cada decolagem, um clique! Foto: Gabriel Mello

A cada decolagem, um clique! Foto: Gabriel Mello

“A experiência foi incrível e reuniu amigos de várias partes do Brasil. Estava tentando isso há bastante tempo. Foi um sonho realizado. Tirei boas fotos, mas o melhor foi ver na expressão de cada um a felicidade de estar tão próximos de aviões e participar do evento que marcou nossas vidas”, confessou Gabriel. Ele visitou o Aeroporto JK durante dias seguidos na semana passada. No primeiro dia, recebeu amigos fotógrafos; no segundo, participou do briefing sobre o evento; e no terceiro, fez a festa no Spotter Day. Uma prova de que Gabriel gosta muito, muito mesmo, de aviação.

Integração

Fotógrafos e apaixonados por aviação durante o Spotter Day. Foto: Inframerica

Fotógrafos e apaixonados por aviação durante o 1º Spotter Day. Foto: Inframerica

“Já vi spotters virarem comandantes, é uma ótima chance para quem gosta de aviação”, conta Fernando Campana, gerente de aeroporto da Air France. Segundo ele, o Spotter Day é uma oportunidade singular para os amantes da fotografia.

O presidente da Inframerica, o engenheiro José Luís Menghini, disse que o evento aproximou e integrou os passageiros com o Aeroporto de Brasília. “Queremos que outras edições aconteçam para dar a oportunidade a fotógrafos e apaixonados por fotografia aeronáutica verem de perto os aviões. A ideia é que nosso aeroporto não seja só um lugar de passagem, mas um espaço agregador”, comentou.

E foi mesmo, afinal até os pilotos interagiram no evento, acenando para os participantes durante o taxiamento até a pista para pouso e decolagem. Isso porque a ação foi planejada seguindo os processos e normas de segurança para o ingresso a uma área restrita do terminal.

Por fim, outra boa notícia: todos os participantes do 1º Spotter Day estão automaticamente cadastrados no concurso fotográfico do Aeroporto de Brasília. Eles têm até o próximo dia 2 de agosto para enviar as fotos participantes do concurso. O autor da melhor foto ganhará viagem, com acompanhante para Natal, no Rio Grande do Norte. A divulgação do resultado será feita no início de agosto.

Confira aqui mais fotos do evento:

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Cadê o aeroporto que estava aqui?

Apenas cinco países em todo o planeta não possuem aeroporto: Andorra, Liechtenstein, Mônaco, San Marino e Vaticano. Sorte que eles ficam na Europa, próximos a grandes terminais de outras nações. Ah, e têm heliporto…

Freddy Charlson

O papa Francisco (batizado como Jorge Mario Bergoglio) vira-e-mexe desembarca em um dos mais de 200 países do mundo – agora mesmo, ele acabou de concluir um périplo pela América do Sul, visitando Equador, Bolívia e Paraguai. Ou seja, o brasileiro católico mais ousado teve que se deslocar às cidades de Quito, La Paz e Assunção para tomar a bênção diretamente de Sua Santidade. Engana-se, porém, que o papa, ao embarcar no avião para essas viagens o faz do Vaticano. Não, nada disso, simplesmente porque a cidade-estado Vaticano não tem aeroporto.

É, apesar da modernidade, do advento da tecnologia e da necessidade premente de locomoção dos seres humanos ainda há países que, como o Vaticano, não possuem um… aeroporto. O motivo? A diminuta medida de seus territórios, principalmente. Assim como ocorre com o Vaticano, os moradores dos pequeninos Liechtenstein, Andorra, Mônaco e San Marino, todos localizados no continente europeu, são obrigados a viajarem para países vizinhos se quiserem, a seu modo, realizarem o sonho de Ícaro.

VATICANO

14.07.2015 - BANDEIRA - VATICANO - BLOGNada que seja uma questão de vida ou morte, ora. É só ter um pouquinho de paciência. No caso do Vaticano, os religiosos que passam os dias em reuniões e orações próximos ao túmulo de São Pedro podem pegar seus aviões para catequizarem mundo afora no Aeroporto Internacional Leonardo da Vinci, conhecido como Fiumicino, em Roma, Itália, onde o Vaticano está encravado. O Fiumicino fica a 35 quilômetros da capital italiana e é, por exemplo, o hub da companhia aérea Alitalia que, não por acaso, transportou o papa Francisco durante sua recente visita à América do Sul.

ANDORRA

14.07.2015 - BANDEIRA - ANDORRA - BLOGJá os moradores do Principado de Andorra, além de não terem aeroportos, não têm ferrovias. É que Andorra fica localizado nas montanhas, próximo aos Montes Pirineus. Uma boa opção para pegar o avião é dirigir até a cidade de Barcelona, na Espanha, localizada a 220 quilômetros de distância. Ou até Girona (Espanha) que fica a 280 quilômetros. Mais próximo fica o aeroporto de Toulouse-Blagnac (França), a 180 quilômetros. O contrário também vale, afinal Andorra não cobra impostos de seus produtos e é um paraíso para quem procura compras mais baratas, além de curtir uma temporada na neve. Ah, o El Prat, Aeroporto Internacional de Barcelona, é o segundo maior da Espanha e recebe voos de todo o mundo. Ou seja, se vacilar, é mais agitado que toda Andorra.

LIECHTENSTEIN

14.07.2015 - BANDEIRA - LIECHTENSTEIN - BLOGContinuando nosso tour pelos países sem aeroporto, chegamos a Liechtenstein, uma nação de meros 160 quilômetros quadrados, encravada entre a Áustria e a Suíça, na Europa, e que possui o 6º IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) no ranking mundial. Ou seja, o povo desse país de nome quase impronunciável (ok, tente pronunciar “lixtenstáim”) vive bem, mas… não tem aeroporto. Como é muito amigo da Suíça, e pá!, os moradores bem nascidos de Liechtenstein costumam utilizar o Aeroporto de Zurique, na terra do chocolate e dos relógios, claro. Ele fica a 115 quilômetros de distância.

