Olha o “passarão”!

Aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, realiza o 1º Spotter Day, evento que reuniu 65 fotógrafos amantes da aviação para… clicar aviões; ponto reservado para as fotografias ficou a 300 metros da pista

O clique de Gabriel Mello, no 1º Spotter Day do Aeroporto JK, em Brasília (DF).

O clique de Gabriel Mello, no 1º Spotter Day do Aeroporto JK, em Brasília (DF).

Um, dois, três e … De repente, centenas de cliques tomaram conta, no Aeroporto de Brasília, do Spotting Point, um ponto reservado a pessoas que gostam de fotografar aviões. Ali, num sábado de sol (saudades, Mamonas Assassinas!), 65 fotógrafos e entusiastas se reuniram para registrar imagens de pousos e decolagens de aeronaves, durante o 1º Spotter Day da capital brasileira.

E foi um sucesso, afinal mais de 300 pessoas se candidataram a passar horas clicando as máquinas mais pesadas do que o ar, num hobby que, cada vez mais, vem ganhando adeptos e se tornando uma atividade comum em aeroportos de todo o mundo.

No Brasil, a brincadeira séria de fotografar diferentes modelos de aviões também vem fazendo sucesso. Prova disso é que spotters de São Paulo, Minas Gerais e Amapá (além do Distrito Federal, claro) participaram do 1º Spotter Day do Aeroporto JK. O evento teve apoio da Air France, Azul Linhas Aéreas, Grupo IMC e Canon, aquela gigante japonesa que desenvolve equipamentos fotográficos. Inclusive, no evento havia um instrutor de fotografia e equipamentos de ponta da marca.

Tendência

A cada decolagem, um clique! Foto: Gabriel Mello

A cada decolagem, um clique! Foto: Gabriel Mello

“A experiência foi incrível e reuniu amigos de várias partes do Brasil. Estava tentando isso há bastante tempo. Foi um sonho realizado. Tirei boas fotos, mas o melhor foi ver na expressão de cada um a felicidade de estar tão próximos de aviões e participar do evento que marcou nossas vidas”, confessou Gabriel. Ele visitou o Aeroporto JK durante dias seguidos na semana passada. No primeiro dia, recebeu amigos fotógrafos; no segundo, participou do briefing sobre o evento; e no terceiro, fez a festa no Spotter Day. Uma prova de que Gabriel gosta muito, muito mesmo, de aviação.

Integração

Fotógrafos e apaixonados por aviação durante o Spotter Day. Foto: Inframerica

Fotógrafos e apaixonados por aviação durante o 1º Spotter Day. Foto: Inframerica

“Já vi spotters virarem comandantes, é uma ótima chance para quem gosta de aviação”, conta Fernando Campana, gerente de aeroporto da Air France. Segundo ele, o Spotter Day é uma oportunidade singular para os amantes da fotografia.

O presidente da Inframerica, o engenheiro José Luís Menghini, disse que o evento aproximou e integrou os passageiros com o Aeroporto de Brasília. “Queremos que outras edições aconteçam para dar a oportunidade a fotógrafos e apaixonados por fotografia aeronáutica verem de perto os aviões. A ideia é que nosso aeroporto não seja só um lugar de passagem, mas um espaço agregador”, comentou.

E foi mesmo, afinal até os pilotos interagiram no evento, acenando para os participantes durante o taxiamento até a pista para pouso e decolagem. Isso porque a ação foi planejada seguindo os processos e normas de segurança para o ingresso a uma área restrita do terminal.

Por fim, outra boa notícia: todos os participantes do 1º Spotter Day estão automaticamente cadastrados no concurso fotográfico do Aeroporto de Brasília. Eles têm até o próximo dia 2 de agosto para enviar as fotos participantes do concurso. O autor da melhor foto ganhará viagem, com acompanhante para Natal, no Rio Grande do Norte. A divulgação do resultado será feita no início de agosto.

Confira aqui mais fotos do evento:

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Santos Dumont, o Pai da Aviação, sim, senhor!

No dia 20 de julho, completam-se 142 anos do nascimento do polêmico inventor mineiro Alberto Santos Dumont, que voou no 14-Bis e em dirigíveis, inventou o relógio de pulso e ficou deprimido ao ver aviões usados como máquinas de guerra.

sac-selo-santos-dumont2Freddy Charlson

Santos Dumont era polêmico. Ponto.

Bem-nascido, em 1873, ele inventou o avião (embora os norte-americanos e boa parte do planeta diga que não), passou a maior parte do tempo fora do Brasil (em escolas na França e na Suíça ou passeando por um mundão que já era de Deus, mas não era tão, digamos, globalizado) e, no final da vida, ficou tristinho (ok, stop brincadeira, depressão é coisa séria!) porque sua invenção (sim, o avião, afinal aqui é Brasil, caramba!) acabou sendo utilizada como uma mortal arma de guerra (alguém aí falou Hiroshima? alguém aí falou Nagasaki?).

