É chato, mas necessário

o-OXYGEN-MASK-PLANE-570Por que temos que voltar a poltrona para a posição vertical em pousos e decolagens? Por que temos que colocar a máscara de oxigênio em nós antes de auxiliarmos crianças? Por que as luzes são diminuídas no começo e no fim dos voos noturnos? O blog pesquisou e responde sobre essas e outras “chatices” que os passageiros precisam seguir dentro do avião.

Mariana Monteiro

“Para maior conforto e segurança, as luzes da cabine serão reduzidas”. Quem já pegou um voo noturno certamente ouviu essa frase. Mas por que a iluminação tem que ser menor em pousos e decolagens à noite? Você sabe por que temos que voltar a poltrona para a posição vertical no começo e no fim da viagem? Que diferença o posicionamento do meu corpo fará dentro de um avião daquele tamanho? E em relação à mesinha, por que não podemos usá-la durante todo o trajeto?

Ao contrário do que possamos pensar, essas regrinhas não são chatices impostas pelas companhias aéreas. As normas realmente trazem mais segurança – e bem-estar –, e são regulamentadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com o respaldo das companhias e fabricantes de aeronaves. Mais do que isso! Elas cumprem requisitos de segurança da International Civil Aviation Organization (ICAO) e International Air Transport Association (IATA).

Ok, sabemos que é uma exigência internacional. Mas e os porquês de tudo isso? Bom… a redução da iluminação é para que os comissários de bordo visualizem o exterior da aeronave com clareza, caso haja uma situação adversa em que seja preciso evacuação. Quando ligadas, as luzes de dentro do avião refletem nos revestimentos das janelas e viram espelhos que podem impedir que a tripulação enxergue possíveis obstáculos no local do pouso, como fogo, água ou um penhasco. Assim, os passageiros podem ser orientados sobre a melhor saída de emergência. A mesma lógica serve para as persianas das janelas, que devem estar levantadas nos pousos e decolagens, mesmo que seja dia.

Gwyneth Paltrow plays a flight attendant in View From The Top.Já em relação à poltrona, a questão é de saúde mesmo. Quando o avião pousa ou decola, há maior aceleração ou desaceleração. Esses movimentos causam pressão em nosso corpo, gerando desconforto e até lesões. E quanto maior a inclinação, maior a pressão. Por isso é recomendado que o viajante fique na posição mais vertical possível.

Mas e o fechamento da mesinha? Vamos combinar que essas regras não foram criadas para quem tem (muito!) trabalho a fazer e aproveita o tempo de voo para isso, não é mesmo? A mesinha é essencial para apoiarmos o laptop, tablet, caderno e afins. Sem falar nas mamães e papais que a usam como suporte para todas as parafernálias que uma criança precisa ter por perto.

Certo, querido, mas você já parou para pensar que a mesinha pode se tornar uma arma em caso de pouso de emergência em pista com obstáculos? Pois é justamente por isso que temos que fechá-la. Numa eventual desaceleração brusca, somos projetados para frente, mesmo com o cinto, podendo machucar nosso corpo. Além disso, no caso de uma evacuação forçada, a mesinha pode atrapalhar os passageiros a saírem do avião com rapidez e segurança.

Em meio a essas regras chatinhas, convenhamos, mas extremamente necessárias, ainda temos a máscara de oxigênio, que “cairá sobre nossas cabeças em caso de despressurização da cabine”. A pergunta que provavelmente muita gente faz a si mesmo sempre que recebe as orientações na decolagem: por que temos que colocá-la em nós antes de auxiliarmos crianças ou pessoas com dificuldades? Você que é pai, mãe, avó, avô, madrinha, padrinho, tia ou tio conseguiria não priorizar seu ente querido? É meio instintivo proteger a “cria”. Pois bem, emocional à parte, a instrução faz todo sentido. Precisamos garantir a nossa respiração e integridade física, para termos condições de ajudar os pequenos ou alguém com dificuldades. Afinal, se não estivermos bem, como cuidaremos do outro, não é mesmo?

ELETRÔNICOS

30102014.SelfieOutra coisa que incomoda bastante o passageiro é ter que desligar o celular ou qualquer outro aparelho eletrônico em determinados momentos do voo. Mas você sabia que desde outubro isso mudou? A Anac liberou o uso de eletrônicos portáteis durante todas as etapas da viagem de avião, inclusive no pouso e decolagem. A única exigência é que o viajante respeite regras de segurança, como acionar o modo avião e manter o bluetooth e o wi-fi desligados. Os aparelhos podem ser utilizados em aviões que passaram por testes ou avaliações específicos sobre a imunidade à interferência dos dispositivos portáteis. No entanto, cabe às companhias aéreas solicitar permissão à Anac para liberar o uso dos equipamentos. As empresas devem apresentar documentação com avaliação de risco.

OBSERVAÇÃO: As normas comentadas neste post também podem ser conhecidas nos cartões de instrução que ficam guardados nos bolsões das poltronas das aeronaves.

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8 respostas em “É chato, mas necessário

  1. Interessante. Eu sabia que, a redução nas luzes da cabine de passageiros, tanto no pouso quanto na decolagem, era devido a serem estes os momentos em que a aeronave exige maior demanda de potencia nos motores, devendo estar esta potência disponível para situações de emergência.

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  2. E pq, em vôos intercontinentais, durante o dia, devemos mantes as janelas fechadas ? Já escutei que é por causa dos raios solares, por causas fisiológicas do fuso tão diferente, etc….

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    • Em voos internacionais, especialmente os transoceânicos deve-se fechar as persianas porque os raios solares são mais intensos, já que as aeronaves voam em maiores altitudes nesse tipo de voo. E claro, para a luminosidade não incomode quem deseja descansar, afinal tratam-se de voos longos.

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  3. Li o blog, é bom. Mas, os assentos precisam ser vertical, não por causa da pressão o corpo. Na posição reclinada, é difícil para os passageiros para evacuar em caso de emergência – como as mesinhas.

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  4. Wilson, eh exatamente por isso. Para que as pessoas possam descansar. Quanto a reducao das luzes alem do que ja foi comentado, tambem serve para que os passageiros possam identificar mais rapidamente uma saída de emergencia além dos avisos luminosos serem melhor interpretados. Quanto a potencia dos motores, nao se alteram em nada com a carga eletrica, que inclusive, falando de luzes, eh mínima para a capacidade dos geradores.

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