A era de ouro da aviação comercial em 19 fotos

29.05.2015 - FOTO 1 - AEROMOÇAS BONITAS

Freddy Charlson

Aeromoças lindas, bem vestidas e maquiadas, tipo capa de revista. Serviço de bordo impecável, com comida de primeira classe, servida em fina porcelana. Bar com bebida à vontade e vinho em taças de cristal. Liberdade para fumar. Imenso compartimento para a bagagem de mão e espaço para esticar as pernas entre as fileiras de poltronas. Ah, e até 15 comissários para atender aos passageiros em aviões de grande porte. Isso e muito mais.

Viajar de avião, nas décadas de 1950, 1960 e 1970, a chamada “Era de Ouro da Aviação Comercial”, era, sim, um acontecimento. As pessoas se vestiam como se fossem a um baile no Metropolitan Museum (Nova York) ou no Copacabana Palace (Rio de Janeiro) e pagavam horrores pela passagem aérea, tipo 50% a mais do que se paga hoje.

Só para se ter uma ideia, em 1955 uma passagem de ida e volta de Chicago para Phoenix (2.700 km de distância) – falamos aqui de cidades dos Estados Unidos – custava US$ 138. Com a inflação, ela sairia hoje por US$ 1.168 (R$ 3.500). Numa rápida pesquisa na internet, achamos passagem a partir de R$ 1 mil, 30% do preço atualizado. O risco de morte também era maior. Com uma tecnologia que engatinhava, voar era 40% mais perigoso do que é hoje (afora o risco então desconhecido de inalar passivamente a fumaça dos cigarros). Bem, o que importava era mesmo o glamour.

Confira, abaixo, como era a vida de quem tinha dinheiro e estilo para voar numa época ao mesmo tempo romântica e pioneira. Tirando a ironia … que era uma vida boa, ah, sim, isso era. Não que a de hoje também não seja. São momentos diferentes. Aqueles, de muito glamour e poucos viajantes. Esses, de pouco glamour e muita gente viajando (barato) … Sem falar que agora a era de ouro é a dos aeroportos, cada vez melhores no Brasil.

1 – Senhoras e senhores, vamos embarcar!

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - EMBARQUE TAPETE VERMELHOCom aeroportos menores, mesmo nas maiores cidades, muitos embarques eram feitos na pista, sem direito a ônibus para levar os passageiros até os aviões. Pela foto dá pra notar que os mais jovens não tinham muito acesso às viagens, dado o alto preço das passagens. A roupa básica era terno e vestidos bem cortados. Ah, e as companhias garantiam que os passageiros pegariam o voo chegando meros 30 minutos antes.

2 – Modelos, capas de revista

FotodebreImagine que phyno ser recebido por essas belas comissárias de bordo que poderiam muito bem estrelar ensaios fotográficos da Vogue? Muitos homens perdiam a cabeça em pleno voo. Já as mulheres sonhavam com uma vida assim, de glamour, para suas filhotas. Peso proporcional à altura e dentição perfeita eram requisitos. Na época, quase toda jovem tinha o sonho de ser aeromoça. Sonho ainda real para muitas.

3 – Posso acondicionar sua bagagem, senhor?

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - COMPARTIMENTO GIGANTE DE BAGAGEM

E o que fazem os passageiros após entrarem na aeronave? Ora, guardar a bagagem de mão. Sinceramente, os compartimentos de bagagem das maiores aeronaves do período eram capazes, inclusive, de acondicionar skates, bicicletas e até grandes malas. As aeromoças, aliás, deveriam, também, fazer musculação. Imagine só levantar essa gaveta mantendo o eterno sorriso de miss no rosto…

4 – “Portas em automático!”

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - GALERA FASHIONPronto, embarque feito, bagagem guardada no devido compartimento… hora de sentar em sua poltrona e ficar à vontade para o voo. Cinto de segurança? Pra quê, né? Vamos mesmo é fazer um tricozinho, ler uma revista (a principal era a “Life”), apreciar a paisagem interior e exterior. Tudo, aliás, com muita classe e com a melhor roupa do armário. Viajar, ora, era um luxo só!

5 – Um papo sobre as últimas tendências da moda

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - PENTEADOS E CHAPÉUSSimpáticas, as aeromoças também arranjavam tempo para conversar com os passageiros. Quem sabe não falavam da vida que levavam nas alturas, dos lugares que conheciam mundo afora, das experiências da profissão? Tudo com classe e uniforme feito por estilistas famosos. O finado Clodovil (1937-2009), por exemplo, foi responsável durante dez anos pelas roupas das aeromoças da extinta companhia aérea Vasp. Gente phyna.

6 – Comer e comer é o melhor para poder crescer!

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - ALMOÇO ESTILO CEIA DE NATALUau, hora de encher a barriga. Olhem só a felicidade do casal ao ser servido com o melhor da culinária internacional. Até a classe econômica tinha direito a refeição completa. A Varig teve cozinhas em Brasília, Recife, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Nova York e Lisboa. E a Transbrasil servia feijoada a bordo na época.

7 – E que tal refazer a make-up no banheiro?

