Cadê o chinelo? Chi-ne-lo! Cadê o chinelo?!

Aeroporto_JK_Brasília_30012015 (98)Os passageiros até perdem chinelos nos aeroportos, mas a lista das centenas de objetos que somem a cada dia é extensa e esquisita. Para isso, cada terminal possui um setor de Achados e Perdidos. Sim, há uma esperança para quem perdeu chinelos, espadas, bengalas, aparelhos auditivos…

Freddy Charlson

Manhã de segunda-feira, 22 de junho. Apressado e feliz, o representante de marketing Pedro Ivo, 34 anos, chega ao setor de Achados e Perdidos do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília. Ali, pergunta sobre um aparelho celular que havia sido esquecido por sua mãe no dia anterior, durante embarque para Belo Horizonte (MG). Pronto, ele estava lá. Sem bateria, mas estava lá. O celular foi recarregado, Pedro Ivo conseguiu identificá-lo, ligou para o número correto, preencheu uma ficha e, pronto!, resgatou o telefone que havia sido esquecido no aparelho de raio-x do aeroporto. Bem a tempo de enviar para sua mãe, que embarcaria ainda nesta terça-feira, 23, para a Noruega. Foi por pouco, mas deu tudo certo.

Esse é o trabalho da turma que faz o setor de Achados e Perdidos do Aeroporto JK funcionar: receber os objetos perdidos no terminal, cadastrá-los (local onde foram encontrados, data, características e etc.), tentar encontrar o dono e devolvê-lo mediante comprovação de propriedade. “Temos 2 mil peças no momento. Se a pessoa quiser recuperar o objeto, o processo é simples, porém, detalhista. A procura é quase certa se a pessoa perdeu dinheiro. E os homens aparecem mais aqui, embora a maioria dos objetos perdidos seja feminina”, conta o coordenador do setor, Tiago Costa.

Segundo ele, vez ou outra o setor recebe bengalas, cadeiras de roda, muletas, mas a maioria mesmo do acervo é formada por documentos, telefones celulares, livros, bolsas, relógios, cintos e roupas. Ah, mas uma vez, conta, esqueceram um jogo de pneus de jato (sim, o pequeno avião), acreditem. “É importante que a pessoa venha ao setor com o máximo de informações a respeito do objeto. Se comprovar que é o proprietário, pronto, pode voltar com ele para casa”, explica. Foi justamente o que aconteceu com o representante de marketing Pedro Ivo. “O serviço é excelente. Eles me telefonaram avisando que o celular estava aqui no setor de Achados e Perdidos. Cheguei, comprovei que era da minha mãe e peguei-o de volta. Ela vai ficar feliz”, agradeceu.

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O representante de marketing Pedro Ivo procura o celular perdido por sua mãe no setor de Achados e Perdidos do aeroporto de Brasília

O povo esquece de tudo um pouco

Telefones celulares, tipo os perdidos pela mãe do Pedro Ivo, vivem sendo esquecidos nos aeroportos. Mas o povo encontra coisas como narguilé, espada de samurai, bengala, muletas, cadeiras de rodas, carrinho de criança, prótese de perna, mala com calcinhas, aparelho auditivo e até um osciloscópio (equipamento eletrônico que permite observar a variação de voltagens elétricas por meio de um gráfico, entenderam?). Sim, tem de tudo nos setores de Achados e Perdidos dos aeroportos. Prova de que a cabeça do brasileiro, em alguns momentos, anda nas nuvens…

Essas salinhas, aliás, acabam sendo áreas das mais movimentadas nos terminais. Vira e mexe chega um objeto entregue por algum funcionário do aeroporto, ou passageiro desesperado à procura de seus bens. O montante de objetos recolhidos e devolvidos varia de acordo com o aeroporto e a época do ano. Em períodos de alta temporada, por exemplo, tende a ser mais alto. E o prazo para o objeto permanecer no setor tipicamente determinado é até 90 dias, mas pode variar, de acordo com o aeroporto. Ao fim do prazo, alguns objetos são doados e outros destruídos ou transformados em sucata.

