11 (+1) músicas que falam sobre aviões e aeroportos

Os aviões trazem de volta os amores distantes, são confundidos com estrelas cadentes e são motivos para uma pessoa fingir medo e aproximar-se de outra. Os aviões, assim como os aeroportos e o desejo de voar, fazem parte, também, do dia a dia dos artistas que, vira e mexe, os utilizam como tema de suas canções. Não importa o estilo – seja rock, sertanejo, romântico, infantil ou brega –, eles fazem versos e rimas sobre esse “grande pássaro metálico” e até mesmo sobre a profissão de piloto. Confira no Blog Check In alguns exemplos bons (e ruins) da arte de entreter o povo contando histórias musicadas sobre temas relacionados à aviação. Tem música que virou clássico, tem música que virou pop e tem música, bem, tem música que dá vergonha do artista. Mas que é divertido, isso é! Que tal criar uma canção sobre o avião? Embarque nessa viagem musical.

Freddy Charlson

Samba de Avião

Tom Jobim

O maestro Tom Jobim, um dos principais artistas brasileiros, compôs, certa feita, uma verdadeira ode às belezas naturais do Rio de Janeiro: um Rio de sol, de céu e de mar. Samba do Avião (1962) é de um lirismo impressionante e tem a cara da Bossa Nova, com versos do tipo “Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão / Este samba é só porque / Rio, eu gosto de você”. E Tom encerra a composição com os versos “Aperte o cinto, vamos chegar / Água brilhando, olha a pista chegando / E vamos nós, aterrar”. Sublime, oh! E a aviação nem sempre foi retratada com tanta beleza. E segue a lista…

 

Aviãozinho

Cheiro De Amor

Banda tradicional da axé music, a Cheiro de Amor tem como um de seus maiores sucessos a música Aviãozinho. É aquela música com um gostoso balanço – para os fãs do gênero – e que tem o forte refrão “Voa, voa aviãozinho, vai buscar o meu benzinho/Que tá lá, do lado de lá, que tá lá do lado de lá”, num criativo exemplar de poesia concreta. #Oremos. A letra é curta e o ritmo, pegajoso, com direito a repetição de palavras no final, o que caracteriza a figura linguística anáfora: “Deixa, deixa, deixa, deixa eu te dengar/Deixa, deixa, deixa, deixa eu te beijar/Deixa, deixa, deixa, deixa, eu te dengar/Deixa, deixa, deixa, deixa eu te beijar”. E o aviãozinho nessa história? Bem, ele tem o singelo dever de buscar o benzinho de quem canta. Fofo.

Medo de Avião

Belchior

Música mais conhecida do cantor bigodudo, narigudo e de voz anasalada Belchior (saudades, Belchior, por onde andará?), Medo de Avião mostra a felicidade de um rapaz em ter a coragem – motivada pelo “medo de voar” – de pegar na mão de uma moça. Uma coisa meio adolescente, com um quê de James Dean. E com citações aos Beatles, via I Wanna Hold Your Hand (Eu Queria Segurar Sua Mão). Um clássico em quatro estrofes, presente no disco homônimo Medo de Avião (1979) e com direito ao seguinte verso: “Foi por medo de avião/Que eu segurei/Pela primeira vez a tua mão/Não fico mais nervoso/Você já não grita/E a aeromoça, sexy/Fica mais bonita”. Que beleza!

Avião

Toquinho

Toquinho, parceiro de Vinícius de Moraes e famoso eternamente por Aquarela (“Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo/ E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo”) fez outras músicas tão ou mais infantis. Uma delas é Avião. Com conceito rápido e fácil e cifra repleta de explicações lógicas, o compositor apresenta o meio de transporte avião, suas funções, características principais e coisa e tal. E faz um alerta aos pequeninos: “Venha voar comigo, amigo/ Sem medo, venha voar/ De dia tem o sol brilhando/ De noite quem brilha é o luar/ Venha voar comigo, amigo/ Sem medo, venha voar/ Em dia nublado não fique assustado/ Que eu tenho radar”. Bonitinho, né?

Aviões (Airplanes)

Rihanna e Eminem

Um pouco, digamos, menos fofa, é a canção Airplanes, com a muita doida Rihanna e o mais doido ainda Eminem. A cantora pop e o rapper cantam sobre a possibilidade de fazer desejos e questionam se podem “fingir que os aviões no céu à noite são como estrelas cadentes”. No fundo, eles querem “voltar a um lugar muito mais simples” se referindo a uma vida de festas e glamour. “O que você desejaria se tivesse uma chance? / Então, avião, avião, desculpe o atraso / Eu estou no meu caminho para não fechar a porta”, diz a canção pop, de sucesso mundial, com as vozes características desses dois astros.

Avião

Djavan

Em Avião, o cantor alagoano Djavan, autor de versos incompreensíveis, tipo “Açaí, guardiã / Zum de besouro, um imã / Branca é a tez da manhã” – entendeu? Se sim, mande a explicação para o blog –, cansou de “carregar nas costas”, como se fosse um avião, o relacionamento amoroso. Assim, ele canta “Seu muito pra mim é pouco / Eu quero a paz e viver solto / Vai dizer que sou outro… sou não! / Eu me cansei de ser seu avião / Não vou voar, não dessa vez!” e é capaz de dizer para a pessoa amada que ela pode quebrar, sofrer, cair, descer, contorcer de dor, que ele não se prenderá a ela. Djavan embarca em voo solo.

 

Aeroporto

Thaeme e Thiago

Em moda como há muito tempo não se via, a música sertaneja encontra em Thaeme e Thiago sua versão mais teen, mais moderninha. Queridinhos da galera, eles optam por uma levada romântico-brega ao falar sobre a despedida em um aeroporto. E até jogam praga para evitar a partida da “alma gêmea” na música, claro, Aeroporto. “É / Essa noite eu vou tentar me transformar em vento / Para impedir que esse avião saia daqui / Levando a minha vida/ É / Eu vivo em meio a multidões, mas me sinto tão só / E se você partir agora eu vou ficar pior”. Oh, que drama. Deixe a pessoa viajar, gente. Mas não, eles não deixam, e ainda fazem chantagem sentimental: “Eu tô chorando / No estacionamento do aeroporto / Eu tô chorando / Porque talvez hoje seja o nosso último encontro”. Bem que poderia ser mesmo…

Aeroporto

Belo

Marido da fisiculturista Gracyanne Barbosa, o pagodeiro Belo (batizado como Marcelo Pires Vieira) canta em Aeroporto o alívio ao ver a amada chegando após um voo, digamos, turbulento. “Graças a Deus você chegou, tão ansioso te esperei / Nesse aeroporto apavorado, amor, quase chorei / Quando vi alguém seu voo anunciando / Corri pra ver seu avião pousando / E só assim fui me acalmando”. Calma, pagodeiro, foi só um susto que vocês dois levaram e, enfim, após os tempos difíceis, agora é só felicidade. A dica é abraçar sua amada, dizer que a ama e não fazer mais besteira. Tá falado.

Paixão no Ar

Pique Novo

E, por falar em pagode, o Pique Novo vem com estilo velho. No melhor estilo “pagode paulista”, o grupo lamenta que a mulher amada (sempre ela!) vai viajar pra muito longe, percorrer o céu desse país, deixando o pagodeiro infeliz. Oh! E qual seria a solução? “Eu queria estar no voo que vai te levar / Pra longe do meu coração, pra perto de outro lugar / Lá em cima a nossa paixão, será que vai balançar / Mas como vou te alcançar? / Queria ir nesse avião / Contigo pra qualquer lugar e da janela acenar / Dando adeus pra solidão”. Menina, que tal levar essa galera só para ela parar de chorar?

