Santos Dumont, o Pai da Aviação, sim, senhor!

No dia 20 de julho, completam-se 142 anos do nascimento do polêmico inventor mineiro Alberto Santos Dumont, que voou no 14-Bis e em dirigíveis, inventou o relógio de pulso e ficou deprimido ao ver aviões usados como máquinas de guerra.

sac-selo-santos-dumont2Freddy Charlson

Santos Dumont era polêmico. Ponto.

Bem-nascido, em 1873, ele inventou o avião (embora os norte-americanos e boa parte do planeta diga que não), passou a maior parte do tempo fora do Brasil (em escolas na França e na Suíça ou passeando por um mundão que já era de Deus, mas não era tão, digamos, globalizado) e, no final da vida, ficou tristinho (ok, stop brincadeira, depressão é coisa séria!) porque sua invenção (sim, o avião, afinal aqui é Brasil, caramba!) acabou sendo utilizada como uma mortal arma de guerra (alguém aí falou Hiroshima? alguém aí falou Nagasaki?).

Sim, Santos Dumont era polêmico.

Mas ele teve lá os seus motivos. Isso desde o tempo em que nasceu numa fazenda no interior das Minas Gerais e quando sua família mudou-se para outra fazenda, em Ribeirão Preto (SP). Em vez de trabalhar na horta ou com os animais, Dumontinho era polêmico: preferia mexer com as máquinas. Ah, que precoce esse menino batizado como Alberto Santos Dumont, filho de pai de ascendência francesa (Monsieur Henrique) e mãe filha de tradicional família portuguesa (Dona Francisca, com certeza!). Esperto, o pai viu que o rapaz era craque em mecânica, física, química e eletricidade e emancipou o jovem. “Vá. Dumont, vá ser gauche na vida.” Eis que, aos 18 anos, o jovem sonhador atravessou o Oceano Atlântico para concluir os estudos na França e, enfim, poder voar, voar, subir, subir, ir para onde for (momento Biafra)…

Um ano depois, papai Dumont morreria. Abalado emocionalmente, claro, o pequeno Dumont, sempre fã do escritor francês Júlio Verne (autor de livros como 20 Mil Léguas Submarinas e A Volta Ao Mundo em 80 Dias, entre outros), herdou uma fortuna. Resolveu ficar em terras parisienses, comprou um carro e passou a disputar corridas velocíssimas – bem, pelo menos para a época. Aos 24 anos, em 1898, subiu num balão. Alugado. Ok, o jovem ainda não era poderoso. Um ano depois, foi às alturas com o próprio balão, o “Brasil”, criado por Dumont.

Pronto, a partir daí, o mineirinho voou. De verdade. Passou a pilotar balões, construir dirigíveis – e dar números a eles, tipo 1, 2, 3 e daí por diante –, a dar a volta na Torre Eiffel voando, a disputar prêmios polêmicos de voos (sem propulsão, de distância, de travessia do Canal da Mancha, entre a França e a Inglaterra…), a vencer prêmios polêmicos, afinal, na época, era difícil definir o que era avião, o que poderia ser mais pesado do que o ar, o que era voo… A fazer de tudo um pouco. O dirigível número 11, por exemplo, foi um bimotor com asas e o número 12 parecia um helicóptero.

20.07.2015 - FOTOS - INVENÇÕES DE SANTOS DUMONT - DIRIGÍVEL NÚMERO 6O tempo passa, o tempo voa (perdão pelo trocadilho, mas a propaganda com esse jingle é quase tão antiga quanto a época tratada por este texto!) e Santos Dumont estava cada vez mais fera na arte de voar. Entre 19 e 23 de julho de 1906, testou, em Paris, o bom e velho 14-Bis. O avião de formato estranho, que parecia ser feito de cartolina, era conhecido como “Oiseau de Proie” (ave de rapina, na língua de Catherine Deneuve). Ele foi o primeiro objeto mais pesado que o ar a erguer voo por impulsos próprios, superando o atrito do ar, as leis básicas da física, a gravidade e, principalmente, a fé alheia. E quem diz isso não sou eu (Bra-sil-sil-sil!), mas a Federação Internacional de Aviação (FIA).

Ah, o porquê do nome? Simples, o 14-Bis era tipo uma mistura de aeroplano com o balão 14 (lembra que Santos Dumont curtia numerar as “paradas”?), usado pelo inventor em outros voos. Daí, o “bis”, sacaram? Então, foi com ele que, em 13 de setembro de 1906, o 14-Bis, sem balão, com mais potência e chamado de Oiseau de Proie, voou 8 metros. E isso num momento da história da humanidade em que era difícil definir o que seria um “voo de avião”, lembrem-se. A polêmica ganhava o mundo. De cientistas a inventores, de aventureiros ao povo… difícil acreditar que algo mais pesado do que o ar pudesse… voar.

Dumont queria mais. E, assim, em 23 de outubro de 1906, no campo de Bagatelle, em Paris, o Oiseau de Proie II voou utilizando seus próprios meios, sem a ajuda de catapultas e afins. Voou 60m em sete segundos, a meros 2m, 3m de altura, um feito incrível para a época. E com mais de mil pessoas como testemunhas. Ah, a Comissão Oficial do Aeroclube da França homologou o feito. Sim, o Oiseau de Proie, o nosso 14-Bis, era “mais pesado que o ar”. Ricão e gente fina, Santos Dumont distribuiu o dinheiro do prêmio para seus operários e os pobres de Paris. Sim, era um costume do inventor.