MÔNACO

14.07.2015 - BANDEIRA - M+öNACO - BLOGMônaco é, definitivamente, para os phynos. O principado situado no sul da França, junto ao Mar Mediterrâneo, é mais conhecido pelo Grande Prêmio de Fórmula 1, cassinos e o belo visual. Ok, mas não se empolgue: é impossível visitar Mônaco por avião. Ali, só por terra ou mar. O turista deve desembarcar no Aeroporto Internacional Nice-Côte d’Azur, localizado a 15 quilômetros da terra do príncipe Albert II, uma cidade-estado soberana. O principado foi fundado no ano de 1297 pela Casa de Grimaldi, tem área de 2 km² e é o segundo menor Estado do mundo, atrás do Vaticano, que tem metade do tamanho.

SAN MARINO

14.07.2015 - BANDEIRA - SAN MARINO - BLOGDireto ao ponto: não há aeroporto em San Marino, país totalmente encravado na Itália e o menos populoso da Europa, com cerca de 35 mil habitantes. O aeroporto mais próximo fica a 23 quilômetros e está localizado em Rimini, cidade italiana. Tipo meia hora de carro. E tem o portentoso nome de Aeroporto Internacional de Rimini e San Marino Federico Fellini, o criativo e premiado cineasta italiano. Nada que desanime o morador do mais antigo Estado soberano e república constitucional do mundo, fundado em 3 de setembro de 301, e cuja principal fonte de renda é o turismo.

Cada pouso é um flash, digo, um susto!

Aeroporto em Gilbratar: um dos pousos mais perigosos do mundo.

Aeroporto em Gilbratar: um dos pousos mais perigosos do mundo.

A tecnologia e a engenharia tornam os aeroportos cada vez mais seguros. Porém, a urbanização desenfreada, questões geográficas, limites de espaço e forças da natureza, fazem alguns terminais no mundo aterrorizarem, durante decolagens e pousos, até o mais corajoso dos pilotos… e passageiros

“Senhoras e Senhores, dentro de instantes pousaremos no Aeroporto X, na cidade Y. Retornem o encosto da poltrona para a posição vertical, observem o aviso de atar os cintos e verifiquem o travamento da mesa. Mantenham seus equipamentos eletrônicos desligados, inclusive câmeras de vídeo, laptops e jogos eletrônicos. Para o pouso, a iluminação da cabine será reduzida.”

Pronto, o speech falado pelo comandante do voo representa um alívio para a maioria dos passageiros. Significa que ele chegará são e salvo ao seu destino, que as turbulências e outros eventuais incômodos do voo ficaram para trás, que é só o piloto pousar e, que beleza!, pegar a bagagem de mão e ir embora.

Nananinanão.

Em alguns dos mais de 40 mil aeroportos do mundo, a aventura, intrépido passageiro, no entanto, está só começando. São aeroportos localizados em lugares distintos e exóticos que acabam exigindo exímia perícia da tripulação e tranquilidade e orações de todos os que estiverem a bordo.

Sim, não é fácil pousar em pistas estreitas e curtas, cercadas por montanhas e prédios e cujo solo pode ser areia, água, grama ou neve. E o mais incrível é que todas estas pistas horríveis são permitidas por lei e estão em pleno funcionamento. Com vocês, leitores do blog, apresentamos alguns dos aeroportos mais perigosos do planeta (sim, agora é hora de elevar o volume da trilha sonora de suspense)!

1 – Aeroporto de Funchal, Ilha da Madeira, Portugal

Ai, Jesus! Só os fortes conseguem pousar numa pista tão pequena que foi até esticada mar adentro. Ah, e do lado sobram montanhas. Quer mais? O vento, com velocidade aproximada de 30 km/h, dá medo. E a pista fica na ponta de uma ilha. E, para provar que os pilotos são craques, eles precisam de uma licença especial para trafegar no Aeroporto de Funchal. Ou seja, não é qualquer Manoel ou Joaquim que pousa ali não, Maria!

2 – Aeroporto de Courchevel, França

Curte montanha-russa? Se sim, vai apreciar essa pista localizada numa estação de esqui, capaz de fazer o avião saltar antes da hora. Localizado a mais de 500 metros de altura, nos Alpes, o aeroporto até que é bonitinho, mas sua pista tem meros 525 metros. E, do nada, surge uma queda. Os pilotos, feras que só eles, ainda enfrentam o gelo e as nevascas numa pista sem sinalização para o pouso. Bonne chance!

3 – Aeroporto Princesa Juliana, Saint Marteen, Antilhas Holandesas 

Quem vê até pensa que é montagem ou photoshop. Nada disso, as imagens de aviões passando sobre as cabeças das pessoas na praia de Maho são mesmo reais. E ocorrem na ilha compartilhada entre Holanda e França. É o segundo mais movimentado do Caribe e recebe Boeings e Airbus. Ah, mas fique tranquilo: há avisos na praia dizendo que os aviões podem levantar areia ou suas toalhas de banho. Aí, sim. De boa.

4 – Aeroporto de Barra, Escócia

Por falar em praia, esse aeroporto, na parte norte da Ilha de Barra, na Escócia, é impressionante. O lugar é lindo, mas assustador, afinal é o único do planeta com a pista de pouso e decolagem numa praia. Sinalização com postes de madeira? Check. Pouso de emergência à noite com ajuda de luzes dos carros dos moradores ajudam? Check. Pouso apenas quando a maré está baixa? Check. Pouso com emoção? Check.

5 – Aeroporto Tenzing-Hillary, Lukla, Nepal

A pista do aeroporto termina num mergulho de 2.700 metros, um penhasco no meio do Himalaia, a cordilheira mais alta do mundo. E tem mais: ar rarefeito, pouca visibilidade, turbulências, ventos fortes e uma pista bem curtinha. Ok que o visual é bacana, mas poucos mantêm os olhos abertos em pousos e decolagens no aeroporto que leva o nome dos primeiros alpinistas que subiram o Everest, a montanha mais alta do mundo…

6 – Aeroporto de Gibraltar, território britânico na Espanha

Imagine um aeroporto ao lado de um imenso rochedo, com fortes ventos. Agora, imagine um aeroporto próximo de zonas habitadas, com prédios altos. Muito bem, agora imagine um aeroporto atravessado por uma estrada com quatro pistas, com direito a semáforo. Uma hora passa carro; na outra, avião. E imagine um aeroporto cuja pista é pequena, curtinha de dar medo. Pois é, esse é o Aeroporto de Gibraltar, uma aventura de matar…

7 – Aeroporto de Toncontin, Tegucigalpa, Honduras

Ok que o Toncontin é o aeroporto da maior cidade de Honduras, mas o país localizado na América Central merecia coisa melhor. A queda para a aterrissagem é rápida, a pista é curta e fica num vale cercado por montanhas, além de só ter uma entrada e uma saída para aviões – um alto risco de acidentes – e terminar, óbvio, numa montanha. Por fim, o aeroporto fundado em 1934 só é acessível para aviões de pequena dimensão. Pense!

