Um dia na maior universidade de aviação do mundo

Camila Faria

Um dos lemas da Embry Riddle Aeronautical University, estampado em camisetas, adesivos, bonés e chaveiros espalhados pelo campus da maior universidade de aviação do mundo é “I’d Rather Be Flying”, ou, em português, “Eu preferia estar voando”. Ao visitar a estrutura do campus de Daytona Beach, Florida, e conhecer o legado e inovações da instituição, fica fácil entender o porquê.

Fundada em 1925 por John Paul Riddle e T. Higbee Embry, a ERAU é a maior instituição do mundo em termos de educação focada em aviação, com mais de 7 mil estudantes de graduação entre os dois campus dos Estados Unidos, e em torno de 20 mil alunos no programa de educação a distância disponível para o mundo todo, o WorldWide. Com planos de abrir um campus no Brasil em breve, esse número deve aumentar ainda mais.

Visitamos o campus de Daytona Beach, o maior da ERAU, que é dividido em várias faculdades: aviação, administração, engenharia, humanidades, todas voltadas para os setores aeronáutico e aeroespacial. Nossa visita foi guiada por Jeff Davis, diretor de relações exteriores da Universidade, e James Roddey, da coordenação de Comunicação. Embarque e aperte os cintos, vamos levar você para dentro da Faculdade de Aviação!

Nossa primeira parada é na “High Altitude Normobaric Lab”, uma sala projetada especificamente para treinar os futuros pilotos para uma situação de emergência específica: o momento em que o oxigênio escapa da aeronave de forma lenta e gradual, e por isso mesmo menos perceptível e mais perigoso. Nessa sala, o oxigênio é drenado lentamente, sem alterações na pressão e sem avisos, enquanto os alunos realizam tarefas cognitivas e motoras relacionadas à operação de voo. Assim, eles aprendem a reconhecer os seus sintomas nessa falta de oxigênio, para que possam perceber caso o problema ocorra durante um voo. As sessões são supervisionadas para segurança e filmadas, para que os alunos revejam e aprendam com suas reações.

Foto 1 - High Altitude Lab 1

Foto 2 - High Altitude Lab 2

Ainda nas instalações de fisiologia e segurança de voo, visitamos um laboratório que abriga o GAT-II, um simulador multifuncional utilizado para treinar, entre outras funções, situações de desorientação espacial. Também conhecida como “vertigem de piloto”, a desorientação ocorre quando, por ilusões visuais ou relacionadas ao labirinto auditivo, o piloto não consegue determinar corretamente a localização da superfície terrestre (para saber mais, confira o vídeo). Jeff explica: “Muitos dos hábitos que temos ao dirigir carros devem ser esquecidos na hora de pilotar um avião. É preciso que o piloto saiba, por exemplo, que pode estar vendo um horizonte falso e nesse momento precisa confiar no equipamento de navegação, e não em sua visão. Nesse simulador, é possível expor os alunos a situações como essa, da decolagem ao flat spin (efeito parafuso), para que ele saiba como agir e manter a segurança”.

Foto 3 - spatial-disorientation

Outra preocupação em termos de segurança é a familiaridade dos pilotos com os equipamentos e a parte técnica da aeronave. Apesar de possuir um programa específico para engenharia, a ERAU expõe seus futuros pilotos aos laboratórios, para que aprendam com profundidade sobre peças e especificidades da aeronave. “Reconhecer o equipamento, seus sons, cheiros e comportamentos quando há um problema é uma parte muito importante da formação”, aponta Jeff.

Foto 4 - turbine

Ainda na Faculdade de Aviação, fomos apresentados ao programa de meteorologia, também fundamental para a segurança da aviação. Especialmente na Florida, com histórico intenso de tornados e furacões, a previsão e acompanhamento meteorológico são realizados com rigor. A Universidade oferece um curso de graduação na área.

Foto 5 - weather-center

Visitamos, a seguir, os laboratórios de manutenção. Neles, os aproximadamente 300 alunos desse programa estudam manutenção de aeronaves, incluindo aprender a desmontar e reconstruir um motor e depois testar seu funcionamento. Desde as estruturas antigas, feitas de madeira, até os equipamentos atuais, os alunos aprendem a realizar a manutenção adequada durante a graduação. “A demanda de técnicos e mecânicos para trabalhar em aeronaves também deve crescer em grande proporção mundialmente, e é importante que esses profissionais sejam altamente qualificados.”, comenta Jeff. Em um Laboratório de Compósitos próprio, os estudantes trabalham com materiais e fabricação de peças.

