A era de ouro da aviação comercial em 19 fotos

29.05.2015 - FOTO 1 - AEROMOÇAS BONITAS

Freddy Charlson

Aeromoças lindas, bem vestidas e maquiadas, tipo capa de revista. Serviço de bordo impecável, com comida de primeira classe, servida em fina porcelana. Bar com bebida à vontade e vinho em taças de cristal. Liberdade para fumar. Imenso compartimento para a bagagem de mão e espaço para esticar as pernas entre as fileiras de poltronas. Ah, e até 15 comissários para atender aos passageiros em aviões de grande porte. Isso e muito mais.

Viajar de avião, nas décadas de 1950, 1960 e 1970, a chamada “Era de Ouro da Aviação Comercial”, era, sim, um acontecimento. As pessoas se vestiam como se fossem a um baile no Metropolitan Museum (Nova York) ou no Copacabana Palace (Rio de Janeiro) e pagavam horrores pela passagem aérea, tipo 50% a mais do que se paga hoje.

Só para se ter uma ideia, em 1955 uma passagem de ida e volta de Chicago para Phoenix (2.700 km de distância) – falamos aqui de cidades dos Estados Unidos – custava US$ 138. Com a inflação, ela sairia hoje por US$ 1.168 (R$ 3.500). Numa rápida pesquisa na internet, achamos passagem a partir de R$ 1 mil, 30% do preço atualizado. O risco de morte também era maior. Com uma tecnologia que engatinhava, voar era 40% mais perigoso do que é hoje (afora o risco então desconhecido de inalar passivamente a fumaça dos cigarros). Bem, o que importava era mesmo o glamour.

Confira, abaixo, como era a vida de quem tinha dinheiro e estilo para voar numa época ao mesmo tempo romântica e pioneira. Tirando a ironia … que era uma vida boa, ah, sim, isso era. Não que a de hoje também não seja. São momentos diferentes. Aqueles, de muito glamour e poucos viajantes. Esses, de pouco glamour e muita gente viajando (barato) … Sem falar que agora a era de ouro é a dos aeroportos, cada vez melhores no Brasil.

1 – Senhoras e senhores, vamos embarcar!

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - EMBARQUE TAPETE VERMELHOCom aeroportos menores, mesmo nas maiores cidades, muitos embarques eram feitos na pista, sem direito a ônibus para levar os passageiros até os aviões. Pela foto dá pra notar que os mais jovens não tinham muito acesso às viagens, dado o alto preço das passagens. A roupa básica era terno e vestidos bem cortados. Ah, e as companhias garantiam que os passageiros pegariam o voo chegando meros 30 minutos antes.

2 – Modelos, capas de revista

FotodebreImagine que phyno ser recebido por essas belas comissárias de bordo que poderiam muito bem estrelar ensaios fotográficos da Vogue? Muitos homens perdiam a cabeça em pleno voo. Já as mulheres sonhavam com uma vida assim, de glamour, para suas filhotas. Peso proporcional à altura e dentição perfeita eram requisitos. Na época, quase toda jovem tinha o sonho de ser aeromoça. Sonho ainda real para muitas.

3 – Posso acondicionar sua bagagem, senhor?

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - COMPARTIMENTO GIGANTE DE BAGAGEM

E o que fazem os passageiros após entrarem na aeronave? Ora, guardar a bagagem de mão. Sinceramente, os compartimentos de bagagem das maiores aeronaves do período eram capazes, inclusive, de acondicionar skates, bicicletas e até grandes malas. As aeromoças, aliás, deveriam, também, fazer musculação. Imagine só levantar essa gaveta mantendo o eterno sorriso de miss no rosto…

4 – “Portas em automático!”

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - GALERA FASHIONPronto, embarque feito, bagagem guardada no devido compartimento… hora de sentar em sua poltrona e ficar à vontade para o voo. Cinto de segurança? Pra quê, né? Vamos mesmo é fazer um tricozinho, ler uma revista (a principal era a “Life”), apreciar a paisagem interior e exterior. Tudo, aliás, com muita classe e com a melhor roupa do armário. Viajar, ora, era um luxo só!