8 – Aeroporto da Ilha de Saba, no Caribe

Dizem por aí que a pista do Aeroporto Juancho E. Yrausquin, na Ilha de Saba, com seus 400 metros, é a menor pista comercial do planeta. E, além de ser pequena, está rodeada por mar e montanhas, um desafio para ases indomáveis. É por isso que o aeroporto fundado em 1963 numa ilha com dois mil habitantes só libera aeronaves de pequeno porte. Vai encarar? A Ilha de Saba não exige visto para turistas brasileiros. Fica a dica.

9 – Aeroporto do Mar de Gelo, Antártida

Um aeroporto florido. Bem que o Aeroporto do Mar de Gelo poderia ser conhecido por essa alcunha, afinal ele só funciona na primavera, que fofo. Mas… Bem, mas ali não nasce flor e o sol mal chega no terminal da base McMurdo, Ilha de Ross. A Pista do Mar de Gelo (Sea Ice Runway, em inglês) é, claro, de gelo, o que a torna frágil devido ao peso do avião sobre a pista, além de tornar o pouso um tanto escorregadio, tipo sabão.

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 … e um aeroporto já fechado, o Kai Tak, em Hong Kong

Que legal, né?, um aeroporto ficar famoso pelos seus acidentes. Só que não. Mas era assim com o Kai Tak, em Hong. Em 1959, por exemplo, 59 fuzileiros norte-americanos morreram na queda de um Hercules C-130, que perdeu o controle após a decolagem e afundou no porto. Mas um dia a farra acaba e o Kai Tak fechou. Foi em 1998, quando operava com 29 milhões de passageiros por ano – 5 milhões a mais do que o permitido. E isso numa única pista, cercada por montanhas e arranha-céus. Sim, os pilotos tinham que levar o avião “no braço”, sem ajuda do piloto automático para fazer as curvas e desviar das montanhas. O Kai Tak era tipo um Cai.

Quer mais? Confira nossa galeria de imagens!

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De Romero Britto a Athos Bulcão

Pinturas, gravuras, esculturas, instalações. Os aeroportos brasileiros têm diversas obras de arte que ajudam a refrescar a visão dos passageiros enquanto o voo não vem. Do clássico ao popular, há um pouco do talento brasileiro em cada terminal

Painel de Azulejos de Athos Bulcão, no Aeroporto de Brasília (DF).

Painel de Azulejos de Athos Bulcão, no Aeroporto de Brasília (DF).

Tudo bem que os aviões têm design arrojado e são cada vez mais modernos; tudo bem que os terminais estão trincando de novos e estão cada vez mais agradáveis; tudo bem que muita gente bonita e cada vez mais bem vestida circula pelos saguões dos aeroportos… Aviões, terminais, pessoas… são quase uma obra de arte. Mas obra de arte, bem, obra de arte mesmo é outra coisa. E os principais aeroportos brasileiros estão repletos delas, como forma de divulgação da cultura nacional e, também, para refrescar a visão das pessoas enquanto elas esperam o voo.

Os 60 aeroportos que integram a Rede Infraero, por exemplo, possuem diversas obras de arte em seus terminais de passageiros. Assim como os seis aeroporto concedidos. São gravuras, painéis, esculturas, telas e outras forma de expressão artística em exibição contínua e que podem ser admiradas por passageiros e usuários. Há desde artistas reconhecidos mundialmente quanto revelações das artes plásticas brasileiros e talentos regionais. Os aeroportos acabam exercendo o papel de divulgar a habilidade e a capacidade dos brasileiros em criar. E tudo isso, claro, de graça.

Os Trabalhadores, em  Cogonhas

Os Trabalhadores, em Congonhas (SP).

Em Congonhas, a vez dos espelhos

No Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, por exemplo, entre as principais obras destaca-se um conjunto de oito espelhos decorados com motivos diversos, de autoria de Jacques Monet, localizado no Bar do Salão Nobre do Pavilhão de Autoridades. O conjunto divide o ambiente com o painel mural Os Trabalhadores (3,5m x 16m), criado por Emiliano Di Cavalcanti e Clóvis Graciano.

No hall da escada de acesso ao subsolo, fica o Painel de Pastilhas de Vidro, com motivos geométricos, de autoria dos artistas Hernani do Val Penteado e Raymond A. Jehlen. A dupla também criou a obra Mapa Mundi, um painel de placas de mármore com ilustração em baixo relevo do planisfério, com os continentes ligados por aviões de diversos modelos. A obra fica no saguão central.

Congonhas abriga, no hall em frente à marquise sul, um painel de placas de granito preto com desenhos em baixo relevo e fundo em tinta dourada retratando edifícios e monumentos representativos da paisagem do centro de São Paulo. Um desenho de Jean Tranchant.

Outra obra de destaque no aeroporto é um painel de madeira com pintura representando o mapa do Brasil com ilustrações de uma rosa dos ventos, elementos da fauna e da flora brasileira, indígenas e construções das regiões. O painel de Jacques Monet fica na sala de embarque, piso superior. E os viajantes gostam de admirar um busto de Santos Dumont, em bronze e com a inscrição “Ao precursor da Navegação Aérea Alberto Santos Dumont”. A escultura fica na sala de embarque, piso superior, e é do incrível Victor Brecheret.

Por fim, em Congonhas há o Muro da Memória, painel 13m x 3m que retrata, de forma colorida, o aeroporto no século passado, exaltando sua beleza arquitetônica e a importância para a cidade. Fica na ala sul, corredor de acesso, e é de autoria de Eduardo Kobra.