E as regras para recolher um objeto, guardá-lo e devolvê-lo ao dono são normalmente simples e pouco variam, sejam nos seis aeroportos concedidos ou nos 60 terminais administrados pela Infraero. Qualquer objeto encontrado deve ser entregue à segurança do aeroporto para ser depositado em uma sala ou cofre, dependendo de sua natureza. A devolução é feita mediante reclamação do proprietário, que deve descrever as características do objeto e a comprovação de propriedade. Os setores também procuram descobrir o proprietário e contatá-lo, para a devolução.

Viracopos e Brasília

“É importante que os objetos perdidos sejam cadastrados. E que na restituição seja colhido um recibo do reclamante. A doação dos objetos deve ser documentada e, por fim, verificada se a instituição que está recebendo é idônea”, explica o gerente de Segurança do Aeroporto de Viracopos (Campinas-SP), Samuel Conceição. O aeroporto recolhe, em média, 400 objetos perdidos por mês. E consegue devolver cerca de 90 objetos por mês, 22%. Em 2014, por exemplo, foram recolhidos 5.219 objetos perdidos em Viracopos. Neste ano, até maio foram 2.398 objetos encontrados no aeroporto. Entre eles, uma luneta e uma mochila com produtos de sexshop.

No Aeroporto JK, em Brasília, o sistema é um pouquinho diferente. Este ano foram quase 2.500 objetos esquecidos no terminal. Os exemplos de desapego ficam por 30 dias em uma sala no Terminal I de passageiros. Depois, ganham outro lar: um depósito que também fica no terminal. Ali, se não forem devolvidos, vão “morar” por 90 dias.

E há uma política séria para tratar do destino desses objetos, ora, bolas. Carteira de identidade, CNH e OAB permanecem por sete dias na sala e depois são encaminhados para os Correios. No caso de passaporte brasileiro, eles são enviados para a Polícia Federal logo que chegam ao setor de Achados e Perdidos. Documentos de estrangeiros costumam ser enviados ao consulado do país de origem do proprietário. Já as malas perdidas passam por vistoria e se algo perecível for encontrado é imediatamente descartado. Ah, claro, até os vips são capazes de perder a cabeça e objetos. No caso, o que for encontrado perdido na Sala VIP fica na Sala VIP. Tipo aquelas histórias que acontecem em Vegas. Las Vegas.

Guarulhos e Galeão

No Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo (SP), o bicho pega. Na correria para pegar o voo, visitar o banheiro, fazer as últimas comprinhas antes de embarcar ou encarar um lanchinho, são perdidos aproximadamente mil objetos por mês. Ou seja, uma média de mais de 30 coisinhas sem dono por dia. Desses, cerca de 40% são devolvidos. Eles ficam até 60 dias na Central de Atendimento ao Cliente (CAC), responsável pelo setor de Perdidos & Achados (L&F – Lost and Found). Depois, os itens não resgatados são direcionados ao Fundo Social da Prefeitura de Guarulhos.

Antes de ter esse fim, o objeto somente é devolvido após o reclamante provar por A + B que é seu feliz proprietário. Para isso, deverá identificá-lo, descrevendo suas características, informando a data da perda e o local no aeroporto onde ocorreu o extravio. Em caso de aparelhos eletrônicos, além de descrever o item, o passageiro deverá mencionar algo que esteja registrado nele, algum arquivo, senha de desbloqueio, código ou nome específico na agenda. Pronto, aí, sim, meu amigo, você terá seu querido e esquecido objeto de volta ao aconchego do seu lar. No caso de Guarulhos, os mais perdidos são encosto de pescoço, telefones celulares, malas, óculos, guarda-chuvas, carteiras de identidade, chaves e relógios. Não à toa, o povo perde, também, a hora…

No Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro, o setor de Achados e Perdidos funciona das 6h às 22h. Fora desse horário, os objetos encontrados são recebidos nos balcões de informações e ficam sob custódia do encarregado de segurança até serem recolhidos pela equipe dos Achados e Perdidos. A média é de 25 objetos recolhidos por dia, com uma devolução média de oito itens devolvidos diariamente. No Galeão, os objetos perecíveis são guardados por um período de seis horas. Caso o dono não apareça para reivindicá-lo, ele é descartado. A grande dica, porém, é ficar sempre atento aos seus pertences. Melhor do que encontrá-los é não perdê-los. Afinal, nem todo mundo dá a sorte que deu o Pedro Ivo…

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Chapéus, casacos, chaves, livros, travesseiros. De tudo um pouco nos setores de Achados e Perdidos dos aeroportos brasileiros

FICA A DICA

– As dependências de um terminal compreendem lugares como o saguão de passageiros, sistema de pistas e pátio, salas de embarque e desembarque, sanitários, estabelecimentos comerciais e estacionamento de veículos. Objetos perdidos dentro da aeronave são de responsabilidade da companhia aérea que opera o voo. Neste caso, o passageiro deve entrar em contato com a empresa para os procedimentos de localização e recuperação do pertence.

– É importante lembrar que itens perecíveis não são guardados nos Achados e Perdidos: a orientação no caso desses é que sejam descartados.

– O usuário, para recuperar seu pertence, deverá comparecer ao balcão de informações ou setor de Achados e Perdidos portando documento de identidade com foto e solicitar a devolução. Caso não seja possível retirar o objeto pessoalmente, o interessado poderá autorizar outra pessoa para receber o bem. A forma de autorização pode variar de acordo com o aeroporto. Entre os procedimentos possíveis, estão a entrega de procuração ou documento padrão de autorização e envio de e-mail informando a autorização e contendo descrição do item, dados pessoais do proprietário e da pessoa que irá buscar o pertence.

– Uma vez decorrido o prazo de permanência dos objetos encaminhados para os Achados e Perdidos, o aeroporto poderá tomar providências para reencaminhamento dos itens, que variam de acordo com o terminal. No Aeroporto de Belém (PA), por exemplo, os objetos são encaminhados à Autoridade Judiciária, que decidirá a destinação dos itens. Dependendo da avaliação do juiz responsável, pode-se fazer a doação ou o leilão. Já no Aeroporto de Cuiabá (MT), após o prazo de 60 dias, os itens são registrados em um mural público na sala de espera do desembarque com a relação do material em custódia por mais de 60 dias. Passado esse tempo, os objetos são doados para entidades cadastradas no sistema de Achados e Perdidos do aeroporto.

– Para acionar o serviço, o usuário deve contatar o setor responsável, sendo que a área ou pessoal a ser procurado depende do aeroporto: por exemplo, em Belém, o primeiro contato deve ser feito no balcão de informações do terminal. Já em Cuiabá, a pessoa poderá notificar qualquer funcionário sobre a perda do objeto. Recomenda-se procurar o supervisor da Infraero no terminal ou a área de Ouvidoria para o início do processo. Em caso de dúvidas, deve-se acionar o balcão de informações no aeroporto para obter esclarecimentos ou dar início à busca.

– O Setor de Achados e Perdidos do Aeroporto de Brasília está localizado no Terminal I, no piso de desembarque, próximo ao Desembarque Internacional. O horário de funcionamento é das 7h às 23h. O telefone de contato é o 3214-6109. O e-mail é achadoseperdidos@inframerica.aero.

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Um mundo de gente nos aeroportos

Guarulhos, em São Paulo, é o segundo aeroporto com maior movimento no Hemisfério Sul, mas ainda está longe de alcançar o top ten mundial. Saiba onde estão os dez aeroportos que mais recebem passageiros no mundo.

Freddy Charlson

Vocês conseguem imaginar o mundaréu de gente que passa pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo? Pois é. Já temos o segundo aeroporto mais movimentado do hemisfério Sul, ficando atrás apenas do aeroporto de Sydney, na Austrália. Para ter uma ideia, só no ano passado, Guarulhos recebeu a gigantesca marca de 40 milhões de viajantes. Sabe o que dá isso? É como se todos nuestros hermanos argentinos passassem pelo terminal. É muita gente! Gente que desceu e subiu por meio de 304.559 pousos e decolagens, superando em 7,2% o ano de 2013, quando foram contabilizadas 284.184 operações.