Piloto de avião

Tony e Brian

Bagunça mesmo é o que fazem os sertanejos Antonio e Benedito, digo, Tony e Brian. Em um clipe que lembra Toxic (Britney Spears), eles cantam as delícias da profissão de piloto de avião. “Agora eu tô bonito, tô estudando aviação / Arrumei uma namorada que é um tremendo avião / Gastei todo o meu dinheiro, estourei o meu cartão / Mas foi com o brevê no peito que conquistei seu coração”. Segundo Tony (e Brian, também), eles já fizeram de tudo, foram padeiros e peões, mas as “muié” só passaram a olhar pra eles quando viraram pilotos de aviões. “Hoje estou bem sucedido, de empregado sou patrão / Pode ser um teco-teco, um jatinho ou o do Faustão / Pras mulher não interessa o tamanho do avião”. Ah, se fosse fácil assim, hein, pilotos…

Learning to Fly

Pink Floyd

Banda clássica do rock’n’roll, o Pink Floyd também viajou ao encarar o tema da aviação. Em Learning to Fly (lançada em 1987, como single), eles falam do “Gelo que está se formando nas pontas das asas” do protagonista e lamentam “Avisos não observados”. A música diz “Eu achava que pensava em tudo / Nenhum navegador para me guiar de volta para casa / Uma alma em tensão que está aprendendo a voar / Condição: preso ao solo, mas determinado a tentar”. O genial Pink Floyd sabia do que falava. Autor da letra, o vocalista e guitarrista David Gilmour era fã de aviação. E o baterista Nick Mason era aviador. Please, galera, leave the kids alone!

Bonus track

Learn To Fly

Foo Fighters

(Clipe do Foo Fighters)

E eis que Learn to Fly, da banda norte-americana Foo Fighters já era um estouro nas paradas de sucesso. De repente, ficou ainda mais bombada. Isso aconteceu quando mil músicos de Cesena, na Itália, se reuniram para tocá-la, numa ação que pediu a ida de Dave Grohl e companhia até a cidade. Massa, né? Um projeto emocionante. Bem, a canção diz, mais ou menos, assim: “Estou procurando no céu algo para me salvar / Procurando por um sinal de vida / Procurando por algo que possa me ajudar a acender o brilho / Farei meu próprio caminho pra casa quando aprender a voar”. Trata-se de um pedido de ajuda, um pedido de amor. O cantor pede para alguém voar por aí com ele, porque ele não consegue fazer isso sozinho. É… custa nada ajudar, hein?

Uma constelação em pleno voo

Musical lembra os 60 anos da viagem inicial da rota Rio de Janeiro – Nova Iorque, criada pela extinta Varig e a bordo do Constellation, avião que marcou história na aviação

O Constellation da Varig fez história nos céus.

O Constellation da Varig fez história nos céus.

 Freddy Charlson

Ao som de Only You, Blue Moon e Stand by Me, entre outras canções, o musical Constellation – espetáculo de Cláudio Magnavita e com a ex-paquita Andréa Veiga à frente –, faz temporada no Teatro Promon, em São Paulo. Romântico e frugal, ele conta a história do voo inaugural da Varig na rota que ligava a Cidade Maravilhosa à Big Apple, levando os brasileiros bem nascidos a conhecer as delícias culturais e de consumo dos Estados Unidos, a bordo do Super Constellation G, construído pela Lockheed.

Um avião, que, há seis décadas – mais precisamente em 2 de agosto de 1955 –, partia, rumo a Nova Iorque – a cidade que, desde aquela época, nunca dormia. Dezenas de passageiros pagaram a bagatela de 350 dólares (em valores atualizados, três mil dólares, ou aproximadamente 10 mil reais) para visitar a Estátua da Liberdade e dar uma pinta na Times Square. E mais: para viajar a bordo de um dos aviões que melhor representou os anos dourados da aviação comercial.

03.08.2015 - FOTOS - MATÉRIA DO BLOG - CONSTELLATION 5A Varig acabara de adquirir três exemplares do modelo – Lockheed L-1049E Super Constellation – que, chegaram entre maio e junho de 1955, pouco depois de a companhia adquirir o direito de explorar uma linha para a cidade dos musicais. Os voos para o principal destino dos Estados Unidos (I´m sorry, Washington!) tinham base no Aeroporto de Congonhas (SP), e lá embarcavam a galera no Aeroporto do Galeão (RJ) e faziam escalas em Belém (PA), Trinidad e Tobago (Port of Spain) e República Dominicana (Ciudad Trujillo, atual Santo Domingo). Só depois chegavam ao Aeroporto de Idlewild, atual JFK, após 24h de aventuras pelos céus e terras da América Latina.

É, amigo, os passageiros viviam um drama! Mas, calma, nem tanto. Afinal, antes do Constellation, os voos para a América do Norte duravam tipo 72h. E, para chegar rápido, nem fazia diferença se a aeronave não era, digamos, nada bonita. Na verdade, ela parecia um golfinho, tinha um característico bico achatado e não possuía radar. Nos voos (com partida às quartas e sábados e chegadas às quintas e domingos) para NYC (que tal abreviar, fellows?), a Varig oferecia um conforto e serviço de bordo jamais igualados depois, em qualquer tempo. E concorria, sem deixar a desejar, com a norte-americana Pan American Airways, na rota Rio-NYC.

03.08.2015 - FOTOS - MATÉRIA DO BLOG - CONSTELLATION 2

Anos dourados

Para isso, a companhia aérea brasileira reservava meros 15 lugares à classe turística, na parte frontal, com cinco fileiras de três poltronas, cada, sendo três do lado direito e dois do lado esquerdo. Atrás, havia dois lavatórios. Na sequência, 28 assentos em 4 fileiras. O luxo era completado com uma sala de estar, com assentos giratórios, e dez assentos de primeira classe. Por fim, havia uma única poltrona, individual, do lado esquerdo, num total de 54 passageiros, com o voo lotado. Ou seja, gasolina cara somada a poucos assentos e a atendimento de alto nível é igual a preço da passagem nas alturas. Era mesmo só para quem podia.

Por falar em ir, a Lockheed construiu o total de 856 aviões Constellation. O primeiro, em 9 de janeiro de 1943. Ele era, por exemplo, a aeronave do todo poderoso presidente dos Estados Unidos Dwight D. Eisenhower. O “golfinho” foi, também, o primeiro avião de cabine pressurizada e ajudou a popularizar as viagens aéreas. Cumpriu bem seu papel até a chegada dos potentes aviões a jato, como o Boeing 707, o Havilland Comet, o Douglas DC-8 e o Convair 880. Mas, ele foi perdendo moral e teve seu último voo comercial com passageiros pagantes feito em 11 de maio de 1967, entre Filadélfia e Kansas City, ambas nos Estados Unidos. Depois, até 1968, funcionou como cargueiro até morar em “cemitérios de aviões”.

03.08.2015 - FOTOS - MATÉRIA DO BLOG - CONSTELLATION 3 Comissárias

Outra coisinha bacana derivada dos Constellations é que, a partir dele, a Varig teve que ser ainda mais “gente grande”. Os treinamentos com pilotos, comissários e mecânicos alcançaram outro patamar. Eles foram obrigados a aprender inglês, por exemplo. E, nessa toada, chegaram as primeiras comissárias. A explicação para elas assumirem um trabalho anteriormente feito apenas por homens foi que, na época, os aviões tinham camas. E, na boa, não era legal mulheres ou crianças serem atendidos por marmanjos. As mulheres, então, chegaram, viram, fizeram seu trabalho e venceram. Hoje, são fundamentais no negócio. Oremos.

Um negócio que para o Constellation durou pouco. Em meados dos anos 1960, a Varig foi retirando, aos poucos, o avião da linha, que já era operada a partir de Buenos Aires, Montevidéu e Porto Alegre, com três viagens semanais. Assim, em 29 de janeiro de 1962 – seis anos após sua estreia – partiu o último voo de passageiros do Constellation para a Grande Maçã. Depois, os bichões foram estacionados em Porto Alegre e Congonhas para descansar em paz. Uma paz que, graças ao musical Constellation, acabou agora. O espetáculo fez temporada no Rio de Janeiro e seguiu para São Paulo. Não por acaso, as cidades aonde tudo começou.

