Cadê o chinelo? Chi-ne-lo! Cadê o chinelo?!

Aeroporto_JK_Brasília_30012015 (98)Os passageiros até perdem chinelos nos aeroportos, mas a lista das centenas de objetos que somem a cada dia é extensa e esquisita. Para isso, cada terminal possui um setor de Achados e Perdidos. Sim, há uma esperança para quem perdeu chinelos, espadas, bengalas, aparelhos auditivos…

Freddy Charlson

Manhã de segunda-feira, 22 de junho. Apressado e feliz, o representante de marketing Pedro Ivo, 34 anos, chega ao setor de Achados e Perdidos do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília. Ali, pergunta sobre um aparelho celular que havia sido esquecido por sua mãe no dia anterior, durante embarque para Belo Horizonte (MG). Pronto, ele estava lá. Sem bateria, mas estava lá. O celular foi recarregado, Pedro Ivo conseguiu identificá-lo, ligou para o número correto, preencheu uma ficha e, pronto!, resgatou o telefone que havia sido esquecido no aparelho de raio-x do aeroporto. Bem a tempo de enviar para sua mãe, que embarcaria ainda nesta terça-feira, 23, para a Noruega. Foi por pouco, mas deu tudo certo.

Esse é o trabalho da turma que faz o setor de Achados e Perdidos do Aeroporto JK funcionar: receber os objetos perdidos no terminal, cadastrá-los (local onde foram encontrados, data, características e etc.), tentar encontrar o dono e devolvê-lo mediante comprovação de propriedade. “Temos 2 mil peças no momento. Se a pessoa quiser recuperar o objeto, o processo é simples, porém, detalhista. A procura é quase certa se a pessoa perdeu dinheiro. E os homens aparecem mais aqui, embora a maioria dos objetos perdidos seja feminina”, conta o coordenador do setor, Tiago Costa.

Segundo ele, vez ou outra o setor recebe bengalas, cadeiras de roda, muletas, mas a maioria mesmo do acervo é formada por documentos, telefones celulares, livros, bolsas, relógios, cintos e roupas. Ah, mas uma vez, conta, esqueceram um jogo de pneus de jato (sim, o pequeno avião), acreditem. “É importante que a pessoa venha ao setor com o máximo de informações a respeito do objeto. Se comprovar que é o proprietário, pronto, pode voltar com ele para casa”, explica. Foi justamente o que aconteceu com o representante de marketing Pedro Ivo. “O serviço é excelente. Eles me telefonaram avisando que o celular estava aqui no setor de Achados e Perdidos. Cheguei, comprovei que era da minha mãe e peguei-o de volta. Ela vai ficar feliz”, agradeceu.

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O representante de marketing Pedro Ivo procura o celular perdido por sua mãe no setor de Achados e Perdidos do aeroporto de Brasília

O povo esquece de tudo um pouco

Telefones celulares, tipo os perdidos pela mãe do Pedro Ivo, vivem sendo esquecidos nos aeroportos. Mas o povo encontra coisas como narguilé, espada de samurai, bengala, muletas, cadeiras de rodas, carrinho de criança, prótese de perna, mala com calcinhas, aparelho auditivo e até um osciloscópio (equipamento eletrônico que permite observar a variação de voltagens elétricas por meio de um gráfico, entenderam?). Sim, tem de tudo nos setores de Achados e Perdidos dos aeroportos. Prova de que a cabeça do brasileiro, em alguns momentos, anda nas nuvens…

Essas salinhas, aliás, acabam sendo áreas das mais movimentadas nos terminais. Vira e mexe chega um objeto entregue por algum funcionário do aeroporto, ou passageiro desesperado à procura de seus bens. O montante de objetos recolhidos e devolvidos varia de acordo com o aeroporto e a época do ano. Em períodos de alta temporada, por exemplo, tende a ser mais alto. E o prazo para o objeto permanecer no setor tipicamente determinado é até 90 dias, mas pode variar, de acordo com o aeroporto. Ao fim do prazo, alguns objetos são doados e outros destruídos ou transformados em sucata.