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - BANHEIRO DE HOTELDepois das refeições, nada como refazer a maquiagem e dar um trato no visual, no banheiro, que mais parecia suíte de bons hotéis. Faltava só a banheira de hidromassagem para a ostentação ser nível 6. Nada parecido com os apertados boxes de hoje em dia, onde mal cabe uma pessoa sentada. Dava até para fofocar cazamigas! Aliás, o que será que as mulheres tanto conversavam nos banheiros desses aviões?

8 – Vamos ali curtir um boteco aéreo…

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - AZARAÇÃO NA HAPPY HOURSim, os maiores aviões tinham um andar próprio para comer uns belisquetes, tomar uns drinks e até dar uma namoradinha, como o casal à esquerda, na foto. Muitos romances começavam nesses aviões que reuniam gente rica e phyna. Ah, e até gente como o senhor ali à direita, na foto, com camiseta havaiana e bem à vontade, como se estivesse numa festa à fantasia. Quem podia, podia.

9 – … e, também, uma musiquinha!

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - BARES NO AVIÃOQuando a coisa esquentava nas alturas, os passageiros se empolgavam, cantavam e dançavam. Sim, em algumas aeronaves, havia até piano-bar. Só fico imaginando a seleção musical (o termo setlist ainda não havia sido inventado…): um twist de Chuck Berry aqui, um Love me Tender do Elvis Presley ali e até uma bossa nova do Tom Jobim acolá. Esse povo sabia curtir.

10 – Seria o piloto ou seria o garçom?

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - PILOTO SERVE COQUETELEm alguns casos, até mesmo o piloto era capaz de assumir o bar e servir os convidados. Para isso, deixava o avião a cargo do piloto automático ou do copiloto – atualmente, em alguns países, não é mais permitido que uma pessoa fique sozinha na cabine de comando, por medida de segurança… Gente, imaginou ser servido pelo próprio comandante do voo e ainda ouvir boas histórias?

11 – Bronzeando os pulmões

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - LIBERADO FUMARNuma realidade bem diferente, os passageiros podiam fumar à vontade. E não só escondido no banheiro (o que é terminantemente proibido). Cigarros, charutos e cachimbos eram liberados nos voos. E só não eram enquanto a aeronave estivesse em solo porque as empresas diziam que a fumaça do tabaco e do fumo poderia causar incêndio em contato com o gás liberado pelo combustível durante o reabastecimento. Imagine o fumacê!

12 – Cansei, acho que vou tirar uma soneca

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - HORA DE DORMIR NO HOTELQuem preferia uma soneca a um cigarrinho logo procurava um lugarzinho para dormir. Entre as décadas de 1940 e 1950 os aviões possuíam camas embutidas para os passageiros da 1ª classe. As aeromoças também checavam se estava tudo bem e levavam revistas para facilitar o sono das pessoas e até bons edredons e travesseiros. Um mimo bem legal. Depois, era só adormecer e roncar.

13 – Antes, vou botar os pimpolhos na cama

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - CRIANÇAS DORMINDO NA BELICHEOlhem só que fofo: mamãe e comissária de bordo colocando os pimpolhos na cama em pleno voo, num compartimento do tamanho de um quarto. Observem que tinha até beliche no pacote oferecido pelos principais voos internacionais. “Um chazinho, senhora?”, pergunta a aeromoça. Como não dormir bem após tanta demonstração de profissionalismo e carinho?

14 – Soneca presidencial

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - ATÉ O JK PUXAVA UM RONCOAté os governantes aproveitavam para puxar um ronco. Caso do presidente Juscelino Kubitschek, flagrado dormindo em um voo da Varig. Aparentemente cansado nas idas e vindas da construção de Brasília, JK dormiu como um anjinho naquele dia… E sem auxílio de filmes ou fones de ouvidos, que ainda não estavam disponíveis décadas atrás – os filmes ganharam popularidade nos anos 1960 e os fones de ouvido nos anos 1980.

15 – Soneca nem tão presidencial assim

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - ESPAÇO ENTRE POLTRONASE mesmo quem não era governante, imperador ou presidente tinha direito a seus dois minutinhos de sono da beleza, também. Observem o tamanho das poltronas e a distância entre elas. Bastante confortável, não? Atentem, também, para o sorriso de contentamento do senhor à esquerda, de gravata preta. Sonhando com os anjos, confortavelmente.

16 – Um tempo para escrever cartões-postais

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - CARTÃO POSTALNuma época em que não havia gadgets (smartphones, iPods, tablets, videogames), o que fazer depois de comer, beber, dormir a bordo? O ponto alto das viagens de avião nas décadas de 1950 e 1960, acreditem, era escrever cartões postais. O passageiro recebia os cards logo no embarque e aproveitava o tempo ocioso para contar sobre a experiência de voar. Um singelo passatempo.

17 – Muitos mimos no retorno ao lar

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - KIT DE BORDO CHEIO DE MIMOSSaudades de levar presentinhos para a casa após o voo? Hoje, por exemplo, até o fone de ouvido costuma ser cobrado. Antigamente, na primeira classe da extinta companhia aérea Varig, o “kit viagem” tinha meias, maquiagem, cremes para as mãos e até perfume francês. Cabe aqui uma curiosidade: o serviço de bordo da Varig foi escolhido “O Melhor do Mundo” em 1979, pela revista americana Air Transport World.