Sim, Santos Dumont era polêmico.

Mas ele teve lá os seus motivos. Isso desde o tempo em que nasceu numa fazenda no interior das Minas Gerais e quando sua família mudou-se para outra fazenda, em Ribeirão Preto (SP). Em vez de trabalhar na horta ou com os animais, Dumontinho era polêmico: preferia mexer com as máquinas. Ah, que precoce esse menino batizado como Alberto Santos Dumont, filho de pai de ascendência francesa (Monsieur Henrique) e mãe filha de tradicional família portuguesa (Dona Francisca, com certeza!). Esperto, o pai viu que o rapaz era craque em mecânica, física, química e eletricidade e emancipou o jovem. “Vá. Dumont, vá ser gauche na vida.” Eis que, aos 18 anos, o jovem sonhador atravessou o Oceano Atlântico para concluir os estudos na França e, enfim, poder voar, voar, subir, subir, ir para onde for (momento Biafra)…

Um ano depois, papai Dumont morreria. Abalado emocionalmente, claro, o pequeno Dumont, sempre fã do escritor francês Júlio Verne (autor de livros como 20 Mil Léguas Submarinas e A Volta Ao Mundo em 80 Dias, entre outros), herdou uma fortuna. Resolveu ficar em terras parisienses, comprou um carro e passou a disputar corridas velocíssimas – bem, pelo menos para a época. Aos 24 anos, em 1898, subiu num balão. Alugado. Ok, o jovem ainda não era poderoso. Um ano depois, foi às alturas com o próprio balão, o “Brasil”, criado por Dumont.

Pronto, a partir daí, o mineirinho voou. De verdade. Passou a pilotar balões, construir dirigíveis – e dar números a eles, tipo 1, 2, 3 e daí por diante –, a dar a volta na Torre Eiffel voando, a disputar prêmios polêmicos de voos (sem propulsão, de distância, de travessia do Canal da Mancha, entre a França e a Inglaterra…), a vencer prêmios polêmicos, afinal, na época, era difícil definir o que era avião, o que poderia ser mais pesado do que o ar, o que era voo… A fazer de tudo um pouco. O dirigível número 11, por exemplo, foi um bimotor com asas e o número 12 parecia um helicóptero.

20.07.2015 - FOTOS - INVENÇÕES DE SANTOS DUMONT - DIRIGÍVEL NÚMERO 6O tempo passa, o tempo voa (perdão pelo trocadilho, mas a propaganda com esse jingle é quase tão antiga quanto a época tratada por este texto!) e Santos Dumont estava cada vez mais fera na arte de voar. Entre 19 e 23 de julho de 1906, testou, em Paris, o bom e velho 14-Bis. O avião de formato estranho, que parecia ser feito de cartolina, era conhecido como “Oiseau de Proie” (ave de rapina, na língua de Catherine Deneuve). Ele foi o primeiro objeto mais pesado que o ar a erguer voo por impulsos próprios, superando o atrito do ar, as leis básicas da física, a gravidade e, principalmente, a fé alheia. E quem diz isso não sou eu (Bra-sil-sil-sil!), mas a Federação Internacional de Aviação (FIA).

Ah, o porquê do nome? Simples, o 14-Bis era tipo uma mistura de aeroplano com o balão 14 (lembra que Santos Dumont curtia numerar as “paradas”?), usado pelo inventor em outros voos. Daí, o “bis”, sacaram? Então, foi com ele que, em 13 de setembro de 1906, o 14-Bis, sem balão, com mais potência e chamado de Oiseau de Proie, voou 8 metros. E isso num momento da história da humanidade em que era difícil definir o que seria um “voo de avião”, lembrem-se. A polêmica ganhava o mundo. De cientistas a inventores, de aventureiros ao povo… difícil acreditar que algo mais pesado do que o ar pudesse… voar.

Dumont queria mais. E, assim, em 23 de outubro de 1906, no campo de Bagatelle, em Paris, o Oiseau de Proie II voou utilizando seus próprios meios, sem a ajuda de catapultas e afins. Voou 60m em sete segundos, a meros 2m, 3m de altura, um feito incrível para a época. E com mais de mil pessoas como testemunhas. Ah, a Comissão Oficial do Aeroclube da França homologou o feito. Sim, o Oiseau de Proie, o nosso 14-Bis, era “mais pesado que o ar”. Ricão e gente fina, Santos Dumont distribuiu o dinheiro do prêmio para seus operários e os pobres de Paris. Sim, era um costume do inventor.