E as regras para recolher um objeto, guardá-lo e devolvê-lo ao dono são normalmente simples e pouco variam, sejam nos seis aeroportos concedidos ou nos 60 terminais administrados pela Infraero. Qualquer objeto encontrado deve ser entregue à segurança do aeroporto para ser depositado em uma sala ou cofre, dependendo de sua natureza. A devolução é feita mediante reclamação do proprietário, que deve descrever as características do objeto e a comprovação de propriedade. Os setores também procuram descobrir o proprietário e contatá-lo, para a devolução.

Viracopos e Brasília

“É importante que os objetos perdidos sejam cadastrados. E que na restituição seja colhido um recibo do reclamante. A doação dos objetos deve ser documentada e, por fim, verificada se a instituição que está recebendo é idônea”, explica o gerente de Segurança do Aeroporto de Viracopos (Campinas-SP), Samuel Conceição. O aeroporto recolhe, em média, 400 objetos perdidos por mês. E consegue devolver cerca de 90 objetos por mês, 22%. Em 2014, por exemplo, foram recolhidos 5.219 objetos perdidos em Viracopos. Neste ano, até maio foram 2.398 objetos encontrados no aeroporto. Entre eles, uma luneta e uma mochila com produtos de sexshop.

No Aeroporto JK, em Brasília, o sistema é um pouquinho diferente. Este ano foram quase 2.500 objetos esquecidos no terminal. Os exemplos de desapego ficam por 30 dias em uma sala no Terminal I de passageiros. Depois, ganham outro lar: um depósito que também fica no terminal. Ali, se não forem devolvidos, vão “morar” por 90 dias.

E há uma política séria para tratar do destino desses objetos, ora, bolas. Carteira de identidade, CNH e OAB permanecem por sete dias na sala e depois são encaminhados para os Correios. No caso de passaporte brasileiro, eles são enviados para a Polícia Federal logo que chegam ao setor de Achados e Perdidos. Documentos de estrangeiros costumam ser enviados ao consulado do país de origem do proprietário. Já as malas perdidas passam por vistoria e se algo perecível for encontrado é imediatamente descartado. Ah, claro, até os vips são capazes de perder a cabeça e objetos. No caso, o que for encontrado perdido na Sala VIP fica na Sala VIP. Tipo aquelas histórias que acontecem em Vegas. Las Vegas.

Guarulhos e Galeão

No Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo (SP), o bicho pega. Na correria para pegar o voo, visitar o banheiro, fazer as últimas comprinhas antes de embarcar ou encarar um lanchinho, são perdidos aproximadamente mil objetos por mês. Ou seja, uma média de mais de 30 coisinhas sem dono por dia. Desses, cerca de 40% são devolvidos. Eles ficam até 60 dias na Central de Atendimento ao Cliente (CAC), responsável pelo setor de Perdidos & Achados (L&F – Lost and Found). Depois, os itens não resgatados são direcionados ao Fundo Social da Prefeitura de Guarulhos.

Antes de ter esse fim, o objeto somente é devolvido após o reclamante provar por A + B que é seu feliz proprietário. Para isso, deverá identificá-lo, descrevendo suas características, informando a data da perda e o local no aeroporto onde ocorreu o extravio. Em caso de aparelhos eletrônicos, além de descrever o item, o passageiro deverá mencionar algo que esteja registrado nele, algum arquivo, senha de desbloqueio, código ou nome específico na agenda. Pronto, aí, sim, meu amigo, você terá seu querido e esquecido objeto de volta ao aconchego do seu lar. No caso de Guarulhos, os mais perdidos são encosto de pescoço, telefones celulares, malas, óculos, guarda-chuvas, carteiras de identidade, chaves e relógios. Não à toa, o povo perde, também, a hora…

No Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro, o setor de Achados e Perdidos funciona das 6h às 22h. Fora desse horário, os objetos encontrados são recebidos nos balcões de informações e ficam sob custódia do encarregado de segurança até serem recolhidos pela equipe dos Achados e Perdidos. A média é de 25 objetos recolhidos por dia, com uma devolução média de oito itens devolvidos diariamente. No Galeão, os objetos perecíveis são guardados por um período de seis horas. Caso o dono não apareça para reivindicá-lo, ele é descartado. A grande dica, porém, é ficar sempre atento aos seus pertences. Melhor do que encontrá-los é não perdê-los. Afinal, nem todo mundo dá a sorte que deu o Pedro Ivo…

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Chapéus, casacos, chaves, livros, travesseiros. De tudo um pouco nos setores de Achados e Perdidos dos aeroportos brasileiros

FICA A DICA

– As dependências de um terminal compreendem lugares como o saguão de passageiros, sistema de pistas e pátio, salas de embarque e desembarque, sanitários, estabelecimentos comerciais e estacionamento de veículos. Objetos perdidos dentro da aeronave são de responsabilidade da companhia aérea que opera o voo. Neste caso, o passageiro deve entrar em contato com a empresa para os procedimentos de localização e recuperação do pertence.

– É importante lembrar que itens perecíveis não são guardados nos Achados e Perdidos: a orientação no caso desses é que sejam descartados.

– O usuário, para recuperar seu pertence, deverá comparecer ao balcão de informações ou setor de Achados e Perdidos portando documento de identidade com foto e solicitar a devolução. Caso não seja possível retirar o objeto pessoalmente, o interessado poderá autorizar outra pessoa para receber o bem. A forma de autorização pode variar de acordo com o aeroporto. Entre os procedimentos possíveis, estão a entrega de procuração ou documento padrão de autorização e envio de e-mail informando a autorização e contendo descrição do item, dados pessoais do proprietário e da pessoa que irá buscar o pertence.

– Uma vez decorrido o prazo de permanência dos objetos encaminhados para os Achados e Perdidos, o aeroporto poderá tomar providências para reencaminhamento dos itens, que variam de acordo com o terminal. No Aeroporto de Belém (PA), por exemplo, os objetos são encaminhados à Autoridade Judiciária, que decidirá a destinação dos itens. Dependendo da avaliação do juiz responsável, pode-se fazer a doação ou o leilão. Já no Aeroporto de Cuiabá (MT), após o prazo de 60 dias, os itens são registrados em um mural público na sala de espera do desembarque com a relação do material em custódia por mais de 60 dias. Passado esse tempo, os objetos são doados para entidades cadastradas no sistema de Achados e Perdidos do aeroporto.

– Para acionar o serviço, o usuário deve contatar o setor responsável, sendo que a área ou pessoal a ser procurado depende do aeroporto: por exemplo, em Belém, o primeiro contato deve ser feito no balcão de informações do terminal. Já em Cuiabá, a pessoa poderá notificar qualquer funcionário sobre a perda do objeto. Recomenda-se procurar o supervisor da Infraero no terminal ou a área de Ouvidoria para o início do processo. Em caso de dúvidas, deve-se acionar o balcão de informações no aeroporto para obter esclarecimentos ou dar início à busca.

– O Setor de Achados e Perdidos do Aeroporto de Brasília está localizado no Terminal I, no piso de desembarque, próximo ao Desembarque Internacional. O horário de funcionamento é das 7h às 23h. O telefone de contato é o 3214-6109. O e-mail é achadoseperdidos@inframerica.aero.