Cadê o aeroporto que estava aqui?

Apenas cinco países em todo o planeta não possuem aeroporto: Andorra, Liechtenstein, Mônaco, San Marino e Vaticano. Sorte que eles ficam na Europa, próximos a grandes terminais de outras nações. Ah, e têm heliporto…

Freddy Charlson

O papa Francisco (batizado como Jorge Mario Bergoglio) vira-e-mexe desembarca em um dos mais de 200 países do mundo – agora mesmo, ele acabou de concluir um périplo pela América do Sul, visitando Equador, Bolívia e Paraguai. Ou seja, o brasileiro católico mais ousado teve que se deslocar às cidades de Quito, La Paz e Assunção para tomar a bênção diretamente de Sua Santidade. Engana-se, porém, que o papa, ao embarcar no avião para essas viagens o faz do Vaticano. Não, nada disso, simplesmente porque a cidade-estado Vaticano não tem aeroporto.

É, apesar da modernidade, do advento da tecnologia e da necessidade premente de locomoção dos seres humanos ainda há países que, como o Vaticano, não possuem um… aeroporto. O motivo? A diminuta medida de seus territórios, principalmente. Assim como ocorre com o Vaticano, os moradores dos pequeninos Liechtenstein, Andorra, Mônaco e San Marino, todos localizados no continente europeu, são obrigados a viajarem para países vizinhos se quiserem, a seu modo, realizarem o sonho de Ícaro.

VATICANO

14.07.2015 - BANDEIRA - VATICANO - BLOGNada que seja uma questão de vida ou morte, ora. É só ter um pouquinho de paciência. No caso do Vaticano, os religiosos que passam os dias em reuniões e orações próximos ao túmulo de São Pedro podem pegar seus aviões para catequizarem mundo afora no Aeroporto Internacional Leonardo da Vinci, conhecido como Fiumicino, em Roma, Itália, onde o Vaticano está encravado. O Fiumicino fica a 35 quilômetros da capital italiana e é, por exemplo, o hub da companhia aérea Alitalia que, não por acaso, transportou o papa Francisco durante sua recente visita à América do Sul.

ANDORRA

14.07.2015 - BANDEIRA - ANDORRA - BLOGJá os moradores do Principado de Andorra, além de não terem aeroportos, não têm ferrovias. É que Andorra fica localizado nas montanhas, próximo aos Montes Pirineus. Uma boa opção para pegar o avião é dirigir até a cidade de Barcelona, na Espanha, localizada a 220 quilômetros de distância. Ou até Girona (Espanha) que fica a 280 quilômetros. Mais próximo fica o aeroporto de Toulouse-Blagnac (França), a 180 quilômetros. O contrário também vale, afinal Andorra não cobra impostos de seus produtos e é um paraíso para quem procura compras mais baratas, além de curtir uma temporada na neve. Ah, o El Prat, Aeroporto Internacional de Barcelona, é o segundo maior da Espanha e recebe voos de todo o mundo. Ou seja, se vacilar, é mais agitado que toda Andorra.

LIECHTENSTEIN

14.07.2015 - BANDEIRA - LIECHTENSTEIN - BLOGContinuando nosso tour pelos países sem aeroporto, chegamos a Liechtenstein, uma nação de meros 160 quilômetros quadrados, encravada entre a Áustria e a Suíça, na Europa, e que possui o 6º IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) no ranking mundial. Ou seja, o povo desse país de nome quase impronunciável (ok, tente pronunciar “lixtenstáim”) vive bem, mas… não tem aeroporto. Como é muito amigo da Suíça, e pá!, os moradores bem nascidos de Liechtenstein costumam utilizar o Aeroporto de Zurique, na terra do chocolate e dos relógios, claro. Ele fica a 115 quilômetros de distância.

MÔNACO

14.07.2015 - BANDEIRA - M+öNACO - BLOGMônaco é, definitivamente, para os phynos. O principado situado no sul da França, junto ao Mar Mediterrâneo, é mais conhecido pelo Grande Prêmio de Fórmula 1, cassinos e o belo visual. Ok, mas não se empolgue: é impossível visitar Mônaco por avião. Ali, só por terra ou mar. O turista deve desembarcar no Aeroporto Internacional Nice-Côte d’Azur, localizado a 15 quilômetros da terra do príncipe Albert II, uma cidade-estado soberana. O principado foi fundado no ano de 1297 pela Casa de Grimaldi, tem área de 2 km² e é o segundo menor Estado do mundo, atrás do Vaticano, que tem metade do tamanho.

SAN MARINO

14.07.2015 - BANDEIRA - SAN MARINO - BLOGDireto ao ponto: não há aeroporto em San Marino, país totalmente encravado na Itália e o menos populoso da Europa, com cerca de 35 mil habitantes. O aeroporto mais próximo fica a 23 quilômetros e está localizado em Rimini, cidade italiana. Tipo meia hora de carro. E tem o portentoso nome de Aeroporto Internacional de Rimini e San Marino Federico Fellini, o criativo e premiado cineasta italiano. Nada que desanime o morador do mais antigo Estado soberano e república constitucional do mundo, fundado em 3 de setembro de 301, e cuja principal fonte de renda é o turismo.

Cada pouso é um flash, digo, um susto!

Aeroporto em Gilbratar: um dos pousos mais perigosos do mundo.

Aeroporto em Gilbratar: um dos pousos mais perigosos do mundo.

A tecnologia e a engenharia tornam os aeroportos cada vez mais seguros. Porém, a urbanização desenfreada, questões geográficas, limites de espaço e forças da natureza, fazem alguns terminais no mundo aterrorizarem, durante decolagens e pousos, até o mais corajoso dos pilotos… e passageiros

“Senhoras e Senhores, dentro de instantes pousaremos no Aeroporto X, na cidade Y. Retornem o encosto da poltrona para a posição vertical, observem o aviso de atar os cintos e verifiquem o travamento da mesa. Mantenham seus equipamentos eletrônicos desligados, inclusive câmeras de vídeo, laptops e jogos eletrônicos. Para o pouso, a iluminação da cabine será reduzida.”

Pronto, o speech falado pelo comandante do voo representa um alívio para a maioria dos passageiros. Significa que ele chegará são e salvo ao seu destino, que as turbulências e outros eventuais incômodos do voo ficaram para trás, que é só o piloto pousar e, que beleza!, pegar a bagagem de mão e ir embora.

Nananinanão.

Em alguns dos mais de 40 mil aeroportos do mundo, a aventura, intrépido passageiro, no entanto, está só começando. São aeroportos localizados em lugares distintos e exóticos que acabam exigindo exímia perícia da tripulação e tranquilidade e orações de todos os que estiverem a bordo.

Sim, não é fácil pousar em pistas estreitas e curtas, cercadas por montanhas e prédios e cujo solo pode ser areia, água, grama ou neve. E o mais incrível é que todas estas pistas horríveis são permitidas por lei e estão em pleno funcionamento. Com vocês, leitores do blog, apresentamos alguns dos aeroportos mais perigosos do planeta (sim, agora é hora de elevar o volume da trilha sonora de suspense)!

1 – Aeroporto de Funchal, Ilha da Madeira, Portugal

Ai, Jesus! Só os fortes conseguem pousar numa pista tão pequena que foi até esticada mar adentro. Ah, e do lado sobram montanhas. Quer mais? O vento, com velocidade aproximada de 30 km/h, dá medo. E a pista fica na ponta de uma ilha. E, para provar que os pilotos são craques, eles precisam de uma licença especial para trafegar no Aeroporto de Funchal. Ou seja, não é qualquer Manoel ou Joaquim que pousa ali não, Maria!

2 – Aeroporto de Courchevel, França

Curte montanha-russa? Se sim, vai apreciar essa pista localizada numa estação de esqui, capaz de fazer o avião saltar antes da hora. Localizado a mais de 500 metros de altura, nos Alpes, o aeroporto até que é bonitinho, mas sua pista tem meros 525 metros. E, do nada, surge uma queda. Os pilotos, feras que só eles, ainda enfrentam o gelo e as nevascas numa pista sem sinalização para o pouso. Bonne chance!