Pior (ou melhor, ainda) foi a movimentação no dia 23 de dezembro do ano passado, quando Guarulhos bateu seu recorde histórico de movimentação, com a circulação de 129.822 passageiros apenas naquele dia. Correria para passar o Natal em outra cidade… E tudo correu bem. Bem também foi o mês de janeiro, obrigado. Nos primeiros 30 dias do ano, Guarulhos registrou seu recorde histórico em movimentação: 3,8 milhões de pessoas viajaram pelo aeroporto. Recordes que provam que os passageiros estão usufruindo as melhorias acontecerem dia após dia no local, que mais parece uma cidade em constante construção, porém moderna, confortável e de primeiro mundo.

Por outro lado, mesmo com marcas tão superlativas, com tanta gente pra lá e pra cá, chegando, saindo, fazendo check-in, passeando pelos terminais e etc, Guarulhos ainda está longe de alcançar os principais aeroportos do mundo em relação à movimentação de passageiros.

Entre os líderes do ranking há aeroportos localizados nos Estados Unidos, China, Inglaterra, Japão, França, Indonésia e Hong Kong, sendo quatro localizados na terra de Barack Obama.

Em comum, esses aeroportos têm uma grande rede de conexões e quantidade de companhias aéreas operando, além de terminais amplos e modernos. Enfim, são hubs, alguns dos principais centros de operações de voos comerciais em todo o mundo. Como para entrar nessa lista, o progresso deve ser contínuo, nossos aeroportos estão caminhando para isso. Enquanto isso, conheça os 10 terminais mais movimentados mundo afora.

1º. Aeroporto Internacional de Atlanta (EUA)

atlantaO Aeroporto Hartsfield-Jackson, localizado em Atlanta (EUA), é o maior do mundo, com movimentação de cerca de 95 milhões de passageiros por ano. É o que tem o maior número de pousos e decolagens, desde 2005, sendo o hub da companhia aérea Delta Airlines, que transporta 60% de todos os passageiros deste aeroporto. O Hartsfield-Jackson tem cinco pistas, sendo que a maior chega aos 3.624 metros de extensão.  Em um dia comum, mais de 250 mil passageiros circulam no local, embarcando e desembarcando de 2.500 voos.

2º. Aeroporto Internacional de Pequim

 Pequim
O segundo aeroporto com maior movimentação é o de Pequim (China), com 80 milhões de passageiros por ano. Em 2008, passou por uma expansão para receber os Jogos Olímpicos e se transformou no maior aeroporto da Ásia. E isso tudo além de ser um dos mais bonitos e modernos do planeta.

3º. Aeroporto de Heathrow

HeathrowEm 3º lugar na lista fica o Aeroporto de Heathrow, em Londres (Inglaterra), com cerca de 70 milhões de passageiros por ano, o que o credencia a ser o mais movimentado da Europa. Apenas em cargas, movimenta 1 milhão de toneladas a cada ano. Os principais destinos de quem parte de Heathrow são Nova York, Emirados Árabes Unidos e Irlanda. Sua estrutura sustenta 76.600 empregos diretos e 116 mil empregos indiretos, contribuindo com 2,7% do valor bruto da receita municipal de Londres.

4º. Aeroporto Internacional O’Hare

OhareO Aeroporto Internacional O’Hare, em Chicago (EUA), é o quarto da lista, com cerca de 67 milhões de passageiros por ano. Foi considerado, durante 1997 e 2007, “O Melhor Aeroporto dos Estados Unidos”. Sua vocação são voos internos, principalmente para Nova York, Los Angeles e San Francisco.

5º. Aeroporto Internacional de Tóquio

Toquio Por ano, o Aeroporto Internacional de Tóquio (Japão) recebe, aproximadamente, 67 milhões de passageiros. Com esse desempenho, o terminal é o quinto maior do mundo em movimentação de passageiros. Opera quase a totalidade dos voos internos do Japão.