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Tão Tão Distante

Você sabe quais são os dez municípios mais distantes de um aeroporto hoje? Alguns brasileiros precisam viajar mais de mil quilômetros para embarcar em um avião. Mas as distâncias vão encurtar com o programa de desenvolvimento da aviação regional

Freddy Charlson

Estrada, rio, estrada, rio, estrada. Ufa, 17 horas de viagem depois, eis que o heroico e destemido viajante que deixou o município de Apuí chega a Manaus. Sim, essa epopeia é para os fortes, para os muito fortes. É que Apuí, uma pequena cidade de 21 mil habitantes isolada no meio da Floresta Amazônica, fica a incríveis 450 quilômetros, em linha reta, da capital do Amazonas, terra do aeroporto mais próximo da cidadezinha interiorana. A distância a ser percorrida por estradas e rios, porém, chega a 1.096 quilômetros…

Isso credencia a pequenina Apuí como o município brasileiro mais distante de um aeroporto com voos regulares – no caso, o Aeroporto Eduardo Gomes –, o que o torna o mais isolado do País, especialmente em períodos de chuva. Ou seja, uma canseira danada para esse povo que quer economizar tempo e curtir mais a vida fazendo viagens de avião.

Canseira que não deve acabar totalmente, mas será atenuada um bocado. Ah, se vai! Isso porque o aeroporto de Jacareacanga, no Pará, que hoje não opera voos regulares – mas que está incluído no programa de desenvolvimento da aviação regional da Secretaria de Aviação Civil (LEIA MAIS SOBRE O PROGRAMA)  – está a 275 quilômetros de Apuí. Um ganho de mais de 800 quilômetros. Ou seja: se hoje o heroico apuiense gasta cerca de 17 horas para chegar em Manaus e pegar um aviãozinho, daqui um tempo ele gastará pouco mais de 3 horas. Isso porque o vai construir ou reformar 270 aeroportos País afora. Jacareacanga é um deles!

Uma ótima notícia também para os municípios que, na sequência, acompanham Apuí na lista das cidades brasileiras mais distantes de aeroportos: Oiapoque (AP); Palmeira do Piauí (PI); Cristino Castro (PI); Santa Luz (PI); Barra do Quaraí (RS); Currais (PI); Bom Jesus (PI); Alvorada do Gurguéia (PI); e Colônia do Gurguéia (PI).

A “famosa” Oiapoque (AP) é aquele cidadezinha que costuma ser citada na frase “O Brasil vai do Oiapoque ao Chuí”… Tipo o Brasil é grande e coisa e tal… Pois bem, Oiapoque vai ganhar ainda mais do que tempo. Hoje, o aeroporto com voo regular mais próximo da cidade é o de Macapá (AP), que fica a exatos 430 quilômetros de distância em linha reta ou 591 quilômetros por meio de estradas. O programa de aviação regional prevê reforma no aeroporto de Oiapoque e o retorno de suas operações.

É uma grande mudança para a população local e vizinha! Hoje, no Brasil, mais de 40 milhões de pessoas vivem a mais de 100 quilômetros de um terminal aeroportuário de passageiros. E essa situação vai mudar, pra melhor, claro. Atualmente, só 77 aeroportos regionais têm rotas regulares voando os 8.515.767 km² de área do País. Quando brasileiros de Norte a Sul, seja no interior ou nas capitais, tiverem acesso ao transporte aéreo, habitantes de 3.500 municípios do País serão beneficiados por uma grande rede de aeroportos. Assim, as 17 horas ou os 1.096 km de estrada, rio, estrada, rio, estrada entre Apuí e Manaus, por exemplo, serão, então, apenas lembrança na memória das novas gerações dos apuienses.

Enquanto o programa se desenvolve conheça um pouco mais sobre os 10 municípios brasileiros mais distantes de um aeroporto com voos regulares. E, claro, acompanhe o que podemos chamar de “salvação da lavoura”, afinal, vários aeroportos serão construídos em cidades mais próximas para facilitar a vida dos municípios distantes de terminais, especificamente esses do Top Ten!

UM AEROPORTO PRA CHAMAR DE “SEU”

APUÍ (AM)

Apuí fica no interior do Amazonas, ao sul de Manaus, na Rodovia Transamazônica (BR-230), a única que liga o município à civilização. Ah, Apuí tem as cachoeiras mais bacanas do estado e uma festa do Peão de Boiadeiro que, dizem, é a maior das redondezas (e bota redondeza nisso!). Com população estimada em 20 mil pessoas, Apuí (que bem poderia ser chamado de Longeaí…) tem uma área considerável – de 54 mil km² – sendo maior que os países europeus Holanda, Montenegro, Malta, Luxemburgo, Mônaco e Vaticano. Juntos! Sorte da população que o programa de aviação regional prevê a instalação de um aeroporto em Jacareacanga, né?