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“E os aviões???”, você deve estar se perguntando. Fique tranquilo, a operação de voo é nossa próxima parada.

A Embry-Riddle possui em média 70 aeronaves, cuja operação é controlada em equipamentos de nova geração em controle aéreo na Universidade. A maior parte da manutenção também é realizada no ambiente universitário, e são em média 400 voos realizados por dia pelos estudantes. Entre os instrutores de voo, há alunos mais experientes que são contratados pela Faculdade para ensinar os novos futuros pilotos, o que cria um ambiente jovem e diversificado.

No programa da ERAU, também é possível fazer a graduação em Controle de Tráfego Aéreo. Nesse programa, os alunos têm acesso aos painéis de controle das aeronaves da Universidade e do aeroporto de Daytona, supervisionando o voo de outros alunos e trabalhando, através de simuladores. No laboratório, que é uma réplica de um estabelecimento de controle de voo, os estudantes praticam em 30 estações de controle aéreo.

Foto 7 - Flight-Sim-03Foto 8 - Flight-Sim-03Foto 9 - Flight-Sim-03



E por último, mas não menos importante, vamos a uma das tecnologias mais interessantes: os simuladores.

“Atualmente a tecnologia de simuladores é tão avançada que nos permite treinar um aluno para pilotar um 787 e certificar que ele está pronto para isso sem precisar colocá-lo no 787. Aqui, complementamos as horas de voo práticas com voos simulados, que totalizam cerca de 30% do treinamento dos futuros pilotos”, explica Jeff ao entrarmos no Centro de Simuladores. Os treinos de simuladores complementam a experiência no avião: em uma rotina comum, o estudante faz sua prática na aeronave e alguns dias depois vai ao simulador com seu instrutor para corrigir erros e praticar aspectos em que precisa melhorar, para depois testar as habilidades na aeronave novamente.

Chegamos ao fim do nosso dia na maior Universidade de Aviação do mundo. Para saber mais, acesse o site da ERAU: http://www.erau.edu/

EXTRA > Você pode ler mais sobre cada simulador específico aqui (em inglês).

11 (+1) músicas que falam sobre aviões e aeroportos

Os aviões trazem de volta os amores distantes, são confundidos com estrelas cadentes e são motivos para uma pessoa fingir medo e aproximar-se de outra. Os aviões, assim como os aeroportos e o desejo de voar, fazem parte, também, do dia a dia dos artistas que, vira e mexe, os utilizam como tema de suas canções. Não importa o estilo – seja rock, sertanejo, romântico, infantil ou brega –, eles fazem versos e rimas sobre esse “grande pássaro metálico” e até mesmo sobre a profissão de piloto. Confira no Blog Check In alguns exemplos bons (e ruins) da arte de entreter o povo contando histórias musicadas sobre temas relacionados à aviação. Tem música que virou clássico, tem música que virou pop e tem música, bem, tem música que dá vergonha do artista. Mas que é divertido, isso é! Que tal criar uma canção sobre o avião? Embarque nessa viagem musical.

Freddy Charlson

Samba de Avião

Tom Jobim

O maestro Tom Jobim, um dos principais artistas brasileiros, compôs, certa feita, uma verdadeira ode às belezas naturais do Rio de Janeiro: um Rio de sol, de céu e de mar. Samba do Avião (1962) é de um lirismo impressionante e tem a cara da Bossa Nova, com versos do tipo “Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão / Este samba é só porque / Rio, eu gosto de você”. E Tom encerra a composição com os versos “Aperte o cinto, vamos chegar / Água brilhando, olha a pista chegando / E vamos nós, aterrar”. Sublime, oh! E a aviação nem sempre foi retratada com tanta beleza. E segue a lista…

 

Aviãozinho

Cheiro De Amor

Banda tradicional da axé music, a Cheiro de Amor tem como um de seus maiores sucessos a música Aviãozinho. É aquela música com um gostoso balanço – para os fãs do gênero – e que tem o forte refrão “Voa, voa aviãozinho, vai buscar o meu benzinho/Que tá lá, do lado de lá, que tá lá do lado de lá”, num criativo exemplar de poesia concreta. #Oremos. A letra é curta e o ritmo, pegajoso, com direito a repetição de palavras no final, o que caracteriza a figura linguística anáfora: “Deixa, deixa, deixa, deixa eu te dengar/Deixa, deixa, deixa, deixa eu te beijar/Deixa, deixa, deixa, deixa, eu te dengar/Deixa, deixa, deixa, deixa eu te beijar”. E o aviãozinho nessa história? Bem, ele tem o singelo dever de buscar o benzinho de quem canta. Fofo.