O brasileiro virou herói, foi homenageado na Europa, nos Estados Unidos e, of course!, no Brasil. Aqui, claro, a euforia tomou conta. Ao mesmo tempo, o povo imitão e oportunista foi mexendo nos projetos de Santos Dumont e aperfeiçoando as ideias. É que ele não patenteava suas invenções. Uma desleixo polêmico. De qualquer forma, em 1909, Dumont recebeu o primeiro brevê de aviador, fornecido pelo Aeroclube da França. O documento é tipo a CNH de piloto. Nesse mesmo ano, em 18 de setembro, o brasileiro voou pela última vez. Estava cansado, doente, com os primeiros sinais de esclerose múltipla. No ano seguinte, fechou sua oficina e isolou-se do mundo.

Sua situação ficou ainda mais crítica em agosto de 1914, quando começou a Primeira Guerra Mundial, com a invasão da França (logo a França, né, Dumont?) pela Alemanha. Os aviões, já mais rápidos e bem modernos, foram utilizados para observar tropas inimigas, travar combates aéreos e despejar bombas mundo afora. Santos Dumont ficou, então, deprimido, ao ver a invenção utilizada para destruir vidas humanas. Seu sonho se transformava em pesadelo. Polêmico, até ofereceu dez mil francos (sim, o euro não era nem sonho à época) para o autor da melhor obra contra o uso de aviões na guerra. Não se sabe se alguém escreveu. Não se sabe se Dumont chegou a pagar a quantia.

Em 1915, voltou ao Brasil, ruim que 20.07.2015 - FOTOS - INVENÇÕES DE SANTOS DUMONT - CHUVEIRO ELÉTRICOsó da saúde. Deprimido, mudou-se para Petrópolis, no Rio. Ali, ergueu um espaço para suas invenções, tipo um chuveiro de água quente (pense no sucesso!) e um motor portátil para esquiadores. Morou sete anos na serra fluminense e, em 1922, deu um rolé pelo mundo, num esquema tipo despedida. Passou por Rio de Janeiro, São Paulo, Fazenda Cabangu (MG) e Paris, mon cherie. Até que, incomodado, em janeiro de 1926, apelou à Liga das Nações (a mãe da ONU) para impedir o uso de aviões como armas de guerra. Não deu certo e ele internou-se no sanatório Valmont-sur-Territet, na Suíça.

Dois anos depois, seria recebido com festa no Rio de Janeiro. Como tudo estava dando errado na vida do herói nacional e a polêmica o cercava por todos os lados, adivinhem?, o hidroavião que faria a recepção, sobrevoando o navio que o levava, sofreu um acidente, sem sobreviventes. Ah, o avião tinha o nome de… Santos Dumont. Abalado, o herói brasileiro voltou a Paris. Lá, em junho de 1930, recebeu o título de Grande Oficial da Legião de Honra da França. A festa durou pouco. No ano seguinte, ficou internado em Biarritz, e Ortez, no sul da França. Teve que voltar ao Brasil, a tempo de virar membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Outra polêmica. Não me perguntem o livro que ele escreveu para merecer tal honraria… De qualquer forma, ele nunca chegou a tomar posse da cadeira 38 da ABL.

Inquieto – e polêmico, não se esqueçam –, Santos Dumont aproveitou a Revolução Constitucionalista, em 1932, para apelar contra a guerra civil (o estado de São Paulo revoltou-se contra o governo de Getúlio Vargas). Não deu em nada. Aviões, logo eles…, atacaram o campo de Marte, em São Paulo, em 23 de julho. O inventor ficou angustiado, pirou. Nesse mesmo dia suicidou-se, aos 59 anos, sem deixar descendentes. Nem nota de suicídio. O corpo foi enterrado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro e o coração está exposto no museu da Força Aérea no Campo dos Afonsos, em São Paulo. Os legistas registraram a morte como ataque cardíaco. As camareiras que acharam o corpo disseram que ele havia se enforcado com uma gravata. Mais polêmica. E até depois de sua morte.

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De Romero Britto a Athos Bulcão

Pinturas, gravuras, esculturas, instalações. Os aeroportos brasileiros têm diversas obras de arte que ajudam a refrescar a visão dos passageiros enquanto o voo não vem. Do clássico ao popular, há um pouco do talento brasileiro em cada terminal

Painel de Azulejos de Athos Bulcão, no Aeroporto de Brasília (DF).

Painel de Azulejos de Athos Bulcão, no Aeroporto de Brasília (DF).

Tudo bem que os aviões têm design arrojado e são cada vez mais modernos; tudo bem que os terminais estão trincando de novos e estão cada vez mais agradáveis; tudo bem que muita gente bonita e cada vez mais bem vestida circula pelos saguões dos aeroportos… Aviões, terminais, pessoas… são quase uma obra de arte. Mas obra de arte, bem, obra de arte mesmo é outra coisa. E os principais aeroportos brasileiros estão repletos delas, como forma de divulgação da cultura nacional e, também, para refrescar a visão das pessoas enquanto elas esperam o voo.

