Do 14-Bis ao Quasar, dez aviões brasileiros com nomes bacanas

O Blog Check In homenageia a indústria aeronáutica brasileira, uma das maiores do mundo em número de criações e faturamento, criando uma lista com 10 aviões curiosos. Tem desde a criação de Alberto Santos Dumont até o moderno Legacy

Freddy Charlson

14-Bis, o pioneiro – Ah, o 14-Bis. Pois é, bem simples, a criação do inventor brasileiro Alberto Santos Dumont era tipo uma mistura de aeroplano com o balão 14 (o ferinha curtia numerar suas criações), usado pelo inventor em outros voos. Daí, o “bis”, sacaram? Foi com ele que, em 13 de setembro de 1906, o 14-Bis, sem balão, com mais potência e chamado de Oiseau de Proie, voou 8 metros. E isso num momento da história da humanidade em que era difícil definir o que seria um “voo de avião”, lembrem-se. A polêmica ganhava o mundo. Afinal, difícil acreditar que algo mais pesado do que o ar pudesse… voar. Pois é, voou.

06.11.2015 - BLOG CHECK IN - MATÉRIA AVIÕES BRASILEIROS - FOTO 1 - 14BIS

Ah, é o meu Guri! – O AMT-600 Guri foi desenvolvido pela Aeromot, fabricante do Rio Grande do Sul, para treinamento e instrução primária de pilotagem. O pequenino tem dois lugares (lado a lado) na cabine e trem de pouso fixo e triciclo. Cabem 90 litros de combustível no tanque, o que dá para voar 4h30. O gurizinho mede 8,20m, tem envergadura de 10,50m. Ah, e a altura é de meros 2,51m. O aviãozinho, fabricado desde 1985, tem pouca potência – e é aconselhável usar bem os freios para controlar a corrida na decolagem. E, por fim, o Guri é uma opção frente aos helicópteros e ainda tem maior autonomia de voo.

06.11.2015 - BLOG CHECK IN - MATÉRIA AVIÕES BRASILEIROS - FOTO 2 - GURI

Anequim, teu sorriso é um olhar de marfim – A brincadeira do título é uma alusão ao clássico Manequim, cantado pelo extinta boyband brasileira Dominó. Bem, voltando ao Anequim… trata-se de um avião que voa até 521,08 km/h. Ele foi desenvolvido Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no caso o Centro de Estudos Aeronáuticos do Departamento de Engenharia Mecânica. Com nome inspirado numa espécie de tubarão veloz e agressiva, o avião de meia tonelada de peso bateu cinco recordes mundiais de velocidade, em sua categoria. Feito de fibra de carbono, o Anequim tem um motor de 4 cilindros e é incapaz de ferir alguém. Quando bem pilotado, claro.

06.11.2015 - BLOG CHECK IN - MATÉRIA AVIÕES BRASILEIROS - FOTO 3 - ANEQUIM

Xingu, o avião índio – E eis que o bimotor monoplano de uso civil e militar – que chique! – Embraer EMB-121 Xingu foi o primeiro turboélice pressurizado brasileiro. O avião, produzido entre 1976 e 1987 – foram 106 unidades, tinha espaço para até 3 tripulantes e 9 passageiros. Tudo em um comprimento de 12,3m e peso de 5,6 toneladas. Com esses números, ele chegava a uma velocidade de 450 km/h e a uma altura de 8,5 km. A base do Xingu foi o projeto de asa do Bandeirante, um turboélice bimotor para transporte de passageiros. O avião foi o primeiro de uma linhagem de turboélices pressurizados para uso executivo, militar e transporte de passageiros. E até chegar ao EMB-120 Brasília, com 350 unidades circulando no planeta. Rolou até uma outra versão, mais silenciosa, chamada EMB-121A1 Xingu II, em 4 de setembro de 1981.

06.11.2015 - BLOG CHECK IN - MATÉRIA AVIÕES BRASILEIROS - FOTO 4 - XINGU

Tucano, uma aeronave nariguda – O primeiro voo do Embraer EMB-312 Tucano, turbohélice de treinamento e ataque leve, fabricado pela Embraer, ocorreu em 1980, mas as primeiras unidades foram entregues somente em 1983. Os primeiros a voarem com ela foram os militares do treinamento avançado na Academia da Força Aérea Brasileira (FAB), em Pirassununga (SP). A FAB encomendou 133 unidades do avião. No total, a produção da aeronave que serviu ao Esquadrão de Demonstração Aérea da Força Aérea Brasileira, a Esquadrilha da Fumaça, de 1983 a 2013, ultrapassou 600 unidades. O Tucano atingia 448 km/h a uma altura de 9.144m. Bacana, né? E media 9,86m. Por fim, podia carregar até 3 toneladas.

06.11.2015 - BLOG CHECK IN - MATÉRIA AVIÕES BRASILEIROS - FOTO 5 - TUCANO

Legacy, um avião duro na queda – O que você lembra ao ouvir a palavra Legacy? Pois é, à memória vem a lembrança de um acidente com um Boeing 737-800 da GOL que matou 154 pessoas, em 29 de setembro de 2006. A batida em pleno voo levou o então presidente Lula a decretar luto oficial de três dias, após o, até então, maior acidente da história da aviação brasileira. Bem, o primeiro voo do Legacy 600, produzido pela Embraer, ocorreu em 2001. O avião transporta até 15 passageiros e mede 26m. Seus principais concorrentes são o Global 5000 da Bombardier, o Falcon 2000 da Dassault e o G450 da Gulfstream. O Legacy 600 é um avião de luxo e custa cerca de 30 milhões de dólares.

06.11.2015 - BLOG CHECK IN - MATÉRIA AVIÕES BRASILEIROS - FOTO 6 - LEGACY

Quero-Quero, um passarinho – Para começo de conversa, só cabe uma pessoa nos Quero-Quero KW1 que ainda voam por aí. O bichinho é um planador monoplace fabricado no Brasil entre 1975 e 1981. De origem gaúcha – foi criado por um engenheiro de Novo Hamburgo –, ele voou pela primeira vez em 18 de dezembro de 1969. Uma versão modificada foi feita pela IPE Aeronaves, para uso em instrução primária, ou seja, ele era tipo o primeiro planador monoplace à disposição dos alunos. Com comprimento de 6,47m e envergadura de 15m, o Quero-Quero, nome de passarinho curioso, tem como velocidade de melhor planeio, 76 km/h.

06.11.2015 - BLOG CHECK IN - MATÉRIA AVIÕES BRASILEIROS - FOTO 7 - QUERO-QUERO

Paulistinha, paulistano – Com nomezinho simpatiquinho, o Paulistinha CAP-4, fabricado pela Companhia Aeronáutica Paulista, voou pela primeira vez em 1941. Ou seja, o bichinho tem 74 anos bem distribuídos em 6,76m de comprimento e 2,08m de altura, para meras duas pessoas. O monomotor de asa alta atingia a velocidade máxima de 220 km/h e foi um dos aviões treinadores de maior sucesso no Brasil. A FAB operou uma segunda versão do aparelho entre 1959 e 1967. O Paulistinha era feito de madeira revestida em tela e tinha fuselagem em tubos de aço, com direito a trem de pouso fixo convencional e acomodação para dois pilotos.