Medo de Avião

Belchior

Música mais conhecida do cantor bigodudo, narigudo e de voz anasalada Belchior (saudades, Belchior, por onde andará?), Medo de Avião mostra a felicidade de um rapaz em ter a coragem – motivada pelo “medo de voar” – de pegar na mão de uma moça. Uma coisa meio adolescente, com um quê de James Dean. E com citações aos Beatles, via I Wanna Hold Your Hand (Eu Queria Segurar Sua Mão). Um clássico em quatro estrofes, presente no disco homônimo Medo de Avião (1979) e com direito ao seguinte verso: “Foi por medo de avião/Que eu segurei/Pela primeira vez a tua mão/Não fico mais nervoso/Você já não grita/E a aeromoça, sexy/Fica mais bonita”. Que beleza!

Avião

Toquinho

Toquinho, parceiro de Vinícius de Moraes e famoso eternamente por Aquarela (“Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo/ E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo”) fez outras músicas tão ou mais infantis. Uma delas é Avião. Com conceito rápido e fácil e cifra repleta de explicações lógicas, o compositor apresenta o meio de transporte avião, suas funções, características principais e coisa e tal. E faz um alerta aos pequeninos: “Venha voar comigo, amigo/ Sem medo, venha voar/ De dia tem o sol brilhando/ De noite quem brilha é o luar/ Venha voar comigo, amigo/ Sem medo, venha voar/ Em dia nublado não fique assustado/ Que eu tenho radar”. Bonitinho, né?

Aviões (Airplanes)

Rihanna e Eminem

Um pouco, digamos, menos fofa, é a canção Airplanes, com a muita doida Rihanna e o mais doido ainda Eminem. A cantora pop e o rapper cantam sobre a possibilidade de fazer desejos e questionam se podem “fingir que os aviões no céu à noite são como estrelas cadentes”. No fundo, eles querem “voltar a um lugar muito mais simples” se referindo a uma vida de festas e glamour. “O que você desejaria se tivesse uma chance? / Então, avião, avião, desculpe o atraso / Eu estou no meu caminho para não fechar a porta”, diz a canção pop, de sucesso mundial, com as vozes características desses dois astros.

Avião

Djavan

Em Avião, o cantor alagoano Djavan, autor de versos incompreensíveis, tipo “Açaí, guardiã / Zum de besouro, um imã / Branca é a tez da manhã” – entendeu? Se sim, mande a explicação para o blog –, cansou de “carregar nas costas”, como se fosse um avião, o relacionamento amoroso. Assim, ele canta “Seu muito pra mim é pouco / Eu quero a paz e viver solto / Vai dizer que sou outro… sou não! / Eu me cansei de ser seu avião / Não vou voar, não dessa vez!” e é capaz de dizer para a pessoa amada que ela pode quebrar, sofrer, cair, descer, contorcer de dor, que ele não se prenderá a ela. Djavan embarca em voo solo.

 

Aeroporto

Thaeme e Thiago

Em moda como há muito tempo não se via, a música sertaneja encontra em Thaeme e Thiago sua versão mais teen, mais moderninha. Queridinhos da galera, eles optam por uma levada romântico-brega ao falar sobre a despedida em um aeroporto. E até jogam praga para evitar a partida da “alma gêmea” na música, claro, Aeroporto. “É / Essa noite eu vou tentar me transformar em vento / Para impedir que esse avião saia daqui / Levando a minha vida/ É / Eu vivo em meio a multidões, mas me sinto tão só / E se você partir agora eu vou ficar pior”. Oh, que drama. Deixe a pessoa viajar, gente. Mas não, eles não deixam, e ainda fazem chantagem sentimental: “Eu tô chorando / No estacionamento do aeroporto / Eu tô chorando / Porque talvez hoje seja o nosso último encontro”. Bem que poderia ser mesmo…

Aeroporto

Belo

Marido da fisiculturista Gracyanne Barbosa, o pagodeiro Belo (batizado como Marcelo Pires Vieira) canta em Aeroporto o alívio ao ver a amada chegando após um voo, digamos, turbulento. “Graças a Deus você chegou, tão ansioso te esperei / Nesse aeroporto apavorado, amor, quase chorei / Quando vi alguém seu voo anunciando / Corri pra ver seu avião pousando / E só assim fui me acalmando”. Calma, pagodeiro, foi só um susto que vocês dois levaram e, enfim, após os tempos difíceis, agora é só felicidade. A dica é abraçar sua amada, dizer que a ama e não fazer mais besteira. Tá falado.