3 – Aeroporto Princesa Juliana, Saint Marteen, Antilhas Holandesas 

Quem vê até pensa que é montagem ou photoshop. Nada disso, as imagens de aviões passando sobre as cabeças das pessoas na praia de Maho são mesmo reais. E ocorrem na ilha compartilhada entre Holanda e França. É o segundo mais movimentado do Caribe e recebe Boeings e Airbus. Ah, mas fique tranquilo: há avisos na praia dizendo que os aviões podem levantar areia ou suas toalhas de banho. Aí, sim. De boa.

4 – Aeroporto de Barra, Escócia

Por falar em praia, esse aeroporto, na parte norte da Ilha de Barra, na Escócia, é impressionante. O lugar é lindo, mas assustador, afinal é o único do planeta com a pista de pouso e decolagem numa praia. Sinalização com postes de madeira? Check. Pouso de emergência à noite com ajuda de luzes dos carros dos moradores ajudam? Check. Pouso apenas quando a maré está baixa? Check. Pouso com emoção? Check.

5 – Aeroporto Tenzing-Hillary, Lukla, Nepal

A pista do aeroporto termina num mergulho de 2.700 metros, um penhasco no meio do Himalaia, a cordilheira mais alta do mundo. E tem mais: ar rarefeito, pouca visibilidade, turbulências, ventos fortes e uma pista bem curtinha. Ok que o visual é bacana, mas poucos mantêm os olhos abertos em pousos e decolagens no aeroporto que leva o nome dos primeiros alpinistas que subiram o Everest, a montanha mais alta do mundo…

6 – Aeroporto de Gibraltar, território britânico na Espanha

Imagine um aeroporto ao lado de um imenso rochedo, com fortes ventos. Agora, imagine um aeroporto próximo de zonas habitadas, com prédios altos. Muito bem, agora imagine um aeroporto atravessado por uma estrada com quatro pistas, com direito a semáforo. Uma hora passa carro; na outra, avião. E imagine um aeroporto cuja pista é pequena, curtinha de dar medo. Pois é, esse é o Aeroporto de Gibraltar, uma aventura de matar…

7 – Aeroporto de Toncontin, Tegucigalpa, Honduras

Ok que o Toncontin é o aeroporto da maior cidade de Honduras, mas o país localizado na América Central merecia coisa melhor. A queda para a aterrissagem é rápida, a pista é curta e fica num vale cercado por montanhas, além de só ter uma entrada e uma saída para aviões – um alto risco de acidentes – e terminar, óbvio, numa montanha. Por fim, o aeroporto fundado em 1934 só é acessível para aviões de pequena dimensão. Pense!

8 – Aeroporto da Ilha de Saba, no Caribe

Dizem por aí que a pista do Aeroporto Juancho E. Yrausquin, na Ilha de Saba, com seus 400 metros, é a menor pista comercial do planeta. E, além de ser pequena, está rodeada por mar e montanhas, um desafio para ases indomáveis. É por isso que o aeroporto fundado em 1963 numa ilha com dois mil habitantes só libera aeronaves de pequeno porte. Vai encarar? A Ilha de Saba não exige visto para turistas brasileiros. Fica a dica.

9 – Aeroporto do Mar de Gelo, Antártida

Um aeroporto florido. Bem que o Aeroporto do Mar de Gelo poderia ser conhecido por essa alcunha, afinal ele só funciona na primavera, que fofo. Mas… Bem, mas ali não nasce flor e o sol mal chega no terminal da base McMurdo, Ilha de Ross. A Pista do Mar de Gelo (Sea Ice Runway, em inglês) é, claro, de gelo, o que a torna frágil devido ao peso do avião sobre a pista, além de tornar o pouso um tanto escorregadio, tipo sabão.

+ 1

 … e um aeroporto já fechado, o Kai Tak, em Hong Kong

Que legal, né?, um aeroporto ficar famoso pelos seus acidentes. Só que não. Mas era assim com o Kai Tak, em Hong. Em 1959, por exemplo, 59 fuzileiros norte-americanos morreram na queda de um Hercules C-130, que perdeu o controle após a decolagem e afundou no porto. Mas um dia a farra acaba e o Kai Tak fechou. Foi em 1998, quando operava com 29 milhões de passageiros por ano – 5 milhões a mais do que o permitido. E isso numa única pista, cercada por montanhas e arranha-céus. Sim, os pilotos tinham que levar o avião “no braço”, sem ajuda do piloto automático para fazer as curvas e desviar das montanhas. O Kai Tak era tipo um Cai.

Quer mais? Confira nossa galeria de imagens!

Este slideshow necessita de JavaScript.

De Romero Britto a Athos Bulcão

Pinturas, gravuras, esculturas, instalações. Os aeroportos brasileiros têm diversas obras de arte que ajudam a refrescar a visão dos passageiros enquanto o voo não vem. Do clássico ao popular, há um pouco do talento brasileiro em cada terminal

Painel de Azulejos de Athos Bulcão, no Aeroporto de Brasília (DF).

Painel de Azulejos de Athos Bulcão, no Aeroporto de Brasília (DF).

Tudo bem que os aviões têm design arrojado e são cada vez mais modernos; tudo bem que os terminais estão trincando de novos e estão cada vez mais agradáveis; tudo bem que muita gente bonita e cada vez mais bem vestida circula pelos saguões dos aeroportos… Aviões, terminais, pessoas… são quase uma obra de arte. Mas obra de arte, bem, obra de arte mesmo é outra coisa. E os principais aeroportos brasileiros estão repletos delas, como forma de divulgação da cultura nacional e, também, para refrescar a visão das pessoas enquanto elas esperam o voo.

Os 60 aeroportos que integram a Rede Infraero, por exemplo, possuem diversas obras de arte em seus terminais de passageiros. Assim como os seis aeroporto concedidos. São gravuras, painéis, esculturas, telas e outras forma de expressão artística em exibição contínua e que podem ser admiradas por passageiros e usuários. Há desde artistas reconhecidos mundialmente quanto revelações das artes plásticas brasileiros e talentos regionais. Os aeroportos acabam exercendo o papel de divulgar a habilidade e a capacidade dos brasileiros em criar. E tudo isso, claro, de graça.

Os Trabalhadores, em  Cogonhas

Os Trabalhadores, em Congonhas (SP).

Em Congonhas, a vez dos espelhos

No Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, por exemplo, entre as principais obras destaca-se um conjunto de oito espelhos decorados com motivos diversos, de autoria de Jacques Monet, localizado no Bar do Salão Nobre do Pavilhão de Autoridades. O conjunto divide o ambiente com o painel mural Os Trabalhadores (3,5m x 16m), criado por Emiliano Di Cavalcanti e Clóvis Graciano.

No hall da escada de acesso ao subsolo, fica o Painel de Pastilhas de Vidro, com motivos geométricos, de autoria dos artistas Hernani do Val Penteado e Raymond A. Jehlen. A dupla também criou a obra Mapa Mundi, um painel de placas de mármore com ilustração em baixo relevo do planisfério, com os continentes ligados por aviões de diversos modelos. A obra fica no saguão central.

Congonhas abriga, no hall em frente à marquise sul, um painel de placas de granito preto com desenhos em baixo relevo e fundo em tinta dourada retratando edifícios e monumentos representativos da paisagem do centro de São Paulo. Um desenho de Jean Tranchant.

Outra obra de destaque no aeroporto é um painel de madeira com pintura representando o mapa do Brasil com ilustrações de uma rosa dos ventos, elementos da fauna e da flora brasileira, indígenas e construções das regiões. O painel de Jacques Monet fica na sala de embarque, piso superior. E os viajantes gostam de admirar um busto de Santos Dumont, em bronze e com a inscrição “Ao precursor da Navegação Aérea Alberto Santos Dumont”. A escultura fica na sala de embarque, piso superior, e é do incrível Victor Brecheret.