18 – Hora de dar tchau!

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - DESEMBARQUESempre bem vestidos e recuperados após a comilança, a visita ao bar e ao sono dos deuses, os passageiros chegam ao seu destino. Na Era de Ouro da Aviação, os passageiros tinham cinco vezes mais chances de sofrer acidentes. Hoje, a cada 100 mil horas de voo, ocorrem 1,33 fatalidades. Em 1952, a cada 100 mil horas de voo, ocorriam 5,2 mortes. E o número de passageiros aumentou 42 vezes nos últimos 60 anos.

19 – Uma equipe que dava gosto

15.05.2015 - BLOG  - FOTO 1 - ERA DE OURO - DESEMBARQUE TRIPULAÇÃO FIME, para finalizar, olhem só o tanto de gente que trabalhava nos aviões de grande porte, especialmente os que voavam entre a América do Norte e a Europa na Era de Ouro da Aviação. Um piloto, dois copilotos, quase 20 aeromoças para atender melhor ao passageiro, razão de ser da companhia aérea. Observem os chapéus, echarpes e glamour. Era um must!

“Arremetida é um pouso que não deu certo”

Para os pilotos, trata-se de um procedimento normal, que visa à segurança do voo; para os passageiros, um momento de preocupação e até de oração.

Freddy Charlson

Está lá no dicionário: “arremetida” significa irrupção, ataque; ação de assaltar, de arremeter; acometimento; entrada violenta e súbita; ato arrojado; procedimento em que o piloto de um avião, no pouso, decide subir novamente. Cerca de 1% das aproximações para o pouso na aviação comercial mundial termina em arremetida. Ou seja, essa tal de arremetida não é para poucos. É para os fortes! Tanto é para os fortes que os próprios pilotos de aviação têm uma “piada” sobre o termo. Eles costumam dizer que o pouso é uma arremetida que não deu certo…

Se a piada é de bom ou mau gosto, não importa. O que importa é que enquanto os pilotos consideram a arremetida – em linguagem técnica, “go around” – um procedimento normal, do tipo “mamão com açúcar”, os passageiros, meu Deus!, acreditam que, com ela, o fim está cada vez mais próximo. Sim, alguns chegam a gritar, rezar, pedir perdão a Deus, xingar piloto e tripulação até que, ufa!, o avião pousa, na grande maioria das situações, delicadamente no solo.

Mal sabem os passageiros – e este blog tenta decifrar o mistério – que a arremetida trata-se simplesmente de uma manobra feita para evitar acidentes e pousar a aeronave com segurança. O contrário de quem pensa que ela aumenta o risco para um voo. A cabine de comando decide arremeter, por exemplo, quando não há referências visuais adequadas da pista para o pouso ou se o avião não estiver estabilizado. É claro, no entanto, que a manobra precisa ser bem executada. Caso contrário…

Bem, caso contrário, pode, realmente, haver risco na aterrissagem. Se o piloto resolver não aterrissar por algum motivo, ele, então, arremete o avião e volta para o ar. Nesse caso, ele espera a ordem da torre de comando do aeroporto para fazer nova tentativa, até que esteja em condição para conduzir os passageiros em segurança e comprovar que a arremetida é uma fase normal do voo e que os pilotos bem treinados são encorajados a arremeter se as condições assim exigirem.

“O procedimento é previsto dentro da aviação, no voo por instrumento. O avião só não faz a arremetida sozinho porque precisa de um piloto para comandá-lo. As arremetidas estão previstas na carta de navegação do voo. Os pilotos têm todo o treinamento indicado para desempenhar esse tipo de atitude, pois treinam exaustivamente esse tipo de procedimento em simulador de voo”, afirma o coronel Adriano Vargas, assessor militar da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República (SAC/PR).

Uma atitude que leva em consideração condições meteorológicas desfavoráveis, excesso de vento, presença de objeto ou outra aeronave na pista, ou o aparecimento de aves. Segundo ele, a história é mais ou menos assim: o piloto decide aterrissar a aeronave e vê a pista livre. Beleza, aterrissa. Se não viu, opa, sinal de alerta ligado. Momento para pensar em arremeter.

“Se um avião ainda está parado na pista de decolagem, o piloto não pode pousar. Se aparecer um animal na pista, o piloto também não pode pousar. Há lugares em que entram vaca ou cavalo na pista. Em aeroportos maiores, como em Brasília, por exemplo, corre-se o risco de aparecer, no máximo, um cachorro, devido a boa proteção da cerca que circunda o Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek”, conta o coronel Adriano Vargas.

PROBLEMA

Problema mesmo é se aparecer um cachorro, ocorrência de invasão de pista mais comum e que pode causar alguns problemas: um pneu estourado, o que aumenta as consequências de falta de estabilidade do avião durante o pouso; algum tipo de vazamento hidráulico, em consequência do estouro do pneu, que pode fazer o avião pegar fogo e até explodir; ou ainda o motor da aeronave “sugar” o animal.

“Os acidentes aéreos ocorrem, em sua maioria, durante os procedimentos de pousos e decolagens, mas eles raramente acontecem por causa de arremetidas. A arremetida é um procedimento de segurança, repito. Eu fico tranquilo quando uma aeronave arremete, porque o piloto está tomando as medidas de segurança adequadas”, explica o coronel Adriano Vargas.