Paixão no Ar

Pique Novo

E, por falar em pagode, o Pique Novo vem com estilo velho. No melhor estilo “pagode paulista”, o grupo lamenta que a mulher amada (sempre ela!) vai viajar pra muito longe, percorrer o céu desse país, deixando o pagodeiro infeliz. Oh! E qual seria a solução? “Eu queria estar no voo que vai te levar / Pra longe do meu coração, pra perto de outro lugar / Lá em cima a nossa paixão, será que vai balançar / Mas como vou te alcançar? / Queria ir nesse avião / Contigo pra qualquer lugar e da janela acenar / Dando adeus pra solidão”. Menina, que tal levar essa galera só para ela parar de chorar?

Piloto de avião

Tony e Brian

Bagunça mesmo é o que fazem os sertanejos Antonio e Benedito, digo, Tony e Brian. Em um clipe que lembra Toxic (Britney Spears), eles cantam as delícias da profissão de piloto de avião. “Agora eu tô bonito, tô estudando aviação / Arrumei uma namorada que é um tremendo avião / Gastei todo o meu dinheiro, estourei o meu cartão / Mas foi com o brevê no peito que conquistei seu coração”. Segundo Tony (e Brian, também), eles já fizeram de tudo, foram padeiros e peões, mas as “muié” só passaram a olhar pra eles quando viraram pilotos de aviões. “Hoje estou bem sucedido, de empregado sou patrão / Pode ser um teco-teco, um jatinho ou o do Faustão / Pras mulher não interessa o tamanho do avião”. Ah, se fosse fácil assim, hein, pilotos…

Learning to Fly

Pink Floyd

Banda clássica do rock’n’roll, o Pink Floyd também viajou ao encarar o tema da aviação. Em Learning to Fly (lançada em 1987, como single), eles falam do “Gelo que está se formando nas pontas das asas” do protagonista e lamentam “Avisos não observados”. A música diz “Eu achava que pensava em tudo / Nenhum navegador para me guiar de volta para casa / Uma alma em tensão que está aprendendo a voar / Condição: preso ao solo, mas determinado a tentar”. O genial Pink Floyd sabia do que falava. Autor da letra, o vocalista e guitarrista David Gilmour era fã de aviação. E o baterista Nick Mason era aviador. Please, galera, leave the kids alone!

Bonus track

Learn To Fly

Foo Fighters

(Clipe do Foo Fighters)

E eis que Learn to Fly, da banda norte-americana Foo Fighters já era um estouro nas paradas de sucesso. De repente, ficou ainda mais bombada. Isso aconteceu quando mil músicos de Cesena, na Itália, se reuniram para tocá-la, numa ação que pediu a ida de Dave Grohl e companhia até a cidade. Massa, né? Um projeto emocionante. Bem, a canção diz, mais ou menos, assim: “Estou procurando no céu algo para me salvar / Procurando por um sinal de vida / Procurando por algo que possa me ajudar a acender o brilho / Farei meu próprio caminho pra casa quando aprender a voar”. Trata-se de um pedido de ajuda, um pedido de amor. O cantor pede para alguém voar por aí com ele, porque ele não consegue fazer isso sozinho. É… custa nada ajudar, hein?

Uma constelação em pleno voo

Musical lembra os 60 anos da viagem inicial da rota Rio de Janeiro – Nova Iorque, criada pela extinta Varig e a bordo do Constellation, avião que marcou história na aviação

O Constellation da Varig fez história nos céus.

O Constellation da Varig fez história nos céus.

 Freddy Charlson

Ao som de Only You, Blue Moon e Stand by Me, entre outras canções, o musical Constellation – espetáculo de Cláudio Magnavita e com a ex-paquita Andréa Veiga à frente –, faz temporada no Teatro Promon, em São Paulo. Romântico e frugal, ele conta a história do voo inaugural da Varig na rota que ligava a Cidade Maravilhosa à Big Apple, levando os brasileiros bem nascidos a conhecer as delícias culturais e de consumo dos Estados Unidos, a bordo do Super Constellation G, construído pela Lockheed.

