Sonhando (e voando) acordados

Cem crianças carentes de escolas de Planaltina (DF) e Cabeceira Grande (MG) passam momentos inesquecíveis no Aeroporto Internacional de Brasília e num A-320. Nenhum deles havia entrado antes num avião; foram instantes de alegria e emoção

Freddy Charlson

“Atenção, passageiros mirins da Escola Classe ETA 44 e da Escola Professora Hozana, por favor, preparem-se. O embarque de vocês vai começar agora!”

15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - ANDANDO NO TERMINAL

O aviso informal – bem mais informal do que o habitual – feito ao microfone por um funcionário da TAM causou um abalo de 3.0 na Escala Richter (aquela que mede a intensidade dos terremotos) no saguão do Aeroporto Internacional Juscelino Kubistchek. Gritos, risadas, pulos de alegria, socos jogados no ar, uma festa. A festa, ali, em frente ao Portão 19, contagiou passageiros que estavam em outros portões. De perto ou de longe, eles se espantavam e riam com toda aquela euforia.

15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - COM CART+âO DE EMBARQUE

Não era à toa. Os 80 alunos do ensino infantil à quinta série da Escola Classe ETA 44, localizada em Planaltina, viviam um sonho. O mesmo ocorria com os 18 estudantes da quarta série do Colégio Professora Hozana, em Cabeceira Grande (MG), município a 120 quilômetros da capital do país. Para muitos, era a primeira vez que viam aviões tão de pertinho. Para quase todos, era a primeira vez que visitavam o aeroporto que recebe 400 aviões e 50 mil pessoas a cada dia. Para todos, seria a primeira vez que entrariam num avião, de verdade. No caso, um A-320, da TAM, com capacidade para 174 pessoas. Sim, aqueles meninos realizaram sonhos em série…

15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - NA ESTEIRA 15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - ENTRANDO NO PORT+âO 15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - CARROS DE BOMBEIRO

E tudo começou com uma conversa entre a Inframérica, administradora do terminal de Brasília, e a diretora da escola planaltinense, a simpática Denise Valadares de Carvalho. A concessionária queria dar uma alegria aos estudantes e bombar o Dia das Crianças. A diretoria queria dar um upgrade no projeto Meios de Transporte, que desenvolve na escola. Conversa daqui, conversa de lá, busca de parceiros ali, produção acolá. E, pronto! O projeto Passeio no Aeroporto saiu do papel e ganhou asas no aeroporto brasiliense.

Voo em solo
Asas mesmo. Os meninos praticamente voavam pelo terminal na tarde dessa quarta-feira (14/10). Chegaram em quatro ônibus escolares, ganharam camisetas, receberam uma espécie de “cartão de embarque”, passaram pelo raio-x, esperaram a chamada no Portão 19, pegaram um ônibus do aeroporto e, tchan, tchan, tchan, tchan!, entraram no avião da TAM. Ali, nove funcionários – dois pilotos e sete comissários – da empresa, baseados em Brasília, fizeram serviço de voluntariado para mostrar um pouco de sua rotina aos pequenos.

15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - NO P+üTIO

Entre demonstrações do uso correto do cinto de segurança e da poltrona e das luzes, os comissários, além de servirem água e refrigerante, divertiram as crianças. Por “divertir”, entenda-se, brincar, fazer piadas e até dançar, como fez Douglas Lupo, chamado de “Comissário Louco”. Com uma máscara de oxigênio no rosto, ele atravessou o corredor do avião repetidas vezes, dançando “Macarena”. A criançada sorriu até. E só lamentou que a comissária Myrelle Furlan não tenha feito o mesmo, apesar dos repetidos pedidos delas e da tripulação.

“Está tudo tão legal aqui. Estou adorando o passeio, afinal é a primeira vez que eu entro em um avião”, contava a animada Júlia Santos de Sá, 11 anos, aluna da ETA 44 e moradora do Núcleo Rural Sarandi, na região de Planaltina. Júlia sentou numa poltrona na parte de trás do avião, a 30B, e, de lá, observava a tudo, bastante interessada. “Quero ser médica ou veterinária. Adoro cuidar das pessoas e dos animais. E preciso trabalhar para viajar muito”, disse. “Viajar de quê, Júlia?”, perguntou a reportagem do Blog Check In. “De avião, claro. Sonho em conhecer a Europa”, confessou, entre um e outro gole de refrigerante, a filha da babá Alenuzia, e de um funcionário da Embrapa, seu Ronaldo. Boa menina.

Também bom menino, mais um milhão de vezes mais agitado que Júlia, era o pequeno Moisés Pereira Dantas, 7 anos. Ele pulava de cadeira em cadeira, fazia perguntas, pedia refrigerante… “Tô gostando, adorei entrar no avião, tomei refrigerante, li as revistas e achei tudo legal, isso aqui é muito grande”, disparava, a torto e a direito. Também morador do Núcleo Rural Sarandi, o aluno de primeiro ano aproveitou para dizer que quer viajar para Goiânia. “Fazer o quê lá, menino”, perguntou a reportagem do Blog. “Visitar meu amigo que mudou para lá, o Vladimir”, explicou o aluno da paciente professora Ana Lúcia. Uma graça, o Moisés.