Os pilotos devem checar todos os procedimentos antes da descida da aeronave: aproximação, pouso e arremetida. Procedimentos, aliás, que são inseridos no computador de bordo. Se ele decidir arremeter a aeronave, deve comunicar um órgão de controle. Todos devem saber da necessidade do ato. Até os passageiros, também, né?

Definido o procedimento a ser realizado, o piloto – que treinou arremetidas em simuladores de voo até ficar craque na parada – começa a preparar o avião para o pouso, já que é necessário reduzir a velocidade e alinhá-lo corretamente na pista, tomando cuidado com turbulências, vento de cauda, invasão na pista ou outra aeronave em solo, por exemplo.

Se alguma ocorrência incomodar o piloto ou o Controle, ora, que ele arremeta. E que nós, passageiros, tenhamos muita calma nessa hora. A mesma calma que o piloto demonstra na cabine.

É chato, mas necessário

o-OXYGEN-MASK-PLANE-570Por que temos que voltar a poltrona para a posição vertical em pousos e decolagens? Por que temos que colocar a máscara de oxigênio em nós antes de auxiliarmos crianças? Por que as luzes são diminuídas no começo e no fim dos voos noturnos? O blog pesquisou e responde sobre essas e outras “chatices” que os passageiros precisam seguir dentro do avião.

Mariana Monteiro

“Para maior conforto e segurança, as luzes da cabine serão reduzidas”. Quem já pegou um voo noturno certamente ouviu essa frase. Mas por que a iluminação tem que ser menor em pousos e decolagens à noite? Você sabe por que temos que voltar a poltrona para a posição vertical no começo e no fim da viagem? Que diferença o posicionamento do meu corpo fará dentro de um avião daquele tamanho? E em relação à mesinha, por que não podemos usá-la durante todo o trajeto?

Ao contrário do que possamos pensar, essas regrinhas não são chatices impostas pelas companhias aéreas. As normas realmente trazem mais segurança – e bem-estar –, e são regulamentadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com o respaldo das companhias e fabricantes de aeronaves. Mais do que isso! Elas cumprem requisitos de segurança da International Civil Aviation Organization (ICAO) e International Air Transport Association (IATA).

Ok, sabemos que é uma exigência internacional. Mas e os porquês de tudo isso? Bom… a redução da iluminação é para que os comissários de bordo visualizem o exterior da aeronave com clareza, caso haja uma situação adversa em que seja preciso evacuação. Quando ligadas, as luzes de dentro do avião refletem nos revestimentos das janelas e viram espelhos que podem impedir que a tripulação enxergue possíveis obstáculos no local do pouso, como fogo, água ou um penhasco. Assim, os passageiros podem ser orientados sobre a melhor saída de emergência. A mesma lógica serve para as persianas das janelas, que devem estar levantadas nos pousos e decolagens, mesmo que seja dia.

Gwyneth Paltrow plays a flight attendant in View From The Top.Já em relação à poltrona, a questão é de saúde mesmo. Quando o avião pousa ou decola, há maior aceleração ou desaceleração. Esses movimentos causam pressão em nosso corpo, gerando desconforto e até lesões. E quanto maior a inclinação, maior a pressão. Por isso é recomendado que o viajante fique na posição mais vertical possível.

Mas e o fechamento da mesinha? Vamos combinar que essas regras não foram criadas para quem tem (muito!) trabalho a fazer e aproveita o tempo de voo para isso, não é mesmo? A mesinha é essencial para apoiarmos o laptop, tablet, caderno e afins. Sem falar nas mamães e papais que a usam como suporte para todas as parafernálias que uma criança precisa ter por perto.

Certo, querido, mas você já parou para pensar que a mesinha pode se tornar uma arma em caso de pouso de emergência em pista com obstáculos? Pois é justamente por isso que temos que fechá-la. Numa eventual desaceleração brusca, somos projetados para frente, mesmo com o cinto, podendo machucar nosso corpo. Além disso, no caso de uma evacuação forçada, a mesinha pode atrapalhar os passageiros a saírem do avião com rapidez e segurança.

Em meio a essas regras chatinhas, convenhamos, mas extremamente necessárias, ainda temos a máscara de oxigênio, que “cairá sobre nossas cabeças em caso de despressurização da cabine”. A pergunta que provavelmente muita gente faz a si mesmo sempre que recebe as orientações na decolagem: por que temos que colocá-la em nós antes de auxiliarmos crianças ou pessoas com dificuldades? Você que é pai, mãe, avó, avô, madrinha, padrinho, tia ou tio conseguiria não priorizar seu ente querido? É meio instintivo proteger a “cria”. Pois bem, emocional à parte, a instrução faz todo sentido. Precisamos garantir a nossa respiração e integridade física, para termos condições de ajudar os pequenos ou alguém com dificuldades. Afinal, se não estivermos bem, como cuidaremos do outro, não é mesmo?