06.11.2015 - BLOG CHECK IN - MATÉRIA AVIÕES BRASILEIROS - FOTO 8 - PAULISTINHA

Biguá, esse menino pantaneiro – Construído numa parceria envolvendo a empresa paranaense IPE Aeronaves e o Aeroclube de Novo Hamburgo, o KW2 Biguá é um planador experimental, biplace e com protótipo projetado pelo engenheiro Kuno Widmaier. Seu primeiro voo foi em 19 de dezembro de 1974. O antigo Departamento de Aviação Civil (DAC) adquiriu o projeto do Biguá com o objetivo de dotar os aeroclubes brasileiros com planadores de construção nacional. Não deu certo. O Biguá acabou perdendo a disputa para o modelo IPE Nhapecan, totalmente construído pela própria IPE. E acabou servindo para instrução primária em Novo Hamburgo. Só um protótipo foi construído. Que peninha!

06.11.2015 - BLOG CHECK IN - MATÉRIA AVIÕES BRASILEIROS - FOTO 9 - BIGUÁ

Quasar, um raio de luz – E chegamos a 2009, ano da entrada em serviço do Quasar Lite II, avião projetado e produzido pela Aeroálcool. A singela aeronave, com nome inspirado no objeto astronômico quasar (quasi-stellar radio source, ou fonte de rádio quase-estelar) foi criada para o lazer (o consumo é baixo), para o treinamento (é de fácil pilotagem) e para pequenas viagens (dá para voar até 1.500 km com um tanque). A tripulação é espartana, apenas dois pilotos, afinal o Quasar mede meros 5,50m, tem altura de 2,18m e peso de 240kg. A velocidade máxima é de 242 km/h, ou seja, infinitamente menor do que a de um quasar original. Fica a dica.

06.11.2015 - BLOG CHECK IN - MATÉRIA AVIÕES BRASILEIROS - FOTO 10 - QUASAR

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Sonhando (e voando) acordados

Cem crianças carentes de escolas de Planaltina (DF) e Cabeceira Grande (MG) passam momentos inesquecíveis no Aeroporto Internacional de Brasília e num A-320. Nenhum deles havia entrado antes num avião; foram instantes de alegria e emoção

Freddy Charlson

“Atenção, passageiros mirins da Escola Classe ETA 44 e da Escola Professora Hozana, por favor, preparem-se. O embarque de vocês vai começar agora!”

15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - ANDANDO NO TERMINAL

O aviso informal – bem mais informal do que o habitual – feito ao microfone por um funcionário da TAM causou um abalo de 3.0 na Escala Richter (aquela que mede a intensidade dos terremotos) no saguão do Aeroporto Internacional Juscelino Kubistchek. Gritos, risadas, pulos de alegria, socos jogados no ar, uma festa. A festa, ali, em frente ao Portão 19, contagiou passageiros que estavam em outros portões. De perto ou de longe, eles se espantavam e riam com toda aquela euforia.

15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - COM CART+âO DE EMBARQUE

Não era à toa. Os 80 alunos do ensino infantil à quinta série da Escola Classe ETA 44, localizada em Planaltina, viviam um sonho. O mesmo ocorria com os 18 estudantes da quarta série do Colégio Professora Hozana, em Cabeceira Grande (MG), município a 120 quilômetros da capital do país. Para muitos, era a primeira vez que viam aviões tão de pertinho. Para quase todos, era a primeira vez que visitavam o aeroporto que recebe 400 aviões e 50 mil pessoas a cada dia. Para todos, seria a primeira vez que entrariam num avião, de verdade. No caso, um A-320, da TAM, com capacidade para 174 pessoas. Sim, aqueles meninos realizaram sonhos em série…

15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - NA ESTEIRA 15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - ENTRANDO NO PORT+âO 15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - CARROS DE BOMBEIRO

E tudo começou com uma conversa entre a Inframérica, administradora do terminal de Brasília, e a diretora da escola planaltinense, a simpática Denise Valadares de Carvalho. A concessionária queria dar uma alegria aos estudantes e bombar o Dia das Crianças. A diretoria queria dar um upgrade no projeto Meios de Transporte, que desenvolve na escola. Conversa daqui, conversa de lá, busca de parceiros ali, produção acolá. E, pronto! O projeto Passeio no Aeroporto saiu do papel e ganhou asas no aeroporto brasiliense.

Voo em solo
Asas mesmo. Os meninos praticamente voavam pelo terminal na tarde dessa quarta-feira (14/10). Chegaram em quatro ônibus escolares, ganharam camisetas, receberam uma espécie de “cartão de embarque”, passaram pelo raio-x, esperaram a chamada no Portão 19, pegaram um ônibus do aeroporto e, tchan, tchan, tchan, tchan!, entraram no avião da TAM. Ali, nove funcionários – dois pilotos e sete comissários – da empresa, baseados em Brasília, fizeram serviço de voluntariado para mostrar um pouco de sua rotina aos pequenos.

15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - NO P+üTIO

Entre demonstrações do uso correto do cinto de segurança e da poltrona e das luzes, os comissários, além de servirem água e refrigerante, divertiram as crianças. Por “divertir”, entenda-se, brincar, fazer piadas e até dançar, como fez Douglas Lupo, chamado de “Comissário Louco”. Com uma máscara de oxigênio no rosto, ele atravessou o corredor do avião repetidas vezes, dançando “Macarena”. A criançada sorriu até. E só lamentou que a comissária Myrelle Furlan não tenha feito o mesmo, apesar dos repetidos pedidos delas e da tripulação.

“Está tudo tão legal aqui. Estou adorando o passeio, afinal é a primeira vez que eu entro em um avião”, contava a animada Júlia Santos de Sá, 11 anos, aluna da ETA 44 e moradora do Núcleo Rural Sarandi, na região de Planaltina. Júlia sentou numa poltrona na parte de trás do avião, a 30B, e, de lá, observava a tudo, bastante interessada. “Quero ser médica ou veterinária. Adoro cuidar das pessoas e dos animais. E preciso trabalhar para viajar muito”, disse. “Viajar de quê, Júlia?”, perguntou a reportagem do Blog Check In. “De avião, claro. Sonho em conhecer a Europa”, confessou, entre um e outro gole de refrigerante, a filha da babá Alenuzia, e de um funcionário da Embrapa, seu Ronaldo. Boa menina.

Também bom menino, mais um milhão de vezes mais agitado que Júlia, era o pequeno Moisés Pereira Dantas, 7 anos. Ele pulava de cadeira em cadeira, fazia perguntas, pedia refrigerante… “Tô gostando, adorei entrar no avião, tomei refrigerante, li as revistas e achei tudo legal, isso aqui é muito grande”, disparava, a torto e a direito. Também morador do Núcleo Rural Sarandi, o aluno de primeiro ano aproveitou para dizer que quer viajar para Goiânia. “Fazer o quê lá, menino”, perguntou a reportagem do Blog. “Visitar meu amigo que mudou para lá, o Vladimir”, explicou o aluno da paciente professora Ana Lúcia. Uma graça, o Moisés.

Salvando vidas

E, assim, se passou a tarde. Os estudantes saíram do avião e conheceram a Seção de Combate a Incêndio, conversaram com os bombeiros de aeródromo, assistiram uma palestra sobre o trabalho deles e sobre a preservação do lixo, conheceram os equipamentos dos 64 bombeiros que atuam no Aeroporto Internacional Juscelino Kubistchek, viram os cinco carros disponíveis no Terminal, se empolgaram com as aves de rapina, gaviões e falcão, que protegem o ar e a terra em torno das duas pistas do terminal e terminaram o dia com um delicioso lanche oferecido por uma rede de fast food que tem loja no aeroporto.

