10 aviões fabricados por montadoras de… carros!

Acreditem: as montadoras de automóveis não montam só… automóveis. De olho no mercado, elas criam peças para aviões e até as próprias aeronaves. Se vira nos 30, amigo!

Stella Vasconcelos

É como diz aquele velho ditado: “nem só de pão vive o homem”. Se nós, reles mortais, também queremos comida, diversão e arte, imagina lá se as maiores multinacionais fabricantes de automóveis iam querer produzir apenas carros! E é por isso que, desde que o mundo é mundo (ou melhor, desde que as primeiras dessas marcas foram criadas), as indústrias automobilística e aeronáutica se esbarram ao longo da história.

Se você gosta de aviões, com certeza conhece o Consolidated B-24 Liberator, o TBM Avenger e o Vought F4U Corsair. Essas aeronaves foram protagonistas da Segunda Guerra Mundial e simbolizam o avanço tecnológico pelo qual, inegavelmente, o conflito foi responsável. O que você talvez não saiba é que, durante o período, fabricantes como a Ford, a GM e até a Goodyear se empenharam em uma força-tarefa para ajudar as empresas aeronáuticas na produção de mais aeronaves. Foi assim que surgiram o Ford B-24, o TBF Avenger e o Goodyear FG-1: os mesmos aviões, só que produzidos pelas companhias automotivas. Para se ter uma ideia, ao final da guerra, a Ford havia construído 86.865 aeronaves completas, 87.851 motores e 4.291 planadores militares.

A história se repete – isso todo mundo sabe. Nesse caso, na verdade, ela se reinventou. Os caças e bombardeiros de guerra deram espaço aos jatos executivos e helicópteros de luxo. Assim como são produzidos os carros hoje em dia, com motores cada vez mais potentes e todos trabalhados na elegância e no conforto, as fabricantes de automóveis se empenham em lançar, vira e mexe, veículos aéreos que atendam o alto padrão de seus consumidores e, de quebra, ainda aumentem o seu espaço no mercado. Um show de design e performance. Sim, este é o momento em que pipocam flashes no seu computador! Senhoras e senhores, convidamos todos a entrar no fantástico mundo das listas do Blog da Aviação: desta vez, a de 10 aeronaves construídas por fabricantes de carros:


1 – Ford Trimotor

Apelidado carinhosamente de Ganso de Lata (Tin Goose) por conta de sua fuselagem com alumínio corrugado, o Ford TriMotor inaugurou a era da aviação comercial norte-americana e é, provavelmente, o avião mais conhecido da marca até hoje. A instalação dos instrumentos de motor literalmente nos motores – o que torna o Tin Goose ainda mais especial – também fez com que a aeronave se popularizasse no uso militar. Nos oito anos em que foi produzido, de 1925 a 1933, quase 200 Gansos de Lata foram construídos e vendidos pelo mundo todo – 199, afinal, a informação correta é fundamental neste blog. 🙂

2 – Ford B-24

2. Ford B-24O top dos bombardeiros norte-americanos da Segunda Guerra Mundial. Estima-se que mais de 18 mil aeronaves foram fabricadas e, para isso acontecer, foi preciso muito empenho da Ford, que construiu uma média de 650 B-24 por mês no pico da produção, em 1945. O ritmo de trabalho era tão acelerado que os pilotos e outros tripulantes dormiam em beliches dentro da famosa fábrica de Willow Run, em Michigan, esperando os aviões saírem da linha de montagem. Trabalho pouco era bobagem.

3 – Mitsubishi A6M Zero

3. Mitsubishi AGM3 ZeroA relação da Mitsubishi com a aviação não é apenas uma aventura. Já dura 81 anos, tem papel passado e tudo mais. Desde 1934, com a criação da Mitsubishi Heavy-Industries Ltda., a companhia está entre uma das maiores empresas japonesas de fabricação de navios, máquinas pesadas, vagões ferroviários e, claro, aviões. Se, por um lado, os B-24 eram os queridinhos dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, no Japão, as estrelas foram os A6M Zero da Mitsubishi. O Zero, como é conhecido, entrou em serviço em 1937 e foi o principal caça da marinha japonesa durante o conflito. A aeronave ganhou fama devido à sua autonomia, velocidade e facilidade de manobrar. Assim, dominou os combates aéreos até 1943, marcando o início da tecnologia de alta precisão nipônica. De lá pra cá, cerca de 20 aviões levaram a assinatura da gigante japonesa. O último foi o jato regional Mitsubishi Regional Jet, ou MRJ, lançado em 2014 (se estiver curioso, vá para o número 10). Mas, na boa – leia em sequência que é melhor!