Os 60 aeroportos que integram a Rede Infraero, por exemplo, possuem diversas obras de arte em seus terminais de passageiros. Assim como os seis aeroporto concedidos. São gravuras, painéis, esculturas, telas e outras forma de expressão artística em exibição contínua e que podem ser admiradas por passageiros e usuários. Há desde artistas reconhecidos mundialmente quanto revelações das artes plásticas brasileiros e talentos regionais. Os aeroportos acabam exercendo o papel de divulgar a habilidade e a capacidade dos brasileiros em criar. E tudo isso, claro, de graça.

Os Trabalhadores, em  Cogonhas

Os Trabalhadores, em Congonhas (SP).

Em Congonhas, a vez dos espelhos

No Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, por exemplo, entre as principais obras destaca-se um conjunto de oito espelhos decorados com motivos diversos, de autoria de Jacques Monet, localizado no Bar do Salão Nobre do Pavilhão de Autoridades. O conjunto divide o ambiente com o painel mural Os Trabalhadores (3,5m x 16m), criado por Emiliano Di Cavalcanti e Clóvis Graciano.

No hall da escada de acesso ao subsolo, fica o Painel de Pastilhas de Vidro, com motivos geométricos, de autoria dos artistas Hernani do Val Penteado e Raymond A. Jehlen. A dupla também criou a obra Mapa Mundi, um painel de placas de mármore com ilustração em baixo relevo do planisfério, com os continentes ligados por aviões de diversos modelos. A obra fica no saguão central.

Congonhas abriga, no hall em frente à marquise sul, um painel de placas de granito preto com desenhos em baixo relevo e fundo em tinta dourada retratando edifícios e monumentos representativos da paisagem do centro de São Paulo. Um desenho de Jean Tranchant.

Outra obra de destaque no aeroporto é um painel de madeira com pintura representando o mapa do Brasil com ilustrações de uma rosa dos ventos, elementos da fauna e da flora brasileira, indígenas e construções das regiões. O painel de Jacques Monet fica na sala de embarque, piso superior. E os viajantes gostam de admirar um busto de Santos Dumont, em bronze e com a inscrição “Ao precursor da Navegação Aérea Alberto Santos Dumont”. A escultura fica na sala de embarque, piso superior, e é do incrível Victor Brecheret.

Por fim, em Congonhas há o Muro da Memória, painel 13m x 3m que retrata, de forma colorida, o aeroporto no século passado, exaltando sua beleza arquitetônica e a importância para a cidade. Fica na ala sul, corredor de acesso, e é de autoria de Eduardo Kobra.

Santos Dumont, no Aeroporto Santos Dumont (RJ)

Santos Dumont, no Aeroporto Santos Dumont (RJ).

Em Santos Dumont, homenagem ao aviador

No Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, o grande sucesso de público são as três esculturas do artista plástico pernambucano Romero Brito, de 52 anos. Squeaki (O Gato) fica na sala de embarque restrito, próximo ao canal de inspeção. Good Girl (A Menina) também fica na sala de embarque restrito, próximo aos portões de embarque remoto. E a escultura Dancing Boy (O Menino Dançando) fica no terminal de embarque, 1º piso.

O Santos Dumont também abriga a escultura Fênix, de Neuza Scher, localizada em frente aos Correios, no terminal de embarque, 1º piso. Os painéis Primórdios da Aviação e Aviação Moderna estão no terminal de desembarque, próximos ao Balcão de Informações, e são de autoria de Cadmo Fausto.

Já a obra Centenário do 14 Bis fica no terminal de embarque, 1º piso, e foi criada por Sansão Campos Pereira. Por fim, o painel Retrato de Santos Dumont (claro, o Aeroporto Santos Dumont tinha mesmo que ter um retrato de Santos Dumont…) está localizado no terminal de desembarque, área pública. A obra é de autoria de Hughes Desmazières.

Em Porto Alegre, reinam os painéis

A conquista do espaço, no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre (RS)

A conquista do espaço, no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre (RS).

E o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, é a “terra brasileira dos painéis”. Quatro imponentes painéis ajudam a embelezar o terminal. O painel Todas as horas, de Carlos Vergara, tem 14 anos e mede 35m X 6m. Foi confeccionado com base de alvenaria e chapas de metal fixadas com pinos metálicos. Fica no 3º pavimento do Terminal 1, perto da praça de serviços e alimentação. Já o painel EX ORBIS, de Regina Silveira, mede 7m x 11m, e é feito de 912 peças de azulejos brancos 40cm x 40cm pintados à mão. Fica localizado no Terminal 1, parede do 3º piso, também próximo à praça de alimentação.

O painel Rio Grande do Sul, por sua vez, tem proporções gigantescas. Ele mede 55m de comprimento e 3,4m de altura. Para sua confecção, o artista Mauro Fuke utilizou 240 mil pastilhas de porcelana esmaltada de diversas cores. A obra fica no Terminal 1, no 2º pavimento, no corredor das salas de embarque. Por fim, o painel A conquista do espaço trata-se de um afresco de 50 m², localizado no Terminal de passageiros 2, próximo ao desembarque doméstico. A obra é de Aldo Locatelli.

Em Fortaleza, tem até obra do cantor Fagner

A Menina, no aeroporto de Fortaleza (CE).

A Menina, no aeroporto de Fortaleza (CE).