Santos Dumont, no Aeroporto Santos Dumont (RJ)

Santos Dumont, no Aeroporto Santos Dumont (RJ).

Em Santos Dumont, homenagem ao aviador

No Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, o grande sucesso de público são as três esculturas do artista plástico pernambucano Romero Brito, de 52 anos. Squeaki (O Gato) fica na sala de embarque restrito, próximo ao canal de inspeção. Good Girl (A Menina) também fica na sala de embarque restrito, próximo aos portões de embarque remoto. E a escultura Dancing Boy (O Menino Dançando) fica no terminal de embarque, 1º piso.

O Santos Dumont também abriga a escultura Fênix, de Neuza Scher, localizada em frente aos Correios, no terminal de embarque, 1º piso. Os painéis Primórdios da Aviação e Aviação Moderna estão no terminal de desembarque, próximos ao Balcão de Informações, e são de autoria de Cadmo Fausto.

Já a obra Centenário do 14 Bis fica no terminal de embarque, 1º piso, e foi criada por Sansão Campos Pereira. Por fim, o painel Retrato de Santos Dumont (claro, o Aeroporto Santos Dumont tinha mesmo que ter um retrato de Santos Dumont…) está localizado no terminal de desembarque, área pública. A obra é de autoria de Hughes Desmazières.

Em Porto Alegre, reinam os painéis

A conquista do espaço, no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre (RS)

A conquista do espaço, no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre (RS).

E o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, é a “terra brasileira dos painéis”. Quatro imponentes painéis ajudam a embelezar o terminal. O painel Todas as horas, de Carlos Vergara, tem 14 anos e mede 35m X 6m. Foi confeccionado com base de alvenaria e chapas de metal fixadas com pinos metálicos. Fica no 3º pavimento do Terminal 1, perto da praça de serviços e alimentação. Já o painel EX ORBIS, de Regina Silveira, mede 7m x 11m, e é feito de 912 peças de azulejos brancos 40cm x 40cm pintados à mão. Fica localizado no Terminal 1, parede do 3º piso, também próximo à praça de alimentação.

O painel Rio Grande do Sul, por sua vez, tem proporções gigantescas. Ele mede 55m de comprimento e 3,4m de altura. Para sua confecção, o artista Mauro Fuke utilizou 240 mil pastilhas de porcelana esmaltada de diversas cores. A obra fica no Terminal 1, no 2º pavimento, no corredor das salas de embarque. Por fim, o painel A conquista do espaço trata-se de um afresco de 50 m², localizado no Terminal de passageiros 2, próximo ao desembarque doméstico. A obra é de Aldo Locatelli.

Em Fortaleza, tem até obra do cantor Fagner

A Menina, no aeroporto de Fortaleza (CE).

A Menina, no aeroporto de Fortaleza (CE).

Em Fortaleza, a capital do ensolarado Ceará, quatro obras de arte abrilhantam o Aeroporto Internacional Pinto Martins. A fofa escultura A menina, por exemplo, na Praça de alimentação, é mais uma invenção do incansável Romero Brito. O busto Pinto Martins fica no 1º piso e é de autoria da dupla Angélica Ellery Torres e Honor Torres. Já o mural Terra da Luz, criado por Mino, é mesmo uma pintura que embeleza o 1ª piso.

Por falar em pintura, a Condomínio da arte, no piso térreo, saguão de desembarque, tem quase um pouquinho de cada artista brasileiro. Pelo menos 20 artistas meteram o bedelho na obra, num grande coletivo. Entre eles, está até o cantor Raimundo Fagner, mundialmente conhecido pelo clássico Deslizes, aquele que diz, tipo assim: “Nós somos cúmplices/ Nós dois somos culpados/ No mesmo instante/ Em que teu corpo toca o meu/ Já não existe/ Nem o certo, nem errado/ Só o amor que por encanto/ Aconteceu”. Lindo.

Em Belém, esculturas e pintura

Festa Junina, no aeroporto de Belém (PA).

Festa Junina, no aeroporto de Belém (PA).

E para terminar nossa ronda artística pelos terminais aeroportuários administrados pela Infraero, chegamos ao Aeroporto Internacional de Belém. Ali, o quase onipresente Romero Brito se faz presente com a escultura For You/Heart (O Coração), que ajuda a colorir ainda mais o saguão de desembarque internacional.

O destemido artista pernambucano divide espaço com o arquiteto e urbanista paraense Fernando Pessoa, autor de uma escultura do busto em homenagem ao conterrâneo pioneiro da navegação aérea Júlio Cezar Ribeiro de Souza. A obra Espelho D’Água tem 80cm e é feita em fibra de vidro estruturada. E no mezanino do aeroporto paraense, ao lado da Sala Vip da Infraero, fica a pintura Festa Junina, feita na técnica óleo sobre tela, criada pelo artista Benedito Antônio Soares de Melo.

 

Em Brasília, os painéis de Athos

Painel de Athos Bulcão, no Aeroporto de Brasília (DF)

Painel de Athos Bulcão, no Aeroporto de Brasília (DF).

No Aeroporto Internacional Juscelino Kubitscheck, em Brasília, as vedetes artísticas são dois murais em azulejo de Athos Bulcão, duas belezuras que só vendo. Um deles fica no Pier Norte, na área do embarque doméstico. O outro está posicionado no desembarque internacional. Tratam-se, respectivamente, de um painel de azulejos esmaltados nas cores laranja e amarelo, estampadas sob fundo branco e de um painel de azulejos esmaltados nas cores verde e azul, estampadas sob fundo branco. Ambos foram instalados em 1993.

De forma a preservar as obras, a Inframérica, concessionária responsável pelo aeroporto, fez, em julho de 2014, intervenções de restauração nos painéis. O trabalho teve dez etapas: documentação fotográfica e mapeamento de danos; remoção das peças recolocadas de maneira inadequada; remoção das peças em desprendimento; limpeza química e mecânica dos azulejos; remoção de parte da argamassa de aplicação antiga; recolocação das peças removidas; fixação das peças em desprendimento, com injeção de resina acrílica; aplicação de rejunte na área de intervenção; aplicação de rejunte onde necessário; e limpeza.