Salvando vidas

E, assim, se passou a tarde. Os estudantes saíram do avião e conheceram a Seção de Combate a Incêndio, conversaram com os bombeiros de aeródromo, assistiram uma palestra sobre o trabalho deles e sobre a preservação do lixo, conheceram os equipamentos dos 64 bombeiros que atuam no Aeroporto Internacional Juscelino Kubistchek, viram os cinco carros disponíveis no Terminal, se empolgaram com as aves de rapina, gaviões e falcão, que protegem o ar e a terra em torno das duas pistas do terminal e terminaram o dia com um delicioso lanche oferecido por uma rede de fast food que tem loja no aeroporto.

15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - AVES DE RAPINA 15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - BOMBEIROS DE AER+ôDROMO

O lanche – acompanhado de uma sacola com brinquedo, gibi, lápis de cor e folhas para colorir – foi, digamos, a cereja do bolo de uma tarde tão especial. Ao final da aventura, os pequenos estudantes estavam realizados, ainda eufóricos em realizar o sonho de se tornarem passageiros por um dia em um dos maiores aeroportos do país. Muitas, ali, naquelas idas e vindas – até o passeio na esteira foi digno de festa – tiveram, despertada a paixão pela aviação.

Paixão, aliás, que já faz parte do dia a dia de Raniel Humberto Rocha Coelho, 10 anos. Aluno da Escola Professora Hozana, em Cabeceira Grande (MG), ele sonha, um dia, em pilotar um avião. Quer voar alto, conhecer outras cidades que não a sua, que tem meros sete mil habitantes, e viajar muito. “Desde criança eu gosto de avião e até já voei num, mas como passageiro”, brincou o menino. É que o pai, conta, trabalha numa fazenda chamada Santa Matilde, no município.

E, certa feita, Raniel voou num “pulverizador”. “Pul… o quê”, pergunta a reportagem. “Pulverizador”, fala rápido, com o característico sotaque de qualquer mineirinho. “Um avião que voa baixo e joga água, sementes e veneno no solo”, explica. “E esse menino, Raniel, teve medo?”, questiona, novamente, o repórter. “Medo, não. Mas senti um friozinho na barriga, não vou negar, né?”.

Friozinho na barriga, tipo o que ocorreu no passeio, quando Raniel entrou no A-320 da TAM, avião bem maior e bem mais moderno que o pulverizador que voa baixo e que joga água, sementes e veneno nos solos das Gerais. Ali, com cara de bobo e de espanto, Raniel não deu um pio. Olhava para todos os lados. Conferiu janela, teto e corredor, prestou atenção nas orientações dos comissários e, bem, impossível saber o que ele estava sentindo ou pensando naquele momento. Impossível.

Santos Dumont, o Pai da Aviação, sim, senhor!

No dia 20 de julho, completam-se 142 anos do nascimento do polêmico inventor mineiro Alberto Santos Dumont, que voou no 14-Bis e em dirigíveis, inventou o relógio de pulso e ficou deprimido ao ver aviões usados como máquinas de guerra.

sac-selo-santos-dumont2Freddy Charlson

Santos Dumont era polêmico. Ponto.

Bem-nascido, em 1873, ele inventou o avião (embora os norte-americanos e boa parte do planeta diga que não), passou a maior parte do tempo fora do Brasil (em escolas na França e na Suíça ou passeando por um mundão que já era de Deus, mas não era tão, digamos, globalizado) e, no final da vida, ficou tristinho (ok, stop brincadeira, depressão é coisa séria!) porque sua invenção (sim, o avião, afinal aqui é Brasil, caramba!) acabou sendo utilizada como uma mortal arma de guerra (alguém aí falou Hiroshima? alguém aí falou Nagasaki?).

Sim, Santos Dumont era polêmico.

Mas ele teve lá os seus motivos. Isso desde o tempo em que nasceu numa fazenda no interior das Minas Gerais e quando sua família mudou-se para outra fazenda, em Ribeirão Preto (SP). Em vez de trabalhar na horta ou com os animais, Dumontinho era polêmico: preferia mexer com as máquinas. Ah, que precoce esse menino batizado como Alberto Santos Dumont, filho de pai de ascendência francesa (Monsieur Henrique) e mãe filha de tradicional família portuguesa (Dona Francisca, com certeza!). Esperto, o pai viu que o rapaz era craque em mecânica, física, química e eletricidade e emancipou o jovem. “Vá. Dumont, vá ser gauche na vida.” Eis que, aos 18 anos, o jovem sonhador atravessou o Oceano Atlântico para concluir os estudos na França e, enfim, poder voar, voar, subir, subir, ir para onde for (momento Biafra)…

Um ano depois, papai Dumont morreria. Abalado emocionalmente, claro, o pequeno Dumont, sempre fã do escritor francês Júlio Verne (autor de livros como 20 Mil Léguas Submarinas e A Volta Ao Mundo em 80 Dias, entre outros), herdou uma fortuna. Resolveu ficar em terras parisienses, comprou um carro e passou a disputar corridas velocíssimas – bem, pelo menos para a época. Aos 24 anos, em 1898, subiu num balão. Alugado. Ok, o jovem ainda não era poderoso. Um ano depois, foi às alturas com o próprio balão, o “Brasil”, criado por Dumont.