Em Fortaleza, a capital do ensolarado Ceará, quatro obras de arte abrilhantam o Aeroporto Internacional Pinto Martins. A fofa escultura A menina, por exemplo, na Praça de alimentação, é mais uma invenção do incansável Romero Brito. O busto Pinto Martins fica no 1º piso e é de autoria da dupla Angélica Ellery Torres e Honor Torres. Já o mural Terra da Luz, criado por Mino, é mesmo uma pintura que embeleza o 1ª piso.

Por falar em pintura, a Condomínio da arte, no piso térreo, saguão de desembarque, tem quase um pouquinho de cada artista brasileiro. Pelo menos 20 artistas meteram o bedelho na obra, num grande coletivo. Entre eles, está até o cantor Raimundo Fagner, mundialmente conhecido pelo clássico Deslizes, aquele que diz, tipo assim: “Nós somos cúmplices/ Nós dois somos culpados/ No mesmo instante/ Em que teu corpo toca o meu/ Já não existe/ Nem o certo, nem errado/ Só o amor que por encanto/ Aconteceu”. Lindo.

Em Belém, esculturas e pintura

Festa Junina, no aeroporto de Belém (PA).

Festa Junina, no aeroporto de Belém (PA).

E para terminar nossa ronda artística pelos terminais aeroportuários administrados pela Infraero, chegamos ao Aeroporto Internacional de Belém. Ali, o quase onipresente Romero Brito se faz presente com a escultura For You/Heart (O Coração), que ajuda a colorir ainda mais o saguão de desembarque internacional.

O destemido artista pernambucano divide espaço com o arquiteto e urbanista paraense Fernando Pessoa, autor de uma escultura do busto em homenagem ao conterrâneo pioneiro da navegação aérea Júlio Cezar Ribeiro de Souza. A obra Espelho D’Água tem 80cm e é feita em fibra de vidro estruturada. E no mezanino do aeroporto paraense, ao lado da Sala Vip da Infraero, fica a pintura Festa Junina, feita na técnica óleo sobre tela, criada pelo artista Benedito Antônio Soares de Melo.

 

Em Brasília, os painéis de Athos

Painel de Athos Bulcão, no Aeroporto de Brasília (DF)

Painel de Athos Bulcão, no Aeroporto de Brasília (DF).

No Aeroporto Internacional Juscelino Kubitscheck, em Brasília, as vedetes artísticas são dois murais em azulejo de Athos Bulcão, duas belezuras que só vendo. Um deles fica no Pier Norte, na área do embarque doméstico. O outro está posicionado no desembarque internacional. Tratam-se, respectivamente, de um painel de azulejos esmaltados nas cores laranja e amarelo, estampadas sob fundo branco e de um painel de azulejos esmaltados nas cores verde e azul, estampadas sob fundo branco. Ambos foram instalados em 1993.

De forma a preservar as obras, a Inframérica, concessionária responsável pelo aeroporto, fez, em julho de 2014, intervenções de restauração nos painéis. O trabalho teve dez etapas: documentação fotográfica e mapeamento de danos; remoção das peças recolocadas de maneira inadequada; remoção das peças em desprendimento; limpeza química e mecânica dos azulejos; remoção de parte da argamassa de aplicação antiga; recolocação das peças removidas; fixação das peças em desprendimento, com injeção de resina acrílica; aplicação de rejunte na área de intervenção; aplicação de rejunte onde necessário; e limpeza.

Outra obra em destaque no Aeroporto JK é uma borboleta multicolorida pintada por adivinhe quem? Sim, ele, o polêmico artista pernambucano Romero Brito. A borboleta fica, toda faceira, no piso do desembarque no saguão público. Ah, não se assuste, o artista, que mora nos Estados Unidos, tem obras expostas em mais de cem galerias nos cinco continentes.

 

Em Confins, tudo é doado

Sete obras de arte alegram o dia a dia de quem passa pelo Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins. Delas, quatro foram doadas pela Infraero: três esculturas e um entalhe em madeira. Falamos das esculturas Maternidade (Vânia Braga), Escultura em Aço (Ricardo Carvão) e Escultura em Chapa de Ferro (Paulo Laender), além do entalhe em madeira (!) Entalhe em madeira (Maurino Araújo).

Confins também coloca para jogo a escultura For You (Romero Brito, claro!), com dimensão de 1,80m x 2,05m x 0,30cm; o painel Voar (Fernando Pacheco) e o painel Santos Dumont – A Arte de Voar (Yara Tupynambá). Ou seja, arte por toda parte.

 

Em Viracopos, o mural da Copa

Mural da Copa, no Aeroporto de Viracopos (SP)

Mural da Copa, no Aeroporto de Viracopos (SP).

No Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), o destaque é um painel pintado pelo artista plástico Paulo Consentino durante a Copa do Mundo, no ano passado. O painel fica aberto à visitação no terminal de passageiros de voos domésticos e retrata uma das mais famosas imagens dos mundiais: Pelé beijando a Taça Jules Rimet após o tricampeonato de 1970, disputado no México. A obra está no segundo piso, ao lado de agências bancárias e da sala de imprensa montada para atender os jornalistas durante a Copa.

Vale uma visitinha, assim como todas as peças citadas neste texto, afinal quem não curte uma obra de arte?