ELETRÔNICOS

30102014.SelfieOutra coisa que incomoda bastante o passageiro é ter que desligar o celular ou qualquer outro aparelho eletrônico em determinados momentos do voo. Mas você sabia que desde outubro isso mudou? A Anac liberou o uso de eletrônicos portáteis durante todas as etapas da viagem de avião, inclusive no pouso e decolagem. A única exigência é que o viajante respeite regras de segurança, como acionar o modo avião e manter o bluetooth e o wi-fi desligados. Os aparelhos podem ser utilizados em aviões que passaram por testes ou avaliações específicos sobre a imunidade à interferência dos dispositivos portáteis. No entanto, cabe às companhias aéreas solicitar permissão à Anac para liberar o uso dos equipamentos. As empresas devem apresentar documentação com avaliação de risco.

OBSERVAÇÃO: As normas comentadas neste post também podem ser conhecidas nos cartões de instrução que ficam guardados nos bolsões das poltronas das aeronaves.

Sim, gente, voar é seguro

learn-to-fly-foo-fighters-tutupashFreddy Charlson

Em nossa última postagem, contamos um pouco sobre o medo de avião, algo comum para muitas pessoas, e listamos algumas dicas para aliviar o sofrimento de quem tem que lidar com isso. Pois hoje vamos mostrar que pilotos bem treinados, aviões com boa manutenção e legislação exigente são motivos de tranquilidade para os passageiros.

Direto ao ponto: voar é seguro! Creia! É o segundo meio de transporte mais seguro, só perdendo para o elevador. Sim, isso mesmo: mais seguro do que andar de avião só mesmo se você pegar um elevador. Coloque na cabeça: voar é seguro, seguro, seguro. Para ele cair, é preciso que haja um alinhamento de planetas, ou seja, uma série de ocorrências.

O risco do passageiro sofrer um acidente de avião, por exemplo, é de um em três milhões. É preciso que a pessoa embarque uma vez por dia durante oito mil anos para ocorrer uma tragédia. E só 10% dos acidentes são causados por defeitos na aeronave.

Para atingir esse nível de excelência, a aviação comercial trabalha com o princípio da redundância: dois motores, dois pilotos e vários sistemas. E o cuidado com a segurança começa na compra do bilhete, passa pelo treinamento dos pilotos, comissários de bordo e mecânicos das aeronaves, pelo rigoroso programa de manutenção preventiva e verificações periódicas das aeronaves e vai até o momento do desembarque.

Painel blog

Foto: Elio Sales/SAC-PR

Aliás, poucas atividades humanas têm legislação e órgãos como as que cuidam do transporte aéreo, como a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), que busca desenvolver técnicas de navegação aérea e o progresso desse transporte, para melhorar a segurança. Os aviões têm padrões básicos de segurança superiores ao exigido pela legislação. E com direitos a testes de todos os equipamentos. Não importa se mais antigos ou mais modernos, todos passam pelos mesmos procedimentos.

E mesmo quando ocorre um acidente será avaliado o motivo e os meios para evitar os próximos. Além de haver mecanismos de investigação de acidentes, embora o ideal seja preveni-los, claro. Um tipo de atitude que não é comum no transporte terrestre. “O cidadão nunca viu uma curva numa rodovia ser modificada após um acidente. Ele até vê as placas ‘curva perigosa’, ‘curva muito perigosa’, ‘ocorreram tantos acidentes nesta curva’. Mas porque não corrigiram a curva? Nada mais lógico que corrigir o erro naquele ponto e não somente avisar o cidadão”, reflete o brigadeiro Jorge Kersul Filho, ex-chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

Ele conta que em mais de 93% dos acidentes aeronáuticos há sobreviventes. E que, mesmo quando eles ocorrem, ainda há chances de sobrevivência. “Muitos acidentes podem ser evitados com melhor análise das condições meteorológicas e treinamento mais gabaritado da tripulação. As máquinas atuais são modernas. Para o avião perder o sistema hidráulico é preciso perder o primeiro, segundo e o terceiro sistemas que ajudam no abaixamento e recolhimento do trem de pouso e uso dos flaps, por exemplo. E se o sistema elétrico entrar em pane há uma bateria reserva, que facilita o pouso em lugares escuros”, explica o brigadeiro.

O Comandante Harley Meneses, diretor de segurança operacional da TAM, afirma que a aviação comercial tem todos os meios para garantir a segurança de um voo. “A companhia aérea utiliza a mais alta tecnologia no monitoramento dos componentes das aeronaves, a chamada telemetria. O time é capaz de detectar e solucionar problemas, caso apareçam, a partir da base em São Paulo, em aeronaves da TAM em qualquer parte do mundo”, garante.

E A TURBULÊNCIA, GENTE?!

Ora, toda aeronavebilde é desenhada e construída para suportar um certo nível de turbulência. Além disso, tem sistemas que evitam áreas de turbulência. As aeronaves são obrigadas a informar as áreas de turbulência, mesmo em céu claro. E essa informação é divulgada amplamente. Normalmente, só a turbulência não derrubaria um avião. Há uma sequência de eventos. A turbulência pode levar a uma perda de controle da aeronave, por nervosismo ou falta de experiência dos pilotos.

Vale ressaltar, ainda, que as turbulências são inerentes à aviação, e podem causar desconforto aos passageiros. Por isso é importante que todo passageiro mantenha o cinto de segurança afivelado durante todo o voo mesmo que o aviso de atar cintos não esteja ligado.