Pronto, a partir daí, o mineirinho voou. De verdade. Passou a pilotar balões, construir dirigíveis – e dar números a eles, tipo 1, 2, 3 e daí por diante –, a dar a volta na Torre Eiffel voando, a disputar prêmios polêmicos de voos (sem propulsão, de distância, de travessia do Canal da Mancha, entre a França e a Inglaterra…), a vencer prêmios polêmicos, afinal, na época, era difícil definir o que era avião, o que poderia ser mais pesado do que o ar, o que era voo… A fazer de tudo um pouco. O dirigível número 11, por exemplo, foi um bimotor com asas e o número 12 parecia um helicóptero.

20.07.2015 - FOTOS - INVENÇÕES DE SANTOS DUMONT - DIRIGÍVEL NÚMERO 6O tempo passa, o tempo voa (perdão pelo trocadilho, mas a propaganda com esse jingle é quase tão antiga quanto a época tratada por este texto!) e Santos Dumont estava cada vez mais fera na arte de voar. Entre 19 e 23 de julho de 1906, testou, em Paris, o bom e velho 14-Bis. O avião de formato estranho, que parecia ser feito de cartolina, era conhecido como “Oiseau de Proie” (ave de rapina, na língua de Catherine Deneuve). Ele foi o primeiro objeto mais pesado que o ar a erguer voo por impulsos próprios, superando o atrito do ar, as leis básicas da física, a gravidade e, principalmente, a fé alheia. E quem diz isso não sou eu (Bra-sil-sil-sil!), mas a Federação Internacional de Aviação (FIA).

Ah, o porquê do nome? Simples, o 14-Bis era tipo uma mistura de aeroplano com o balão 14 (lembra que Santos Dumont curtia numerar as “paradas”?), usado pelo inventor em outros voos. Daí, o “bis”, sacaram? Então, foi com ele que, em 13 de setembro de 1906, o 14-Bis, sem balão, com mais potência e chamado de Oiseau de Proie, voou 8 metros. E isso num momento da história da humanidade em que era difícil definir o que seria um “voo de avião”, lembrem-se. A polêmica ganhava o mundo. De cientistas a inventores, de aventureiros ao povo… difícil acreditar que algo mais pesado do que o ar pudesse… voar.

Dumont queria mais. E, assim, em 23 de outubro de 1906, no campo de Bagatelle, em Paris, o Oiseau de Proie II voou utilizando seus próprios meios, sem a ajuda de catapultas e afins. Voou 60m em sete segundos, a meros 2m, 3m de altura, um feito incrível para a época. E com mais de mil pessoas como testemunhas. Ah, a Comissão Oficial do Aeroclube da França homologou o feito. Sim, o Oiseau de Proie, o nosso 14-Bis, era “mais pesado que o ar”. Ricão e gente fina, Santos Dumont distribuiu o dinheiro do prêmio para seus operários e os pobres de Paris. Sim, era um costume do inventor.

O brasileiro virou herói, foi homenageado na Europa, nos Estados Unidos e, of course!, no Brasil. Aqui, claro, a euforia tomou conta. Ao mesmo tempo, o povo imitão e oportunista foi mexendo nos projetos de Santos Dumont e aperfeiçoando as ideias. É que ele não patenteava suas invenções. Uma desleixo polêmico. De qualquer forma, em 1909, Dumont recebeu o primeiro brevê de aviador, fornecido pelo Aeroclube da França. O documento é tipo a CNH de piloto. Nesse mesmo ano, em 18 de setembro, o brasileiro voou pela última vez. Estava cansado, doente, com os primeiros sinais de esclerose múltipla. No ano seguinte, fechou sua oficina e isolou-se do mundo.

Sua situação ficou ainda mais crítica em agosto de 1914, quando começou a Primeira Guerra Mundial, com a invasão da França (logo a França, né, Dumont?) pela Alemanha. Os aviões, já mais rápidos e bem modernos, foram utilizados para observar tropas inimigas, travar combates aéreos e despejar bombas mundo afora. Santos Dumont ficou, então, deprimido, ao ver a invenção utilizada para destruir vidas humanas. Seu sonho se transformava em pesadelo. Polêmico, até ofereceu dez mil francos (sim, o euro não era nem sonho à época) para o autor da melhor obra contra o uso de aviões na guerra. Não se sabe se alguém escreveu. Não se sabe se Dumont chegou a pagar a quantia.