OIAPOQUE (AP)

Fica lá no alto do estado do Amapá. O nome Oiapoque tem origem tupi-guarani, uma derivação do termo “oiap-oca”, que significa “casa dos Waiãpi”, os primitivos habitantes da região. O município foi criado em 23 de maio de 1945 e é uma boa para quem quer curtir o “estrangeiro”, afinal limita-se ao norte com a Guiana Francesa. Para isso é só atravessar a Ponte Internacional sobre o Rio Oiapoque et voilá! No mais, os moradores têm à disposição uma única via de ligação com a capital do estado, Macapá: a BR-156, com 600 km, sede do aeroporto mais próximo da cidade, que fica a 430 km de distância. Bem, mas isso vai mudar, graças ao programa de aviação regional.

PALMEIRA DO PIAUÍ (PI)

Palmeira do Piauí é um município brasileiro que fica… no Piauí. Pequeno, tem cerca de 10 mil habitantes e fica a 10 quilômetros da BR-135 (principal via do estado). O Rio Gurgueia e alguns riachos banham a cidade que é ligada à BR-135 por uma ponte de madeira e metal. O município que fica a 400 quilômetros, em linha reta, do aeroporto mais próximo, o Senador Nilo Coelho, em Petrolina, já em Pernambuco – são 626 quilômetros pelas estradas nordestinas –tem muitas serras ao seu redor. E o mais charmoso é um “olho d’água”, a 9 quilômetros do centro da cidade. Bem, para quem não liga o nome à beleza natural, olho d’água é um lugar aonde a água brota dos morros. Com o programa de aviação regional, ficará muito mais fácil se deslocar até o futuro aeroporto de Bom Jesus (PI), que ficará a meros 78 quilômetros de distância.

CRISTINO CASTRO (PI)

A cidade tem 11 mil habitantes, a maioria na zona rural e numa faixa de baixo desenvolvimento. Só para vocês terem uma ideia, o município ocupava a 4.921ª posição, em 2010, no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), em relação aos 5.565 municípios do Brasil. Ou seja, vida dura para o povo de uma terra repleta de um negócio chamado “poços jorrantes”, de onde sai água mineral bem morninha. Hoje, o aeroporto mais próximo de Cristino Castro é o de Barreiras (BA), a cansativos 390 quilômetros em linha reta (503 quilômetros pelas longas estradas da vida). Com o programa de aviação regional, ficará mais fácil ir até o futuro aeroporto de Bom Jesus (PI), que ficará a 50 quilômetros de distância.

SANTA LUZ (PI)

Quem nasce é Santa Luz é santa-luzense. E se quiser pegar um avião vai ter que andar 375 quilômetros, em linha reta, até Barreiras (BA). Pelas estradas, a distância aumenta para 514 quilômetros. Ok, uma coisa pode não ter nada a ver com a outra, mas a verdade é que essa localidade piauiense só começou a se desenvolver em 1933, com a lavoura de algodão. E só virou município em 1962. Hoje, Santa Luz não chega a 10 mil habitantes. Um povo que se desloca via BR-135, a mais movimentada das rodovias do Piauí. A boa notícia é que a distância até um aeroporto mais próximo vai cair para 205 quilômetros até São Raimundo Nonato (PI). A metade do percurso atual.