Um avião, que, há seis décadas – mais precisamente em 2 de agosto de 1955 –, partia, rumo a Nova Iorque – a cidade que, desde aquela época, nunca dormia. Dezenas de passageiros pagaram a bagatela de 350 dólares (em valores atualizados, três mil dólares, ou aproximadamente 10 mil reais) para visitar a Estátua da Liberdade e dar uma pinta na Times Square. E mais: para viajar a bordo de um dos aviões que melhor representou os anos dourados da aviação comercial.

03.08.2015 - FOTOS - MATÉRIA DO BLOG - CONSTELLATION 5A Varig acabara de adquirir três exemplares do modelo – Lockheed L-1049E Super Constellation – que, chegaram entre maio e junho de 1955, pouco depois de a companhia adquirir o direito de explorar uma linha para a cidade dos musicais. Os voos para o principal destino dos Estados Unidos (I´m sorry, Washington!) tinham base no Aeroporto de Congonhas (SP), e lá embarcavam a galera no Aeroporto do Galeão (RJ) e faziam escalas em Belém (PA), Trinidad e Tobago (Port of Spain) e República Dominicana (Ciudad Trujillo, atual Santo Domingo). Só depois chegavam ao Aeroporto de Idlewild, atual JFK, após 24h de aventuras pelos céus e terras da América Latina.

É, amigo, os passageiros viviam um drama! Mas, calma, nem tanto. Afinal, antes do Constellation, os voos para a América do Norte duravam tipo 72h. E, para chegar rápido, nem fazia diferença se a aeronave não era, digamos, nada bonita. Na verdade, ela parecia um golfinho, tinha um característico bico achatado e não possuía radar. Nos voos (com partida às quartas e sábados e chegadas às quintas e domingos) para NYC (que tal abreviar, fellows?), a Varig oferecia um conforto e serviço de bordo jamais igualados depois, em qualquer tempo. E concorria, sem deixar a desejar, com a norte-americana Pan American Airways, na rota Rio-NYC.

03.08.2015 - FOTOS - MATÉRIA DO BLOG - CONSTELLATION 2

Anos dourados

Para isso, a companhia aérea brasileira reservava meros 15 lugares à classe turística, na parte frontal, com cinco fileiras de três poltronas, cada, sendo três do lado direito e dois do lado esquerdo. Atrás, havia dois lavatórios. Na sequência, 28 assentos em 4 fileiras. O luxo era completado com uma sala de estar, com assentos giratórios, e dez assentos de primeira classe. Por fim, havia uma única poltrona, individual, do lado esquerdo, num total de 54 passageiros, com o voo lotado. Ou seja, gasolina cara somada a poucos assentos e a atendimento de alto nível é igual a preço da passagem nas alturas. Era mesmo só para quem podia.

Por falar em ir, a Lockheed construiu o total de 856 aviões Constellation. O primeiro, em 9 de janeiro de 1943. Ele era, por exemplo, a aeronave do todo poderoso presidente dos Estados Unidos Dwight D. Eisenhower. O “golfinho” foi, também, o primeiro avião de cabine pressurizada e ajudou a popularizar as viagens aéreas. Cumpriu bem seu papel até a chegada dos potentes aviões a jato, como o Boeing 707, o Havilland Comet, o Douglas DC-8 e o Convair 880. Mas, ele foi perdendo moral e teve seu último voo comercial com passageiros pagantes feito em 11 de maio de 1967, entre Filadélfia e Kansas City, ambas nos Estados Unidos. Depois, até 1968, funcionou como cargueiro até morar em “cemitérios de aviões”.

03.08.2015 - FOTOS - MATÉRIA DO BLOG - CONSTELLATION 3 Comissárias

Outra coisinha bacana derivada dos Constellations é que, a partir dele, a Varig teve que ser ainda mais “gente grande”. Os treinamentos com pilotos, comissários e mecânicos alcançaram outro patamar. Eles foram obrigados a aprender inglês, por exemplo. E, nessa toada, chegaram as primeiras comissárias. A explicação para elas assumirem um trabalho anteriormente feito apenas por homens foi que, na época, os aviões tinham camas. E, na boa, não era legal mulheres ou crianças serem atendidos por marmanjos. As mulheres, então, chegaram, viram, fizeram seu trabalho e venceram. Hoje, são fundamentais no negócio. Oremos.