Do ponto de vista dos pilotos, eles passam por intensos e recorrentes treinamentos, realizados em simuladores e em sala de aula que os preparam para agir de forma rápida em situações de turbulência e, acima de tudo, saber identificar possíveis áreas de turbulência.

E se o tal “alinhamento de planetas”, citado no início deste texto, ocorrer? Bem, muito provavelmente será na decolagem, subida, aproximação ou pouso, momentos em que eventos desse tipo mais acontecem, segundo as estatísticas – 75% dos acidentes ocorrem nessa fase do voo. Movimentos de manobra, altitude de cruzeiro e descida são os, digamos, mais seguros. A verdade é que a decolagem e o pouso forçam fisicamente a aeronave e exigem rapidez e destreza da tripulação.

Que tal curar o medo de avião?

Freddy Charlson

medo de voarCerca de 40% dos brasileiros tremem só de pensar em viagens aéreas, mas com técnicas de relaxamento e autocontrole é possível superar o trauma de embarcar no mais seguro meio de transporte

Para ouvir enquanto lê:

O folclórico e sumido cantor cearense Belchior já entoava, nos idos da década de 70, os clássicos versos “Foi por medo de avião/Que eu segurei/Pela primeira vez a tua mão (…)” O tempo passou, mas a prática – ok, pode chamar ato de quase desespero – acredite, não mudou. Muita gente ainda faz isso com o colega ao lado (marido, mulher, namorado, namorada ou até mesmo desconhecidos!) quando o avião dá uma balançada ou faz algum barulho, digamos, diferente.

Aí, não tem marmanjo, não tem criança, não tem ninguém imune ao susto, à risada nervosa, ao medo de que a aeronave comece a despencar, de que as máscaras de ar caiam de seus compartimentos, de que as luzes comecem a piscar e até que as mochilas e bolsas saltem do bagageiro. Sim, o medo é livre…

E não é para pouca gente, afinal cerca de 30% da população mundial, segundo estudos norte-americanos, têm medo de avião. No Brasil, a estimativa, de acordo com pesquisas do Ibope, é de que esse número chegue a 40%. Voar, afinal, tem sido uma experiência nova para muita gente, graças ao crescimento econômico do país e a maior oferta de voos, com redução no preço das passagens. Com mais gente voando, mais gente tem medo. Os números de 2014, aliás, não ajudam nisso: sete acidentes aéreos em voos da aviação comercial ocorreram no ano passado, o maior número desde 1946, e com 762 vítimas fatais, o que deixou muita gente ainda mais apreensiva.

Caso da designer de interiores Maria Fernanda Seixas, 30 anos, que viaja desde pequena ao Rio de Janeiro para visitar a família. Teoricamente, esse vai e vem entre Brasília e Rio de Janeiro deveria acostumá-la à rotina de avião, certo? Nada disso. Maria Fernanda não se acostumou mesmo com essa rotina. “Já era para ter acontecido isso. Mas não mesmo. Eu acho que meu medo de voar está é aumentando”, conta.

Um medo que começou em 31 de outubro de 1996, quando ela tinha meros 12 anos. Naquele dia, um avião da TAM caiu sobre casas em São Paulo e deixou 99 mortos. Meses antes, em março, outro acidente aéreo vitimou a banda paulista Mamonas Assassinas e que, também, chocou a, então, menina. “A internet estava começando a bombar e a galera divulgava as fotos dos corpos carbonizados do Dinho e da banda. Vi aquilo e fiquei impressionada. Ali começou o meu medo de verdade”, lembra.

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O tempo foi passando e o medo de Maria Fernanda passou a ser quase incontrolável. Depois que engravidou do filho Tarso, passou a ficar ainda mais tensa e a apertar a mão do marido durante os voos. “Ah… passei a incomodar as pessoas. Pior quando o avião chegava em Brasília, onde sempre tem turbulência. Uma vez um moço até veio conversar comigo para tentar me acalmar”, confessa.

Certa vez, antes de uma viagem para a Europa, Maria Fernanda não resistiu e procurou um psiquiatra uma semana antes da viagem para pedir um remédio que a fizesse dormir durante o voo. “Ele me receitou um medicamento tarja preta. Dormi a viagem inteira. Na ida e na volta. Uma maravilha!”, lembra. Atualmente, o que tem ajudado Maria Fernanda a suportar o drama é sua tentativa de autocontrole. Ela fala, mentalmente, palavras como “segurança”, “paz” e “tranquilidade”. Vai que cola! Pelo menos, torna-se um pequeno alívio para a única pessoa da família a sentir medo de avião… mas que também dorme mal na noite anterior, transpira muito no avião, não consegue se concentrar com filmes, livros ou cruzadinhas, fica inquieta, balança as pernas o voo inteiro e por aí vai. E que acha crucial ficar na janela para olhar a, oh!, placidez das nuvens. “A falta de controle me incomoda muito, acho que meu medo vem daí. No ônibus, eu posso pedir para parar. No avião, não tenho controle nenhum da situação. Entrego minha vida ali”, explica.

Nesses momentos, a designer de interiores sempre lembra de uma frase do finado escritor pernambucano Ariano Suassuna, que também tinha muito medo de avião: “Prefiro enfrentar os buracos da estrada do que o buraco que te acompanha a viagem inteira”. Simples assim.