15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - AVES DE RAPINA 15.10.2015 - FOTO - BLOG CHECK IN - BOMBEIROS DE AER+ôDROMO

O lanche – acompanhado de uma sacola com brinquedo, gibi, lápis de cor e folhas para colorir – foi, digamos, a cereja do bolo de uma tarde tão especial. Ao final da aventura, os pequenos estudantes estavam realizados, ainda eufóricos em realizar o sonho de se tornarem passageiros por um dia em um dos maiores aeroportos do país. Muitas, ali, naquelas idas e vindas – até o passeio na esteira foi digno de festa – tiveram, despertada a paixão pela aviação.

Paixão, aliás, que já faz parte do dia a dia de Raniel Humberto Rocha Coelho, 10 anos. Aluno da Escola Professora Hozana, em Cabeceira Grande (MG), ele sonha, um dia, em pilotar um avião. Quer voar alto, conhecer outras cidades que não a sua, que tem meros sete mil habitantes, e viajar muito. “Desde criança eu gosto de avião e até já voei num, mas como passageiro”, brincou o menino. É que o pai, conta, trabalha numa fazenda chamada Santa Matilde, no município.

E, certa feita, Raniel voou num “pulverizador”. “Pul… o quê”, pergunta a reportagem. “Pulverizador”, fala rápido, com o característico sotaque de qualquer mineirinho. “Um avião que voa baixo e joga água, sementes e veneno no solo”, explica. “E esse menino, Raniel, teve medo?”, questiona, novamente, o repórter. “Medo, não. Mas senti um friozinho na barriga, não vou negar, né?”.

Friozinho na barriga, tipo o que ocorreu no passeio, quando Raniel entrou no A-320 da TAM, avião bem maior e bem mais moderno que o pulverizador que voa baixo e que joga água, sementes e veneno nos solos das Gerais. Ali, com cara de bobo e de espanto, Raniel não deu um pio. Olhava para todos os lados. Conferiu janela, teto e corredor, prestou atenção nas orientações dos comissários e, bem, impossível saber o que ele estava sentindo ou pensando naquele momento. Impossível.

Aviação também é um negócio bizarro!

Vez ou outra aparece uma notícia esquisita envolvendo aviões, tripulação, passageiro, malucos chamando a atenção, voos com finais inusitados e até gente fazendo das tripas, coração, para entrar nesse mercado, que é cada vez mais atraente. O Blog Check-in coletou algumas histórias, digamos, um tanto diferentes, desse mundo que cresce a cada dia e que faz parte da realidade da maioria dos brasileiros. Sim, amigos, a aviação é bizarra, mas, também, é muito bacana. Embarque nessa viagem com a gente.

Freddy Charlson (revisado por Marcella Garcia)

Arte-blog

1 – Cantor veste muita roupa e passa mal em voo
Vamos ser sinceros? Pois é, ninguém curte muito essa história de pagar excesso de bagagem, não é? Tem gente, porém, que exagera. Em 2015, o cantor James McElvar, da banda escocesa Rewind, por exemplo, recusou-se a pagar o equivalente a R$ 220 por excesso de bagagem e preferiu vestir 12 camadas de roupa. O resultado? Passou mal no avião: exaustão pelo calor. Sorte do garoto que um paramédico estava no voo entre Londres e Glasgow e o socorreu. Ah, o voo era da companhia low cost EasyJet. E McElvar vestia quatro casacos, seis camisetas, duas bermudas, três calças jeans, uma jaqueta e dois chapéus. Espertão, hein?

2 – Uma soneca, um pipi e tudo bem!
Pense na seguinte situação: você está de boa, dormindo, curtindo um voo tranquilo quando, de repente, alguém faz xixi em você. Impossível? Nada disso. Foi exatamente o que ocorreu com os passageiros de um voo entre Anchorage (Alasca) e Portland (Oregon), realizado em setembro de 2015 nos Estados Unidos. Mucho loco, Jeff Rubin começou, meia hora antes do pouso, a fazer pipi entre as fendas das poltronas, acertando os colegas de voo. Aí, num momento, ele escorregou e espalhou o xixi em geral. Que desagradável. O final da história? O camarada foi preso ainda no aeroporto, e acabou sendo acusado de crime ambiental e má-conduta.

3 – Raio não perdoa nem o avião em terra
Pergunte a qualquer pessoa se ela tem medo de raios e a resposta será quase sempre que “sim”. Muitos também têm medo do avião em que viajam ser atingido por um raio, mesmo que a maioria saiba que esse fenômeno da natureza ocorre, na maioria das vezes, em altitudes mais baixas. Em agosto de 2015, porém, um raio atingiu um avião da companhia aérea Delta, em solo, durante uma tempestade, no Aeroporto Internacional de Atlanta. E um passageiro flagrou o momento. O passageiro paparazzo, Jack Perkins, aguardava a hora de seu voo para Minneapolis e fotografou o raio com o celular. Mas, calma, meu povo, os aviões são revestidos de metal e funcionam como condutores da energia. Ou seja, o raio é tipo vontade, uma coisa que dá e passa.

4 – Pouso de emergência no meio da avenida
Lugar de avião pousar é na pista. Na pista do aeroporto ou aeródromo, que fique claro. Mas há dois anos, em New Jersey, nos Estados Unidos, um avião pequeno resolveu ser tipo diferente e fez um pouso de emergência bem no meio de uma estrada. E quase acertou os carros que trafegavam no local. O avião de que se fala era um monomotor e transportava cinco passageiros, entre eles alguns alunos de uma escola de paraquedismo. O motivo? Falta de energia da aeronave. A sorte? Ninguém se feriu gravemente. Mas foi um baita susto.

5 – Gordinho, vá pra casa, emagreça e depois pode voar
A companhia aérea Air India é bem polêmica quando se trata do peso de sua tripulação. Em 2015, por exemplo, impediu que 125 tripulantes considerados acima do peso voassem. Em outras várias situações, ameaçou demitir os profissionais fora do padrão da cia. Na ocasião de dois anos atrás, a empresa, que é estatal da Índia, defendeu-se das críticas dizendo que a medida partiu do órgão regulador da aviação civil do País, tipo a Anac deles. A motivação é que talvez os tripulantes não conseguissem agir rápido em situações de emergência. Para isso, de acordo com a Air India, 600 tripulantes foram incentivados a entrar em forma em 2014, mas 125 não conseguiram. E em 2009, a companhia, que pelo visto tem tolerância zero com os gordinhos, mandou embora nove mulheres alegando questões de segurança por estarem acima do peso.

6 – “I see dead airplanes”
Tem cemitério de gente, tem cemitério de animais, tem cemitério de carros e… tchan!, tem cemitério de aviões. O de Victorville, no sul da Califórnia, por exemplo, tem um visual incrível. O depósito de aviões antigos atrai gente de todo o País para ver dezenas de aeronaves, lado a lado, no meio do deserto. O local, que não é uma atração turística oficial da região, foi uma base da Força Aérea norte-americana e virou nos anos 1990, o Southern California Logistics Airport, aeroporto logístico multifuncional. E uma dessas funções é abrigar antigas aeronaves comerciais que estão fora de uso. O aeroporto, também conhecido como cemitério, fica a 128 quilômetros de Los Angeles e não é aberto ao público. Mas sempre tem um jeitinho e a turma pode ver e fotografar os companheiros aviões de longe.

7 – Piloto tira soneca e avião despenca, mas não cai
Então, em 8 de agosto de 2014, um Boeing 777 da companhia indiana Jet Airways, a segunda maior do País, despencou por 1,5 km, enquanto estava a 34 mil pés de altitude. Agora, creia, os 280 passageiros não ficaram desesperados. A explicação? Ninguém soube. A verdade é que o piloto tirou um cochilo, previsto pela Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) para evitar a fadiga (abraços, Jaiminho!) e o copiloto checava informações no iPad. Como eles foram salvos? A galera da torre de controle do aeroporto de Ancara (Turquia) deu o toque e o copiloto acordou o comandante. Tudo acabou bem para o povo que saía de Mumbai em direção a Bruxelas, na Bélgica. A Direção Geral de Aviação Civil da Índia considerou o incidente “grave” e analisou os dados da caixa-preta do avião para apurar a responsabilidade dos pilotos.