5 – Um papo sobre as últimas tendências da moda

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - PENTEADOS E CHAPÉUSSimpáticas, as aeromoças também arranjavam tempo para conversar com os passageiros. Quem sabe não falavam da vida que levavam nas alturas, dos lugares que conheciam mundo afora, das experiências da profissão? Tudo com classe e uniforme feito por estilistas famosos. O finado Clodovil (1937-2009), por exemplo, foi responsável durante dez anos pelas roupas das aeromoças da extinta companhia aérea Vasp. Gente phyna.

6 – Comer e comer é o melhor para poder crescer!

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - ALMOÇO ESTILO CEIA DE NATALUau, hora de encher a barriga. Olhem só a felicidade do casal ao ser servido com o melhor da culinária internacional. Até a classe econômica tinha direito a refeição completa. A Varig teve cozinhas em Brasília, Recife, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Nova York e Lisboa. E a Transbrasil servia feijoada a bordo na época.

7 – E que tal refazer a make-up no banheiro?

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - BANHEIRO DE HOTELDepois das refeições, nada como refazer a maquiagem e dar um trato no visual, no banheiro, que mais parecia suíte de bons hotéis. Faltava só a banheira de hidromassagem para a ostentação ser nível 6. Nada parecido com os apertados boxes de hoje em dia, onde mal cabe uma pessoa sentada. Dava até para fofocar cazamigas! Aliás, o que será que as mulheres tanto conversavam nos banheiros desses aviões?

8 – Vamos ali curtir um boteco aéreo…

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - AZARAÇÃO NA HAPPY HOURSim, os maiores aviões tinham um andar próprio para comer uns belisquetes, tomar uns drinks e até dar uma namoradinha, como o casal à esquerda, na foto. Muitos romances começavam nesses aviões que reuniam gente rica e phyna. Ah, e até gente como o senhor ali à direita, na foto, com camiseta havaiana e bem à vontade, como se estivesse numa festa à fantasia. Quem podia, podia.

9 – … e, também, uma musiquinha!

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - BARES NO AVIÃOQuando a coisa esquentava nas alturas, os passageiros se empolgavam, cantavam e dançavam. Sim, em algumas aeronaves, havia até piano-bar. Só fico imaginando a seleção musical (o termo setlist ainda não havia sido inventado…): um twist de Chuck Berry aqui, um Love me Tender do Elvis Presley ali e até uma bossa nova do Tom Jobim acolá. Esse povo sabia curtir.

10 – Seria o piloto ou seria o garçom?

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - PILOTO SERVE COQUETELEm alguns casos, até mesmo o piloto era capaz de assumir o bar e servir os convidados. Para isso, deixava o avião a cargo do piloto automático ou do copiloto – atualmente, em alguns países, não é mais permitido que uma pessoa fique sozinha na cabine de comando, por medida de segurança… Gente, imaginou ser servido pelo próprio comandante do voo e ainda ouvir boas histórias?

11 – Bronzeando os pulmões

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - LIBERADO FUMARNuma realidade bem diferente, os passageiros podiam fumar à vontade. E não só escondido no banheiro (o que é terminantemente proibido). Cigarros, charutos e cachimbos eram liberados nos voos. E só não eram enquanto a aeronave estivesse em solo porque as empresas diziam que a fumaça do tabaco e do fumo poderia causar incêndio em contato com o gás liberado pelo combustível durante o reabastecimento. Imagine o fumacê!

12 – Cansei, acho que vou tirar uma soneca

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - HORA DE DORMIR NO HOTELQuem preferia uma soneca a um cigarrinho logo procurava um lugarzinho para dormir. Entre as décadas de 1940 e 1950 os aviões possuíam camas embutidas para os passageiros da 1ª classe. As aeromoças também checavam se estava tudo bem e levavam revistas para facilitar o sono das pessoas e até bons edredons e travesseiros. Um mimo bem legal. Depois, era só adormecer e roncar.

13 – Antes, vou botar os pimpolhos na cama

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - CRIANÇAS DORMINDO NA BELICHEOlhem só que fofo: mamãe e comissária de bordo colocando os pimpolhos na cama em pleno voo, num compartimento do tamanho de um quarto. Observem que tinha até beliche no pacote oferecido pelos principais voos internacionais. “Um chazinho, senhora?”, pergunta a aeromoça. Como não dormir bem após tanta demonstração de profissionalismo e carinho?