Por fim, em Congonhas há o Muro da Memória, painel 13m x 3m que retrata, de forma colorida, o aeroporto no século passado, exaltando sua beleza arquitetônica e a importância para a cidade. Fica na ala sul, corredor de acesso, e é de autoria de Eduardo Kobra.

Santos Dumont, no Aeroporto Santos Dumont (RJ)

Santos Dumont, no Aeroporto Santos Dumont (RJ).

Em Santos Dumont, homenagem ao aviador

No Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, o grande sucesso de público são as três esculturas do artista plástico pernambucano Romero Brito, de 52 anos. Squeaki (O Gato) fica na sala de embarque restrito, próximo ao canal de inspeção. Good Girl (A Menina) também fica na sala de embarque restrito, próximo aos portões de embarque remoto. E a escultura Dancing Boy (O Menino Dançando) fica no terminal de embarque, 1º piso.

O Santos Dumont também abriga a escultura Fênix, de Neuza Scher, localizada em frente aos Correios, no terminal de embarque, 1º piso. Os painéis Primórdios da Aviação e Aviação Moderna estão no terminal de desembarque, próximos ao Balcão de Informações, e são de autoria de Cadmo Fausto.

Já a obra Centenário do 14 Bis fica no terminal de embarque, 1º piso, e foi criada por Sansão Campos Pereira. Por fim, o painel Retrato de Santos Dumont (claro, o Aeroporto Santos Dumont tinha mesmo que ter um retrato de Santos Dumont…) está localizado no terminal de desembarque, área pública. A obra é de autoria de Hughes Desmazières.

Em Porto Alegre, reinam os painéis

A conquista do espaço, no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre (RS)

A conquista do espaço, no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre (RS).

E o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, é a “terra brasileira dos painéis”. Quatro imponentes painéis ajudam a embelezar o terminal. O painel Todas as horas, de Carlos Vergara, tem 14 anos e mede 35m X 6m. Foi confeccionado com base de alvenaria e chapas de metal fixadas com pinos metálicos. Fica no 3º pavimento do Terminal 1, perto da praça de serviços e alimentação. Já o painel EX ORBIS, de Regina Silveira, mede 7m x 11m, e é feito de 912 peças de azulejos brancos 40cm x 40cm pintados à mão. Fica localizado no Terminal 1, parede do 3º piso, também próximo à praça de alimentação.

O painel Rio Grande do Sul, por sua vez, tem proporções gigantescas. Ele mede 55m de comprimento e 3,4m de altura. Para sua confecção, o artista Mauro Fuke utilizou 240 mil pastilhas de porcelana esmaltada de diversas cores. A obra fica no Terminal 1, no 2º pavimento, no corredor das salas de embarque. Por fim, o painel A conquista do espaço trata-se de um afresco de 50 m², localizado no Terminal de passageiros 2, próximo ao desembarque doméstico. A obra é de Aldo Locatelli.

Em Fortaleza, tem até obra do cantor Fagner

A Menina, no aeroporto de Fortaleza (CE).

A Menina, no aeroporto de Fortaleza (CE).

Em Fortaleza, a capital do ensolarado Ceará, quatro obras de arte abrilhantam o Aeroporto Internacional Pinto Martins. A fofa escultura A menina, por exemplo, na Praça de alimentação, é mais uma invenção do incansável Romero Brito. O busto Pinto Martins fica no 1º piso e é de autoria da dupla Angélica Ellery Torres e Honor Torres. Já o mural Terra da Luz, criado por Mino, é mesmo uma pintura que embeleza o 1ª piso.

Por falar em pintura, a Condomínio da arte, no piso térreo, saguão de desembarque, tem quase um pouquinho de cada artista brasileiro. Pelo menos 20 artistas meteram o bedelho na obra, num grande coletivo. Entre eles, está até o cantor Raimundo Fagner, mundialmente conhecido pelo clássico Deslizes, aquele que diz, tipo assim: “Nós somos cúmplices/ Nós dois somos culpados/ No mesmo instante/ Em que teu corpo toca o meu/ Já não existe/ Nem o certo, nem errado/ Só o amor que por encanto/ Aconteceu”. Lindo.

Em Belém, esculturas e pintura

Festa Junina, no aeroporto de Belém (PA).

Festa Junina, no aeroporto de Belém (PA).

E para terminar nossa ronda artística pelos terminais aeroportuários administrados pela Infraero, chegamos ao Aeroporto Internacional de Belém. Ali, o quase onipresente Romero Brito se faz presente com a escultura For You/Heart (O Coração), que ajuda a colorir ainda mais o saguão de desembarque internacional.

O destemido artista pernambucano divide espaço com o arquiteto e urbanista paraense Fernando Pessoa, autor de uma escultura do busto em homenagem ao conterrâneo pioneiro da navegação aérea Júlio Cezar Ribeiro de Souza. A obra Espelho D’Água tem 80cm e é feita em fibra de vidro estruturada. E no mezanino do aeroporto paraense, ao lado da Sala Vip da Infraero, fica a pintura Festa Junina, feita na técnica óleo sobre tela, criada pelo artista Benedito Antônio Soares de Melo.

 

Em Brasília, os painéis de Athos

Painel de Athos Bulcão, no Aeroporto de Brasília (DF)

Painel de Athos Bulcão, no Aeroporto de Brasília (DF).

No Aeroporto Internacional Juscelino Kubitscheck, em Brasília, as vedetes artísticas são dois murais em azulejo de Athos Bulcão, duas belezuras que só vendo. Um deles fica no Pier Norte, na área do embarque doméstico. O outro está posicionado no desembarque internacional. Tratam-se, respectivamente, de um painel de azulejos esmaltados nas cores laranja e amarelo, estampadas sob fundo branco e de um painel de azulejos esmaltados nas cores verde e azul, estampadas sob fundo branco. Ambos foram instalados em 1993.

De forma a preservar as obras, a Inframérica, concessionária responsável pelo aeroporto, fez, em julho de 2014, intervenções de restauração nos painéis. O trabalho teve dez etapas: documentação fotográfica e mapeamento de danos; remoção das peças recolocadas de maneira inadequada; remoção das peças em desprendimento; limpeza química e mecânica dos azulejos; remoção de parte da argamassa de aplicação antiga; recolocação das peças removidas; fixação das peças em desprendimento, com injeção de resina acrílica; aplicação de rejunte na área de intervenção; aplicação de rejunte onde necessário; e limpeza.

Outra obra em destaque no Aeroporto JK é uma borboleta multicolorida pintada por adivinhe quem? Sim, ele, o polêmico artista pernambucano Romero Brito. A borboleta fica, toda faceira, no piso do desembarque no saguão público. Ah, não se assuste, o artista, que mora nos Estados Unidos, tem obras expostas em mais de cem galerias nos cinco continentes.

 

Em Confins, tudo é doado

Sete obras de arte alegram o dia a dia de quem passa pelo Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins. Delas, quatro foram doadas pela Infraero: três esculturas e um entalhe em madeira. Falamos das esculturas Maternidade (Vânia Braga), Escultura em Aço (Ricardo Carvão) e Escultura em Chapa de Ferro (Paulo Laender), além do entalhe em madeira (!) Entalhe em madeira (Maurino Araújo).

Confins também coloca para jogo a escultura For You (Romero Brito, claro!), com dimensão de 1,80m x 2,05m x 0,30cm; o painel Voar (Fernando Pacheco) e o painel Santos Dumont – A Arte de Voar (Yara Tupynambá). Ou seja, arte por toda parte.

 

Em Viracopos, o mural da Copa

Mural da Copa, no Aeroporto de Viracopos (SP)

Mural da Copa, no Aeroporto de Viracopos (SP).

No Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), o destaque é um painel pintado pelo artista plástico Paulo Consentino durante a Copa do Mundo, no ano passado. O painel fica aberto à visitação no terminal de passageiros de voos domésticos e retrata uma das mais famosas imagens dos mundiais: Pelé beijando a Taça Jules Rimet após o tricampeonato de 1970, disputado no México. A obra está no segundo piso, ao lado de agências bancárias e da sala de imprensa montada para atender os jornalistas durante a Copa.

Vale uma visitinha, assim como todas as peças citadas neste texto, afinal quem não curte uma obra de arte?

Cadê o chinelo? Chi-ne-lo! Cadê o chinelo?!

Aeroporto_JK_Brasília_30012015 (98)Os passageiros até perdem chinelos nos aeroportos, mas a lista das centenas de objetos que somem a cada dia é extensa e esquisita. Para isso, cada terminal possui um setor de Achados e Perdidos. Sim, há uma esperança para quem perdeu chinelos, espadas, bengalas, aparelhos auditivos…

Freddy Charlson

Manhã de segunda-feira, 22 de junho. Apressado e feliz, o representante de marketing Pedro Ivo, 34 anos, chega ao setor de Achados e Perdidos do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília. Ali, pergunta sobre um aparelho celular que havia sido esquecido por sua mãe no dia anterior, durante embarque para Belo Horizonte (MG). Pronto, ele estava lá. Sem bateria, mas estava lá. O celular foi recarregado, Pedro Ivo conseguiu identificá-lo, ligou para o número correto, preencheu uma ficha e, pronto!, resgatou o telefone que havia sido esquecido no aparelho de raio-x do aeroporto. Bem a tempo de enviar para sua mãe, que embarcaria ainda nesta terça-feira, 23, para a Noruega. Foi por pouco, mas deu tudo certo.

Esse é o trabalho da turma que faz o setor de Achados e Perdidos do Aeroporto JK funcionar: receber os objetos perdidos no terminal, cadastrá-los (local onde foram encontrados, data, características e etc.), tentar encontrar o dono e devolvê-lo mediante comprovação de propriedade. “Temos 2 mil peças no momento. Se a pessoa quiser recuperar o objeto, o processo é simples, porém, detalhista. A procura é quase certa se a pessoa perdeu dinheiro. E os homens aparecem mais aqui, embora a maioria dos objetos perdidos seja feminina”, conta o coordenador do setor, Tiago Costa.

Segundo ele, vez ou outra o setor recebe bengalas, cadeiras de roda, muletas, mas a maioria mesmo do acervo é formada por documentos, telefones celulares, livros, bolsas, relógios, cintos e roupas. Ah, mas uma vez, conta, esqueceram um jogo de pneus de jato (sim, o pequeno avião), acreditem. “É importante que a pessoa venha ao setor com o máximo de informações a respeito do objeto. Se comprovar que é o proprietário, pronto, pode voltar com ele para casa”, explica. Foi justamente o que aconteceu com o representante de marketing Pedro Ivo. “O serviço é excelente. Eles me telefonaram avisando que o celular estava aqui no setor de Achados e Perdidos. Cheguei, comprovei que era da minha mãe e peguei-o de volta. Ela vai ficar feliz”, agradeceu.

_SAC3409

O representante de marketing Pedro Ivo procura o celular perdido por sua mãe no setor de Achados e Perdidos do aeroporto de Brasília

O povo esquece de tudo um pouco

Telefones celulares, tipo os perdidos pela mãe do Pedro Ivo, vivem sendo esquecidos nos aeroportos. Mas o povo encontra coisas como narguilé, espada de samurai, bengala, muletas, cadeiras de rodas, carrinho de criança, prótese de perna, mala com calcinhas, aparelho auditivo e até um osciloscópio (equipamento eletrônico que permite observar a variação de voltagens elétricas por meio de um gráfico, entenderam?). Sim, tem de tudo nos setores de Achados e Perdidos dos aeroportos. Prova de que a cabeça do brasileiro, em alguns momentos, anda nas nuvens…

Essas salinhas, aliás, acabam sendo áreas das mais movimentadas nos terminais. Vira e mexe chega um objeto entregue por algum funcionário do aeroporto, ou passageiro desesperado à procura de seus bens. O montante de objetos recolhidos e devolvidos varia de acordo com o aeroporto e a época do ano. Em períodos de alta temporada, por exemplo, tende a ser mais alto. E o prazo para o objeto permanecer no setor tipicamente determinado é até 90 dias, mas pode variar, de acordo com o aeroporto. Ao fim do prazo, alguns objetos são doados e outros destruídos ou transformados em sucata.

E as regras para recolher um objeto, guardá-lo e devolvê-lo ao dono são normalmente simples e pouco variam, sejam nos seis aeroportos concedidos ou nos 60 terminais administrados pela Infraero. Qualquer objeto encontrado deve ser entregue à segurança do aeroporto para ser depositado em uma sala ou cofre, dependendo de sua natureza. A devolução é feita mediante reclamação do proprietário, que deve descrever as características do objeto e a comprovação de propriedade. Os setores também procuram descobrir o proprietário e contatá-lo, para a devolução.

Viracopos e Brasília

“É importante que os objetos perdidos sejam cadastrados. E que na restituição seja colhido um recibo do reclamante. A doação dos objetos deve ser documentada e, por fim, verificada se a instituição que está recebendo é idônea”, explica o gerente de Segurança do Aeroporto de Viracopos (Campinas-SP), Samuel Conceição. O aeroporto recolhe, em média, 400 objetos perdidos por mês. E consegue devolver cerca de 90 objetos por mês, 22%. Em 2014, por exemplo, foram recolhidos 5.219 objetos perdidos em Viracopos. Neste ano, até maio foram 2.398 objetos encontrados no aeroporto. Entre eles, uma luneta e uma mochila com produtos de sexshop.

No Aeroporto JK, em Brasília, o sistema é um pouquinho diferente. Este ano foram quase 2.500 objetos esquecidos no terminal. Os exemplos de desapego ficam por 30 dias em uma sala no Terminal I de passageiros. Depois, ganham outro lar: um depósito que também fica no terminal. Ali, se não forem devolvidos, vão “morar” por 90 dias.

E há uma política séria para tratar do destino desses objetos, ora, bolas. Carteira de identidade, CNH e OAB permanecem por sete dias na sala e depois são encaminhados para os Correios. No caso de passaporte brasileiro, eles são enviados para a Polícia Federal logo que chegam ao setor de Achados e Perdidos. Documentos de estrangeiros costumam ser enviados ao consulado do país de origem do proprietário. Já as malas perdidas passam por vistoria e se algo perecível for encontrado é imediatamente descartado. Ah, claro, até os vips são capazes de perder a cabeça e objetos. No caso, o que for encontrado perdido na Sala VIP fica na Sala VIP. Tipo aquelas histórias que acontecem em Vegas. Las Vegas.

Guarulhos e Galeão

No Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo (SP), o bicho pega. Na correria para pegar o voo, visitar o banheiro, fazer as últimas comprinhas antes de embarcar ou encarar um lanchinho, são perdidos aproximadamente mil objetos por mês. Ou seja, uma média de mais de 30 coisinhas sem dono por dia. Desses, cerca de 40% são devolvidos. Eles ficam até 60 dias na Central de Atendimento ao Cliente (CAC), responsável pelo setor de Perdidos & Achados (L&F – Lost and Found). Depois, os itens não resgatados são direcionados ao Fundo Social da Prefeitura de Guarulhos.