Outra obra em destaque no Aeroporto JK é uma borboleta multicolorida pintada por adivinhe quem? Sim, ele, o polêmico artista pernambucano Romero Brito. A borboleta fica, toda faceira, no piso do desembarque no saguão público. Ah, não se assuste, o artista, que mora nos Estados Unidos, tem obras expostas em mais de cem galerias nos cinco continentes.

 

Em Confins, tudo é doado

Sete obras de arte alegram o dia a dia de quem passa pelo Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins. Delas, quatro foram doadas pela Infraero: três esculturas e um entalhe em madeira. Falamos das esculturas Maternidade (Vânia Braga), Escultura em Aço (Ricardo Carvão) e Escultura em Chapa de Ferro (Paulo Laender), além do entalhe em madeira (!) Entalhe em madeira (Maurino Araújo).

Confins também coloca para jogo a escultura For You (Romero Brito, claro!), com dimensão de 1,80m x 2,05m x 0,30cm; o painel Voar (Fernando Pacheco) e o painel Santos Dumont – A Arte de Voar (Yara Tupynambá). Ou seja, arte por toda parte.

 

Em Viracopos, o mural da Copa

Mural da Copa, no Aeroporto de Viracopos (SP)

Mural da Copa, no Aeroporto de Viracopos (SP).

No Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), o destaque é um painel pintado pelo artista plástico Paulo Consentino durante a Copa do Mundo, no ano passado. O painel fica aberto à visitação no terminal de passageiros de voos domésticos e retrata uma das mais famosas imagens dos mundiais: Pelé beijando a Taça Jules Rimet após o tricampeonato de 1970, disputado no México. A obra está no segundo piso, ao lado de agências bancárias e da sala de imprensa montada para atender os jornalistas durante a Copa.

Vale uma visitinha, assim como todas as peças citadas neste texto, afinal quem não curte uma obra de arte?

Cadê o chinelo? Chi-ne-lo! Cadê o chinelo?!

Aeroporto_JK_Brasília_30012015 (98)Os passageiros até perdem chinelos nos aeroportos, mas a lista das centenas de objetos que somem a cada dia é extensa e esquisita. Para isso, cada terminal possui um setor de Achados e Perdidos. Sim, há uma esperança para quem perdeu chinelos, espadas, bengalas, aparelhos auditivos…

Freddy Charlson

Manhã de segunda-feira, 22 de junho. Apressado e feliz, o representante de marketing Pedro Ivo, 34 anos, chega ao setor de Achados e Perdidos do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília. Ali, pergunta sobre um aparelho celular que havia sido esquecido por sua mãe no dia anterior, durante embarque para Belo Horizonte (MG). Pronto, ele estava lá. Sem bateria, mas estava lá. O celular foi recarregado, Pedro Ivo conseguiu identificá-lo, ligou para o número correto, preencheu uma ficha e, pronto!, resgatou o telefone que havia sido esquecido no aparelho de raio-x do aeroporto. Bem a tempo de enviar para sua mãe, que embarcaria ainda nesta terça-feira, 23, para a Noruega. Foi por pouco, mas deu tudo certo.

Esse é o trabalho da turma que faz o setor de Achados e Perdidos do Aeroporto JK funcionar: receber os objetos perdidos no terminal, cadastrá-los (local onde foram encontrados, data, características e etc.), tentar encontrar o dono e devolvê-lo mediante comprovação de propriedade. “Temos 2 mil peças no momento. Se a pessoa quiser recuperar o objeto, o processo é simples, porém, detalhista. A procura é quase certa se a pessoa perdeu dinheiro. E os homens aparecem mais aqui, embora a maioria dos objetos perdidos seja feminina”, conta o coordenador do setor, Tiago Costa.

Segundo ele, vez ou outra o setor recebe bengalas, cadeiras de roda, muletas, mas a maioria mesmo do acervo é formada por documentos, telefones celulares, livros, bolsas, relógios, cintos e roupas. Ah, mas uma vez, conta, esqueceram um jogo de pneus de jato (sim, o pequeno avião), acreditem. “É importante que a pessoa venha ao setor com o máximo de informações a respeito do objeto. Se comprovar que é o proprietário, pronto, pode voltar com ele para casa”, explica. Foi justamente o que aconteceu com o representante de marketing Pedro Ivo. “O serviço é excelente. Eles me telefonaram avisando que o celular estava aqui no setor de Achados e Perdidos. Cheguei, comprovei que era da minha mãe e peguei-o de volta. Ela vai ficar feliz”, agradeceu.

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O representante de marketing Pedro Ivo procura o celular perdido por sua mãe no setor de Achados e Perdidos do aeroporto de Brasília

O povo esquece de tudo um pouco

Telefones celulares, tipo os perdidos pela mãe do Pedro Ivo, vivem sendo esquecidos nos aeroportos. Mas o povo encontra coisas como narguilé, espada de samurai, bengala, muletas, cadeiras de rodas, carrinho de criança, prótese de perna, mala com calcinhas, aparelho auditivo e até um osciloscópio (equipamento eletrônico que permite observar a variação de voltagens elétricas por meio de um gráfico, entenderam?). Sim, tem de tudo nos setores de Achados e Perdidos dos aeroportos. Prova de que a cabeça do brasileiro, em alguns momentos, anda nas nuvens…

Essas salinhas, aliás, acabam sendo áreas das mais movimentadas nos terminais. Vira e mexe chega um objeto entregue por algum funcionário do aeroporto, ou passageiro desesperado à procura de seus bens. O montante de objetos recolhidos e devolvidos varia de acordo com o aeroporto e a época do ano. Em períodos de alta temporada, por exemplo, tende a ser mais alto. E o prazo para o objeto permanecer no setor tipicamente determinado é até 90 dias, mas pode variar, de acordo com o aeroporto. Ao fim do prazo, alguns objetos são doados e outros destruídos ou transformados em sucata.