O brasileiro virou herói, foi homenageado na Europa, nos Estados Unidos e, of course!, no Brasil. Aqui, claro, a euforia tomou conta. Ao mesmo tempo, o povo imitão e oportunista foi mexendo nos projetos de Santos Dumont e aperfeiçoando as ideias. É que ele não patenteava suas invenções. Uma desleixo polêmico. De qualquer forma, em 1909, Dumont recebeu o primeiro brevê de aviador, fornecido pelo Aeroclube da França. O documento é tipo a CNH de piloto. Nesse mesmo ano, em 18 de setembro, o brasileiro voou pela última vez. Estava cansado, doente, com os primeiros sinais de esclerose múltipla. No ano seguinte, fechou sua oficina e isolou-se do mundo.

Sua situação ficou ainda mais crítica em agosto de 1914, quando começou a Primeira Guerra Mundial, com a invasão da França (logo a França, né, Dumont?) pela Alemanha. Os aviões, já mais rápidos e bem modernos, foram utilizados para observar tropas inimigas, travar combates aéreos e despejar bombas mundo afora. Santos Dumont ficou, então, deprimido, ao ver a invenção utilizada para destruir vidas humanas. Seu sonho se transformava em pesadelo. Polêmico, até ofereceu dez mil francos (sim, o euro não era nem sonho à época) para o autor da melhor obra contra o uso de aviões na guerra. Não se sabe se alguém escreveu. Não se sabe se Dumont chegou a pagar a quantia.

Em 1915, voltou ao Brasil, ruim que 20.07.2015 - FOTOS - INVENÇÕES DE SANTOS DUMONT - CHUVEIRO ELÉTRICOsó da saúde. Deprimido, mudou-se para Petrópolis, no Rio. Ali, ergueu um espaço para suas invenções, tipo um chuveiro de água quente (pense no sucesso!) e um motor portátil para esquiadores. Morou sete anos na serra fluminense e, em 1922, deu um rolé pelo mundo, num esquema tipo despedida. Passou por Rio de Janeiro, São Paulo, Fazenda Cabangu (MG) e Paris, mon cherie. Até que, incomodado, em janeiro de 1926, apelou à Liga das Nações (a mãe da ONU) para impedir o uso de aviões como armas de guerra. Não deu certo e ele internou-se no sanatório Valmont-sur-Territet, na Suíça.

Dois anos depois, seria recebido com festa no Rio de Janeiro. Como tudo estava dando errado na vida do herói nacional e a polêmica o cercava por todos os lados, adivinhem?, o hidroavião que faria a recepção, sobrevoando o navio que o levava, sofreu um acidente, sem sobreviventes. Ah, o avião tinha o nome de… Santos Dumont. Abalado, o herói brasileiro voltou a Paris. Lá, em junho de 1930, recebeu o título de Grande Oficial da Legião de Honra da França. A festa durou pouco. No ano seguinte, ficou internado em Biarritz, e Ortez, no sul da França. Teve que voltar ao Brasil, a tempo de virar membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Outra polêmica. Não me perguntem o livro que ele escreveu para merecer tal honraria… De qualquer forma, ele nunca chegou a tomar posse da cadeira 38 da ABL.

Inquieto – e polêmico, não se esqueçam –, Santos Dumont aproveitou a Revolução Constitucionalista, em 1932, para apelar contra a guerra civil (o estado de São Paulo revoltou-se contra o governo de Getúlio Vargas). Não deu em nada. Aviões, logo eles…, atacaram o campo de Marte, em São Paulo, em 23 de julho. O inventor ficou angustiado, pirou. Nesse mesmo dia suicidou-se, aos 59 anos, sem deixar descendentes. Nem nota de suicídio. O corpo foi enterrado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro e o coração está exposto no museu da Força Aérea no Campo dos Afonsos, em São Paulo. Os legistas registraram a morte como ataque cardíaco. As camareiras que acharam o corpo disseram que ele havia se enforcado com uma gravata. Mais polêmica. E até depois de sua morte.

Cadê o aeroporto que estava aqui?

Apenas cinco países em todo o planeta não possuem aeroporto: Andorra, Liechtenstein, Mônaco, San Marino e Vaticano. Sorte que eles ficam na Europa, próximos a grandes terminais de outras nações. Ah, e têm heliporto…

Freddy Charlson

O papa Francisco (batizado como Jorge Mario Bergoglio) vira-e-mexe desembarca em um dos mais de 200 países do mundo – agora mesmo, ele acabou de concluir um périplo pela América do Sul, visitando Equador, Bolívia e Paraguai. Ou seja, o brasileiro católico mais ousado teve que se deslocar às cidades de Quito, La Paz e Assunção para tomar a bênção diretamente de Sua Santidade. Engana-se, porém, que o papa, ao embarcar no avião para essas viagens o faz do Vaticano. Não, nada disso, simplesmente porque a cidade-estado Vaticano não tem aeroporto.