Tony Jannus, o pioneiro da aviação comercial

Norte-americano foi o primeiro piloto a fazer esse tipo de voo, em 1º de janeiro de 1914, entre as cidades de Tampa e São Petersburgo, na Flórida, Estados Unidos. Conheça um pouco mais dessa história.

31.03.2015 - FOTO - MATÉRIA BLOG CHECKIN - TONY JANNUS

O piloto Tony Jannus (à direita) inaugurando o primeiro voo comercial

Freddy Charlson

E, de repente, num certo 1º de janeiro de 1914, o piloto Tony Jannus entrou para a história. Bem, pelo menos para a história da aviação, ele entrou. Nesse dia, o piloto de testes da companhia aérea St. Petersburg-Tampa Airboat Line, de propriedade de Percival Fansler, foi convocado para levar o prefeito de São Petersburgo, Abram Phell, até a cidade de Tampa, ambas localizadas na Flórida, o mais caliente estado dos Estados Unidos. Um caminho que só era percorrido por trem, navio a vapor ou pela estrada. Sim, naquele momento, Tony Jannus fez o primeiro voo comercial da história.

Um voo que custou 400 dólares pagos pelo prefeito após vencer um leilão para subir a bordo do hidroavião Benoist XIV, de apenas dois lugares – o que garantiu o sonho de qualquer companhia aérea moderna: 100% de ocupação, evidentemente. O primeiro voo comercial da história demorou 23 minutos para percorrer 26 quilômetros. E transformou o jovem Tony Jannus – batizado como Antony Habersack Jannus e, na época, com meros 25 anos – no primeiro piloto comercial de que se tem ou se teve notícia.

Filho de um advogado e neto de um ex-prefeito de Washington, Tony Jannus era dado a essas coisas de ser pioneiro no ainda incipiente ambiente da aviação – hoje, imaginem só, existem cerca de 250 companhias aéreas registradas na Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) e cerca de 3 bilhões de passageiros são transportados a cada ano, na aviação comercial. Ele foi, por exemplo, o piloto do primeiro salto de paraquedas a partir de um avião. Aconteceu em 1° de março de 1912, quando um capitão do Exército dos Estados Unidos, Albert Berry, pulou do avião pilotado por Tony Jannus.

À época, nosso heroi tinha apenas dois parcos anos de experiência na pilotagem de aeronaves – se bem que, para a época, era muito, convenhamos, afinal, quase ninguém sabia o que era um avião – desde quando, em 1910, ao assistir um show aéreo em Baltimore (EUA), gostou da coisa e iniciou um curso de pilotagem no College Park Airport, em Maryland (EUA). Empolgado, até o irmão de Tony entrou nessa história e fez o curso de pilotagem. Pronto, aprovado no curso, Tony virou piloto de teste do construtor de aeronaves Thomas W. Benoist, já no final de 1911.

31.03.2015 - FOTO - MATÉRIA BLOG CHECKIN - TONY JANNUS - PREFEITO - DONO DA CIAA vida do piloto foi intensa. Em 1913, ele participou de eventos aéreos como uma exposição, uma corrida e uma busca de resgate ao colega Albert Jewell, desaparecido com seu avião em Long Island, quando sofreu um acidente. Calma, amigos, ele ficou bem. Ou seja, Tony jogava nas 11 posições. Hoje, muita gente faz isso, mas a oferta de mão de obra é maior, bem maior: o setor movimenta cerca de 60 milhões de empregos em todo o mundo. Ou seja, não há mesmo comparação com a época dos Irmãos Wright, Santos Dumont ou Tony Jannus.

ACIDENTE FATAL

O pior ocorreria em 1916, quando Tony, já piloto de testes para aeronaves de guerra da Curtiss Aeroplane Company, foi enviado a Moscou (então capital da finada União Soviética) como instrutor para pilotos da aviação russa. Em outubro daquele ano, Tony Jannus, o primeiro piloto da aviação comercial, caiu em pleno Mar Negro. Seu corpo nunca foi encontrado. Ele pilotava um Curtiss H-7 e estava acompanhado de dois cadetes.

31.03.2015 - FOTO - MATÉRIA BLOG CHECKIN - HIDROAVIÃO Benoist 1914

Em 1963, 47 anos depois de sua morte, foi criado o Prêmio Tony Jannus, uma maneira de perpetuar o primeiro comandante da história da aviação comercial. O prêmio reconhece conquistas individuais de destaque na aviação por inventores, fabricantes, executivos de companhias aéreas e governantes. O prêmio é conferido anualmente pela Tony Jannus Distinguished Aviation Society e foi concedido a primeira vez em 1964 em Tampa (Flórida). A sociedade ainda ajuda universitários em estudos sobre aviação e organiza concurso anual de redação para alunos do ensino médio com o objetivo de incentivar carreiras no setor.