8 – Vou ali tomar uma cervejinha… de avião!
Tem gente que gosta de tomar uma cervejinha, né? Aí, é só pegar um táxi e ir ao bar, tranquilo, de boa na lagoa. Pois é, até aí, tudo bem. O bicho pega mesmo é quando a pessoa resolve ir ao bar… de avião. Foi o que aconteceu em 2014 em Newman, cidadezinha da Austrália. De repente, um homem saiu de casa e “dirigiu” seu avião – um Beechcraft de dois lugares – sem asas e pá!, entrou no bar para tomar cerveja. A galera, ahahah, achou engraçado. A polícia – lamento, brother –, não. Considerou a atitude “estúpida” e convocou o homem para comparecer a uma audiência no tribunal local. Uma dica? Cara, não vá de avião. E quando for beber, não dirija também, hein?

9 – Um brinco do tamanho de avião…
Cheia de mimimi e burocracias, a Inglaterra, acredite, tem seus malucos. Um deles atende pelo nome de Johnny Strange – algo como Joãozinho Estranho – que, sabe-se lá o porquê, resolveu bater vários recordes para entrar no Guiness Book of Records. Um deles, o que interessa ao Blog Check-In, é o de puxar um avião com as próprias orelhas. Crazy people, o tal do Johnny, certa vez colocou umas correntes nos buracos perfurados das orelhas e arrastou um avião Cessna 172-P, por 20,4 metros. A máquina pesa exatos 677,8 kg e o feito ocorreu no aeródromo norte de Weald, em Essex. Não, as orelhas do estranho Johnny não foram rasgadas.

Quer ser comissário de voo? Pergunte-nos como!

A profissão de comissário de voo surgiu em 1930 e até hoje está associada ao glamour e à elegância. Não é raro, ao imaginar como é a vida de um comissário, pensar nas maravilhosas experiências que a carreira proporciona: estar cada dia num lugar diferente, conhecer vários lugares e ter contato com pessoas do mundo todo. Mas engana-se quem acha que essa profissão se resume a recepcionar os passageiros na aeronave e servi-los durante o voo. O comissário de bordo é, antes de tudo, um agente de segurança. Sua principal função é garantir que, da decolagem ao pouso, todo mundo esteja seguro.
Por isso, quem tem o sonho de se tornar um comissário de bordo precisa atender alguns requisitos. Antes de ingressar numa companhia aérea, o candidato precisa ser aprovado por uma escola homologada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e posteriormente, no exame da própria Agência, que autoriza o exercício da profissão. [Veja se a sua escola é homologada pela Anac aqui] Para isso, são exigidos alguns quesitos como capacidade física, psicológica e emocional, além de habilitação técnica. Quer ser comissário de voo? Pergunte-nos como!

Stella Vasconcelos
1. O primeiro passo para entrar na profissão é ser maior de 18 anos, ter completado o ensino médio e ser brasileiro ou naturalizado. Se você atende a esses pré-requisitos básicos, é só ir até uma escola de Comissário de Voo, apresentar os documentos exigidos e começar as aulas.
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2. Em cerca de quatro meses de curso, você aprende os regulamentos da profissão, estuda o Código Brasileiro de Aeronáutica, tem aulas sobre medicina aeroespacial, primeiros socorros, obstetrícia e higiene, noções de psicologia, conhecimentos gerais de aeronaves, teorias de voo, navegação aérea, meteorologia, procedimentos de emergência e segurança, e prevenção e combate ao fogo.

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3. Se você se perder alguma vez na vida, reze para estar com o seu amigo comissário. Ele sabe como sobreviver no mar, na selva, no gelo e no deserto!

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4. Depois de aprovado no curso de Comissário de Voo, o futuro comissário precisa ser aprovado na prova da Anac. São quatro grupos de 20 perguntas objetivas sobre toda a grade curricular estudada no curso, e é preciso acertar no mínimo 14 questões em cada grupo para garantir a sua aprovação.

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5. Uma salva de palmas para a aprovação na prova da Anac.

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6. Com o Certificado de Conhecimento Técnico (CCT) da Anac em mãos, o próximo passo é conseguir uma vaga numa companhia aérea.

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7. Cada companhia tem o seu próprio critério de seleção, por isso é importante verificar as exigências de cada empresa antes de fazer a entrevista.

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8. Ao ser contratado, você vai passar pelo treinamento da própria companhia aérea, que vai te ensinar os procedimentos de rotina e segurança específicos da aeronave na qual você vai trabalhar, além das normas e procedimentos da empresa.

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9. Opa! Só mais um teste. Para garantir que você aprendeu tudo mesmo, ainda precisa passar pela última etapa: o “check” da Anac, uma prova prática realizada por um avaliador certificado pelo órgão, que vai dizer se você está ou não apto a cuidar da segurança de todos os passageiros a bordo de uma aeronave.

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10. Se for aprovado, você recebe a Licença de Voo e o Certificado de Habilitação Técnica (CHT), que o credencia a atuar como comissário. Você está pronto pra decolar!

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11 (+1) músicas que falam sobre aviões e aeroportos

Os aviões trazem de volta os amores distantes, são confundidos com estrelas cadentes e são motivos para uma pessoa fingir medo e aproximar-se de outra. Os aviões, assim como os aeroportos e o desejo de voar, fazem parte, também, do dia a dia dos artistas que, vira e mexe, os utilizam como tema de suas canções. Não importa o estilo – seja rock, sertanejo, romântico, infantil ou brega –, eles fazem versos e rimas sobre esse “grande pássaro metálico” e até mesmo sobre a profissão de piloto. Confira no Blog Check In alguns exemplos bons (e ruins) da arte de entreter o povo contando histórias musicadas sobre temas relacionados à aviação. Tem música que virou clássico, tem música que virou pop e tem música, bem, tem música que dá vergonha do artista. Mas que é divertido, isso é! Que tal criar uma canção sobre o avião? Embarque nessa viagem musical.

Freddy Charlson

Samba de Avião

Tom Jobim

O maestro Tom Jobim, um dos principais artistas brasileiros, compôs, certa feita, uma verdadeira ode às belezas naturais do Rio de Janeiro: um Rio de sol, de céu e de mar. Samba do Avião (1962) é de um lirismo impressionante e tem a cara da Bossa Nova, com versos do tipo “Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão / Este samba é só porque / Rio, eu gosto de você”. E Tom encerra a composição com os versos “Aperte o cinto, vamos chegar / Água brilhando, olha a pista chegando / E vamos nós, aterrar”. Sublime, oh! E a aviação nem sempre foi retratada com tanta beleza. E segue a lista…

 

Aviãozinho

Cheiro De Amor

Banda tradicional da axé music, a Cheiro de Amor tem como um de seus maiores sucessos a música Aviãozinho. É aquela música com um gostoso balanço – para os fãs do gênero – e que tem o forte refrão “Voa, voa aviãozinho, vai buscar o meu benzinho/Que tá lá, do lado de lá, que tá lá do lado de lá”, num criativo exemplar de poesia concreta. #Oremos. A letra é curta e o ritmo, pegajoso, com direito a repetição de palavras no final, o que caracteriza a figura linguística anáfora: “Deixa, deixa, deixa, deixa eu te dengar/Deixa, deixa, deixa, deixa eu te beijar/Deixa, deixa, deixa, deixa, eu te dengar/Deixa, deixa, deixa, deixa eu te beijar”. E o aviãozinho nessa história? Bem, ele tem o singelo dever de buscar o benzinho de quem canta. Fofo.