É, apesar da modernidade, do advento da tecnologia e da necessidade premente de locomoção dos seres humanos ainda há países que, como o Vaticano, não possuem um… aeroporto. O motivo? A diminuta medida de seus territórios, principalmente. Assim como ocorre com o Vaticano, os moradores dos pequeninos Liechtenstein, Andorra, Mônaco e San Marino, todos localizados no continente europeu, são obrigados a viajarem para países vizinhos se quiserem, a seu modo, realizarem o sonho de Ícaro.

VATICANO

14.07.2015 - BANDEIRA - VATICANO - BLOGNada que seja uma questão de vida ou morte, ora. É só ter um pouquinho de paciência. No caso do Vaticano, os religiosos que passam os dias em reuniões e orações próximos ao túmulo de São Pedro podem pegar seus aviões para catequizarem mundo afora no Aeroporto Internacional Leonardo da Vinci, conhecido como Fiumicino, em Roma, Itália, onde o Vaticano está encravado. O Fiumicino fica a 35 quilômetros da capital italiana e é, por exemplo, o hub da companhia aérea Alitalia que, não por acaso, transportou o papa Francisco durante sua recente visita à América do Sul.

ANDORRA

14.07.2015 - BANDEIRA - ANDORRA - BLOGJá os moradores do Principado de Andorra, além de não terem aeroportos, não têm ferrovias. É que Andorra fica localizado nas montanhas, próximo aos Montes Pirineus. Uma boa opção para pegar o avião é dirigir até a cidade de Barcelona, na Espanha, localizada a 220 quilômetros de distância. Ou até Girona (Espanha) que fica a 280 quilômetros. Mais próximo fica o aeroporto de Toulouse-Blagnac (França), a 180 quilômetros. O contrário também vale, afinal Andorra não cobra impostos de seus produtos e é um paraíso para quem procura compras mais baratas, além de curtir uma temporada na neve. Ah, o El Prat, Aeroporto Internacional de Barcelona, é o segundo maior da Espanha e recebe voos de todo o mundo. Ou seja, se vacilar, é mais agitado que toda Andorra.

LIECHTENSTEIN

14.07.2015 - BANDEIRA - LIECHTENSTEIN - BLOGContinuando nosso tour pelos países sem aeroporto, chegamos a Liechtenstein, uma nação de meros 160 quilômetros quadrados, encravada entre a Áustria e a Suíça, na Europa, e que possui o 6º IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) no ranking mundial. Ou seja, o povo desse país de nome quase impronunciável (ok, tente pronunciar “lixtenstáim”) vive bem, mas… não tem aeroporto. Como é muito amigo da Suíça, e pá!, os moradores bem nascidos de Liechtenstein costumam utilizar o Aeroporto de Zurique, na terra do chocolate e dos relógios, claro. Ele fica a 115 quilômetros de distância.

MÔNACO

14.07.2015 - BANDEIRA - M+öNACO - BLOGMônaco é, definitivamente, para os phynos. O principado situado no sul da França, junto ao Mar Mediterrâneo, é mais conhecido pelo Grande Prêmio de Fórmula 1, cassinos e o belo visual. Ok, mas não se empolgue: é impossível visitar Mônaco por avião. Ali, só por terra ou mar. O turista deve desembarcar no Aeroporto Internacional Nice-Côte d’Azur, localizado a 15 quilômetros da terra do príncipe Albert II, uma cidade-estado soberana. O principado foi fundado no ano de 1297 pela Casa de Grimaldi, tem área de 2 km² e é o segundo menor Estado do mundo, atrás do Vaticano, que tem metade do tamanho.

SAN MARINO

14.07.2015 - BANDEIRA - SAN MARINO - BLOGDireto ao ponto: não há aeroporto em San Marino, país totalmente encravado na Itália e o menos populoso da Europa, com cerca de 35 mil habitantes. O aeroporto mais próximo fica a 23 quilômetros e está localizado em Rimini, cidade italiana. Tipo meia hora de carro. E tem o portentoso nome de Aeroporto Internacional de Rimini e San Marino Federico Fellini, o criativo e premiado cineasta italiano. Nada que desanime o morador do mais antigo Estado soberano e república constitucional do mundo, fundado em 3 de setembro de 301, e cuja principal fonte de renda é o turismo.

Cada pouso é um flash, digo, um susto!

Aeroporto em Gilbratar: um dos pousos mais perigosos do mundo.

Aeroporto em Gilbratar: um dos pousos mais perigosos do mundo.