Em 1915, voltou ao Brasil, ruim que 20.07.2015 - FOTOS - INVENÇÕES DE SANTOS DUMONT - CHUVEIRO ELÉTRICOsó da saúde. Deprimido, mudou-se para Petrópolis, no Rio. Ali, ergueu um espaço para suas invenções, tipo um chuveiro de água quente (pense no sucesso!) e um motor portátil para esquiadores. Morou sete anos na serra fluminense e, em 1922, deu um rolé pelo mundo, num esquema tipo despedida. Passou por Rio de Janeiro, São Paulo, Fazenda Cabangu (MG) e Paris, mon cherie. Até que, incomodado, em janeiro de 1926, apelou à Liga das Nações (a mãe da ONU) para impedir o uso de aviões como armas de guerra. Não deu certo e ele internou-se no sanatório Valmont-sur-Territet, na Suíça.

Dois anos depois, seria recebido com festa no Rio de Janeiro. Como tudo estava dando errado na vida do herói nacional e a polêmica o cercava por todos os lados, adivinhem?, o hidroavião que faria a recepção, sobrevoando o navio que o levava, sofreu um acidente, sem sobreviventes. Ah, o avião tinha o nome de… Santos Dumont. Abalado, o herói brasileiro voltou a Paris. Lá, em junho de 1930, recebeu o título de Grande Oficial da Legião de Honra da França. A festa durou pouco. No ano seguinte, ficou internado em Biarritz, e Ortez, no sul da França. Teve que voltar ao Brasil, a tempo de virar membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Outra polêmica. Não me perguntem o livro que ele escreveu para merecer tal honraria… De qualquer forma, ele nunca chegou a tomar posse da cadeira 38 da ABL.

Inquieto – e polêmico, não se esqueçam –, Santos Dumont aproveitou a Revolução Constitucionalista, em 1932, para apelar contra a guerra civil (o estado de São Paulo revoltou-se contra o governo de Getúlio Vargas). Não deu em nada. Aviões, logo eles…, atacaram o campo de Marte, em São Paulo, em 23 de julho. O inventor ficou angustiado, pirou. Nesse mesmo dia suicidou-se, aos 59 anos, sem deixar descendentes. Nem nota de suicídio. O corpo foi enterrado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro e o coração está exposto no museu da Força Aérea no Campo dos Afonsos, em São Paulo. Os legistas registraram a morte como ataque cardíaco. As camareiras que acharam o corpo disseram que ele havia se enforcado com uma gravata. Mais polêmica. E até depois de sua morte.

O CAN redescobriu o Brasil

CAN 3

12 de junho, Dia dos Namorados. É um bom dia para se comemorar um aniversário. Ainda mais se o aniversariante nasceu imaginado para ser uma espécie de carteiro e nos tempos mais românticos da aviação, quando verdadeiros heróis pilotavam aviões rudimentares ligando municípios remotos e, por que não, juntando casais em cidades distantes umas das outras? Hoje o Correio Aéreo Nacional (CAN) completa 84 anos cruzando os céus do Brasil transportando malas postais de um lugar para outro.

Atualmente parece fácil, mas não era em assim em 1931, quando um avião Curtiss “fledgling” decolou do Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, até pousar no Jockey Clube, em São Paulo. Pasmem, cinco horas depois. Por que? Os pilotos não conseguiam achar o local do pouso, o Campo de Marte, na capital paulista. A missão? Levar uma mala postal com duas cartas.CAN 1Só? Que só que nada. O país nunca mais foi o mesmo. Aí começaram a nascer as linhas para outras regiões, que abriram o interior do País para a aviação civil e militar. Até então, as aeronaves só voavam pelo litoral, aumentando as distâncias, para escapar dos perigos do sertão, do cerrado e da floresta Amazônica. Naquela época, o brasileiro vivia no litoral, de costas para o Brasil, igualzinho na canção de Milton Nascimento, “Notícias do Brasil”, que tem a cara do que acontecia nos primeiros tempos do CAN:

“Uma notícia está chegando lá do Maranhão
Não deu no rádio, no jornal ou na televisão
Veio no vento que soprava lá no litoral
De Fortaleza, de Recife e de Natal
A boa nova foi ouvida em Belém, Manaus,
João Pessoa, Teresina e Aracaju
E lá do norte foi descendo pro Brasil central
Chegou em Minas, já bateu bem lá no sul
Aqui vive um povo que merece mais respeito
Sabe, belo é o povo como é belo todo amor
Aqui vive um povo que é mar e que é rio
E seu destino é um dia se juntar”

Era isso mesmo. A ideia era criar diversas rotas com destino a lugares isolados do Brasil. Os militares estavam convencidos de que o avião de correspondência que chegava a determinada cidade obrigava a respectiva prefeitura a fazer um campo de aviação. Logo, outras localidades procurariam, por certo, fazer a mesma coisa para receber as mesmas vantagens. Assim, as cidades também se modernizariam com a chegada do CAM. Notaram a diferença? CAN, CAM. Pois é, ele nasceu Correio Aéreo Militar. Aliás, originalmente era chamado de Serviço Postal Aéreo Militar, depois Correio Aéreo Militar e só em janeiro de 1941, com a criação do Ministério da Aeronáutica, passou a ser chamado de CAN.