Antes de ter esse fim, o objeto somente é devolvido após o reclamante provar por A + B que é seu feliz proprietário. Para isso, deverá identificá-lo, descrevendo suas características, informando a data da perda e o local no aeroporto onde ocorreu o extravio. Em caso de aparelhos eletrônicos, além de descrever o item, o passageiro deverá mencionar algo que esteja registrado nele, algum arquivo, senha de desbloqueio, código ou nome específico na agenda. Pronto, aí, sim, meu amigo, você terá seu querido e esquecido objeto de volta ao aconchego do seu lar. No caso de Guarulhos, os mais perdidos são encosto de pescoço, telefones celulares, malas, óculos, guarda-chuvas, carteiras de identidade, chaves e relógios. Não à toa, o povo perde, também, a hora…

No Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro, o setor de Achados e Perdidos funciona das 6h às 22h. Fora desse horário, os objetos encontrados são recebidos nos balcões de informações e ficam sob custódia do encarregado de segurança até serem recolhidos pela equipe dos Achados e Perdidos. A média é de 25 objetos recolhidos por dia, com uma devolução média de oito itens devolvidos diariamente. No Galeão, os objetos perecíveis são guardados por um período de seis horas. Caso o dono não apareça para reivindicá-lo, ele é descartado. A grande dica, porém, é ficar sempre atento aos seus pertences. Melhor do que encontrá-los é não perdê-los. Afinal, nem todo mundo dá a sorte que deu o Pedro Ivo…

_SAC3389

Chapéus, casacos, chaves, livros, travesseiros. De tudo um pouco nos setores de Achados e Perdidos dos aeroportos brasileiros

FICA A DICA

– As dependências de um terminal compreendem lugares como o saguão de passageiros, sistema de pistas e pátio, salas de embarque e desembarque, sanitários, estabelecimentos comerciais e estacionamento de veículos. Objetos perdidos dentro da aeronave são de responsabilidade da companhia aérea que opera o voo. Neste caso, o passageiro deve entrar em contato com a empresa para os procedimentos de localização e recuperação do pertence.

– É importante lembrar que itens perecíveis não são guardados nos Achados e Perdidos: a orientação no caso desses é que sejam descartados.

– O usuário, para recuperar seu pertence, deverá comparecer ao balcão de informações ou setor de Achados e Perdidos portando documento de identidade com foto e solicitar a devolução. Caso não seja possível retirar o objeto pessoalmente, o interessado poderá autorizar outra pessoa para receber o bem. A forma de autorização pode variar de acordo com o aeroporto. Entre os procedimentos possíveis, estão a entrega de procuração ou documento padrão de autorização e envio de e-mail informando a autorização e contendo descrição do item, dados pessoais do proprietário e da pessoa que irá buscar o pertence.

– Uma vez decorrido o prazo de permanência dos objetos encaminhados para os Achados e Perdidos, o aeroporto poderá tomar providências para reencaminhamento dos itens, que variam de acordo com o terminal. No Aeroporto de Belém (PA), por exemplo, os objetos são encaminhados à Autoridade Judiciária, que decidirá a destinação dos itens. Dependendo da avaliação do juiz responsável, pode-se fazer a doação ou o leilão. Já no Aeroporto de Cuiabá (MT), após o prazo de 60 dias, os itens são registrados em um mural público na sala de espera do desembarque com a relação do material em custódia por mais de 60 dias. Passado esse tempo, os objetos são doados para entidades cadastradas no sistema de Achados e Perdidos do aeroporto.

– Para acionar o serviço, o usuário deve contatar o setor responsável, sendo que a área ou pessoal a ser procurado depende do aeroporto: por exemplo, em Belém, o primeiro contato deve ser feito no balcão de informações do terminal. Já em Cuiabá, a pessoa poderá notificar qualquer funcionário sobre a perda do objeto. Recomenda-se procurar o supervisor da Infraero no terminal ou a área de Ouvidoria para o início do processo. Em caso de dúvidas, deve-se acionar o balcão de informações no aeroporto para obter esclarecimentos ou dar início à busca.

– O Setor de Achados e Perdidos do Aeroporto de Brasília está localizado no Terminal I, no piso de desembarque, próximo ao Desembarque Internacional. O horário de funcionamento é das 7h às 23h. O telefone de contato é o 3214-6109. O e-mail é achadoseperdidos@inframerica.aero.

Tão Tão Distante

Você sabe quais são os dez municípios mais distantes de um aeroporto hoje? Alguns brasileiros precisam viajar mais de mil quilômetros para embarcar em um avião. Mas as distâncias vão encurtar com o programa de desenvolvimento da aviação regional

Freddy Charlson

Estrada, rio, estrada, rio, estrada. Ufa, 17 horas de viagem depois, eis que o heroico e destemido viajante que deixou o município de Apuí chega a Manaus. Sim, essa epopeia é para os fortes, para os muito fortes. É que Apuí, uma pequena cidade de 21 mil habitantes isolada no meio da Floresta Amazônica, fica a incríveis 450 quilômetros, em linha reta, da capital do Amazonas, terra do aeroporto mais próximo da cidadezinha interiorana. A distância a ser percorrida por estradas e rios, porém, chega a 1.096 quilômetros…

Isso credencia a pequenina Apuí como o município brasileiro mais distante de um aeroporto com voos regulares – no caso, o Aeroporto Eduardo Gomes –, o que o torna o mais isolado do País, especialmente em períodos de chuva. Ou seja, uma canseira danada para esse povo que quer economizar tempo e curtir mais a vida fazendo viagens de avião.

Canseira que não deve acabar totalmente, mas será atenuada um bocado. Ah, se vai! Isso porque o aeroporto de Jacareacanga, no Pará, que hoje não opera voos regulares – mas que está incluído no programa de desenvolvimento da aviação regional da Secretaria de Aviação Civil (LEIA MAIS SOBRE O PROGRAMA)  – está a 275 quilômetros de Apuí. Um ganho de mais de 800 quilômetros. Ou seja: se hoje o heroico apuiense gasta cerca de 17 horas para chegar em Manaus e pegar um aviãozinho, daqui um tempo ele gastará pouco mais de 3 horas. Isso porque o vai construir ou reformar 270 aeroportos País afora. Jacareacanga é um deles!

Uma ótima notícia também para os municípios que, na sequência, acompanham Apuí na lista das cidades brasileiras mais distantes de aeroportos: Oiapoque (AP); Palmeira do Piauí (PI); Cristino Castro (PI); Santa Luz (PI); Barra do Quaraí (RS); Currais (PI); Bom Jesus (PI); Alvorada do Gurguéia (PI); e Colônia do Gurguéia (PI).

A “famosa” Oiapoque (AP) é aquele cidadezinha que costuma ser citada na frase “O Brasil vai do Oiapoque ao Chuí”… Tipo o Brasil é grande e coisa e tal… Pois bem, Oiapoque vai ganhar ainda mais do que tempo. Hoje, o aeroporto com voo regular mais próximo da cidade é o de Macapá (AP), que fica a exatos 430 quilômetros de distância em linha reta ou 591 quilômetros por meio de estradas. O programa de aviação regional prevê reforma no aeroporto de Oiapoque e o retorno de suas operações.

É uma grande mudança para a população local e vizinha! Hoje, no Brasil, mais de 40 milhões de pessoas vivem a mais de 100 quilômetros de um terminal aeroportuário de passageiros. E essa situação vai mudar, pra melhor, claro. Atualmente, só 77 aeroportos regionais têm rotas regulares voando os 8.515.767 km² de área do País. Quando brasileiros de Norte a Sul, seja no interior ou nas capitais, tiverem acesso ao transporte aéreo, habitantes de 3.500 municípios do País serão beneficiados por uma grande rede de aeroportos. Assim, as 17 horas ou os 1.096 km de estrada, rio, estrada, rio, estrada entre Apuí e Manaus, por exemplo, serão, então, apenas lembrança na memória das novas gerações dos apuienses.

Enquanto o programa se desenvolve conheça um pouco mais sobre os 10 municípios brasileiros mais distantes de um aeroporto com voos regulares. E, claro, acompanhe o que podemos chamar de “salvação da lavoura”, afinal, vários aeroportos serão construídos em cidades mais próximas para facilitar a vida dos municípios distantes de terminais, especificamente esses do Top Ten!