E as regras para recolher um objeto, guardá-lo e devolvê-lo ao dono são normalmente simples e pouco variam, sejam nos seis aeroportos concedidos ou nos 60 terminais administrados pela Infraero. Qualquer objeto encontrado deve ser entregue à segurança do aeroporto para ser depositado em uma sala ou cofre, dependendo de sua natureza. A devolução é feita mediante reclamação do proprietário, que deve descrever as características do objeto e a comprovação de propriedade. Os setores também procuram descobrir o proprietário e contatá-lo, para a devolução.

Viracopos e Brasília

“É importante que os objetos perdidos sejam cadastrados. E que na restituição seja colhido um recibo do reclamante. A doação dos objetos deve ser documentada e, por fim, verificada se a instituição que está recebendo é idônea”, explica o gerente de Segurança do Aeroporto de Viracopos (Campinas-SP), Samuel Conceição. O aeroporto recolhe, em média, 400 objetos perdidos por mês. E consegue devolver cerca de 90 objetos por mês, 22%. Em 2014, por exemplo, foram recolhidos 5.219 objetos perdidos em Viracopos. Neste ano, até maio foram 2.398 objetos encontrados no aeroporto. Entre eles, uma luneta e uma mochila com produtos de sexshop.

No Aeroporto JK, em Brasília, o sistema é um pouquinho diferente. Este ano foram quase 2.500 objetos esquecidos no terminal. Os exemplos de desapego ficam por 30 dias em uma sala no Terminal I de passageiros. Depois, ganham outro lar: um depósito que também fica no terminal. Ali, se não forem devolvidos, vão “morar” por 90 dias.

E há uma política séria para tratar do destino desses objetos, ora, bolas. Carteira de identidade, CNH e OAB permanecem por sete dias na sala e depois são encaminhados para os Correios. No caso de passaporte brasileiro, eles são enviados para a Polícia Federal logo que chegam ao setor de Achados e Perdidos. Documentos de estrangeiros costumam ser enviados ao consulado do país de origem do proprietário. Já as malas perdidas passam por vistoria e se algo perecível for encontrado é imediatamente descartado. Ah, claro, até os vips são capazes de perder a cabeça e objetos. No caso, o que for encontrado perdido na Sala VIP fica na Sala VIP. Tipo aquelas histórias que acontecem em Vegas. Las Vegas.

Guarulhos e Galeão

No Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo (SP), o bicho pega. Na correria para pegar o voo, visitar o banheiro, fazer as últimas comprinhas antes de embarcar ou encarar um lanchinho, são perdidos aproximadamente mil objetos por mês. Ou seja, uma média de mais de 30 coisinhas sem dono por dia. Desses, cerca de 40% são devolvidos. Eles ficam até 60 dias na Central de Atendimento ao Cliente (CAC), responsável pelo setor de Perdidos & Achados (L&F – Lost and Found). Depois, os itens não resgatados são direcionados ao Fundo Social da Prefeitura de Guarulhos.

Antes de ter esse fim, o objeto somente é devolvido após o reclamante provar por A + B que é seu feliz proprietário. Para isso, deverá identificá-lo, descrevendo suas características, informando a data da perda e o local no aeroporto onde ocorreu o extravio. Em caso de aparelhos eletrônicos, além de descrever o item, o passageiro deverá mencionar algo que esteja registrado nele, algum arquivo, senha de desbloqueio, código ou nome específico na agenda. Pronto, aí, sim, meu amigo, você terá seu querido e esquecido objeto de volta ao aconchego do seu lar. No caso de Guarulhos, os mais perdidos são encosto de pescoço, telefones celulares, malas, óculos, guarda-chuvas, carteiras de identidade, chaves e relógios. Não à toa, o povo perde, também, a hora…

No Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro, o setor de Achados e Perdidos funciona das 6h às 22h. Fora desse horário, os objetos encontrados são recebidos nos balcões de informações e ficam sob custódia do encarregado de segurança até serem recolhidos pela equipe dos Achados e Perdidos. A média é de 25 objetos recolhidos por dia, com uma devolução média de oito itens devolvidos diariamente. No Galeão, os objetos perecíveis são guardados por um período de seis horas. Caso o dono não apareça para reivindicá-lo, ele é descartado. A grande dica, porém, é ficar sempre atento aos seus pertences. Melhor do que encontrá-los é não perdê-los. Afinal, nem todo mundo dá a sorte que deu o Pedro Ivo…

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Chapéus, casacos, chaves, livros, travesseiros. De tudo um pouco nos setores de Achados e Perdidos dos aeroportos brasileiros

FICA A DICA

– As dependências de um terminal compreendem lugares como o saguão de passageiros, sistema de pistas e pátio, salas de embarque e desembarque, sanitários, estabelecimentos comerciais e estacionamento de veículos. Objetos perdidos dentro da aeronave são de responsabilidade da companhia aérea que opera o voo. Neste caso, o passageiro deve entrar em contato com a empresa para os procedimentos de localização e recuperação do pertence.

– É importante lembrar que itens perecíveis não são guardados nos Achados e Perdidos: a orientação no caso desses é que sejam descartados.

– O usuário, para recuperar seu pertence, deverá comparecer ao balcão de informações ou setor de Achados e Perdidos portando documento de identidade com foto e solicitar a devolução. Caso não seja possível retirar o objeto pessoalmente, o interessado poderá autorizar outra pessoa para receber o bem. A forma de autorização pode variar de acordo com o aeroporto. Entre os procedimentos possíveis, estão a entrega de procuração ou documento padrão de autorização e envio de e-mail informando a autorização e contendo descrição do item, dados pessoais do proprietário e da pessoa que irá buscar o pertence.

– Uma vez decorrido o prazo de permanência dos objetos encaminhados para os Achados e Perdidos, o aeroporto poderá tomar providências para reencaminhamento dos itens, que variam de acordo com o terminal. No Aeroporto de Belém (PA), por exemplo, os objetos são encaminhados à Autoridade Judiciária, que decidirá a destinação dos itens. Dependendo da avaliação do juiz responsável, pode-se fazer a doação ou o leilão. Já no Aeroporto de Cuiabá (MT), após o prazo de 60 dias, os itens são registrados em um mural público na sala de espera do desembarque com a relação do material em custódia por mais de 60 dias. Passado esse tempo, os objetos são doados para entidades cadastradas no sistema de Achados e Perdidos do aeroporto.