Dentre os premiados estão Cyrus Rowlett Smith (fundador da American Airlines), William A. Patterson (presidente da United Airlines em 1934-1966) e até um brasileiro, o engenheiro mecânico carioca Frederico Fleury Curado, diretor-presidente da Embraer desde abril de 2007. Os homenageados são consagrados no St. Petersburg Museum of History’s First Airline Pavilion, que fica a 91 metros do local de decolagem do voo inaugural de 1º de janeiro de 1914, com direito a réplica do Benoist XIV pilotado por Tony Jannus naquele dia. Uma bela homenagem ao piloto, um pioneiro da aviação comercial. E que nem poderia imaginar, claro, que, atualmente, cerca de 8 milhões de passageiros voam a cada dia…

LICENÇA:

Para obter licença de Piloto Comercial, é necessário satisfazer aos seguintes requisitos:

  • ser maior de 18 anos;
  • ter concluído o Ensino Médio;
  • ter realizado curso homologado pela Anac específico para piloto comercial;
  • obter aprovação nas provas de conhecimento teórico;
  • obter aprovação nos exames médicos;
  • possuir 200 horas de voo,

Os porquês dos nomes dos 15 principais aeroportos do Brasil

Você sabia que Congonhas é um tipo de erva-mate existente na cidade natal do primeiro governante da província de São Paulo? E que o nome Viracopos pode ter sido originado de uma confusão na quermesse da igreja ou em um bar onde tropeiros sentavam para beber? Por trás da nomenclatura dos 15 principais aeroportos brasileiros, responsáveis por 95% da movimentação no País, existem curiosidades interessantíssimas. Confira!

Congonha

Congonhas: erva-mate abundante na região onde nasceu o primeiro governante de São Paulo

Mariana Monteiro

AEROPORTO DE CONGONHAS

Congonhas é uma palavra derivada do tupi “Ko Gói”, que significa “o que mantém o ser”. Os indígenas utilizam esse termo para denominar um tipo de erva-mate abundante nas proximidades da cidade Congonhas do Campo (MG). Foi nessa cidade onde nasceu Lucas Monteiro de Barros (1767-1851), o Visconde de Congonhas do Campo, primeiro governante da província de São Paulo e também um dos maiores proprietários de terras da região onde hoje está o aeroporto de Congonhas. A região que também recebe esse nome foi escolhida para abrigar o empreendimento pelas condições naturais de visibilidade e por ficar longe da áreas de enchente do Rio Tietê.

AEROPORTO DE VIRACOPOS

Existem duas possíveis versões para a origem do nome do aeroporto de Campinas (SP).

Versão 1: no começo do século, no local onde seria construído o terminal aéreo, havia uma igreja. Certa vez, durante a realização de uma quermesse, o pároco do bairro e os moradores se desentenderam. O tumulto terminou em quebra das barracas e brigas, além da bebedeira. Então, nos sermões, o padre se referia ao ocorrido como “viracopos”.

Versão 2: a outra possível motivação para o nome do aeroporto campinense é a existência de um bar no local, onde tropeiros paravam para descansar, trocar informações sobre viagens e “virar copos”, ou seja, beber.

AEROPORTO INTERNACIONAL DE BRASÍLIA – PRESIDENTE JUSCELINO KUBITSCHEK

O nome do aeroporto de Brasília não poderia ser outro. Afinal, Juscelino Kubitschek é considerado o pai da capital do país, já que foi ele o responsável pela construção da cidade.

AEROPORTO INTERNACIONAL DE MANAUS – EDUARDO GOMES

Eduardo Gomes foi ministro da Aeronáutica por duas vezes – nos governos Café Filho (1954-1955) e Castelo Branco (1965-1967). Em 1941, promovido a brigadeiro, participou da organização das bases aéreas para a Segunda Guerra Mundial. Além de dar nome ao aeroporto da capital amazonense, Eduardo Gomes tem outra curiosa homenagem. Foi por causa dele que o brigadeiro, o doce de padaria mesmo, leva esse nome. É que no final do Estado Novo, o militar candidatou-se às eleições que ocorreriam em dezembro de 1945. Para angariar fundos para a campanha, eram vendidos doces. Daí então surgiu a famosa guloseima.

AEROPORTO INTERNACIONAL DE CUIABÁ – MARECHAL RONDON

Marechal Rondon foi um desbravador e militar brasileiro, de origens indígenas, que explorou a Região Amazônica. Ele construiu 372 quilômetros de linhas e cinco estações telegráficas, abrindo caminho no interior do Brasil.

AEROPORTO INTERNACIONAL DE GUARULHOS – GOVERNADOR ANDRÉ FRANCO MONTORO

Também conhecido por Cumbica, o aeroporto leva esse nome porque a região onde está localizado também se chama Guarulhos. O aeródromo também traz o nome do ex-governador de São Paulo André Franco Montoro, morto em 1999. Montoro foi o 27º governante do estado paulista (1983-1987).

AEROPORTO INTERNACIONAL DO RIO DE JANEIRO/GALEÃO – ANTÔNIO CARLOS JOBIM 

Galeão é o bairro da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, que abriga o aeroporto e instalações da Aeronáutica. Em 1999, um decreto acrescentou ao nome do terminal aéreo uma homenagem ao grande cantor e compositor brasileiro Antônio Carlos Jobim. Tom Jobim compôs a canção Samba do Avião que, dentre outras coisas, diz:

Cristo Redentor/ Braços abertos sobre a Guanabara/ Este samba é só porque/ Rio, eu gosto de você/ A morena vai sambar/Seu corpo todo balançar/ Aperte o cinto, vamos chegar/ Água brilhando, olha a pista chegando/ E vamos nós/ Pousar…”

AEROPORTO INTERNACIONAL DE CONFINS – TANCREDO NEVES

Tancredo Neves foi o primeiro presidente a ser eleito pelo regime democrático após a ditadura no Brasil. No entanto, antes mesmo de tomar posse o político foi acometido por uma diverticulite e morreu. Confins, por sua vez, possui esse nome por localizar-se nos limites das fazendas da região, muito distante. Essa também é a palavra que usamos para dizer que determinado lugar, no sentido figurado, é longe.