A tecnologia e a engenharia tornam os aeroportos cada vez mais seguros. Porém, a urbanização desenfreada, questões geográficas, limites de espaço e forças da natureza, fazem alguns terminais no mundo aterrorizarem, durante decolagens e pousos, até o mais corajoso dos pilotos… e passageiros

“Senhoras e Senhores, dentro de instantes pousaremos no Aeroporto X, na cidade Y. Retornem o encosto da poltrona para a posição vertical, observem o aviso de atar os cintos e verifiquem o travamento da mesa. Mantenham seus equipamentos eletrônicos desligados, inclusive câmeras de vídeo, laptops e jogos eletrônicos. Para o pouso, a iluminação da cabine será reduzida.”

Pronto, o speech falado pelo comandante do voo representa um alívio para a maioria dos passageiros. Significa que ele chegará são e salvo ao seu destino, que as turbulências e outros eventuais incômodos do voo ficaram para trás, que é só o piloto pousar e, que beleza!, pegar a bagagem de mão e ir embora.

Nananinanão.

Em alguns dos mais de 40 mil aeroportos do mundo, a aventura, intrépido passageiro, no entanto, está só começando. São aeroportos localizados em lugares distintos e exóticos que acabam exigindo exímia perícia da tripulação e tranquilidade e orações de todos os que estiverem a bordo.

Sim, não é fácil pousar em pistas estreitas e curtas, cercadas por montanhas e prédios e cujo solo pode ser areia, água, grama ou neve. E o mais incrível é que todas estas pistas horríveis são permitidas por lei e estão em pleno funcionamento. Com vocês, leitores do blog, apresentamos alguns dos aeroportos mais perigosos do planeta (sim, agora é hora de elevar o volume da trilha sonora de suspense)!

1 – Aeroporto de Funchal, Ilha da Madeira, Portugal

Ai, Jesus! Só os fortes conseguem pousar numa pista tão pequena que foi até esticada mar adentro. Ah, e do lado sobram montanhas. Quer mais? O vento, com velocidade aproximada de 30 km/h, dá medo. E a pista fica na ponta de uma ilha. E, para provar que os pilotos são craques, eles precisam de uma licença especial para trafegar no Aeroporto de Funchal. Ou seja, não é qualquer Manoel ou Joaquim que pousa ali não, Maria!

2 – Aeroporto de Courchevel, França

Curte montanha-russa? Se sim, vai apreciar essa pista localizada numa estação de esqui, capaz de fazer o avião saltar antes da hora. Localizado a mais de 500 metros de altura, nos Alpes, o aeroporto até que é bonitinho, mas sua pista tem meros 525 metros. E, do nada, surge uma queda. Os pilotos, feras que só eles, ainda enfrentam o gelo e as nevascas numa pista sem sinalização para o pouso. Bonne chance!

3 – Aeroporto Princesa Juliana, Saint Marteen, Antilhas Holandesas 

Quem vê até pensa que é montagem ou photoshop. Nada disso, as imagens de aviões passando sobre as cabeças das pessoas na praia de Maho são mesmo reais. E ocorrem na ilha compartilhada entre Holanda e França. É o segundo mais movimentado do Caribe e recebe Boeings e Airbus. Ah, mas fique tranquilo: há avisos na praia dizendo que os aviões podem levantar areia ou suas toalhas de banho. Aí, sim. De boa.

4 – Aeroporto de Barra, Escócia

Por falar em praia, esse aeroporto, na parte norte da Ilha de Barra, na Escócia, é impressionante. O lugar é lindo, mas assustador, afinal é o único do planeta com a pista de pouso e decolagem numa praia. Sinalização com postes de madeira? Check. Pouso de emergência à noite com ajuda de luzes dos carros dos moradores ajudam? Check. Pouso apenas quando a maré está baixa? Check. Pouso com emoção? Check.

5 – Aeroporto Tenzing-Hillary, Lukla, Nepal

A pista do aeroporto termina num mergulho de 2.700 metros, um penhasco no meio do Himalaia, a cordilheira mais alta do mundo. E tem mais: ar rarefeito, pouca visibilidade, turbulências, ventos fortes e uma pista bem curtinha. Ok que o visual é bacana, mas poucos mantêm os olhos abertos em pousos e decolagens no aeroporto que leva o nome dos primeiros alpinistas que subiram o Everest, a montanha mais alta do mundo…

6 – Aeroporto de Gibraltar, território britânico na Espanha

Imagine um aeroporto ao lado de um imenso rochedo, com fortes ventos. Agora, imagine um aeroporto próximo de zonas habitadas, com prédios altos. Muito bem, agora imagine um aeroporto atravessado por uma estrada com quatro pistas, com direito a semáforo. Uma hora passa carro; na outra, avião. E imagine um aeroporto cuja pista é pequena, curtinha de dar medo. Pois é, esse é o Aeroporto de Gibraltar, uma aventura de matar…

7 – Aeroporto de Toncontin, Tegucigalpa, Honduras

Ok que o Toncontin é o aeroporto da maior cidade de Honduras, mas o país localizado na América Central merecia coisa melhor. A queda para a aterrissagem é rápida, a pista é curta e fica num vale cercado por montanhas, além de só ter uma entrada e uma saída para aviões – um alto risco de acidentes – e terminar, óbvio, numa montanha. Por fim, o aeroporto fundado em 1934 só é acessível para aviões de pequena dimensão. Pense!