Medo de Avião

Belchior

Música mais conhecida do cantor bigodudo, narigudo e de voz anasalada Belchior (saudades, Belchior, por onde andará?), Medo de Avião mostra a felicidade de um rapaz em ter a coragem – motivada pelo “medo de voar” – de pegar na mão de uma moça. Uma coisa meio adolescente, com um quê de James Dean. E com citações aos Beatles, via I Wanna Hold Your Hand (Eu Queria Segurar Sua Mão). Um clássico em quatro estrofes, presente no disco homônimo Medo de Avião (1979) e com direito ao seguinte verso: “Foi por medo de avião/Que eu segurei/Pela primeira vez a tua mão/Não fico mais nervoso/Você já não grita/E a aeromoça, sexy/Fica mais bonita”. Que beleza!

Avião

Toquinho

Toquinho, parceiro de Vinícius de Moraes e famoso eternamente por Aquarela (“Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo/ E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo”) fez outras músicas tão ou mais infantis. Uma delas é Avião. Com conceito rápido e fácil e cifra repleta de explicações lógicas, o compositor apresenta o meio de transporte avião, suas funções, características principais e coisa e tal. E faz um alerta aos pequeninos: “Venha voar comigo, amigo/ Sem medo, venha voar/ De dia tem o sol brilhando/ De noite quem brilha é o luar/ Venha voar comigo, amigo/ Sem medo, venha voar/ Em dia nublado não fique assustado/ Que eu tenho radar”. Bonitinho, né?

Aviões (Airplanes)

Rihanna e Eminem

Um pouco, digamos, menos fofa, é a canção Airplanes, com a muita doida Rihanna e o mais doido ainda Eminem. A cantora pop e o rapper cantam sobre a possibilidade de fazer desejos e questionam se podem “fingir que os aviões no céu à noite são como estrelas cadentes”. No fundo, eles querem “voltar a um lugar muito mais simples” se referindo a uma vida de festas e glamour. “O que você desejaria se tivesse uma chance? / Então, avião, avião, desculpe o atraso / Eu estou no meu caminho para não fechar a porta”, diz a canção pop, de sucesso mundial, com as vozes características desses dois astros.

Avião

Djavan

Em Avião, o cantor alagoano Djavan, autor de versos incompreensíveis, tipo “Açaí, guardiã / Zum de besouro, um imã / Branca é a tez da manhã” – entendeu? Se sim, mande a explicação para o blog –, cansou de “carregar nas costas”, como se fosse um avião, o relacionamento amoroso. Assim, ele canta “Seu muito pra mim é pouco / Eu quero a paz e viver solto / Vai dizer que sou outro… sou não! / Eu me cansei de ser seu avião / Não vou voar, não dessa vez!” e é capaz de dizer para a pessoa amada que ela pode quebrar, sofrer, cair, descer, contorcer de dor, que ele não se prenderá a ela. Djavan embarca em voo solo.

 

Aeroporto

Thaeme e Thiago

Em moda como há muito tempo não se via, a música sertaneja encontra em Thaeme e Thiago sua versão mais teen, mais moderninha. Queridinhos da galera, eles optam por uma levada romântico-brega ao falar sobre a despedida em um aeroporto. E até jogam praga para evitar a partida da “alma gêmea” na música, claro, Aeroporto. “É / Essa noite eu vou tentar me transformar em vento / Para impedir que esse avião saia daqui / Levando a minha vida/ É / Eu vivo em meio a multidões, mas me sinto tão só / E se você partir agora eu vou ficar pior”. Oh, que drama. Deixe a pessoa viajar, gente. Mas não, eles não deixam, e ainda fazem chantagem sentimental: “Eu tô chorando / No estacionamento do aeroporto / Eu tô chorando / Porque talvez hoje seja o nosso último encontro”. Bem que poderia ser mesmo…

Aeroporto

Belo

Marido da fisiculturista Gracyanne Barbosa, o pagodeiro Belo (batizado como Marcelo Pires Vieira) canta em Aeroporto o alívio ao ver a amada chegando após um voo, digamos, turbulento. “Graças a Deus você chegou, tão ansioso te esperei / Nesse aeroporto apavorado, amor, quase chorei / Quando vi alguém seu voo anunciando / Corri pra ver seu avião pousando / E só assim fui me acalmando”. Calma, pagodeiro, foi só um susto que vocês dois levaram e, enfim, após os tempos difíceis, agora é só felicidade. A dica é abraçar sua amada, dizer que a ama e não fazer mais besteira. Tá falado.

Paixão no Ar

Pique Novo

E, por falar em pagode, o Pique Novo vem com estilo velho. No melhor estilo “pagode paulista”, o grupo lamenta que a mulher amada (sempre ela!) vai viajar pra muito longe, percorrer o céu desse país, deixando o pagodeiro infeliz. Oh! E qual seria a solução? “Eu queria estar no voo que vai te levar / Pra longe do meu coração, pra perto de outro lugar / Lá em cima a nossa paixão, será que vai balançar / Mas como vou te alcançar? / Queria ir nesse avião / Contigo pra qualquer lugar e da janela acenar / Dando adeus pra solidão”. Menina, que tal levar essa galera só para ela parar de chorar?

Piloto de avião

Tony e Brian

Bagunça mesmo é o que fazem os sertanejos Antonio e Benedito, digo, Tony e Brian. Em um clipe que lembra Toxic (Britney Spears), eles cantam as delícias da profissão de piloto de avião. “Agora eu tô bonito, tô estudando aviação / Arrumei uma namorada que é um tremendo avião / Gastei todo o meu dinheiro, estourei o meu cartão / Mas foi com o brevê no peito que conquistei seu coração”. Segundo Tony (e Brian, também), eles já fizeram de tudo, foram padeiros e peões, mas as “muié” só passaram a olhar pra eles quando viraram pilotos de aviões. “Hoje estou bem sucedido, de empregado sou patrão / Pode ser um teco-teco, um jatinho ou o do Faustão / Pras mulher não interessa o tamanho do avião”. Ah, se fosse fácil assim, hein, pilotos…

Learning to Fly

Pink Floyd

Banda clássica do rock’n’roll, o Pink Floyd também viajou ao encarar o tema da aviação. Em Learning to Fly (lançada em 1987, como single), eles falam do “Gelo que está se formando nas pontas das asas” do protagonista e lamentam “Avisos não observados”. A música diz “Eu achava que pensava em tudo / Nenhum navegador para me guiar de volta para casa / Uma alma em tensão que está aprendendo a voar / Condição: preso ao solo, mas determinado a tentar”. O genial Pink Floyd sabia do que falava. Autor da letra, o vocalista e guitarrista David Gilmour era fã de aviação. E o baterista Nick Mason era aviador. Please, galera, leave the kids alone!

Bonus track

Learn To Fly

Foo Fighters

(Clipe do Foo Fighters)

E eis que Learn to Fly, da banda norte-americana Foo Fighters já era um estouro nas paradas de sucesso. De repente, ficou ainda mais bombada. Isso aconteceu quando mil músicos de Cesena, na Itália, se reuniram para tocá-la, numa ação que pediu a ida de Dave Grohl e companhia até a cidade. Massa, né? Um projeto emocionante. Bem, a canção diz, mais ou menos, assim: “Estou procurando no céu algo para me salvar / Procurando por um sinal de vida / Procurando por algo que possa me ajudar a acender o brilho / Farei meu próprio caminho pra casa quando aprender a voar”. Trata-se de um pedido de ajuda, um pedido de amor. O cantor pede para alguém voar por aí com ele, porque ele não consegue fazer isso sozinho. É… custa nada ajudar, hein?