4 – P-51 Mustang

4. P-51 MustangJá imaginou um Mustang em versão avião? Pois bem, ele existe. E tem mais: o nome do carro foi inspirado no nome da aeronave – produzida pela General Motors durante a Segunda Guerra Mundial. O “Cadillac dos Céus” foi desenvolvido para oferecer uma poderosa mistura de velocidade, alcance e poder de fogo. E conseguiu. Dizem por aí, inclusive, que os P-51 Mustang abateram 4.950 aeronaves inimigas ao longo da guerra. Hoje, a aeronave virou peça de colecionadores nos quatro cantos do planeta.

5 – Fiat G-55 Centauro

5. Fiat G-55 CentauroA coisa pegou tanto fogo (literalmente, que triste…) na Segunda Guerra Mundial que até a Fiat entrou na onda da construção de aeronaves. O G-55 Centauro não foi o primeiro modelo produzido pela empresa, mas foi, certamente, o principal avião italiano usado na guerra, por volta de 1942. O projeto original da aeronave contava com quatro metralhadoras na fuselagem e um canhão central no eixo do rotor, mas, posteriormente, duas metralhadoras foram removidas e dois canhões foram instalados nas asas. A produção do G-55 prosseguiu após o fim da guerra, e o caça foi exportado para vários países.

6 – FA-200 Aero Subaru

6. Fuji FA-200 Aero SubaruA Fuji Heavy Industries, dona da Subaru, foi responsável pela produção do primeiro avião de treinamento japonês a jato, o T-1. A aeronave foi testada em 1958, mesmo ano em que ocorreu o lançamento do minicarro Subaru 360 (nome: Fuji Heavy Industries, sobrenome: trabalho). Mas essa é apenas uma curiosidade. O avião que conquistou a 6ª posição na nossa lista foi o FA-200, um pequeno monomotor a pistão para quatro ocupantes, cujo apelido era “Aero Subaru”, lançado em 1965.

7 – Citroën RE 210

7. Citroen RE-2Em 1975, a Citroën – com toda a sua creative technologie (ok, gente, trata-se do slogan da montadora) – desenvolveu um helicóptero de dois lugares com motor rotativo movido a pistão e eixo vertical. Tudo isso como parte de um plano da companhia de fabricar motores aeronáuticos, que não foi pra frente. O RE 210 realizou mais de 200 voos teste e acabou no Le Conservatoire Citroën, museu que abriga a maior coleção de veículos da marca em todo o mundo. Certeza que vale uma visita.

8 – EC145 Mercedes-Benz Style

8. Mercedes EC 145Primeiro helicóptero com a assinatura da Mercedes-Benz, não dá para esperar pouco do EC145. Desenvolvido em parceria com a consultora Eurocopter, o helicóptero pode transportar até oito passageiros e ainda tem um compartimento de carga capaz de armazenar até uma bicicleta. Ah, para melhorar, todos os assentos possuem trilho e podem ser retirados para alocar mais bagagens se preciso for. E não para por aí. A iluminação da aeronave foi inspirada nos carros das classes E e S da montadora, ou seja, o negócio é fino e tem opções de ajuste de intensidade e cor. Já as janelas do cockpit podem ser totalmente abertas, assim como os veículos da Mercedes classe R. Por último, mas não menos importante, a máquina tem um compartimento refrigerado para bebidas, monitor de 15 polegadas e reprodutor de DVD. É mesmo “The Best or Nothing”, sacaram?

9 – Honda Jet
9. Honda JetSe você é empresário, estrela de cinema ou, sei lá, tem muito dinheiro, acho que pode gostar dessa ideia. O jato de pequeno porte da marca (categoria também conhecida como very light jet), anunciado como “o mais avançado do mundo”, começou a voar em 2014. Possui dois motores montados na superfície superior da asa principal e um design inovador que – de acordo com a empresa – reduz o arrasto a altas velocidades e aumenta a eficiência da aeronave.

10 – Mitsubishi Regional Jet
10. Mitsubishi Regional JetApós tentativas da Mitsubishi que, no bom português, “deram ruim” (lê-se YS-11), o Mitsubishi Regional Jet – MRJ, para os íntimos, é a aposta da marca para voltar com força total à indústria da aviação civil após 50 anos. O avião a jato regional será produzido em parceria com a coleguinha Toyota. Digo “será” porque o MRJ só deve entrar em funcionamento no início de 2017. O avião, menos poluente e mais silencioso e confortável que os jatos regionais existentes, segundo a própria fabricante, vai concorrer com a brasileira e Embraer e a canadense Bombardier, que dominam o mercado de aeronaves regionais. A briga vai ser boa.

Anúncios

Destrave sua mesinha e bom apetite!