8 – Aeroporto da Ilha de Saba, no Caribe

Dizem por aí que a pista do Aeroporto Juancho E. Yrausquin, na Ilha de Saba, com seus 400 metros, é a menor pista comercial do planeta. E, além de ser pequena, está rodeada por mar e montanhas, um desafio para ases indomáveis. É por isso que o aeroporto fundado em 1963 numa ilha com dois mil habitantes só libera aeronaves de pequeno porte. Vai encarar? A Ilha de Saba não exige visto para turistas brasileiros. Fica a dica.

9 – Aeroporto do Mar de Gelo, Antártida

Um aeroporto florido. Bem que o Aeroporto do Mar de Gelo poderia ser conhecido por essa alcunha, afinal ele só funciona na primavera, que fofo. Mas… Bem, mas ali não nasce flor e o sol mal chega no terminal da base McMurdo, Ilha de Ross. A Pista do Mar de Gelo (Sea Ice Runway, em inglês) é, claro, de gelo, o que a torna frágil devido ao peso do avião sobre a pista, além de tornar o pouso um tanto escorregadio, tipo sabão.

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 … e um aeroporto já fechado, o Kai Tak, em Hong Kong

Que legal, né?, um aeroporto ficar famoso pelos seus acidentes. Só que não. Mas era assim com o Kai Tak, em Hong. Em 1959, por exemplo, 59 fuzileiros norte-americanos morreram na queda de um Hercules C-130, que perdeu o controle após a decolagem e afundou no porto. Mas um dia a farra acaba e o Kai Tak fechou. Foi em 1998, quando operava com 29 milhões de passageiros por ano – 5 milhões a mais do que o permitido. E isso numa única pista, cercada por montanhas e arranha-céus. Sim, os pilotos tinham que levar o avião “no braço”, sem ajuda do piloto automático para fazer as curvas e desviar das montanhas. O Kai Tak era tipo um Cai.

Quer mais? Confira nossa galeria de imagens!

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De Romero Britto a Athos Bulcão

Pinturas, gravuras, esculturas, instalações. Os aeroportos brasileiros têm diversas obras de arte que ajudam a refrescar a visão dos passageiros enquanto o voo não vem. Do clássico ao popular, há um pouco do talento brasileiro em cada terminal

Painel de Azulejos de Athos Bulcão, no Aeroporto de Brasília (DF).

Painel de Azulejos de Athos Bulcão, no Aeroporto de Brasília (DF).

Tudo bem que os aviões têm design arrojado e são cada vez mais modernos; tudo bem que os terminais estão trincando de novos e estão cada vez mais agradáveis; tudo bem que muita gente bonita e cada vez mais bem vestida circula pelos saguões dos aeroportos… Aviões, terminais, pessoas… são quase uma obra de arte. Mas obra de arte, bem, obra de arte mesmo é outra coisa. E os principais aeroportos brasileiros estão repletos delas, como forma de divulgação da cultura nacional e, também, para refrescar a visão das pessoas enquanto elas esperam o voo.

Os 60 aeroportos que integram a Rede Infraero, por exemplo, possuem diversas obras de arte em seus terminais de passageiros. Assim como os seis aeroporto concedidos. São gravuras, painéis, esculturas, telas e outras forma de expressão artística em exibição contínua e que podem ser admiradas por passageiros e usuários. Há desde artistas reconhecidos mundialmente quanto revelações das artes plásticas brasileiros e talentos regionais. Os aeroportos acabam exercendo o papel de divulgar a habilidade e a capacidade dos brasileiros em criar. E tudo isso, claro, de graça.

Os Trabalhadores, em  Cogonhas

Os Trabalhadores, em Congonhas (SP).

Em Congonhas, a vez dos espelhos

No Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, por exemplo, entre as principais obras destaca-se um conjunto de oito espelhos decorados com motivos diversos, de autoria de Jacques Monet, localizado no Bar do Salão Nobre do Pavilhão de Autoridades. O conjunto divide o ambiente com o painel mural Os Trabalhadores (3,5m x 16m), criado por Emiliano Di Cavalcanti e Clóvis Graciano.