15 motivos para amar/odiar a palavra “kamikaze”

Freddy Charlson

O avião, esse meio de transporte incrível, tem diversas formas de utilização. Uma delas é a atuação em conflitos bélicos, como na Segunda Guerra Mundial, que acabou há exatos 70 anos. Conflito, aliás, que marcou a criação do termo “kamikaze” (algo como “vento divino”). Kamikazes eram os pilotos que, em defesa da pátria e de suas famílias, se entregavam de corpo e alma na luta contra os Aliados (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Rússia). A primeira atuação oficial dessa turma ocorreu às 10h47 do dia 25 de outubro de 1944, em pleno arquipélago das Filipinas. Foi o primeiro ataque kamikaze de verdade. Cinco aviões Mitsubishi A6M Zero atacaram o porta-aviões norte-americano USS St. Lo, na Ilha de Samar, sem medo de serem felizes. Na verdade, sem medo de morrerem – afinal, eles estavam ali pra isso. Meia hora de bombardeio causou a destruição do navio e o fim de 140 militares norte-americanos. Ok, os japoneses partiam feito loucos rumo à destruição, à glória e à morte. Se morressem, ok, de boa. Setenta anos depois, os pilotos kamikaze fizeram história, que a gente conta aqui, em 15 imagens, da guerra ao parque de diversões, passando pela música e os mangás. Música boa ou ruim, mas música, ora. Mangás incompreensíveis ou não, mas, ainda assim, mangás. Arigatô pela leitura.

1 – Ataques malucos nas Filipinas

11.09.2015 - FOTO 1 - ILHA DE SAMAR
Às 10h47 de 25 de outubro de 1944 ocorreu o primeiro ataque kamikaze. A esquadrilha de cinco Mitsubishi A6M Zero liderada por Yukio Seki, na Ilha de Samar (Filipinas), atingiu o porta-aviões USS St. Lo. O incêndio atingiu o paiol principal e matou 140 soldados. Começava ali o mito dos pilotos kamikaze, o de que fariam tudo, até morrer, para defender as próprias esposas. Nada de pátria ou imperador, que isso é historinha de mangá. E isso mesmo que eles fossem considerados pela religião xintoísta, “espíritos guardiães da pátria”.

2 – Três anos, antes, buuum, Pearl Harbor

11.09.2015 - FOTO 2 -PEARL HARBOR 1
Os ataques suicidas surgiram durante uma crise no Império Japonês. No ataque a Pearl Harbor – em 7 de dezembro de 1941, na ilha de Oahu, no Havaí, e que destruiu 21 navios e 347 aviões, além de matar 2.800 pessoas e ferir 1.200 – os japoneses utilizaram os Mitsubishi A6M Zero, caças que ameaçavam os norte-americanos. Em 1943, porém, a coisa mudou. Os EUA produziram os F6F Hellcat, com tecnologia superior aos caças japoneses. Na Batalha do Mar das Filipinas, por exemplo, em 19 e 20 de junho de 1944, o Império Japonês perdeu 600 aviões. Outros 500 foram perdidos na Batalha de Formosa entre 10 a 20 de outubro de 1944.

3 – A história até virou filme (cuidado, diabéticos!)
11.09.2015 - FOTO 3 -  PEARL HARBOR 2

E o filme tem mais açúcar do que sangue. Estrelado pelo cara de carranca Ben Affleck e pela belíssima Kate Beckinsale, a trama gira em torno dos soldados yankees que serviam na Base de Pearl Harbor, no Oceano Pacífico, com as enfermeiras do local. O casal vira um triângulo amoroso, mas os japoneses não querem nem saber. Chegam em Pearl Harbor tocando o terror, com direito a explosões, pirotecnia e muito fogo, obra do diretor Michael Bay. Bons pilotos, os americanos conseguem derrubar sete kamikazes. Pouco, perto da destruição que eles causaram. Adeus, Porto da Pérola, no Havaí.

4 – “Peçam ajuda aos universitários”
11.09.2015 - FOTO 4 - JOVENS PILOTOS

Poucos sabem, mas o grosso entre as fileiras kamikaze era formado por estudantes convocados em universidades. E o império de Hiroito avisava: “Jovens, a decisão de virar kamikaze é voluntária, vamos nessa?”. Bons de briga, os japoneses aguentavam verdadeira tortura durante o treinamento e passavam por uma espécie de “lavagem cerebral” em que aprendiam, na marra, que deveriam servir ao imperador, se sacrificar pela pátria e eliminar o inimigo. Mesmo que isso lhes custasse a própria vida. Ah, e até militares da Marinha e do Exército viraram kamikaze. Nesse caso, nada de voluntariado.

5 – É jovem? Então, morra pelo Japão!
11.09.2015 - FOTO 5 -CARTAZ

Pronto, ao virarem kamikazes, eles passavam a engrossar as fileiras da Unidade de Ataque Especial – em japonês, Tokubetsu Kōgekitai. Os mais íntimos podem chamar de Tokkōtai ou Tokkō. A turma da Marinha era a Unidade de Ataque Especial Vento Divino – tipo a Shinpu Tokubetsu Kõgekitai. O nome, simpático à primeira vista, lembra as tempestades que livraram a cara do Japão dos ataques mongois em junho de 1281, liderados pelo imperador Kublai Khan. E eram só os norte-americanos que chamavam os pilotos suicidas japoneses de “kamikaze”. Por fim, o Japão não reconhecia a existência de “prisioneiros de guerra”. Para eles, a captura pelo inimigo era mais temida que a própria morte.

6 – Vento divino e assassino
11.09.2015 - FOTO 6 -ÁLBUM DE HERÓIS

Segundo os relatos históricos, mais de 2.500 pilotos japoneses passaram desta para uma melhor nas guerras. Bons de mira, eles causaram a morte de cinco mil soldados aliados (a turma dos Estados Unidos, Inglaterra, França e Rússia), com mais de quatro mil feridos nessa conta. Em relação aos navios afundados, porém, há controvérsias. Bons de marketing, os japoneses disseram que afundaram 81 navios e meteram bala em mais 195. Os Estados Unidos disseram que só tiveram 34 barcos afundados pelos japas e que 368 foram atingidos. A história conta que 47 navios dos Estados Unidos foram afundados – 4.900 marinheiros morreram e 4.800 ficaram feridos.

7 – Hora de destruir porta-aviões, meninos!
11.09.2015 - FOTO 7 - VERGONHA

Os kamikazes não eram bobos, sabiam exatamente o que tinham que fazer. E mesmo os menos espertos recebiam duas lições. Número 1: destruir porta-aviões. Número 2: Nada de fechar os olhinhos apertados durante o mergulho do avião. Vai que erram o alvo e caem na água, tipo o antigo jogo Batalha Naval? E, tipo o preso condenado no dia da execução, eles ganhavam mimos antes do voo fatal, tipo um drinque de saquê. Também escreviam cartas de despedida para a família. Hoje, o governo japonês quer o reconhecimento das cartas pelo Fundo das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) no programa “Memória do mundo”. Querem mostrar a crueldade da guerra para o mundo e o que ela pode fazer, como as missões kamikaze. Prevenidos, os pilotos kamikaze ainda carregavam uma espada e um revólver. Vai que o voo não dava em nada? Aí, eles poderiam se matar, kamikazes que eram.