Um negócio que para o Constellation durou pouco. Em meados dos anos 1960, a Varig foi retirando, aos poucos, o avião da linha, que já era operada a partir de Buenos Aires, Montevidéu e Porto Alegre, com três viagens semanais. Assim, em 29 de janeiro de 1962 – seis anos após sua estreia – partiu o último voo de passageiros do Constellation para a Grande Maçã. Depois, os bichões foram estacionados em Porto Alegre e Congonhas para descansar em paz. Uma paz que, graças ao musical Constellation, acabou agora. O espetáculo fez temporada no Rio de Janeiro e seguiu para São Paulo. Não por acaso, as cidades aonde tudo começou.

Olha o “passarão”!

Aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, realiza o 1º Spotter Day, evento que reuniu 65 fotógrafos amantes da aviação para… clicar aviões; ponto reservado para as fotografias ficou a 300 metros da pista

O clique de Gabriel Mello, no 1º Spotter Day do Aeroporto JK, em Brasília (DF).

O clique de Gabriel Mello, no 1º Spotter Day do Aeroporto JK, em Brasília (DF).

Um, dois, três e … De repente, centenas de cliques tomaram conta, no Aeroporto de Brasília, do Spotting Point, um ponto reservado a pessoas que gostam de fotografar aviões. Ali, num sábado de sol (saudades, Mamonas Assassinas!), 65 fotógrafos e entusiastas se reuniram para registrar imagens de pousos e decolagens de aeronaves, durante o 1º Spotter Day da capital brasileira.

E foi um sucesso, afinal mais de 300 pessoas se candidataram a passar horas clicando as máquinas mais pesadas do que o ar, num hobby que, cada vez mais, vem ganhando adeptos e se tornando uma atividade comum em aeroportos de todo o mundo.

No Brasil, a brincadeira séria de fotografar diferentes modelos de aviões também vem fazendo sucesso. Prova disso é que spotters de São Paulo, Minas Gerais e Amapá (além do Distrito Federal, claro) participaram do 1º Spotter Day do Aeroporto JK. O evento teve apoio da Air France, Azul Linhas Aéreas, Grupo IMC e Canon, aquela gigante japonesa que desenvolve equipamentos fotográficos. Inclusive, no evento havia um instrutor de fotografia e equipamentos de ponta da marca.

Tendência

A cada decolagem, um clique! Foto: Gabriel Mello

A cada decolagem, um clique! Foto: Gabriel Mello

“A experiência foi incrível e reuniu amigos de várias partes do Brasil. Estava tentando isso há bastante tempo. Foi um sonho realizado. Tirei boas fotos, mas o melhor foi ver na expressão de cada um a felicidade de estar tão próximos de aviões e participar do evento que marcou nossas vidas”, confessou Gabriel. Ele visitou o Aeroporto JK durante dias seguidos na semana passada. No primeiro dia, recebeu amigos fotógrafos; no segundo, participou do briefing sobre o evento; e no terceiro, fez a festa no Spotter Day. Uma prova de que Gabriel gosta muito, muito mesmo, de aviação.

Integração

Fotógrafos e apaixonados por aviação durante o Spotter Day. Foto: Inframerica

Fotógrafos e apaixonados por aviação durante o 1º Spotter Day. Foto: Inframerica

“Já vi spotters virarem comandantes, é uma ótima chance para quem gosta de aviação”, conta Fernando Campana, gerente de aeroporto da Air France. Segundo ele, o Spotter Day é uma oportunidade singular para os amantes da fotografia.

O presidente da Inframerica, o engenheiro José Luís Menghini, disse que o evento aproximou e integrou os passageiros com o Aeroporto de Brasília. “Queremos que outras edições aconteçam para dar a oportunidade a fotógrafos e apaixonados por fotografia aeronáutica verem de perto os aviões. A ideia é que nosso aeroporto não seja só um lugar de passagem, mas um espaço agregador”, comentou.

E foi mesmo, afinal até os pilotos interagiram no evento, acenando para os participantes durante o taxiamento até a pista para pouso e decolagem. Isso porque a ação foi planejada seguindo os processos e normas de segurança para o ingresso a uma área restrita do terminal.

Por fim, outra boa notícia: todos os participantes do 1º Spotter Day estão automaticamente cadastrados no concurso fotográfico do Aeroporto de Brasília. Eles têm até o próximo dia 2 de agosto para enviar as fotos participantes do concurso. O autor da melhor foto ganhará viagem, com acompanhante para Natal, no Rio Grande do Norte. A divulgação do resultado será feita no início de agosto.

Confira aqui mais fotos do evento:

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