AEROPORTO INTERNACIONAL DO RIO GRANDE DO NORTE/SÃO GONÇALO DO AMARANTE – GOVERNADOR ALUÍZIO ALVES

O recém-inaugurado aeroporto potiguar traz o nome do município onde foi construído. São Gonçalo do Amarante foi um religioso português considerado beato pela Igreja Católica. Ele foi escolhido padroeiro do município que nasceu no século 18, quando famílias de Portugal chegaram no Rio Grande do Norte. Já Aluízio Alves foi governador do estado entre 1961 e 1966, sendo cassado pelo Ato Institucional Número Cinco em 1969.

AEROPORTO INTERNACIONAL DE FORTALEZA – PINTO MARTINS

Em 1952, a Base do Cocorote passou a ser chamada de Aeroporto Pinto Martins – uma homenagem ao piloto cearense Euclydes Pinto Martins. Natural do município de Camocim, a 380 km de Fortaleza, ele realizou o primeiro voo entre Nova York e Rio de Janeiro a bordo de um hidroavião.

AEROPORTO INTERNACIONAL DE PORTO ALEGRE – SALGADO FILHO

O local que hoje abriga o aeroporto de Porto Alegre pertencia à Brigada Militar do Rio Grande do Sul. No entanto, o serviço foi extinto em 1924 e a área foi mantida como parque de aviação, onde havia demonstrações de aviação esportiva. Em meados de 1937, a companhia aérea Varig comprou seus primeiros aviões com trem de pouso (antes usavam apenas hidroaviões) e passou a usar o local, que então foi chamado de Aeródromo de São João. Anos depois, em 12 de outubro de 1951, passou a chamar-se Aeroporto Internacional Salgado Filho, uma homenagem ao político gaúcho Joaquim Pedro Salgado Filho. Ele foi deputado federal e senador, além de ministro do Trabalho (1932-1938) e da Aeronáutica (1941-1945).

AEROPORTO INTERNACIONAL DO RECIFE/GUARARAPES – GILBERTO FREYRE

Primeiramente, o principal terminal aéreo pernambucano chamava-se Aeroporto de Recife. Em 1948, o então presidente da República Eurico Gaspar Dutra assinou decreto que renomeava o local para Aeroporto dos Guararapes, já que o aeródromo fica próximo ao Monte dos Guararapes, local onde aconteceu a Batalha dos Guararapes.

Em dezembro de 2001, mais uma renomeação. Agora, o aeroporto traz ainda homenagem ao escritor e um dos mais importantes sociólogos, o pernambucano Gilberto de Mello Freyre.

AEROPORTO INTERNACIONAL DE CURITIBA – AFONSO PENA

Localizado na área da Colônia Afonso Pena, o nome do aeroporto paranaense é uma homenagem ao sexto presidente da República, Afonso Pena, que governou o país de 1906 a 1909.

AEROPORTO INTERNACIONAL DE SALVADOR – DEPUTADO LUÍS EDUARDO MAGALHÃES

O aeroporto da capital baiana foi inaugurado em 1925 sob o nome de Santo Amaro do Ipitanga e reconstruído em 1941. Em 1955, seu nome foi mudado para “2 de Julho”, data mais importante da história do estado, por marcar a independência da província da Bahia. Desde 1998, passou a se chamar Aeroporto Internacional de Salvador – Deputado Luís Eduardo Magalhães, após a morte do ex-presidente da Câmara Luís Eduardo Magalhães, vítima de ataque cardíaco. A mudança provocou revolta em parte do povo baiano. Por isso, a maioria dos habitantes de Salvador continua a chamá-lo (ou conhece) por “2 de Julho”. Hoje, tramitam na Câmara dos Deputados projetos de lei em favor da mudança do nome para 2 de Julho. Mas o assunto segue sem definição e a polêmica persiste.

AEROPORTO SANTOS DUMONT – RIO DE JANEIRO

Obviamente que algum aeroporto teria que levar o nome do maior aeronauta brasileiro e um dos grandes inventores da humanidade. Santos Dumont planejou, construiu e levantou voo com os primeiros balões dirigíveis com motor a gasolina. Em 1901, quando contornou a Torre Eiffel, em Paris, com seu dirigível nº 6, o brasileiro natural de Palmira (MG) foi merecedor do Prêmio Deutsch, o que o tornou famoso mundo afora. O mineiro também foi o primeiro a decolar com um avião com motor a gasolina. O fato ocorreu em 23 de outubro de 1906, quando o aviador voou cerca de 60 metros a uma altura de dois a três metros, também na capital francesa. ​

Por que fecha o Santos Dumont?

Santos Dumont: o visual vale a viagem (foto Elio Sales/SAC-PR)

Santos Dumont: o visual vale a viagem (foto Elio Sales/SAC-PR)

Freddy Charlson

Os cariocas estão acostumados com a notícia: “Neblina fecha Santos Dumont”. “Aeroporto Santos Dumont amanhece fechado para pousos e decolagens”. “Fechamento do Santos Dumont causa atrasos em voos em todo o país”. Geralmente acontece durante os meses de inverno, e quem está lá não acha nada divertido.