Quer dizer… não tão simples assim.

ANSIEDADE

Segundo Antônio Pedro de Mello Cruz, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB) e estudioso das relações de medo e ansiedade, com doutorado em Psicobiologia (neurociências do comportamento), o medo de viajar de avião é normal. Para ele, a primeira coisa que a pessoa deve ter em mente é que o medo é uma reação normal frente a situações de “perigo real”, que ameacem a integridade física ou psicológica do indivíduo.

Ele explica que não há uma linha que demarque com clareza onde termina o medo e a ansiedade normais e começa o medo patológico. Dois critérios são levados em conta para esclarecer a situação: quando o indivíduo passa a apresentar essas reações diante de um inimigo que não apresente um perigo real e quando reage com intensidade ou frequência exagerada.

O especialista sugere que uma forma de combater o medo de avião é enfrentar o problema numa espécie de “terapia de choque”, expondo a pessoa à situação. “Viajar muito, por exemplo, é uma forma de terapia que expõe o sujeito à situação. Para tirar esse medo ele precisa entrar em contato com a situação. Infelizmente, o comportamento de evitar o ambiente reforça o próprio comportamento fóbico. O sujeito que tem realmente fobia de avião, chamado de medo patológico, vai viajar de carro, de ônibus, de qualquer outra coisa”, define Antônio Pedro de Mello Cruz.

ORAÇÃO

Como faz, por exemplo, o jornalista capixaba Ricardo Mignone. “Meu avião agora tem quatro rodas!”, ele gosta de dizer, deixando claro que prefere viajar de carro. Há algum tempo, aliás, Mignone só entrava em avião se fosse obrigado e ainda rezava muito antes e durante o voo.

“Quando caiu o avião da TAM em 15 de julho 2007, em Congonhas, com 199 mortos, cancelei uma viagem de avião pra São Paulo, que seria dois dias depois, e fui de carro. Uma vez, peguei uma turbulência braba durante uns 30 minutos após decolar de Manaus para Brasília em agosto de 1999. E em dezembro do mesmo ano, meu voo que ia para Havana, em Cuba, passou por um furacão no Caribe. Foi muito tenso”, lembra, sem qualquer saudade.

O tempo passou e o jornalista passou a ler e a aprender mais sobre aviões e aviação. Passou a consumir todos os tipos de publicação e documentários na televisão. “Passando a conhecer como a coisa funciona a gente fica mais seguro. Mas mesmo perdendo o medo mais forte, ainda não consigo relaxar nos voos”, lamenta.

E você, consegue? Ou, feito o bigodudo cantor Belchior, ainda vai apelar para segurar a mão do passageiro vizinho de poltrona…? Ou, como diz a música… “você não fica mais nervoso e já não grita”.

8-dicas-para-perder-o-medo-de-andar-de-aviaoMEROS

  • 7 acidentes em voos da aviação comercial ocorreram em 2014, o maior número desde 1946;
  • 762 pessoas morreram nesses acidentes;
  • 429 pessoas morreram em acidentes aéreos em 1972, o ano com o maior número de vítimas;
  • 3,91 bilhões de passageiros devem ser transportados pelas companhias aéreas em 2017, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata);
  • 2 a cada 100 milhões de passageiros morreram em acidentes aéreos;
  • 9,7% dos desastres aéreos ocorrem em julho, mês em que, historicamente, há mais acidentes
  • ALGUMAS DICAS QUE PODEM ALIVIAR O SOFRIMENTO DE QUEM TEM MEDO DE AVIÃO:
  1. Organize-se com antecedência e tranquilidade na preparação para a viagem;
  2. Diminua a ansiedade com uma boa noite de sono;
  3. Vista roupas confortáveis para viajar;
  4. Evite a cafeína;
  5. Chegue cedo ao aeroporto para evitar transtornos e correria no check-in;
  6. Leve os documentos separados para não correr riscos de problemas antes da viagem. E de ficar ainda mais nervoso;
  7. Dê um passeio pelo terminal e procure distrair-se nas lojas e lanchonetes;
  8. Observe a tranquilidade dos outros passageiros;
  9. Procure sentar no corredor, para poder relaxar, esticar as pernas e dar uma volta se necessário. O fato de sentar na janela pode levar você a querer olhar por ela e, claro, até sentir mais medo;
  10. Tente não ficar pensando no voo. Distraia-se com uma revista ou livro. Que tal fazer uma cruzadinha ou ouvir uma música?;
  11. Procure fazer um exercício de respiração inspirando, prendendo o ar e expirando;
  12. Se o avião inclinar para um lado, procure olhar para a direção oposta;
  13. Puxe conversa com os comissários de bordo, mas, claro, sem atrapalhar o trabalho deles;
  14. Se for o caso, confesse para os comissários que você tem medo de avião. Se se assustar com alguma situação, peça uma explicação sobre o que aconteceu;
  15. Se possível, converse com o passageiro ao lado, se ele der liberdade para isso. Outras pessoas também podem ter medo. Solidariedade é importante nessas situações;
  16. O momento mais difícil de um voo certamente é quando o avião passa por turbulências. Fique sentado, com os cintos de segurança afivelados, para não cair e se machucar;
  17. Não se desespere se as asas da aeronave balançarem ou o motor diminuir durante a viagem. São situações comuns em um voo;
  18. E se mesmo depois de todas essas dicas o medo ainda for dominante busque ajuda especializada ou, então, faça um curso específico para quem sofre com medo de avião.