Uma coisa é certa, o CAN, vamos chamá-lo assim, nasceu transportando só duas cartinhas, mas sob inspiração de ninguém menos do que aviadores como Jean Mermoz, Henri Guillaumet e Antoine de Saint-Exupéry e o Correio Aéreo Francês, dos aviadores das Linhas Aéreas Latécoère, depois Aéropostale. Eram tempos inspiradores. A aviação ainda era uma aventura. Os pilotos, confundidos com heróis. A criação do CAN surgiu a partir da visão de gente que não temeu enfrentar o desconhecido, ao conduzir os aviões a lugares inacessíveis por outros meios que não o aéreo, principalmente na Amazônia e no Pantanal. Eles integraram o País.

Não era fácil voar naquela época, num período em que a tecnologia das aeronaves engatinhava, não voava. Mas eles decolaram, voaram e chegaram. Em 1932, aquelas duas cartinhas há haviam ficado para trás e as linhas do CAN tinham 3.630 quilômetros de extensão. Os pilotos voaram nesse ano 127.100 quilômetros, transportaram 17 passageiros e 130 quilos de correspondências. Sete anos depois, em 1939, o Correio Aéreo chegou 19,7 mil quilômetros de linhas, 1,8 milhão de quilômetros percorridos, 542 passageiros e 65 mil quilos de carga transportada. Na sequência, o CAN participou da 2ª Guerra Mundial e integrou de vez as regiões mais afastadas do País.

O CAN cresceu e ampliou o alcance de suas asas. Os mantimentos que o Brasil hoje envia para países que necessitam de ajuda, como o Haiti, são organizados nos hangares do CAN em todo o Brasil.

CAN 4
Aviões do Correio Aéreo Nacional
Anos 1930 – Curtis J-2 Fledgling
Anos 1940 – C-47 Douglas
Anos 1950 – CA-10 Catalina
Anos 1960 – C-115 Búfalo
Anos 1970 – C-95 Bandeirante
Anos 1980 – C-98 Caravan
Anos 2000 – C-115 Amazonas

Fique atento
– Qualquer pessoa pode se inscrever para viajar gratuitamente no CAN. Para isso deve comparecer pessoalmente a um Posto CAN de origem, preenchendo uma Ficha de Inscrição e anexar cópias da identidade, CPF e comprovante de residência.

– A viagem está condicionada à disponibilidade de voos de transporte e do tipo de missão da Força Aérea Brasileira para o destino desejado, assim como do número de vagas colocadas à disposição do CAN.

– Não existe um número específico de vagas, que é condicionado ao tipo de aeronave utilizada e das vagas disponibilizadas.

– As aeronaves de transporte da FAB realizam voos não regulares com diversas origens e destinos e as vagas para pessoas inscritas no CAN são disponibilizadas em aproveitamento de missão.

– A inscrição de menor de 18 anos, somente será aceita se efetuada pelos pais ou pelo responsável legal, mediante a apresentação de documentos comprobatórios.

– Para mais informações, os interessados devem entrar em contato com uma das seguintes localidades disponíveis em: http://www.fab.mil.br/perguntasfrequentes#Viajar-pela-FAB.

Tão Tão Distante

Você sabe quais são os dez municípios mais distantes de um aeroporto hoje? Alguns brasileiros precisam viajar mais de mil quilômetros para embarcar em um avião. Mas as distâncias vão encurtar com o programa de desenvolvimento da aviação regional

Freddy Charlson

Estrada, rio, estrada, rio, estrada. Ufa, 17 horas de viagem depois, eis que o heroico e destemido viajante que deixou o município de Apuí chega a Manaus. Sim, essa epopeia é para os fortes, para os muito fortes. É que Apuí, uma pequena cidade de 21 mil habitantes isolada no meio da Floresta Amazônica, fica a incríveis 450 quilômetros, em linha reta, da capital do Amazonas, terra do aeroporto mais próximo da cidadezinha interiorana. A distância a ser percorrida por estradas e rios, porém, chega a 1.096 quilômetros…

Isso credencia a pequenina Apuí como o município brasileiro mais distante de um aeroporto com voos regulares – no caso, o Aeroporto Eduardo Gomes –, o que o torna o mais isolado do País, especialmente em períodos de chuva. Ou seja, uma canseira danada para esse povo que quer economizar tempo e curtir mais a vida fazendo viagens de avião.

Canseira que não deve acabar totalmente, mas será atenuada um bocado. Ah, se vai! Isso porque o aeroporto de Jacareacanga, no Pará, que hoje não opera voos regulares – mas que está incluído no programa de desenvolvimento da aviação regional da Secretaria de Aviação Civil (LEIA MAIS SOBRE O PROGRAMA)  – está a 275 quilômetros de Apuí. Um ganho de mais de 800 quilômetros. Ou seja: se hoje o heroico apuiense gasta cerca de 17 horas para chegar em Manaus e pegar um aviãozinho, daqui um tempo ele gastará pouco mais de 3 horas. Isso porque o vai construir ou reformar 270 aeroportos País afora. Jacareacanga é um deles!