8 – Abortar missão, jovens!
11.09.2015 - FOTO 8 - VOLTA PRA CASA

Erram aqueles que pensam que os kamikazes não erravam os alvos. Os pilotos acertaram meros 11,6% dos 3,3 mil aviões atacados durante a Segunda Guerra. E 27,5% deles voltaram à base – ou o tempo estava ruim para um ataque ou não acharam os inimigos yankees ou o combustível estava acabando ou se arrependeram, sei lá. Coitados, era voltar e ser humilhado pelos chefes. A partir de julho de 1945 as ações diminuíram e os kamikazes ficaram de boa só esperando uma invasão dos EUA. Não rolou. E, crente que os japoneses só se renderiam com a morte, os norte-americanos mandaram ver. Primeiro, pá!, uma bomba atômica em Hiroshima. Três dias depois, pá, em Nagasaki. Muito triste. E em 15 de agosto de 1945, o imperador Hirohito jogou a toalha e o país se rendeu aos Aliados. Fim.

9 – A guerra acabou; os kamikaze, não
11.09.2015 - FOTO 9 -AVIÃO  MODELO

Então, com o fim da Segunda Guerra, o esquema de pilotos kamikaze chegou ao fim. E, com eles, seus aviões sem paraquedas, com as portas cerradas, sem trem de pouso e que detonaria a qualquer contato com o solo. Mas a lenda em torno desses audaciosos defensores da pátria e das próprias mulheres alçou outros voos. O termo Kamikaze passou a ser utilizado indiscriminadamente tanto na indústria pop (literatura, música e cinema), quanto na moda (tênis) e até em parques de diversões, com um brinquedo que até hoje desafia a coragem dos frequentadores. Ah, por fim, criaram um drink com esse nome. Não, não é de matar. É para relaxar. Confira, na sequência, o tanto que os kamikazes fizeram pelo mundo…

10 – O pisante também é de matar
11.09.2015 - FOTO 10 - TÊNIS REEBOK

Kamikaze também dá nome a um tênis bem concorrido e amado pelos jogadores de basquete e rappers. Produzido pela marca Reebok, o Kamikaze foi calçado pelo astro Shawn Kemp do antigo time do Seattle Supersonics, na temporada 1995-1996 da NBA, a meca do basquete mundial. Clássico, o tênis ganhou outra versão e voltou ao mercado em 2013, em tom marinho, feito à base de couro nobuck e com amortecimento Hexalite. O preço? Cem doletas na gringa, algo como 400 reais em lojas brasileiras. Nada mal para quem encarou, nas quadras, astros do naipe de Michael Jordan, Larry Bird e Magic Johnson.

11 – Kamikaze é de comer ou de beber?
11.09.2015 - FOTO 11 - DRINK

É, por incrível que pareça, o kamikaze é de beber. O drink, ainda não muito conhecido, é fácil de fazer e inspirado nos pilotos japoneses da Segunda Guerra (num me diga!). O drink leva 30 ml de Vodka, 30 ml de Cointreau , 30 ml de suco de limão e gelo. Aí, pronto, você faz uma cara blasé, de barman e manda ver. Coloque o gelo no copo, depois jogue os ingredientes na coqueteleira. Mexa, remexa e, pronto!, jogue no copo com o gelo. E adicione uma fatia de limão pra ficar mais bonitinho. Aí, é só tomar.

12 – Até o paraibano Zé Ramalho foi kamikaze
11.09.2015 - FOTO 12 - ZÉ RAMALHO

E o cantor paraibano Zé Ramalho também rendeu-se ao termo, ao compor a música “Kamikaze”. Ela faz parte do álbum “Terceira Lâmina” (1981), terceiro disco da carreira do cantor e que contou com participação de sua prima, Elba Ramalho. E cuja letra diz assim: “Eu nunca que me dediquei/Muito na arte política/Eu nunca pude ser playboy/Nem sequer me adiantar/O tempo em que eu me separei/Numa razão tão mística/Um cavaleiro, nunca um cowboy/Um verdadeiro kamikaze/Um avião destruidor de lares/Um passeio pelos ares/Um megaton de poucas esperanças/Bombas e lembranças/E quando eu de lá voltar/Não sei se poderei ficar/Ali onde beijei você/Deixando tudo pra viver. A canção cita os termos avião, ares, megaton, bombas e viver. Bem a propósito, numa história de dor e amor.

13 – Thiagão e os Kamikaze do Gueto
11.09.2015 - FOTO 13 - KAMIKAZES DO GUETO

Pois é, Thiagão e os Kamikazes do Gueto é o nome de uma banda que também ousou macular a memória dos pilotos kamikaze. Ela surgiu em Paiçandu, no Paraná, em 2006, Thiago Dodô e Adriano. Eles cantam rap e até agradaram os manos e as minas do estado, com músicas como “Finado tem Mãe” e “Só Monstro”. Ah, porquê o kamikaze no nome? Diz aí, Thiagão: “Fomos kamikazes ao nos arriscar e falar de algumas coisas polêmicas. Até sofremos algumas ameaças”, diz o cantor de gangsta rap, um estilo que mostra a realidade das quebradas.

14 – Terror no parque de diversões
11.09.2015 - FOTO 14 - BRINQUEDO KAMIKAZE

Sim, terror no parque de diversões. A maioria dos pequenos parques espalhados Brasil afora tem um brinquedo chamado Kamikaze. Ele consiste de duas torres, com bancos individuais e funciona como um pêndulo enquanto acelera numa volta de 360°. Uma torre (como se fosse um barco) gira para um lado. A outra torre, para o outro, ao mesmo tempo. Ele sobe e desce e o momento de tensão é quando as torres param juntas, no alto, com os clientes de cabeça para baixo. Ou seja, pague para entrar, reze para sair.

15 – Um mangá nada fofinho, para encerrar
11.09.2015 - FOTO 15 -MANGÁ

Por fim, claro, criaram um mangá (história em quadrinhos de origem japonesa, que lê-se de trás para frente) chamado Kamikaze. Escrito e desenhado por Satoshi Shiki, o mangá saiu na revista Afternoon (Editora Kodansha), entre 1998 e 2003. Nos Estados Unidos, a tradução dos sete volumes do mangá foi lançada pela editora Tokyopop entre 2006 e 2008. A história é tipo assim: há mil anos, 88 bestas surgiram na Terra, atacando a humanidade. Cinco guerreiros elementais confrontaram as bestas. Elas foram presas e amaldiçoaram os guerreiros do Céu, Vento e Fogo. Aí, seus descendentes poderão libertar as bestas para destruir a humanidade. Tirem as crianças da sala.

Não há limites para quem sonha em pilotar

A 365 dias do início das Paraolimpíadas Rio 2016, o Blog Check-In mostra que as pessoas com deficiência têm plenas condições de realizar todos os seus sonhos. Entre eles, o de pilotar um avião. E que, com força de vontade, talento e ajuda, tudo é possível

Freddy Charlson

Jessica Cox, 32 anos, é danadinha. A garota norte-americana é faixa preta de taekwondo, toca piano e pilota aviões. Sim, é isso mesmo. Jessica Cox pilota aviões. Ah, ela não tem braços. Na Itália, os acrobatas Alessandro Paleri, 42 anos, e Marco Cherubini, 41, são paraplégicos. E dão show nos ares com suas piruetas. Quem também dá show é o brasileiro Carlos Santoro. Mesmo sem possuir o braço direito, ele é piloto de helicóptero. Utiliza uma prótese adaptada para realizar tal feito. Um show comparável ao protagonizado pelos atletas paraolímpicos brasileiros, que venceram, com larga vantagem os recém-encerrados Jogos Parapan-Americanos em Toronto (Canadá), com 107 medalhas de ouro. Mais medalhas, aliás, que os países que ficaram em segundo e terceiro lugar (Canadá e Estados Unidos), somados. Ou seja: gente, dá pra ser (e muito!) feliz sem ter todos os movimentos ou capacidades à disposição. Só para se ter uma ideia, cerca de 45 milhões de brasileiros alegaram, no Censo Demográfico 2010, possuir alguma deficiência, seja ela auditiva, visual ou motora. Eis, abaixo, grandes exemplos de talento, capacidade e força de vontade na aviação. Uma gente que corre atrás dos próprios sonhos e que não se abate com as dificuldades.