Quinze hábitos irritantes em viagens aéreas

Não, a porta não vai abrir mais rápido se você ficar esperando em pé aflito no corredor do avião (foto: ChaGià José/Creative Commons)

Não, a porta não vai abrir mais rápido se você ficar esperando em pé aflito no corredor do avião (foto: ChaGià José/Creative Commons)

Freddy Charlson

Avião é um lugar apertado, desconfortável e no qual você precisa encarar vários minutos ou horas de intimidade forçada com estranhos. A diferença entre uma viagem agradável ou um inferno completo depende em grande parte da tripulação, claro. Mas há muita coisa que cada passageiro pode fazer para amenizar a experiência dos vizinhos de cabine.

Não exagerar no consumo de álcool e não falar alto são o mínimo. A discrição é o passaporte para um bom voo. “O avião não é sua casa, ora. Ele é um local transitório, comunitário. É importante a pessoa manter a educação e ser o mais discreta possível durante o tempo em que permanecer na aeronave. Se todo mundo fizer certinho, a coisa funciona”, aconselha a consultora de comportamento Claudia Matarazzo.

Claudia – e um monte de gente – lamenta também o fato de muitos passageiros não terem preocupação com o outro ao não colaborarem, também, para a limpeza do avião. E ela diz perceber esse tipo de atitude principalmente ao desembarcar. “São sacos deixados no chão, fones de ouvido largados em qualquer lugar, revistas jogadas nas poltronas, cobertas desarrumadas. Um horror desnecessário.”

A boa etiqueta no voo deve levar em consideração a não invasão do espaço alheio. Tudo que é alto é ruim: música, conversa, movimentos. Em relação às vestimentas, fica a dica: o passageiro vizinho não é obrigado a compartilhar tanto assim a sua intimidade. Assim, é importante vestir-se com um mínimo de decoro, sem roupas muito curtas ou decotadas. Ou, pior, não vestir-se feito uma cebola, para não ter que ficar tirando as roupas aos poucos, ao preço de cotoveladas no vizinho.

“Outra situação que deve ser evitada é a de abrir o bagageiro a todo o momento para checar roupas ou compras. Sugiro deixar uma sacolinha à mão, debaixo do banco, por exemplo. Também não é de bom tom fazer pedidos extras aos comissários. Eles não podem ser ocupados por você o tempo todo. São dezenas de pessoas para atender”, lembra Claudia Matarazzo.

Abaixo você encontra uma lista (não exaustiva) de 15 coisas a fazer e a evitar para não ser um mala a bordo.

  1. Não adianta correr para fazer fila assim que chamam para o embarque. Os lugares são marcados, lembre-se disso.
  2. Há uma regra a ser cumprida em relação ao tamanho e ao peso das malas de mão. Algumas companhias toleram bagagens fora do padrão em alguns voos, mas é sempre um mico – e um estorvo para os outros – você ficar de um lado para o outro tentando encaixar o trambolho no bagageiro.
  3. Falando em bagagens de mão, evite viajar com um monte delas. O espaço na cabine é apertado e outros passageiros têm direito a compartilhá-lo.
  4. Se for viajar com crianças pequenas, prefira os voos noturnos, quando elas já estão para dormir. E não se esqueça de levar passatempos para a molecada – caso não durmam.
  5. Não puxe papo com quem não quer conversar. Observe os sinais e veja se a pessoa também gosta de uma boa prosa durante o voo.
  6. Evite usar o banheiro do avião. Se você é desses que precisam ir toda hora, prefira ficar na poltrona do corredor – até para não perturbar o sono dos passageiros ao lado.
  7. Não tente “cantar” as aeromoças ou os comissários de bordo. Eles estão no voo a trabalho. E isso pode dar processo.
  8. Controle o consumo de álcool a bordo. Ninguém merece bêbado gritando no voo.
  9. Não deixe o seu lugar sujo ao desembarcar. Cuide do seu lixo.
  10. O Brasil é um país tropical, certo, mas avião não é praia. Mantenha algum decoro na vestimenta. Camiseta regata e chinelo, por exemplo, não são figurino adequado para uma viagem aérea.
  11. Contente-se com a sua comida, mesmo que o vizinho tenha dispensando a dele. Fique à vontade, porém, para pedir algo. Pergunte ao comissário se é possível.
  12. Mantenha o asseio. Use desodorante e tenha muito, mas muito cuidado mesmo ao tirar os sapatos durante o voo.
  13. Poucas coisas são tão chatas no voo quanto chutar a poltrona do passageiro da frente. Ou apoiar o braço na poltrona do vizinho. Não seja espaçoso.
  14. A porta não vai abrir mais rápido se você se levantar correndo para pegar sua mala no bagageiro, atropelar os vizinhos e ficar esperando aflito no corredor.
  15. Não realize a fantasia de fazer sexo no banheiro. Sério.