– Para acionar o serviço, o usuário deve contatar o setor responsável, sendo que a área ou pessoal a ser procurado depende do aeroporto: por exemplo, em Belém, o primeiro contato deve ser feito no balcão de informações do terminal. Já em Cuiabá, a pessoa poderá notificar qualquer funcionário sobre a perda do objeto. Recomenda-se procurar o supervisor da Infraero no terminal ou a área de Ouvidoria para o início do processo. Em caso de dúvidas, deve-se acionar o balcão de informações no aeroporto para obter esclarecimentos ou dar início à busca.

– O Setor de Achados e Perdidos do Aeroporto de Brasília está localizado no Terminal I, no piso de desembarque, próximo ao Desembarque Internacional. O horário de funcionamento é das 7h às 23h. O telefone de contato é o 3214-6109. O e-mail é achadoseperdidos@inframerica.aero.

A era de ouro da aviação comercial em 19 fotos

29.05.2015 - FOTO 1 - AEROMOÇAS BONITAS

Freddy Charlson

Aeromoças lindas, bem vestidas e maquiadas, tipo capa de revista. Serviço de bordo impecável, com comida de primeira classe, servida em fina porcelana. Bar com bebida à vontade e vinho em taças de cristal. Liberdade para fumar. Imenso compartimento para a bagagem de mão e espaço para esticar as pernas entre as fileiras de poltronas. Ah, e até 15 comissários para atender aos passageiros em aviões de grande porte. Isso e muito mais.

Viajar de avião, nas décadas de 1950, 1960 e 1970, a chamada “Era de Ouro da Aviação Comercial”, era, sim, um acontecimento. As pessoas se vestiam como se fossem a um baile no Metropolitan Museum (Nova York) ou no Copacabana Palace (Rio de Janeiro) e pagavam horrores pela passagem aérea, tipo 50% a mais do que se paga hoje.

Só para se ter uma ideia, em 1955 uma passagem de ida e volta de Chicago para Phoenix (2.700 km de distância) – falamos aqui de cidades dos Estados Unidos – custava US$ 138. Com a inflação, ela sairia hoje por US$ 1.168 (R$ 3.500). Numa rápida pesquisa na internet, achamos passagem a partir de R$ 1 mil, 30% do preço atualizado. O risco de morte também era maior. Com uma tecnologia que engatinhava, voar era 40% mais perigoso do que é hoje (afora o risco então desconhecido de inalar passivamente a fumaça dos cigarros). Bem, o que importava era mesmo o glamour.

Confira, abaixo, como era a vida de quem tinha dinheiro e estilo para voar numa época ao mesmo tempo romântica e pioneira. Tirando a ironia … que era uma vida boa, ah, sim, isso era. Não que a de hoje também não seja. São momentos diferentes. Aqueles, de muito glamour e poucos viajantes. Esses, de pouco glamour e muita gente viajando (barato) … Sem falar que agora a era de ouro é a dos aeroportos, cada vez melhores no Brasil.

1 – Senhoras e senhores, vamos embarcar!

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - EMBARQUE TAPETE VERMELHOCom aeroportos menores, mesmo nas maiores cidades, muitos embarques eram feitos na pista, sem direito a ônibus para levar os passageiros até os aviões. Pela foto dá pra notar que os mais jovens não tinham muito acesso às viagens, dado o alto preço das passagens. A roupa básica era terno e vestidos bem cortados. Ah, e as companhias garantiam que os passageiros pegariam o voo chegando meros 30 minutos antes.

2 – Modelos, capas de revista

FotodebreImagine que phyno ser recebido por essas belas comissárias de bordo que poderiam muito bem estrelar ensaios fotográficos da Vogue? Muitos homens perdiam a cabeça em pleno voo. Já as mulheres sonhavam com uma vida assim, de glamour, para suas filhotas. Peso proporcional à altura e dentição perfeita eram requisitos. Na época, quase toda jovem tinha o sonho de ser aeromoça. Sonho ainda real para muitas.

3 – Posso acondicionar sua bagagem, senhor?

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - COMPARTIMENTO GIGANTE DE BAGAGEM

E o que fazem os passageiros após entrarem na aeronave? Ora, guardar a bagagem de mão. Sinceramente, os compartimentos de bagagem das maiores aeronaves do período eram capazes, inclusive, de acondicionar skates, bicicletas e até grandes malas. As aeromoças, aliás, deveriam, também, fazer musculação. Imagine só levantar essa gaveta mantendo o eterno sorriso de miss no rosto…

4 – “Portas em automático!”

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - GALERA FASHIONPronto, embarque feito, bagagem guardada no devido compartimento… hora de sentar em sua poltrona e ficar à vontade para o voo. Cinto de segurança? Pra quê, né? Vamos mesmo é fazer um tricozinho, ler uma revista (a principal era a “Life”), apreciar a paisagem interior e exterior. Tudo, aliás, com muita classe e com a melhor roupa do armário. Viajar, ora, era um luxo só!

5 – Um papo sobre as últimas tendências da moda

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - PENTEADOS E CHAPÉUSSimpáticas, as aeromoças também arranjavam tempo para conversar com os passageiros. Quem sabe não falavam da vida que levavam nas alturas, dos lugares que conheciam mundo afora, das experiências da profissão? Tudo com classe e uniforme feito por estilistas famosos. O finado Clodovil (1937-2009), por exemplo, foi responsável durante dez anos pelas roupas das aeromoças da extinta companhia aérea Vasp. Gente phyna.

6 – Comer e comer é o melhor para poder crescer!

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - ALMOÇO ESTILO CEIA DE NATALUau, hora de encher a barriga. Olhem só a felicidade do casal ao ser servido com o melhor da culinária internacional. Até a classe econômica tinha direito a refeição completa. A Varig teve cozinhas em Brasília, Recife, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Nova York e Lisboa. E a Transbrasil servia feijoada a bordo na época.

7 – E que tal refazer a make-up no banheiro?