Uma ótima notícia também para os municípios que, na sequência, acompanham Apuí na lista das cidades brasileiras mais distantes de aeroportos: Oiapoque (AP); Palmeira do Piauí (PI); Cristino Castro (PI); Santa Luz (PI); Barra do Quaraí (RS); Currais (PI); Bom Jesus (PI); Alvorada do Gurguéia (PI); e Colônia do Gurguéia (PI).

A “famosa” Oiapoque (AP) é aquele cidadezinha que costuma ser citada na frase “O Brasil vai do Oiapoque ao Chuí”… Tipo o Brasil é grande e coisa e tal… Pois bem, Oiapoque vai ganhar ainda mais do que tempo. Hoje, o aeroporto com voo regular mais próximo da cidade é o de Macapá (AP), que fica a exatos 430 quilômetros de distância em linha reta ou 591 quilômetros por meio de estradas. O programa de aviação regional prevê reforma no aeroporto de Oiapoque e o retorno de suas operações.

É uma grande mudança para a população local e vizinha! Hoje, no Brasil, mais de 40 milhões de pessoas vivem a mais de 100 quilômetros de um terminal aeroportuário de passageiros. E essa situação vai mudar, pra melhor, claro. Atualmente, só 77 aeroportos regionais têm rotas regulares voando os 8.515.767 km² de área do País. Quando brasileiros de Norte a Sul, seja no interior ou nas capitais, tiverem acesso ao transporte aéreo, habitantes de 3.500 municípios do País serão beneficiados por uma grande rede de aeroportos. Assim, as 17 horas ou os 1.096 km de estrada, rio, estrada, rio, estrada entre Apuí e Manaus, por exemplo, serão, então, apenas lembrança na memória das novas gerações dos apuienses.

Enquanto o programa se desenvolve conheça um pouco mais sobre os 10 municípios brasileiros mais distantes de um aeroporto com voos regulares. E, claro, acompanhe o que podemos chamar de “salvação da lavoura”, afinal, vários aeroportos serão construídos em cidades mais próximas para facilitar a vida dos municípios distantes de terminais, especificamente esses do Top Ten!

UM AEROPORTO PRA CHAMAR DE “SEU”

APUÍ (AM)

Apuí fica no interior do Amazonas, ao sul de Manaus, na Rodovia Transamazônica (BR-230), a única que liga o município à civilização. Ah, Apuí tem as cachoeiras mais bacanas do estado e uma festa do Peão de Boiadeiro que, dizem, é a maior das redondezas (e bota redondeza nisso!). Com população estimada em 20 mil pessoas, Apuí (que bem poderia ser chamado de Longeaí…) tem uma área considerável – de 54 mil km² – sendo maior que os países europeus Holanda, Montenegro, Malta, Luxemburgo, Mônaco e Vaticano. Juntos! Sorte da população que o programa de aviação regional prevê a instalação de um aeroporto em Jacareacanga, né?

OIAPOQUE (AP)

Fica lá no alto do estado do Amapá. O nome Oiapoque tem origem tupi-guarani, uma derivação do termo “oiap-oca”, que significa “casa dos Waiãpi”, os primitivos habitantes da região. O município foi criado em 23 de maio de 1945 e é uma boa para quem quer curtir o “estrangeiro”, afinal limita-se ao norte com a Guiana Francesa. Para isso é só atravessar a Ponte Internacional sobre o Rio Oiapoque et voilá! No mais, os moradores têm à disposição uma única via de ligação com a capital do estado, Macapá: a BR-156, com 600 km, sede do aeroporto mais próximo da cidade, que fica a 430 km de distância. Bem, mas isso vai mudar, graças ao programa de aviação regional.

PALMEIRA DO PIAUÍ (PI)

Palmeira do Piauí é um município brasileiro que fica… no Piauí. Pequeno, tem cerca de 10 mil habitantes e fica a 10 quilômetros da BR-135 (principal via do estado). O Rio Gurgueia e alguns riachos banham a cidade que é ligada à BR-135 por uma ponte de madeira e metal. O município que fica a 400 quilômetros, em linha reta, do aeroporto mais próximo, o Senador Nilo Coelho, em Petrolina, já em Pernambuco – são 626 quilômetros pelas estradas nordestinas –tem muitas serras ao seu redor. E o mais charmoso é um “olho d’água”, a 9 quilômetros do centro da cidade. Bem, para quem não liga o nome à beleza natural, olho d’água é um lugar aonde a água brota dos morros. Com o programa de aviação regional, ficará muito mais fácil se deslocar até o futuro aeroporto de Bom Jesus (PI), que ficará a meros 78 quilômetros de distância.

CRISTINO CASTRO (PI)

A cidade tem 11 mil habitantes, a maioria na zona rural e numa faixa de baixo desenvolvimento. Só para vocês terem uma ideia, o município ocupava a 4.921ª posição, em 2010, no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), em relação aos 5.565 municípios do Brasil. Ou seja, vida dura para o povo de uma terra repleta de um negócio chamado “poços jorrantes”, de onde sai água mineral bem morninha. Hoje, o aeroporto mais próximo de Cristino Castro é o de Barreiras (BA), a cansativos 390 quilômetros em linha reta (503 quilômetros pelas longas estradas da vida). Com o programa de aviação regional, ficará mais fácil ir até o futuro aeroporto de Bom Jesus (PI), que ficará a 50 quilômetros de distância.