O Aeroporto Santos Dumont, encravado no centro do Rio de Janeiro, está cercado de uma das paisagens mais incríveis do planeta. Dali se veem a ponte Rio-Niterói, o Pão-de-Açúcar e o Cristo Redentor, “braços abertos sobre a Guanabara”, como imortalizou Tom Jobim na canção dedicada ao outro aeroporto do Rio – que hoje leva o nome do maestro. É difícil até para o viajante mais experiente não se emocionar ao pousar na Cidade Maravilhosa numa manhã de sol e olhar da janela do avião todos os seus cartões-postais.

Para completar, a localização do SDU, como é conhecido pelos aeronautas, é perfeita para quem vai ao Rio a negócios: perto do coração financeiro da cidade, das sedes das grandes empresas e da Zona Sul, garante deslocamentos rápidos, mesmo com trânsito intenso.

O problema é que nos aeroportos, como no capitalismo, não existe almoço grátis. O preço de o Rio ter o aeroporto mais simpático do país é pago em horas de fechamento por neblina e na impossibilidade técnica de implantar nas pistas instrumentos que resolvam o problema. E em outras peculiaridades do SDU, como a pista curtinha, a proximidade dos morros e a curva acentuada que o piloto precisa fazer no pouso e na decolagem.

Os fechamentos do aeroporto de fato são um incômodo. Mas, na verdade, eles nem são tão frequentes assim: em 2013, por exemplo, o Santos Dumont ficou fechado por 53 horas e 12 minutos – apenas 0,8% do total de operações do ano. E entre janeiro e setembro de 2014 o aeroporto operou “abaixo dos mínimos” (com condições de visibilidade e altura abaixo do mínimo para operações de pouso e decolagem) por apenas 17 horas e 30 minutos. É claro que para quem perde o voo esse tipo de estatística não serve para muita coisa, mas é preciso colocar em perspectiva a operação de um aeroporto que tem 150 pousos e decolagens por dia.

“OK”, você dirá, “mas por que não zero?” A questão é que o Santos Dumont, por conta da localização, não comporta ILS, o sistema de pouso por instrumentos que existe em vários aeroportos brasileiros, como o próprio Galeão.

O ILS funciona gerando sinais de rádio na cabeceira da pista. Esses sinais “viajam” em três dimensões, orientando o piloto para a pista quando a visibilidade e o teto são baixos.

O problema é que, para funcionar, o sinal de ILS precisa transitar desimpedido. E isso simplesmente não consta na Baía da Guanabara: “As montanhas são obstáculos para operações com o sistema ILS. Elas causam interferência no funcionamento dos equipamentos”, explica o coordenador-geral de Gestão da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Max Carvalho.

Nem tudo está perdido para o Santos Dumont, porém. No aeroporto já tem sido utilizada desde 2014 outra tecnologia de navegação, a chamada RNP-AR (Performance de Navegação com Autorização Requerida), que permite que as aeronaves voem trajetórias sinuosas de forma automática, traçadas com o objetivo de evitar o sobrevoo de relevo acentuado, enquanto descem para altitudes menores do que as dos procedimentos convencionais. A GOL foi a primeira companhia a obter liberação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para o uso da tecnologia, de início somente em uma das cabeceiras do Santos Dumont.

Essa ferramenta funciona, grosso modo, atrelando os sinais do GPS (Sistema de Posicionamento Global) a sistemas de alta precisão instalados nas aeronaves, o que garante a operação em dias de baixa visibilidade e baixo teto. Com o procedimento autorizado, é possível, por exemplo, concluir a aproximação para aterrissagem com teto mínimo de 93 metros (305 pés) de altitude, contra os 215 metros (700 pés) exigidos pelos procedimentos de menor precisão. O Santos Dumont foi o primeiro aeroporto do país a usar o sistema em aproximações para pouso.

Além da constância de nevoeiros, o aeroporto trabalha com pista relativamente pequena e presença de ventos e chuva, além dos morros. Por causa disso, as restrições para operação no SDU são rigorosas. O piloto normalmente só pode pousar a aeronave se conseguir enxergar 1,6 quilômetro à frente e 215 metros abaixo. No Galeão, que possui ILS, o pouso pode ser feito com 800 metros de visibilidade à frente ou contato visual com a pista não menor que 550 metros e 60 metros de teto.

Já a pista, com 1.323 metros de comprimento, limita o pouso e decolagens de aeronaves maiores, como o Airbus-320, e exige treino especial dos pilotos para pousar no SDU. A sensação às vezes é a de que você vai pousar na água, e é quase isso. Há restrições quanto ao peso da aeronave e atenção aos freios, que funcionam intensamente. No caso do Boeing 737-800, o maior avião que pode pousar no Santos Dumont, a decolagem é feita em 25 segundos, em média, com utilização de até 800 metros de pista. Para um jato comercial isso é um espaço incrivelmente curto, daí a forte aceleração na decolagem e a subida muito rápida, que podem assustar alguns passageiros.

O encanto do Santos Dumont é indissociável de seus problemas. Mas, tudo somado, estes ainda são muito menores do que aquele. Os cariocas têm motivo para se orgulhar de seu pequeno, prático e espetacular aeroporto.