No hall da escada de acesso ao subsolo, fica o Painel de Pastilhas de Vidro, com motivos geométricos, de autoria dos artistas Hernani do Val Penteado e Raymond A. Jehlen. A dupla também criou a obra Mapa Mundi, um painel de placas de mármore com ilustração em baixo relevo do planisfério, com os continentes ligados por aviões de diversos modelos. A obra fica no saguão central.

Congonhas abriga, no hall em frente à marquise sul, um painel de placas de granito preto com desenhos em baixo relevo e fundo em tinta dourada retratando edifícios e monumentos representativos da paisagem do centro de São Paulo. Um desenho de Jean Tranchant.

Outra obra de destaque no aeroporto é um painel de madeira com pintura representando o mapa do Brasil com ilustrações de uma rosa dos ventos, elementos da fauna e da flora brasileira, indígenas e construções das regiões. O painel de Jacques Monet fica na sala de embarque, piso superior. E os viajantes gostam de admirar um busto de Santos Dumont, em bronze e com a inscrição “Ao precursor da Navegação Aérea Alberto Santos Dumont”. A escultura fica na sala de embarque, piso superior, e é do incrível Victor Brecheret.

Por fim, em Congonhas há o Muro da Memória, painel 13m x 3m que retrata, de forma colorida, o aeroporto no século passado, exaltando sua beleza arquitetônica e a importância para a cidade. Fica na ala sul, corredor de acesso, e é de autoria de Eduardo Kobra.

Santos Dumont, no Aeroporto Santos Dumont (RJ)

Santos Dumont, no Aeroporto Santos Dumont (RJ).

Em Santos Dumont, homenagem ao aviador

No Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, o grande sucesso de público são as três esculturas do artista plástico pernambucano Romero Brito, de 52 anos. Squeaki (O Gato) fica na sala de embarque restrito, próximo ao canal de inspeção. Good Girl (A Menina) também fica na sala de embarque restrito, próximo aos portões de embarque remoto. E a escultura Dancing Boy (O Menino Dançando) fica no terminal de embarque, 1º piso.

O Santos Dumont também abriga a escultura Fênix, de Neuza Scher, localizada em frente aos Correios, no terminal de embarque, 1º piso. Os painéis Primórdios da Aviação e Aviação Moderna estão no terminal de desembarque, próximos ao Balcão de Informações, e são de autoria de Cadmo Fausto.

Já a obra Centenário do 14 Bis fica no terminal de embarque, 1º piso, e foi criada por Sansão Campos Pereira. Por fim, o painel Retrato de Santos Dumont (claro, o Aeroporto Santos Dumont tinha mesmo que ter um retrato de Santos Dumont…) está localizado no terminal de desembarque, área pública. A obra é de autoria de Hughes Desmazières.

Em Porto Alegre, reinam os painéis

A conquista do espaço, no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre (RS)

A conquista do espaço, no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre (RS).

E o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, é a “terra brasileira dos painéis”. Quatro imponentes painéis ajudam a embelezar o terminal. O painel Todas as horas, de Carlos Vergara, tem 14 anos e mede 35m X 6m. Foi confeccionado com base de alvenaria e chapas de metal fixadas com pinos metálicos. Fica no 3º pavimento do Terminal 1, perto da praça de serviços e alimentação. Já o painel EX ORBIS, de Regina Silveira, mede 7m x 11m, e é feito de 912 peças de azulejos brancos 40cm x 40cm pintados à mão. Fica localizado no Terminal 1, parede do 3º piso, também próximo à praça de alimentação.

O painel Rio Grande do Sul, por sua vez, tem proporções gigantescas. Ele mede 55m de comprimento e 3,4m de altura. Para sua confecção, o artista Mauro Fuke utilizou 240 mil pastilhas de porcelana esmaltada de diversas cores. A obra fica no Terminal 1, no 2º pavimento, no corredor das salas de embarque. Por fim, o painel A conquista do espaço trata-se de um afresco de 50 m², localizado no Terminal de passageiros 2, próximo ao desembarque doméstico. A obra é de Aldo Locatelli.

Em Fortaleza, tem até obra do cantor Fagner

A Menina, no aeroporto de Fortaleza (CE).

A Menina, no aeroporto de Fortaleza (CE).

Em Fortaleza, a capital do ensolarado Ceará, quatro obras de arte abrilhantam o Aeroporto Internacional Pinto Martins. A fofa escultura A menina, por exemplo, na Praça de alimentação, é mais uma invenção do incansável Romero Brito. O busto Pinto Martins fica no 1º piso e é de autoria da dupla Angélica Ellery Torres e Honor Torres. Já o mural Terra da Luz, criado por Mino, é mesmo uma pintura que embeleza o 1ª piso.