BARRA DO QUARAÍ (RS)

Direto ao ponto: Barra do Quaraí é o município mais ocidental do Rio Grande do Sul e de toda a Região Sul Fica bem na ponta mesmo, pertinho da Argentina e do Uruguai. De quebra, está a incríveis 717 km da capital, Porto Alegre. É o município gaúcho mais distante da capital, né? E o aeroporto mais próximo da cidade de 5 mil habitantes é o de Santa Maria (RS), a 370 quilômetros. Bom de briga, Barra do Quaraí disputa, há mais de 100 anos, com o Uruguai, um lugar chamado Ilha Brasileira, nas águas do Rio Uruguai. A pendenga não tem data pra terminar, mas a dificuldade para chegar a um aeroporto, sim. O município de Uruguaiana (RS), a 71 quilômetros de Barra do Quaraí, vai ganhar um aeroporto pelo programa de aviação regional. A distância dos moradores da cidade vai ser reduzida a um décimo do que é hoje. Que beleza, amigo!

CURRAIS (PI)

Município caçula do Piauí. Foi fundado dia desses, em 1997. Quem nasce lá é curralense e anda 360 quilômetros até o aeroporto de Barreiras (BA), o mais próximo. É que Currais fica longe que só, óxente, da capital Teresina. Pra quase 650 quilômetros de distância. É muito para os seus 5 mil habitantes, que levam o município a ter uma densidade demográfica de 1,5 habitantes/km². Ou seja, quem quiser pode espreguiçar-se à vontade em Currais… Ah, e a maior cidade nos arredores é Bom Jesus, a 62 quilômetros de distância, justamente a que vai ganhar um aeroporto. Imaginou andar 62 km para embarcar num avião comparado aos 360 km até Barreiras? Um sonho.

BOM JESUS (PI)

Por falar em Bom Jesus, o município piauiense é uma potência na região. Com seus 23 mil habitantes também depende do aeroporto de Barreiras (BA) para navegar pelos céus desse Brasilzão. Bom Jesus fica a 350 quilômetros do município baiano e está virando o novo eldorado da soja. Localizada a 635 quilômetros da capital Teresina, a cidade é quente, bem quente. O recorde de temperatura registrado foi de 44,7 graus em 21 de novembro de 2005. Uma das mais altas do País. Tão alta quanto a moral da cidade que vai ganhar um aeroporto reformadinho “pra chamar de seu”. O aeroporto de Bom Jesus está na fase de Estudo Preliminar (EP), que detalha o Estudo de Viabilidade Técnica (EVT). O EP define o tamanho do pátio, pista e terminal e o investimento necessário. Aeroporto, aliás, que vai salvar a vida dos moradores dos municípios piauienses vizinhos que têm que recorrer aos terminais aeroportuários de Pernambuco ou da Bahia e que estão no seleto Top Ten deste texto: Palmeira do Piauí, Cristino Castro, Currais, Alvorada do Gurguéia e Colônia do Gurguéia. Ficará tudo bom para todas as partes.

ALVORADA DO GURGUÉIA (PI)

Com pouco mais de 5 mil habitantes, fica no centro sul do Piauí e a 539 quilômetros da capital Teresina. É jovenzinha, virou município apenas em 1994, após se desmembrar de Cristino Castro e Manoel Emídio. Toda bonitinha, a cidade, cujo aeroporto mais próximo é o Senador Nilo Coelho, em Petrolina (PE), tem como referencial seus mananciais de água naturais, como o Poço Violeto. A boa notícia é que a distância até um aeroporto mais próximo vai cair dos 539 quilômetros que a separam de Teresina para 97 quilômetros até o aeroporto de Bom Jesus (PI). Pense numa felicidade!

COLÔNIA DO GURGUÉIA (PI)

E Colônia do Gurguéia, no Piauí, encerra a lista dos dez municípios mais distantes de aeroportos com voos regulares. A cidade, com aproximadamente 7 mil habitantes, fica a 350 quilômetros da capital, Teresina, cujo aeroporto, Petrônio Portella, é o mais próximo de seus moradores. A boa notícia é que a distância até um aeroporto mais próximo vai cair para 141 quilômetros até o aeroporto de Bom Jesus (PI). Um caminho 60% menor. É ou não é totalmente excelente?!