SANTA LUZ (PI)

Quem nasce é Santa Luz é santa-luzense. E se quiser pegar um avião vai ter que andar 375 quilômetros, em linha reta, até Barreiras (BA). Pelas estradas, a distância aumenta para 514 quilômetros. Ok, uma coisa pode não ter nada a ver com a outra, mas a verdade é que essa localidade piauiense só começou a se desenvolver em 1933, com a lavoura de algodão. E só virou município em 1962. Hoje, Santa Luz não chega a 10 mil habitantes. Um povo que se desloca via BR-135, a mais movimentada das rodovias do Piauí. A boa notícia é que a distância até um aeroporto mais próximo vai cair para 205 quilômetros até São Raimundo Nonato (PI). A metade do percurso atual.

BARRA DO QUARAÍ (RS)

Direto ao ponto: Barra do Quaraí é o município mais ocidental do Rio Grande do Sul e de toda a Região Sul Fica bem na ponta mesmo, pertinho da Argentina e do Uruguai. De quebra, está a incríveis 717 km da capital, Porto Alegre. É o município gaúcho mais distante da capital, né? E o aeroporto mais próximo da cidade de 5 mil habitantes é o de Santa Maria (RS), a 370 quilômetros. Bom de briga, Barra do Quaraí disputa, há mais de 100 anos, com o Uruguai, um lugar chamado Ilha Brasileira, nas águas do Rio Uruguai. A pendenga não tem data pra terminar, mas a dificuldade para chegar a um aeroporto, sim. O município de Uruguaiana (RS), a 71 quilômetros de Barra do Quaraí, vai ganhar um aeroporto pelo programa de aviação regional. A distância dos moradores da cidade vai ser reduzida a um décimo do que é hoje. Que beleza, amigo!

CURRAIS (PI)

Município caçula do Piauí. Foi fundado dia desses, em 1997. Quem nasce lá é curralense e anda 360 quilômetros até o aeroporto de Barreiras (BA), o mais próximo. É que Currais fica longe que só, óxente, da capital Teresina. Pra quase 650 quilômetros de distância. É muito para os seus 5 mil habitantes, que levam o município a ter uma densidade demográfica de 1,5 habitantes/km². Ou seja, quem quiser pode espreguiçar-se à vontade em Currais… Ah, e a maior cidade nos arredores é Bom Jesus, a 62 quilômetros de distância, justamente a que vai ganhar um aeroporto. Imaginou andar 62 km para embarcar num avião comparado aos 360 km até Barreiras? Um sonho.

BOM JESUS (PI)

Por falar em Bom Jesus, o município piauiense é uma potência na região. Com seus 23 mil habitantes também depende do aeroporto de Barreiras (BA) para navegar pelos céus desse Brasilzão. Bom Jesus fica a 350 quilômetros do município baiano e está virando o novo eldorado da soja. Localizada a 635 quilômetros da capital Teresina, a cidade é quente, bem quente. O recorde de temperatura registrado foi de 44,7 graus em 21 de novembro de 2005. Uma das mais altas do País. Tão alta quanto a moral da cidade que vai ganhar um aeroporto reformadinho “pra chamar de seu”. O aeroporto de Bom Jesus está na fase de Estudo Preliminar (EP), que detalha o Estudo de Viabilidade Técnica (EVT). O EP define o tamanho do pátio, pista e terminal e o investimento necessário. Aeroporto, aliás, que vai salvar a vida dos moradores dos municípios piauienses vizinhos que têm que recorrer aos terminais aeroportuários de Pernambuco ou da Bahia e que estão no seleto Top Ten deste texto: Palmeira do Piauí, Cristino Castro, Currais, Alvorada do Gurguéia e Colônia do Gurguéia. Ficará tudo bom para todas as partes.

ALVORADA DO GURGUÉIA (PI)

Com pouco mais de 5 mil habitantes, fica no centro sul do Piauí e a 539 quilômetros da capital Teresina. É jovenzinha, virou município apenas em 1994, após se desmembrar de Cristino Castro e Manoel Emídio. Toda bonitinha, a cidade, cujo aeroporto mais próximo é o Senador Nilo Coelho, em Petrolina (PE), tem como referencial seus mananciais de água naturais, como o Poço Violeto. A boa notícia é que a distância até um aeroporto mais próximo vai cair dos 539 quilômetros que a separam de Teresina para 97 quilômetros até o aeroporto de Bom Jesus (PI). Pense numa felicidade!