6º. Aeroporto Internacional de Los Angeles

Los Angeles Em 6º lugar na lista aparece o Aeroporto Internacional de Los Angeles (EUA), com movimentação de 63 milhões de passageiros anuais, a maioria em voos nacionais. A base aérea da Guarda Costeira dos Estados Unidos fica no aeroporto. É popularmente conhecido como LAX – as letras são pronunciadas separadamente.

7º. Aeroporto Charles de Gaulle

charlesdegaulleO 7º lugar nessa lista vem da França. O Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, movimenta 60 milhões de passageiros por ano, principalmente para Madrid, Roma e Nova York. Em relação ao transporte de carga, é o quinto mais movimentado do mundo, e o segundo mais movimentado da Europa, atrás do aeroporto de Frankfurt, na Alemanha.

8º. Aeroporto Internacional de Dallas

Dallas
A 8ª posição da lista é ocupada pelo Aeroporto Internacional de Dallas (Fort Worth), nos Estados Unidos. Ele tem movimentação de cerca de 51 milhões de passageiros por ano, em voos nacionais e internacionais de grande distância, para destinos como Cancun, Cidade do México, Londres e Tóquio. O primeiro voo do Concorde ao chegar no país ocorreu no Aeroporto de Dallas em 1973, como parte de sua festa de inauguração. Dallas possui sete pistas. Suas dimensões ocupam área pertencente a quatro cidades: Irving, Euless, Grapevine e Coppell.

9º. Soekarno Hatta International Airport, Indonésia

Indonesia Principal aeroporto da Indonésia, o Aeroporto Internacional Soekarno-Hatta, na cidade de Jacarta, capital do país e sede de uma das mais importantes bolsas de valores mundiais. Em 2012, passaram pelo aeroporto 57.772.762 passageiros e 342.473 toneladas métricas de carga, em pousos e decolagens que contabilizaram 369.740 movimentações de aeronaves, uma grande marca para um aeroporto do sudeste asiático.

10º. Aeroporto de Frankfurt

FrankfurtO Aeroporto de Frankfurt (Alemanha) tem uma média de 56 milhões de passageiros por ano e está em 9º lugar nesta seleta lista. A maioria de seus voos é para destinos no exterior: são mais de 270 cidades em 111 países. É o aeroporto europeu com maior movimento de carga (e o segundo no mundo), com volume anual de 2,17 milhões de toneladas.

Referências:

www.aviacaocivil.gov.br

www.canalpiloto.com.br

http://www.worldairportawards.com

http://top10mais.org

Os porquês dos nomes dos 15 principais aeroportos do Brasil

Você sabia que Congonhas é um tipo de erva-mate existente na cidade natal do primeiro governante da província de São Paulo? E que o nome Viracopos pode ter sido originado de uma confusão na quermesse da igreja ou em um bar onde tropeiros sentavam para beber? Por trás da nomenclatura dos 15 principais aeroportos brasileiros, responsáveis por 95% da movimentação no País, existem curiosidades interessantíssimas. Confira!

Congonha

Congonhas: erva-mate abundante na região onde nasceu o primeiro governante de São Paulo

Mariana Monteiro

AEROPORTO DE CONGONHAS

Congonhas é uma palavra derivada do tupi “Ko Gói”, que significa “o que mantém o ser”. Os indígenas utilizam esse termo para denominar um tipo de erva-mate abundante nas proximidades da cidade Congonhas do Campo (MG). Foi nessa cidade onde nasceu Lucas Monteiro de Barros (1767-1851), o Visconde de Congonhas do Campo, primeiro governante da província de São Paulo e também um dos maiores proprietários de terras da região onde hoje está o aeroporto de Congonhas. A região que também recebe esse nome foi escolhida para abrigar o empreendimento pelas condições naturais de visibilidade e por ficar longe da áreas de enchente do Rio Tietê.

AEROPORTO DE VIRACOPOS

Existem duas possíveis versões para a origem do nome do aeroporto de Campinas (SP).