O Blog da Aviação foi atrás dos bastidores do serviço de bordo das companhias aéreas e descobriu algumas curiosidades, dentre elas que esse tipo de atividade é chamada de catering. Saiba um pouco mais!

Mariana Monteiro Featured image Há quem ache saborosa, há quem ache insossa. Tem mais elaborada, tem aquela prática e rápida. É de graça ou paga. Mas o que a maioria das pessoas não sabe é de onde vem, como é feita, distribuída, armazenada e escolhida a comida oferecida em viagens de avião. No Brasil, cada companhia aérea tem liberdade para montar o cardápio. Não há uma padronização, mas as empresas optam por escolher o tipo de alimento de acordo com a duração e horário do voo. Então como é em cada uma das principais companhias que operam no Brasil? A TAM*, por exemplo, serve aos passageiros de voos com até uma hora de duração apenas água, suco e refrigerante. Em rotas de uma a duas horas, além das bebidas, são oferecidos salgadinhos assados, e naquelas entre duas e três horas, é distribuído um kit com biscoito, queijo e bolinho. Já aqueles que viajarão por mais de três horas podem comer um sanduíche que é capaz de substituir uma refeição. Clientes da Azul reBlog_03cebem petiscos (variados biscoitos, castanhas, batatinha chips e balinha de goma) em todos os voos nacionais. Quando a viagem é internacional, o passageiro da classe executiva tem ainda mais opções, como canapés, saladas, sopa, pães, sobremesas, frios, quiches e bebidas (não alcoólicas e alcoólicas). Aquele que opta pela classe econômica tem à disposição cerveja, vinho, água, suco e refrigerante, além de pratos quentes, frutas, pães, iogurtes e sobremesas. Já os clientes da Avianca, contam com um serviço de bordo composto por um sanduíche (quente, na maioria dos voos), refrigerante, suco, água, café e sobremesa. O diferencial da companhia, no entanto, é a diversidade do lanche, que varia de cidade para cidade. Na ponte aérea Rio-São Paulo, por exemplo, sempre tem novidade, como o festival de massas e o de empadas. E ainda nos voos que fazem o trajeto até as 11 horas da manhã, há o “café da manhã de padaria”, com pães de queijo, misto-quente, frutas e outros alimentos apetitosos.

A Gol é a única companhia, dentre as quatro maiores, onde o serviço de bordo é pago nos voos domésticos. Independente da duração do voo, o menu inclui sanduíches, salgadinhos, sucos, cerveja, vinho, cafés, entre outras opções. Na ponte aérea Rio-São Paulo, as opções são gratuitas e variam de acordo com o horário do dia, podendo ser mini sanduíches, bolos, biscoitos ou tortas salgadas. Nos voos internacionais, o cardápio também é gratuito e conta com lanches ou refeições mais saudáveis, incluindo saladas, vegetais, frango. As opções também podem variar de acordo com a duração da viagem.

BASTIDORESSAC_1943

OK, já sabemos o que as aéreas oferecem como alimentação durante os voos. Mas como essa comida chega até o passageiro?

Bem, no Brasil as companhias contratam empresas especializadas em catering. Um mesmo fornecedor atende vários estados ou pode haver um para cada local, por isso a oferta de alimentos pode variar de um lugar para o outro.

A LSG Sky Chefs é um desses fornecedores de catering aéreo. No Brasil, possui unidades de produção que prestam serviço para nove aeroportos: Guarulhos, Viracopos, Galeão, Santos Dumont, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém e Natal. Por dia, são feitas cerca de 50 mil refeições para mais de 700 voos. Os alimentos são preparados fora do aeroporto, o mais próximo possível da hora do consumo, para a conservação adequada. Pratos frios, por exemplo, são produzidos em média de 12 a 18 horas antes de serem servidos. As bandejas são montadas ainda na unidade do fornecedor, e de acordo com os padrões definidos pela companhia aérea. Após a montagem, elas são armazenadas nos trolleys, que são aqueles carrinhos que as aeromoças empurram pelo corredor do avião. Os trolleys então são catalogados por número do voo e aguardam em uma câmara resfriada até o horário do transporte para o aeroporto por caminhões. Em Guarulhos, esse trajeto leva 12 minutos. RESTRIÇÕES ALIMENTARES Mas e se você não come nada disso do que já foi dito aqui? Se você tem algum tipo de restrição alimentar, como intolerância a glúten, possui doença que imponha dieta específica ou se é vegano ou vegetariano não precisa passar fome quando viajar de avião. As companhias aéreas oferecem refeições especiais. Basta informar, com antecedência à data do voo, que tipo de menu especial necessita. O mesmo pode ser feito para a alimentação das crianças a bordo.