14 – Soneca presidencial

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - ATÉ O JK PUXAVA UM RONCOAté os governantes aproveitavam para puxar um ronco. Caso do presidente Juscelino Kubitschek, flagrado dormindo em um voo da Varig. Aparentemente cansado nas idas e vindas da construção de Brasília, JK dormiu como um anjinho naquele dia… E sem auxílio de filmes ou fones de ouvidos, que ainda não estavam disponíveis décadas atrás – os filmes ganharam popularidade nos anos 1960 e os fones de ouvido nos anos 1980.

15 – Soneca nem tão presidencial assim

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - ESPAÇO ENTRE POLTRONASE mesmo quem não era governante, imperador ou presidente tinha direito a seus dois minutinhos de sono da beleza, também. Observem o tamanho das poltronas e a distância entre elas. Bastante confortável, não? Atentem, também, para o sorriso de contentamento do senhor à esquerda, de gravata preta. Sonhando com os anjos, confortavelmente.

16 – Um tempo para escrever cartões-postais

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - CARTÃO POSTALNuma época em que não havia gadgets (smartphones, iPods, tablets, videogames), o que fazer depois de comer, beber, dormir a bordo? O ponto alto das viagens de avião nas décadas de 1950 e 1960, acreditem, era escrever cartões postais. O passageiro recebia os cards logo no embarque e aproveitava o tempo ocioso para contar sobre a experiência de voar. Um singelo passatempo.

17 – Muitos mimos no retorno ao lar

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - KIT DE BORDO CHEIO DE MIMOSSaudades de levar presentinhos para a casa após o voo? Hoje, por exemplo, até o fone de ouvido costuma ser cobrado. Antigamente, na primeira classe da extinta companhia aérea Varig, o “kit viagem” tinha meias, maquiagem, cremes para as mãos e até perfume francês. Cabe aqui uma curiosidade: o serviço de bordo da Varig foi escolhido “O Melhor do Mundo” em 1979, pela revista americana Air Transport World.

18 – Hora de dar tchau!

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - DESEMBARQUESempre bem vestidos e recuperados após a comilança, a visita ao bar e ao sono dos deuses, os passageiros chegam ao seu destino. Na Era de Ouro da Aviação, os passageiros tinham cinco vezes mais chances de sofrer acidentes. Hoje, a cada 100 mil horas de voo, ocorrem 1,33 fatalidades. Em 1952, a cada 100 mil horas de voo, ocorriam 5,2 mortes. E o número de passageiros aumentou 42 vezes nos últimos 60 anos.

19 – Uma equipe que dava gosto

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - DESEMBARQUE TRIPULAÇÃO FIME, para finalizar, olhem só o tanto de gente que trabalhava nos aviões de grande porte, especialmente os que voavam entre a América do Norte e a Europa na Era de Ouro da Aviação. Um piloto, dois copilotos, quase 20 aeromoças para atender melhor ao passageiro, razão de ser da companhia aérea. Observem os chapéus, echarpes e glamour. Era um must!

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Tony Jannus, o pioneiro da aviação comercial

Norte-americano foi o primeiro piloto a fazer esse tipo de voo, em 1º de janeiro de 1914, entre as cidades de Tampa e São Petersburgo, na Flórida, Estados Unidos. Conheça um pouco mais dessa história.

31.03.2015 - FOTO - MATÉRIA BLOG CHECKIN - TONY JANNUS

O piloto Tony Jannus (à direita) inaugurando o primeiro voo comercial

Freddy Charlson

E, de repente, num certo 1º de janeiro de 1914, o piloto Tony Jannus entrou para a história. Bem, pelo menos para a história da aviação, ele entrou. Nesse dia, o piloto de testes da companhia aérea St. Petersburg-Tampa Airboat Line, de propriedade de Percival Fansler, foi convocado para levar o prefeito de São Petersburgo, Abram Phell, até a cidade de Tampa, ambas localizadas na Flórida, o mais caliente estado dos Estados Unidos. Um caminho que só era percorrido por trem, navio a vapor ou pela estrada. Sim, naquele momento, Tony Jannus fez o primeiro voo comercial da história.

Um voo que custou 400 dólares pagos pelo prefeito após vencer um leilão para subir a bordo do hidroavião Benoist XIV, de apenas dois lugares – o que garantiu o sonho de qualquer companhia aérea moderna: 100% de ocupação, evidentemente. O primeiro voo comercial da história demorou 23 minutos para percorrer 26 quilômetros. E transformou o jovem Tony Jannus – batizado como Antony Habersack Jannus e, na época, com meros 25 anos – no primeiro piloto comercial de que se tem ou se teve notícia.

