O que vale mais: horas de voo ou curso superior em aviação?

02.10.2015 - FOTO - MATÉRIA CURSO DE AVIAÇÃO - BLOG CHECK IN

As horas de voo dão ao piloto um conhecimento fundamental e prático, mas a graduação é indispensável. O piloto, afinal, é gestor de uma unidade de negócios da companhia aérea e precisa conhecer muito mais além da cabine

 

Edson Luiz Gaspar *

O primeiro curso superior na área de Aviação no Brasil foi criado em 1998. Logo surgiram dúvidas dos interessados em se profissionalizar na área. E a pergunta mais comum entre todas elas era: devo fazer o curso superior ou investir em horas de voo? Em 2003, ao assumir a coordenação do curso de Graduação em Aviação Civil na Universidade Anhembi Morumbi, comecei a me deparar com tais questionamentos. E olhem que eu já atuava na área, como piloto comercial de avião e helicóptero. O que mais me chamava a atenção era o fato de que muitos, principalmente os que não tinham formação superior, se adiantavam em criticar aqueles que estavam cursando.

Hoje, apesar de ainda vivermos a transição entre os modelos, a situação está mais consolidada. Prova disso é que a maioria das companhias aéreas estabelecem diferentes níveis de experiência ligada a horas de voo entre os que possuem e os que não possuem formação superior. É um sinal de reconhecimento do mercado ao que é ensinado nas universidades.

Negar a necessidade de formação superior em aviação é o mesmo que dizer, por exemplo, que um dentista não precisa fazer universidade e que apenas seu conhecimento prático é suficiente. Se no passado funcionava dessa forma, como os chamados “tiradentes”, com a evolução observada em todos os segmentos, seria absurdo manter a ideia do passado. Tenho certeza que, nos dias de hoje, ninguém aceitaria ser tratado por um dentista “apenas prático”.

Conhecimento

O conhecimento não ocupa espaço. É estranho dizer que uma pessoa que passa três ou quatro meses em um curso teórico em aeroclube ou escola de aviação está mais bem preparada do que outra que faz curso superior com duração de três ou quatro anos, com conteúdo curricular que abrange diversas áreas da aviação.

É verdade que, no início, ocorreram problemas ligados ao ensino nas universidades, especialmente em relação aos professores, mas, na medida em que a questão foi evoluindo, os resultados melhoraram.

Voltando à questão se vale mais a pena investir nas horas de voo do que na formação superior: se colocarmos na “ponta do lápis” quanto custa a formação prática de voo e o abatimento que companhias aéreas oferecem para quem tem graduação, acredito que a segunda opção leva a vantagem.

Como exemplo, em uma das últimas seleções de uma grande companhia aérea, foram exigidas 500 horas de voo como experiência para os que não tinham formação superior e 250 horas dos que possuíam. E qual o custo dessa diferença? Tenho certeza que as 500 horas ficarão mais caras. É só colocar a conta na ponta do lápis.

Graduação

Outra questão a ser debatida diz respeito ao fato de o piloto, que já atua na aviação, se perguntar se vale a pena cursar a graduação. Atualmente, cerca de 20% dos alunos matriculados já possuem alguma licença de piloto e declararam satisfação em relação ao ensino, pois aprendem questões que vão além da formação técnica.

A graduação precisa evoluir para proporcionar cada vez mais conhecimento, buscando formar um profissional mais qualificado. No passado, o piloto era um “empurrador de manete” e muitos tinham apenas o conhecimento prático, pois tudo era manual. Com a evolução da “tecnologia embarcada”, o papel do piloto vai além. Ele é, na realidade, um gestor de uma unidade de negócios da companhia e precisa tirar o máximo proveito dessa unidade.

Para isso, porém, precisa conhecer muito mais além do “cockpit”. Ele precisa saber tudo sobre a gestão da empresa, suas áreas, processos e outras questões administrativas essenciais para que avance na carreira com o conhecimento inerente a um excelente profissional da área de Aviação. Aí, então, é só subir!

 

* Professor Doutor Edson Luiz Gaspar é coordenador do curso superior de Aviação Civil da Universidade Anhembi Morumbi e piloto comercial. Ele também é instrutor de voo de avião e helicóptero.

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Uma resposta em “O que vale mais: horas de voo ou curso superior em aviação?

  1. Se a referência é o marco zero de uma carreira, sem dúvida o Curso Superior leva vantagem. Daí para frente vale mesmo o número de horas de vôo e o conhecimento específico da aeronave que está voando no momento. Pouco adianta para um PLA no comando de um A-320 o conhecimento adquirido em um Cessna 172 que voava quando era PC. Os computadores do A-320 não aceitam determinadas ações, que podem ser executadas em um C-172.

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