O CAN redescobriu o Brasil

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12 de junho, Dia dos Namorados. É um bom dia para se comemorar um aniversário. Ainda mais se o aniversariante nasceu imaginado para ser uma espécie de carteiro e nos tempos mais românticos da aviação, quando verdadeiros heróis pilotavam aviões rudimentares ligando municípios remotos e, por que não, juntando casais em cidades distantes umas das outras? Hoje o Correio Aéreo Nacional (CAN) completa 84 anos cruzando os céus do Brasil transportando malas postais de um lugar para outro.

Atualmente parece fácil, mas não era em assim em 1931, quando um avião Curtiss “fledgling” decolou do Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, até pousar no Jockey Clube, em São Paulo. Pasmem, cinco horas depois. Por que? Os pilotos não conseguiam achar o local do pouso, o Campo de Marte, na capital paulista. A missão? Levar uma mala postal com duas cartas.CAN 1Só? Que só que nada. O país nunca mais foi o mesmo. Aí começaram a nascer as linhas para outras regiões, que abriram o interior do País para a aviação civil e militar. Até então, as aeronaves só voavam pelo litoral, aumentando as distâncias, para escapar dos perigos do sertão, do cerrado e da floresta Amazônica. Naquela época, o brasileiro vivia no litoral, de costas para o Brasil, igualzinho na canção de Milton Nascimento, “Notícias do Brasil”, que tem a cara do que acontecia nos primeiros tempos do CAN:

“Uma notícia está chegando lá do Maranhão
Não deu no rádio, no jornal ou na televisão
Veio no vento que soprava lá no litoral
De Fortaleza, de Recife e de Natal
A boa nova foi ouvida em Belém, Manaus,
João Pessoa, Teresina e Aracaju
E lá do norte foi descendo pro Brasil central
Chegou em Minas, já bateu bem lá no sul
Aqui vive um povo que merece mais respeito
Sabe, belo é o povo como é belo todo amor
Aqui vive um povo que é mar e que é rio
E seu destino é um dia se juntar”

Era isso mesmo. A ideia era criar diversas rotas com destino a lugares isolados do Brasil. Os militares estavam convencidos de que o avião de correspondência que chegava a determinada cidade obrigava a respectiva prefeitura a fazer um campo de aviação. Logo, outras localidades procurariam, por certo, fazer a mesma coisa para receber as mesmas vantagens. Assim, as cidades também se modernizariam com a chegada do CAM. Notaram a diferença? CAN, CAM. Pois é, ele nasceu Correio Aéreo Militar. Aliás, originalmente era chamado de Serviço Postal Aéreo Militar, depois Correio Aéreo Militar e só em janeiro de 1941, com a criação do Ministério da Aeronáutica, passou a ser chamado de CAN.

Uma coisa é certa, o CAN, vamos chamá-lo assim, nasceu transportando só duas cartinhas, mas sob inspiração de ninguém menos do que aviadores como Jean Mermoz, Henri Guillaumet e Antoine de Saint-Exupéry e o Correio Aéreo Francês, dos aviadores das Linhas Aéreas Latécoère, depois Aéropostale. Eram tempos inspiradores. A aviação ainda era uma aventura. Os pilotos, confundidos com heróis. A criação do CAN surgiu a partir da visão de gente que não temeu enfrentar o desconhecido, ao conduzir os aviões a lugares inacessíveis por outros meios que não o aéreo, principalmente na Amazônia e no Pantanal. Eles integraram o País.

Não era fácil voar naquela época, num período em que a tecnologia das aeronaves engatinhava, não voava. Mas eles decolaram, voaram e chegaram. Em 1932, aquelas duas cartinhas há haviam ficado para trás e as linhas do CAN tinham 3.630 quilômetros de extensão. Os pilotos voaram nesse ano 127.100 quilômetros, transportaram 17 passageiros e 130 quilos de correspondências. Sete anos depois, em 1939, o Correio Aéreo chegou 19,7 mil quilômetros de linhas, 1,8 milhão de quilômetros percorridos, 542 passageiros e 65 mil quilos de carga transportada. Na sequência, o CAN participou da 2ª Guerra Mundial e integrou de vez as regiões mais afastadas do País.

O CAN cresceu e ampliou o alcance de suas asas. Os mantimentos que o Brasil hoje envia para países que necessitam de ajuda, como o Haiti, são organizados nos hangares do CAN em todo o Brasil.

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Aviões do Correio Aéreo Nacional
Anos 1930 – Curtis J-2 Fledgling
Anos 1940 – C-47 Douglas
Anos 1950 – CA-10 Catalina
Anos 1960 – C-115 Búfalo
Anos 1970 – C-95 Bandeirante
Anos 1980 – C-98 Caravan
Anos 2000 – C-115 Amazonas

Fique atento
– Qualquer pessoa pode se inscrever para viajar gratuitamente no CAN. Para isso deve comparecer pessoalmente a um Posto CAN de origem, preenchendo uma Ficha de Inscrição e anexar cópias da identidade, CPF e comprovante de residência.

– A viagem está condicionada à disponibilidade de voos de transporte e do tipo de missão da Força Aérea Brasileira para o destino desejado, assim como do número de vagas colocadas à disposição do CAN.

– Não existe um número específico de vagas, que é condicionado ao tipo de aeronave utilizada e das vagas disponibilizadas.

– As aeronaves de transporte da FAB realizam voos não regulares com diversas origens e destinos e as vagas para pessoas inscritas no CAN são disponibilizadas em aproveitamento de missão.

– A inscrição de menor de 18 anos, somente será aceita se efetuada pelos pais ou pelo responsável legal, mediante a apresentação de documentos comprobatórios.

– Para mais informações, os interessados devem entrar em contato com uma das seguintes localidades disponíveis em: http://www.fab.mil.br/perguntasfrequentes#Viajar-pela-FAB.

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Uma resposta em “O CAN redescobriu o Brasil

  1. Parabéns ao CAN e pilotos que prestam excelentes serviços ao Brasil, mantendo as pessoas a continuarem a receber noticias de familiares e amigos distantes, matando saudades ou promovendo negócios por esse meio eficaz de receberem suas correspondências.

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