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - BANHEIRO DE HOTELDepois das refeições, nada como refazer a maquiagem e dar um trato no visual, no banheiro, que mais parecia suíte de bons hotéis. Faltava só a banheira de hidromassagem para a ostentação ser nível 6. Nada parecido com os apertados boxes de hoje em dia, onde mal cabe uma pessoa sentada. Dava até para fofocar cazamigas! Aliás, o que será que as mulheres tanto conversavam nos banheiros desses aviões?

8 – Vamos ali curtir um boteco aéreo…

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - AZARAÇÃO NA HAPPY HOURSim, os maiores aviões tinham um andar próprio para comer uns belisquetes, tomar uns drinks e até dar uma namoradinha, como o casal à esquerda, na foto. Muitos romances começavam nesses aviões que reuniam gente rica e phyna. Ah, e até gente como o senhor ali à direita, na foto, com camiseta havaiana e bem à vontade, como se estivesse numa festa à fantasia. Quem podia, podia.

9 – … e, também, uma musiquinha!

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - BARES NO AVIÃOQuando a coisa esquentava nas alturas, os passageiros se empolgavam, cantavam e dançavam. Sim, em algumas aeronaves, havia até piano-bar. Só fico imaginando a seleção musical (o termo setlist ainda não havia sido inventado…): um twist de Chuck Berry aqui, um Love me Tender do Elvis Presley ali e até uma bossa nova do Tom Jobim acolá. Esse povo sabia curtir.

10 – Seria o piloto ou seria o garçom?

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - PILOTO SERVE COQUETELEm alguns casos, até mesmo o piloto era capaz de assumir o bar e servir os convidados. Para isso, deixava o avião a cargo do piloto automático ou do copiloto – atualmente, em alguns países, não é mais permitido que uma pessoa fique sozinha na cabine de comando, por medida de segurança… Gente, imaginou ser servido pelo próprio comandante do voo e ainda ouvir boas histórias?

11 – Bronzeando os pulmões

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - LIBERADO FUMARNuma realidade bem diferente, os passageiros podiam fumar à vontade. E não só escondido no banheiro (o que é terminantemente proibido). Cigarros, charutos e cachimbos eram liberados nos voos. E só não eram enquanto a aeronave estivesse em solo porque as empresas diziam que a fumaça do tabaco e do fumo poderia causar incêndio em contato com o gás liberado pelo combustível durante o reabastecimento. Imagine o fumacê!

12 – Cansei, acho que vou tirar uma soneca

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - HORA DE DORMIR NO HOTELQuem preferia uma soneca a um cigarrinho logo procurava um lugarzinho para dormir. Entre as décadas de 1940 e 1950 os aviões possuíam camas embutidas para os passageiros da 1ª classe. As aeromoças também checavam se estava tudo bem e levavam revistas para facilitar o sono das pessoas e até bons edredons e travesseiros. Um mimo bem legal. Depois, era só adormecer e roncar.

13 – Antes, vou botar os pimpolhos na cama

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - CRIANÇAS DORMINDO NA BELICHEOlhem só que fofo: mamãe e comissária de bordo colocando os pimpolhos na cama em pleno voo, num compartimento do tamanho de um quarto. Observem que tinha até beliche no pacote oferecido pelos principais voos internacionais. “Um chazinho, senhora?”, pergunta a aeromoça. Como não dormir bem após tanta demonstração de profissionalismo e carinho?

14 – Soneca presidencial

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - ATÉ O JK PUXAVA UM RONCOAté os governantes aproveitavam para puxar um ronco. Caso do presidente Juscelino Kubitschek, flagrado dormindo em um voo da Varig. Aparentemente cansado nas idas e vindas da construção de Brasília, JK dormiu como um anjinho naquele dia… E sem auxílio de filmes ou fones de ouvidos, que ainda não estavam disponíveis décadas atrás – os filmes ganharam popularidade nos anos 1960 e os fones de ouvido nos anos 1980.

15 – Soneca nem tão presidencial assim

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - ESPAÇO ENTRE POLTRONASE mesmo quem não era governante, imperador ou presidente tinha direito a seus dois minutinhos de sono da beleza, também. Observem o tamanho das poltronas e a distância entre elas. Bastante confortável, não? Atentem, também, para o sorriso de contentamento do senhor à esquerda, de gravata preta. Sonhando com os anjos, confortavelmente.

16 – Um tempo para escrever cartões-postais

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - CARTÃO POSTALNuma época em que não havia gadgets (smartphones, iPods, tablets, videogames), o que fazer depois de comer, beber, dormir a bordo? O ponto alto das viagens de avião nas décadas de 1950 e 1960, acreditem, era escrever cartões postais. O passageiro recebia os cards logo no embarque e aproveitava o tempo ocioso para contar sobre a experiência de voar. Um singelo passatempo.

17 – Muitos mimos no retorno ao lar

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - KIT DE BORDO CHEIO DE MIMOSSaudades de levar presentinhos para a casa após o voo? Hoje, por exemplo, até o fone de ouvido costuma ser cobrado. Antigamente, na primeira classe da extinta companhia aérea Varig, o “kit viagem” tinha meias, maquiagem, cremes para as mãos e até perfume francês. Cabe aqui uma curiosidade: o serviço de bordo da Varig foi escolhido “O Melhor do Mundo” em 1979, pela revista americana Air Transport World.

18 – Hora de dar tchau!

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - DESEMBARQUESempre bem vestidos e recuperados após a comilança, a visita ao bar e ao sono dos deuses, os passageiros chegam ao seu destino. Na Era de Ouro da Aviação, os passageiros tinham cinco vezes mais chances de sofrer acidentes. Hoje, a cada 100 mil horas de voo, ocorrem 1,33 fatalidades. Em 1952, a cada 100 mil horas de voo, ocorriam 5,2 mortes. E o número de passageiros aumentou 42 vezes nos últimos 60 anos.

19 – Uma equipe que dava gosto

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - DESEMBARQUE TRIPULAÇÃO FIME, para finalizar, olhem só o tanto de gente que trabalhava nos aviões de grande porte, especialmente os que voavam entre a América do Norte e a Europa na Era de Ouro da Aviação. Um piloto, dois copilotos, quase 20 aeromoças para atender melhor ao passageiro, razão de ser da companhia aérea. Observem os chapéus, echarpes e glamour. Era um must!