Por falar em pintura, a Condomínio da arte, no piso térreo, saguão de desembarque, tem quase um pouquinho de cada artista brasileiro. Pelo menos 20 artistas meteram o bedelho na obra, num grande coletivo. Entre eles, está até o cantor Raimundo Fagner, mundialmente conhecido pelo clássico Deslizes, aquele que diz, tipo assim: “Nós somos cúmplices/ Nós dois somos culpados/ No mesmo instante/ Em que teu corpo toca o meu/ Já não existe/ Nem o certo, nem errado/ Só o amor que por encanto/ Aconteceu”. Lindo.

Em Belém, esculturas e pintura

Festa Junina, no aeroporto de Belém (PA).

Festa Junina, no aeroporto de Belém (PA).

E para terminar nossa ronda artística pelos terminais aeroportuários administrados pela Infraero, chegamos ao Aeroporto Internacional de Belém. Ali, o quase onipresente Romero Brito se faz presente com a escultura For You/Heart (O Coração), que ajuda a colorir ainda mais o saguão de desembarque internacional.

O destemido artista pernambucano divide espaço com o arquiteto e urbanista paraense Fernando Pessoa, autor de uma escultura do busto em homenagem ao conterrâneo pioneiro da navegação aérea Júlio Cezar Ribeiro de Souza. A obra Espelho D’Água tem 80cm e é feita em fibra de vidro estruturada. E no mezanino do aeroporto paraense, ao lado da Sala Vip da Infraero, fica a pintura Festa Junina, feita na técnica óleo sobre tela, criada pelo artista Benedito Antônio Soares de Melo.

 

Em Brasília, os painéis de Athos

Painel de Athos Bulcão, no Aeroporto de Brasília (DF)

Painel de Athos Bulcão, no Aeroporto de Brasília (DF).

No Aeroporto Internacional Juscelino Kubitscheck, em Brasília, as vedetes artísticas são dois murais em azulejo de Athos Bulcão, duas belezuras que só vendo. Um deles fica no Pier Norte, na área do embarque doméstico. O outro está posicionado no desembarque internacional. Tratam-se, respectivamente, de um painel de azulejos esmaltados nas cores laranja e amarelo, estampadas sob fundo branco e de um painel de azulejos esmaltados nas cores verde e azul, estampadas sob fundo branco. Ambos foram instalados em 1993.

De forma a preservar as obras, a Inframérica, concessionária responsável pelo aeroporto, fez, em julho de 2014, intervenções de restauração nos painéis. O trabalho teve dez etapas: documentação fotográfica e mapeamento de danos; remoção das peças recolocadas de maneira inadequada; remoção das peças em desprendimento; limpeza química e mecânica dos azulejos; remoção de parte da argamassa de aplicação antiga; recolocação das peças removidas; fixação das peças em desprendimento, com injeção de resina acrílica; aplicação de rejunte na área de intervenção; aplicação de rejunte onde necessário; e limpeza.

Outra obra em destaque no Aeroporto JK é uma borboleta multicolorida pintada por adivinhe quem? Sim, ele, o polêmico artista pernambucano Romero Brito. A borboleta fica, toda faceira, no piso do desembarque no saguão público. Ah, não se assuste, o artista, que mora nos Estados Unidos, tem obras expostas em mais de cem galerias nos cinco continentes.

 

Em Confins, tudo é doado

Sete obras de arte alegram o dia a dia de quem passa pelo Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins. Delas, quatro foram doadas pela Infraero: três esculturas e um entalhe em madeira. Falamos das esculturas Maternidade (Vânia Braga), Escultura em Aço (Ricardo Carvão) e Escultura em Chapa de Ferro (Paulo Laender), além do entalhe em madeira (!) Entalhe em madeira (Maurino Araújo).

Confins também coloca para jogo a escultura For You (Romero Brito, claro!), com dimensão de 1,80m x 2,05m x 0,30cm; o painel Voar (Fernando Pacheco) e o painel Santos Dumont – A Arte de Voar (Yara Tupynambá). Ou seja, arte por toda parte.

 

Em Viracopos, o mural da Copa

Mural da Copa, no Aeroporto de Viracopos (SP)

Mural da Copa, no Aeroporto de Viracopos (SP).

No Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), o destaque é um painel pintado pelo artista plástico Paulo Consentino durante a Copa do Mundo, no ano passado. O painel fica aberto à visitação no terminal de passageiros de voos domésticos e retrata uma das mais famosas imagens dos mundiais: Pelé beijando a Taça Jules Rimet após o tricampeonato de 1970, disputado no México. A obra está no segundo piso, ao lado de agências bancárias e da sala de imprensa montada para atender os jornalistas durante a Copa.

Vale uma visitinha, assim como todas as peças citadas neste texto, afinal quem não curte uma obra de arte?