COLÔNIA DO GURGUÉIA (PI)

E Colônia do Gurguéia, no Piauí, encerra a lista dos dez municípios mais distantes de aeroportos com voos regulares. A cidade, com aproximadamente 7 mil habitantes, fica a 350 quilômetros da capital, Teresina, cujo aeroporto, Petrônio Portella, é o mais próximo de seus moradores. A boa notícia é que a distância até um aeroporto mais próximo vai cair para 141 quilômetros até o aeroporto de Bom Jesus (PI). Um caminho 60% menor. É ou não é totalmente excelente?!

Destrave sua mesinha e bom apetite!

O Blog da Aviação foi atrás dos bastidores do serviço de bordo das companhias aéreas e descobriu algumas curiosidades, dentre elas que esse tipo de atividade é chamada de catering. Saiba um pouco mais!

Mariana Monteiro Featured image Há quem ache saborosa, há quem ache insossa. Tem mais elaborada, tem aquela prática e rápida. É de graça ou paga. Mas o que a maioria das pessoas não sabe é de onde vem, como é feita, distribuída, armazenada e escolhida a comida oferecida em viagens de avião. No Brasil, cada companhia aérea tem liberdade para montar o cardápio. Não há uma padronização, mas as empresas optam por escolher o tipo de alimento de acordo com a duração e horário do voo. Então como é em cada uma das principais companhias que operam no Brasil? A TAM*, por exemplo, serve aos passageiros de voos com até uma hora de duração apenas água, suco e refrigerante. Em rotas de uma a duas horas, além das bebidas, são oferecidos salgadinhos assados, e naquelas entre duas e três horas, é distribuído um kit com biscoito, queijo e bolinho. Já aqueles que viajarão por mais de três horas podem comer um sanduíche que é capaz de substituir uma refeição. Clientes da Azul reBlog_03cebem petiscos (variados biscoitos, castanhas, batatinha chips e balinha de goma) em todos os voos nacionais. Quando a viagem é internacional, o passageiro da classe executiva tem ainda mais opções, como canapés, saladas, sopa, pães, sobremesas, frios, quiches e bebidas (não alcoólicas e alcoólicas). Aquele que opta pela classe econômica tem à disposição cerveja, vinho, água, suco e refrigerante, além de pratos quentes, frutas, pães, iogurtes e sobremesas. Já os clientes da Avianca, contam com um serviço de bordo composto por um sanduíche (quente, na maioria dos voos), refrigerante, suco, água, café e sobremesa. O diferencial da companhia, no entanto, é a diversidade do lanche, que varia de cidade para cidade. Na ponte aérea Rio-São Paulo, por exemplo, sempre tem novidade, como o festival de massas e o de empadas. E ainda nos voos que fazem o trajeto até as 11 horas da manhã, há o “café da manhã de padaria”, com pães de queijo, misto-quente, frutas e outros alimentos apetitosos.

A Gol é a única companhia, dentre as quatro maiores, onde o serviço de bordo é pago nos voos domésticos. Independente da duração do voo, o menu inclui sanduíches, salgadinhos, sucos, cerveja, vinho, cafés, entre outras opções. Na ponte aérea Rio-São Paulo, as opções são gratuitas e variam de acordo com o horário do dia, podendo ser mini sanduíches, bolos, biscoitos ou tortas salgadas. Nos voos internacionais, o cardápio também é gratuito e conta com lanches ou refeições mais saudáveis, incluindo saladas, vegetais, frango. As opções também podem variar de acordo com a duração da viagem.

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OK, já sabemos o que as aéreas oferecem como alimentação durante os voos. Mas como essa comida chega até o passageiro?

Bem, no Brasil as companhias contratam empresas especializadas em catering. Um mesmo fornecedor atende vários estados ou pode haver um para cada local, por isso a oferta de alimentos pode variar de um lugar para o outro.

A LSG Sky Chefs é um desses fornecedores de catering aéreo. No Brasil, possui unidades de produção que prestam serviço para nove aeroportos: Guarulhos, Viracopos, Galeão, Santos Dumont, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém e Natal. Por dia, são feitas cerca de 50 mil refeições para mais de 700 voos. Os alimentos são preparados fora do aeroporto, o mais próximo possível da hora do consumo, para a conservação adequada. Pratos frios, por exemplo, são produzidos em média de 12 a 18 horas antes de serem servidos. As bandejas são montadas ainda na unidade do fornecedor, e de acordo com os padrões definidos pela companhia aérea. Após a montagem, elas são armazenadas nos trolleys, que são aqueles carrinhos que as aeromoças empurram pelo corredor do avião. Os trolleys então são catalogados por número do voo e aguardam em uma câmara resfriada até o horário do transporte para o aeroporto por caminhões. Em Guarulhos, esse trajeto leva 12 minutos. RESTRIÇÕES ALIMENTARES Mas e se você não come nada disso do que já foi dito aqui? Se você tem algum tipo de restrição alimentar, como intolerância a glúten, possui doença que imponha dieta específica ou se é vegano ou vegetariano não precisa passar fome quando viajar de avião. As companhias aéreas oferecem refeições especiais. Basta informar, com antecedência à data do voo, que tipo de menu especial necessita. O mesmo pode ser feito para a alimentação das crianças a bordo.