Versão 1: no começo do século, no local onde seria construído o terminal aéreo, havia uma igreja. Certa vez, durante a realização de uma quermesse, o pároco do bairro e os moradores se desentenderam. O tumulto terminou em quebra das barracas e brigas, além da bebedeira. Então, nos sermões, o padre se referia ao ocorrido como “viracopos”.

Versão 2: a outra possível motivação para o nome do aeroporto campinense é a existência de um bar no local, onde tropeiros paravam para descansar, trocar informações sobre viagens e “virar copos”, ou seja, beber.

AEROPORTO INTERNACIONAL DE BRASÍLIA – PRESIDENTE JUSCELINO KUBITSCHEK

O nome do aeroporto de Brasília não poderia ser outro. Afinal, Juscelino Kubitschek é considerado o pai da capital do país, já que foi ele o responsável pela construção da cidade.

AEROPORTO INTERNACIONAL DE MANAUS – EDUARDO GOMES

Eduardo Gomes foi ministro da Aeronáutica por duas vezes – nos governos Café Filho (1954-1955) e Castelo Branco (1965-1967). Em 1941, promovido a brigadeiro, participou da organização das bases aéreas para a Segunda Guerra Mundial. Além de dar nome ao aeroporto da capital amazonense, Eduardo Gomes tem outra curiosa homenagem. Foi por causa dele que o brigadeiro, o doce de padaria mesmo, leva esse nome. É que no final do Estado Novo, o militar candidatou-se às eleições que ocorreriam em dezembro de 1945. Para angariar fundos para a campanha, eram vendidos doces. Daí então surgiu a famosa guloseima.

AEROPORTO INTERNACIONAL DE CUIABÁ – MARECHAL RONDON

Marechal Rondon foi um desbravador e militar brasileiro, de origens indígenas, que explorou a Região Amazônica. Ele construiu 372 quilômetros de linhas e cinco estações telegráficas, abrindo caminho no interior do Brasil.

AEROPORTO INTERNACIONAL DE GUARULHOS – GOVERNADOR ANDRÉ FRANCO MONTORO

Também conhecido por Cumbica, o aeroporto leva esse nome porque a região onde está localizado também se chama Guarulhos. O aeródromo também traz o nome do ex-governador de São Paulo André Franco Montoro, morto em 1999. Montoro foi o 27º governante do estado paulista (1983-1987).

AEROPORTO INTERNACIONAL DO RIO DE JANEIRO/GALEÃO – ANTÔNIO CARLOS JOBIM 

Galeão é o bairro da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, que abriga o aeroporto e instalações da Aeronáutica. Em 1999, um decreto acrescentou ao nome do terminal aéreo uma homenagem ao grande cantor e compositor brasileiro Antônio Carlos Jobim. Tom Jobim compôs a canção Samba do Avião que, dentre outras coisas, diz:

Cristo Redentor/ Braços abertos sobre a Guanabara/ Este samba é só porque/ Rio, eu gosto de você/ A morena vai sambar/Seu corpo todo balançar/ Aperte o cinto, vamos chegar/ Água brilhando, olha a pista chegando/ E vamos nós/ Pousar…”

AEROPORTO INTERNACIONAL DE CONFINS – TANCREDO NEVES

Tancredo Neves foi o primeiro presidente a ser eleito pelo regime democrático após a ditadura no Brasil. No entanto, antes mesmo de tomar posse o político foi acometido por uma diverticulite e morreu. Confins, por sua vez, possui esse nome por localizar-se nos limites das fazendas da região, muito distante. Essa também é a palavra que usamos para dizer que determinado lugar, no sentido figurado, é longe.

AEROPORTO INTERNACIONAL DO RIO GRANDE DO NORTE/SÃO GONÇALO DO AMARANTE – GOVERNADOR ALUÍZIO ALVES

O recém-inaugurado aeroporto potiguar traz o nome do município onde foi construído. São Gonçalo do Amarante foi um religioso português considerado beato pela Igreja Católica. Ele foi escolhido padroeiro do município que nasceu no século 18, quando famílias de Portugal chegaram no Rio Grande do Norte. Já Aluízio Alves foi governador do estado entre 1961 e 1966, sendo cassado pelo Ato Institucional Número Cinco em 1969.