UM AEROPORTO PRA CHAMAR DE “SEU”

APUÍ (AM)

Apuí fica no interior do Amazonas, ao sul de Manaus, na Rodovia Transamazônica (BR-230), a única que liga o município à civilização. Ah, Apuí tem as cachoeiras mais bacanas do estado e uma festa do Peão de Boiadeiro que, dizem, é a maior das redondezas (e bota redondeza nisso!). Com população estimada em 20 mil pessoas, Apuí (que bem poderia ser chamado de Longeaí…) tem uma área considerável – de 54 mil km² – sendo maior que os países europeus Holanda, Montenegro, Malta, Luxemburgo, Mônaco e Vaticano. Juntos! Sorte da população que o programa de aviação regional prevê a instalação de um aeroporto em Jacareacanga, né?

OIAPOQUE (AP)

Fica lá no alto do estado do Amapá. O nome Oiapoque tem origem tupi-guarani, uma derivação do termo “oiap-oca”, que significa “casa dos Waiãpi”, os primitivos habitantes da região. O município foi criado em 23 de maio de 1945 e é uma boa para quem quer curtir o “estrangeiro”, afinal limita-se ao norte com a Guiana Francesa. Para isso é só atravessar a Ponte Internacional sobre o Rio Oiapoque et voilá! No mais, os moradores têm à disposição uma única via de ligação com a capital do estado, Macapá: a BR-156, com 600 km, sede do aeroporto mais próximo da cidade, que fica a 430 km de distância. Bem, mas isso vai mudar, graças ao programa de aviação regional.

PALMEIRA DO PIAUÍ (PI)

Palmeira do Piauí é um município brasileiro que fica… no Piauí. Pequeno, tem cerca de 10 mil habitantes e fica a 10 quilômetros da BR-135 (principal via do estado). O Rio Gurgueia e alguns riachos banham a cidade que é ligada à BR-135 por uma ponte de madeira e metal. O município que fica a 400 quilômetros, em linha reta, do aeroporto mais próximo, o Senador Nilo Coelho, em Petrolina, já em Pernambuco – são 626 quilômetros pelas estradas nordestinas –tem muitas serras ao seu redor. E o mais charmoso é um “olho d’água”, a 9 quilômetros do centro da cidade. Bem, para quem não liga o nome à beleza natural, olho d’água é um lugar aonde a água brota dos morros. Com o programa de aviação regional, ficará muito mais fácil se deslocar até o futuro aeroporto de Bom Jesus (PI), que ficará a meros 78 quilômetros de distância.

CRISTINO CASTRO (PI)

A cidade tem 11 mil habitantes, a maioria na zona rural e numa faixa de baixo desenvolvimento. Só para vocês terem uma ideia, o município ocupava a 4.921ª posição, em 2010, no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), em relação aos 5.565 municípios do Brasil. Ou seja, vida dura para o povo de uma terra repleta de um negócio chamado “poços jorrantes”, de onde sai água mineral bem morninha. Hoje, o aeroporto mais próximo de Cristino Castro é o de Barreiras (BA), a cansativos 390 quilômetros em linha reta (503 quilômetros pelas longas estradas da vida). Com o programa de aviação regional, ficará mais fácil ir até o futuro aeroporto de Bom Jesus (PI), que ficará a 50 quilômetros de distância.

SANTA LUZ (PI)

Quem nasce é Santa Luz é santa-luzense. E se quiser pegar um avião vai ter que andar 375 quilômetros, em linha reta, até Barreiras (BA). Pelas estradas, a distância aumenta para 514 quilômetros. Ok, uma coisa pode não ter nada a ver com a outra, mas a verdade é que essa localidade piauiense só começou a se desenvolver em 1933, com a lavoura de algodão. E só virou município em 1962. Hoje, Santa Luz não chega a 10 mil habitantes. Um povo que se desloca via BR-135, a mais movimentada das rodovias do Piauí. A boa notícia é que a distância até um aeroporto mais próximo vai cair para 205 quilômetros até São Raimundo Nonato (PI). A metade do percurso atual.

BARRA DO QUARAÍ (RS)

Direto ao ponto: Barra do Quaraí é o município mais ocidental do Rio Grande do Sul e de toda a Região Sul Fica bem na ponta mesmo, pertinho da Argentina e do Uruguai. De quebra, está a incríveis 717 km da capital, Porto Alegre. É o município gaúcho mais distante da capital, né? E o aeroporto mais próximo da cidade de 5 mil habitantes é o de Santa Maria (RS), a 370 quilômetros. Bom de briga, Barra do Quaraí disputa, há mais de 100 anos, com o Uruguai, um lugar chamado Ilha Brasileira, nas águas do Rio Uruguai. A pendenga não tem data pra terminar, mas a dificuldade para chegar a um aeroporto, sim. O município de Uruguaiana (RS), a 71 quilômetros de Barra do Quaraí, vai ganhar um aeroporto pelo programa de aviação regional. A distância dos moradores da cidade vai ser reduzida a um décimo do que é hoje. Que beleza, amigo!

CURRAIS (PI)

Município caçula do Piauí. Foi fundado dia desses, em 1997. Quem nasce lá é curralense e anda 360 quilômetros até o aeroporto de Barreiras (BA), o mais próximo. É que Currais fica longe que só, óxente, da capital Teresina. Pra quase 650 quilômetros de distância. É muito para os seus 5 mil habitantes, que levam o município a ter uma densidade demográfica de 1,5 habitantes/km². Ou seja, quem quiser pode espreguiçar-se à vontade em Currais… Ah, e a maior cidade nos arredores é Bom Jesus, a 62 quilômetros de distância, justamente a que vai ganhar um aeroporto. Imaginou andar 62 km para embarcar num avião comparado aos 360 km até Barreiras? Um sonho.

BOM JESUS (PI)

Por falar em Bom Jesus, o município piauiense é uma potência na região. Com seus 23 mil habitantes também depende do aeroporto de Barreiras (BA) para navegar pelos céus desse Brasilzão. Bom Jesus fica a 350 quilômetros do município baiano e está virando o novo eldorado da soja. Localizada a 635 quilômetros da capital Teresina, a cidade é quente, bem quente. O recorde de temperatura registrado foi de 44,7 graus em 21 de novembro de 2005. Uma das mais altas do País. Tão alta quanto a moral da cidade que vai ganhar um aeroporto reformadinho “pra chamar de seu”. O aeroporto de Bom Jesus está na fase de Estudo Preliminar (EP), que detalha o Estudo de Viabilidade Técnica (EVT). O EP define o tamanho do pátio, pista e terminal e o investimento necessário. Aeroporto, aliás, que vai salvar a vida dos moradores dos municípios piauienses vizinhos que têm que recorrer aos terminais aeroportuários de Pernambuco ou da Bahia e que estão no seleto Top Ten deste texto: Palmeira do Piauí, Cristino Castro, Currais, Alvorada do Gurguéia e Colônia do Gurguéia. Ficará tudo bom para todas as partes.

ALVORADA DO GURGUÉIA (PI)

Com pouco mais de 5 mil habitantes, fica no centro sul do Piauí e a 539 quilômetros da capital Teresina. É jovenzinha, virou município apenas em 1994, após se desmembrar de Cristino Castro e Manoel Emídio. Toda bonitinha, a cidade, cujo aeroporto mais próximo é o Senador Nilo Coelho, em Petrolina (PE), tem como referencial seus mananciais de água naturais, como o Poço Violeto. A boa notícia é que a distância até um aeroporto mais próximo vai cair dos 539 quilômetros que a separam de Teresina para 97 quilômetros até o aeroporto de Bom Jesus (PI). Pense numa felicidade!

COLÔNIA DO GURGUÉIA (PI)

E Colônia do Gurguéia, no Piauí, encerra a lista dos dez municípios mais distantes de aeroportos com voos regulares. A cidade, com aproximadamente 7 mil habitantes, fica a 350 quilômetros da capital, Teresina, cujo aeroporto, Petrônio Portella, é o mais próximo de seus moradores. A boa notícia é que a distância até um aeroporto mais próximo vai cair para 141 quilômetros até o aeroporto de Bom Jesus (PI). Um caminho 60% menor. É ou não é totalmente excelente?!