Filho de um advogado e neto de um ex-prefeito de Washington, Tony Jannus era dado a essas coisas de ser pioneiro no ainda incipiente ambiente da aviação – hoje, imaginem só, existem cerca de 250 companhias aéreas registradas na Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) e cerca de 3 bilhões de passageiros são transportados a cada ano, na aviação comercial. Ele foi, por exemplo, o piloto do primeiro salto de paraquedas a partir de um avião. Aconteceu em 1° de março de 1912, quando um capitão do Exército dos Estados Unidos, Albert Berry, pulou do avião pilotado por Tony Jannus.

À época, nosso heroi tinha apenas dois parcos anos de experiência na pilotagem de aeronaves – se bem que, para a época, era muito, convenhamos, afinal, quase ninguém sabia o que era um avião – desde quando, em 1910, ao assistir um show aéreo em Baltimore (EUA), gostou da coisa e iniciou um curso de pilotagem no College Park Airport, em Maryland (EUA). Empolgado, até o irmão de Tony entrou nessa história e fez o curso de pilotagem. Pronto, aprovado no curso, Tony virou piloto de teste do construtor de aeronaves Thomas W. Benoist, já no final de 1911.

31.03.2015 - FOTO - MATÉRIA BLOG CHECKIN - TONY JANNUS - PREFEITO - DONO DA CIAA vida do piloto foi intensa. Em 1913, ele participou de eventos aéreos como uma exposição, uma corrida e uma busca de resgate ao colega Albert Jewell, desaparecido com seu avião em Long Island, quando sofreu um acidente. Calma, amigos, ele ficou bem. Ou seja, Tony jogava nas 11 posições. Hoje, muita gente faz isso, mas a oferta de mão de obra é maior, bem maior: o setor movimenta cerca de 60 milhões de empregos em todo o mundo. Ou seja, não há mesmo comparação com a época dos Irmãos Wright, Santos Dumont ou Tony Jannus.

ACIDENTE FATAL

O pior ocorreria em 1916, quando Tony, já piloto de testes para aeronaves de guerra da Curtiss Aeroplane Company, foi enviado a Moscou (então capital da finada União Soviética) como instrutor para pilotos da aviação russa. Em outubro daquele ano, Tony Jannus, o primeiro piloto da aviação comercial, caiu em pleno Mar Negro. Seu corpo nunca foi encontrado. Ele pilotava um Curtiss H-7 e estava acompanhado de dois cadetes.

31.03.2015 - FOTO - MATÉRIA BLOG CHECKIN - HIDROAVIÃO Benoist 1914

Em 1963, 47 anos depois de sua morte, foi criado o Prêmio Tony Jannus, uma maneira de perpetuar o primeiro comandante da história da aviação comercial. O prêmio reconhece conquistas individuais de destaque na aviação por inventores, fabricantes, executivos de companhias aéreas e governantes. O prêmio é conferido anualmente pela Tony Jannus Distinguished Aviation Society e foi concedido a primeira vez em 1964 em Tampa (Flórida). A sociedade ainda ajuda universitários em estudos sobre aviação e organiza concurso anual de redação para alunos do ensino médio com o objetivo de incentivar carreiras no setor.

Dentre os premiados estão Cyrus Rowlett Smith (fundador da American Airlines), William A. Patterson (presidente da United Airlines em 1934-1966) e até um brasileiro, o engenheiro mecânico carioca Frederico Fleury Curado, diretor-presidente da Embraer desde abril de 2007. Os homenageados são consagrados no St. Petersburg Museum of History’s First Airline Pavilion, que fica a 91 metros do local de decolagem do voo inaugural de 1º de janeiro de 1914, com direito a réplica do Benoist XIV pilotado por Tony Jannus naquele dia. Uma bela homenagem ao piloto, um pioneiro da aviação comercial. E que nem poderia imaginar, claro, que, atualmente, cerca de 8 milhões de passageiros voam a cada dia…

LICENÇA:

Para obter licença de Piloto Comercial, é necessário satisfazer aos seguintes requisitos:

  • ser maior de 18 anos;
  • ter concluído o Ensino Médio;
  • ter realizado curso homologado pela Anac específico para piloto comercial;
  • obter aprovação nas provas de conhecimento teórico;
  • obter aprovação nos exames médicos;
  • possuir 200 horas de voo,