Jessica Cox, a primeira mulher sem braços e com brevê
04.09 FOTO 4 - JESSICA COX - PILOTO SEM BRAÇOS
Pé direito no manche, pé esquerdo no acelerador. E o dedão é utilizado para comunicação via rádio. Pronto. Et voilá!, é só pilotar. Jessica Cox – ah, Jessica! – é uma garota especial. Destemida, ela entrou para a história da aviação ao se tornar a primeira mulher a pilotar um avião sem o uso de próteses. E, quem olha assim, rapidamente, para Jessica, não dá “nada” para a moça. Tímida, com fala mansa, discreta, ela poderia ser apenas mais uma na multidão. Uma que sempre atrai a curiosidade alheia. Ainda mais que Jessica nasceu sem braços.

E mesmo sem os membros superiores – não, não descobriam uma causa para sua deficiência –, o sonho de pilotar um avião começou a se tornar realidade após ela terminar a faculdade, em 2005, quando um piloto de caça perguntou se ela queria voar num monomotor. Ela quis, of course. Curtiu tanto que decidiu, ali, virar piloto. A licença – brevê de piloto esportivo – porém, só chegou em 2008. Jessica já voou em aviões como o Ercoupe, que não tem pedais no leme, e o Parrish Traweek, que tinha seguro que permitia uso por estudantes.

E olhe que aviões são objetos voadores projetados para serem pilotados com as mãos. Sim, com as mãos. É raro ver alguém pilotar aeronaves com os pés, tipo Jessica. Aliás, ela curte mesmo é decolar. Nesse momento, se sente livre, feliz. O bicho pega, porém, na hora da aterrissagem. Sim, apesar de destemida, como dito lá em cima, Jessica é humana. E sente um medinho quando o voo está chegando ao fim.

É só nesse momento que o tal medo aparece. Jessica usou próteses durante poucos anos, aprendeu a cozinhar e a preparar o próprio prato, tirou carteira de motorista, sabe escovar os cabelos, consegue colocar as lentes de contato, é formada em psicologia e tem até licença para mergulhar. Só faltava pilotar um avião. Não falta mais. E, depois de 89 horas de pilotagem, ela, enfim, obteve seu brevê. Hoje, fala de si para o mundo, por meio de palestras motivacionais e com direito a festejar a escolha como um dos dez pilotos em 2014, segundo a revista Pilots by Plane & Pilot magazine. Sim, essa história precisa ser conhecida.

Alessandro Paleri e Marco Cherubini, os acrobatas paraplégicos
04.09 FOTO 3 - PILOTOS ITALIANOS PARAPLÉGICOS
História bonita também é a da “esquadrilha da fumaça” italiana em que dois dos três pilotos acrobatas são paraplégicos. Mas, mesmo sem o movimento das pernas, Alessandro Paleri e Marco Cherubini dão show nos ares da Itália e em vários países da Europa. O nome do grupo é WeFly Team (em tradução livre, Equipe Nós Voamos).

E, acreditem, Alessandro, 42 anos, e Marco, 41, são amigos do tempo em que frequentavam a Federação Italiana de Pilotos Deficientes (FIPD) – sim, eu também me impressionei ao saber que a Itália tem um grupo de pilotos portadores de necessidades especiais. Ali, pá, de repente, tiveram a ideia. “Porque não montar uma esquadrilha da fumaça?” – traduzido do Google Translator é algo como “Perché non unire un gruppo di acrobazie aeree?. Capice. Dito e feito. Chamaram o colega veterano Erich Kustatscher e tomaram lições de voos de acrobacia.

A vida dos caras melhorou muito, afinal Alessandro sofreu uma fratura na vértebra cervical ao pular em uma piscina rasa em 1987 e Marco ficou tetraplégico em um acidente de carro em 1995. Hoje, a dupla voa em uma aeronave monomotor adaptada para o uso de portadores de necessidades especiais. Em terra, eles dão palestras para jovens contando tudo, das coisas boas e ruins da vida.Coisa ruim? Sofrer acidentes, seja na piscina ou na rodovia. Coisa boa? Sobreviver aos acidentes. Coisa ruim? Perder os movimentos das pernas. Coisa boa? Aprender a pilotar aviões. Coisa ruim? Não andar. Coisa boa? Voar. Coisa ruim? Acabaram as coisas ruins. Coisa boa? Viver, viver feliz, ensinar aos jovens e ter a flâmula da esquadrilha levada, em 2014, ao espaço sideral pela astronauta Samantha Cristoforetti, primeira italiana da Agência Espacial Europeia (ESA), que ficou 199 dias na Estação Espacial Internacional. É muita coisa boa, né, gente?

Carlos Santoro, o piloto goiano de helicóptero e com prótese
04.09 FOTO 2 - CARLOS SANTORO - PILOTO SEM BRAÇO DIREITO
Mas, venha cá, você está achando que só os estrangeiros conseguem realizar sonhos e proezas no ar? Nananinanão. Aqui é Brasil, caramba! E, bem no centro do país, mais precisamente “no” Goiás, temos que contar a história de Carlos Santoro, o primeiro piloto brasileiro de helicóptero a voar com uma prótese. E ela fica justamente no braço direito do rapaz.

Comandante desde os 21 anos, Carlos é piloto civil e tirou seu primeiro brevê em 2008. O documento foi revalidado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para ele voar com a prótese após fazer, em 2011, um “voo de recheque”, para reavaliar a capacidade de operação de uma aeronave, um ano após o acidente de carro que transformou sua vida, em 2010. Ele voltava de uma festa com um amigo que estava ao volante e perdeu parte do braço direito, no acidente, mas nem pensou duas vezes. Ainda no leito do hospital, em Goiânia, falou para a psicóloga: “Quero ser o primeiro piloto de helicóptero a voar com prótese. Avisa pra minha família”. Simples assim.

A partir daí, determinação e correria, misturada à fisioterapia e conversas com o povo da oficina ortopédica. Sim, conhecedor do ofício, Carlos ajudou a equipe a construir uma prótese que o permitisse pilotar helicóptero. Procurou históricos de próteses afins. Não havia. E o trabalho começou do zero até o aparelho virar uma extensão do seu braço e ser responsável pela estabilidade direcional da aeronave. Ou seja, graças à prótese, Carlos comanda tudo. Anda pra frente, pra trás, pros lados e fica parado – afinal só helicóptero, beija-flor e Dadá Maravilha (Google, gente!) ficam parados no ar…

E tem gente que fica com medo de voar com Carlos Montoro? Claro que tem. Mas, vocês sabem, medo é uma coisa que dá e passa. Após o voo com o goiano, tudo volta à normalidade e todo mundo chega em casa, são e salvo. Partiu?

SERVIÇO:
Site e vídeos sobre Jessica Cox


Vídeos sobre Alessandro Paleri e Marco Cherubini


Vídeos sobre Carlos Henrique Santoro