AEROPORTO INTERNACIONAL DE FORTALEZA – PINTO MARTINS

Em 1952, a Base do Cocorote passou a ser chamada de Aeroporto Pinto Martins – uma homenagem ao piloto cearense Euclydes Pinto Martins. Natural do município de Camocim, a 380 km de Fortaleza, ele realizou o primeiro voo entre Nova York e Rio de Janeiro a bordo de um hidroavião.

AEROPORTO INTERNACIONAL DE PORTO ALEGRE – SALGADO FILHO

O local que hoje abriga o aeroporto de Porto Alegre pertencia à Brigada Militar do Rio Grande do Sul. No entanto, o serviço foi extinto em 1924 e a área foi mantida como parque de aviação, onde havia demonstrações de aviação esportiva. Em meados de 1937, a companhia aérea Varig comprou seus primeiros aviões com trem de pouso (antes usavam apenas hidroaviões) e passou a usar o local, que então foi chamado de Aeródromo de São João. Anos depois, em 12 de outubro de 1951, passou a chamar-se Aeroporto Internacional Salgado Filho, uma homenagem ao político gaúcho Joaquim Pedro Salgado Filho. Ele foi deputado federal e senador, além de ministro do Trabalho (1932-1938) e da Aeronáutica (1941-1945).

AEROPORTO INTERNACIONAL DO RECIFE/GUARARAPES – GILBERTO FREYRE

Primeiramente, o principal terminal aéreo pernambucano chamava-se Aeroporto de Recife. Em 1948, o então presidente da República Eurico Gaspar Dutra assinou decreto que renomeava o local para Aeroporto dos Guararapes, já que o aeródromo fica próximo ao Monte dos Guararapes, local onde aconteceu a Batalha dos Guararapes.

Em dezembro de 2001, mais uma renomeação. Agora, o aeroporto traz ainda homenagem ao escritor e um dos mais importantes sociólogos, o pernambucano Gilberto de Mello Freyre.

AEROPORTO INTERNACIONAL DE CURITIBA – AFONSO PENA

Localizado na área da Colônia Afonso Pena, o nome do aeroporto paranaense é uma homenagem ao sexto presidente da República, Afonso Pena, que governou o país de 1906 a 1909.

AEROPORTO INTERNACIONAL DE SALVADOR – DEPUTADO LUÍS EDUARDO MAGALHÃES

O aeroporto da capital baiana foi inaugurado em 1925 sob o nome de Santo Amaro do Ipitanga e reconstruído em 1941. Em 1955, seu nome foi mudado para “2 de Julho”, data mais importante da história do estado, por marcar a independência da província da Bahia. Desde 1998, passou a se chamar Aeroporto Internacional de Salvador – Deputado Luís Eduardo Magalhães, após a morte do ex-presidente da Câmara Luís Eduardo Magalhães, vítima de ataque cardíaco. A mudança provocou revolta em parte do povo baiano. Por isso, a maioria dos habitantes de Salvador continua a chamá-lo (ou conhece) por “2 de Julho”. Hoje, tramitam na Câmara dos Deputados projetos de lei em favor da mudança do nome para 2 de Julho. Mas o assunto segue sem definição e a polêmica persiste.

AEROPORTO SANTOS DUMONT – RIO DE JANEIRO

Obviamente que algum aeroporto teria que levar o nome do maior aeronauta brasileiro e um dos grandes inventores da humanidade. Santos Dumont planejou, construiu e levantou voo com os primeiros balões dirigíveis com motor a gasolina. Em 1901, quando contornou a Torre Eiffel, em Paris, com seu dirigível nº 6, o brasileiro natural de Palmira (MG) foi merecedor do Prêmio Deutsch, o que o tornou famoso mundo afora. O mineiro também foi o primeiro a decolar com um avião com motor a gasolina. O fato ocorreu em 23 de outubro de 1906, quando o aviador voou cerca de 60 metros a uma altura de dois a três metros, também na capital francesa. ​